The Dark Knight

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O estilo de vida de um autor costuma intrigar as pessoas, são freqüentes perguntas como “de onde você tira suas idéias” assim como “ir à FLIP é trabalho ou turismo?” ou “você passou a tarde lendo uma história em quadrinhos?”. E é quase inevitável a reação de espanto diante da franca resposta de que “sim, isso faz parte do meu trabalho”. Contudo, diante do benefício evidente, há um outro lado compensatório que se manifesta a partir da cobrança de “mas você ainda não... viu essa série?” ou “...leu tal livro?”.

Após uma estréia como The Dark Knight, seria virtualmente impossível começar a semana ileso das perguntas, ainda mais uma semana com maratona de reuniões. Então, o bom Storyteller vai se preparar, nem que isso custe 3 horas numa odisséia por um par de ingressos.

O primeiro ponto a se considerar é o fato de que essa nova filial do Batman assinada por Christopher Nolan é, indiscutivelmente, a mais realista. A verossimilhança é muito mais levada a sério e isso agrada uma nova geração de expectadores – muito mais exigente com relação às histórias e menos preocupada com questões como “cadê a Batcaverna?”. Isso é tão evidente que se trata do primeiro filme do Batman que não leva o nome do personagem no título.

A nova geração em questão é aquela que nasceu vendo filmes, séries e novelas e, por isso, teve um contato maior com histórias se comparado à geração que apenas lia livros. As histórias foram sendo refinadas, as licenças literárias foram sendo derrubadas e esse novo autor demorou cerca de 40 minutos do primeiro filme para explicar como uma pessoa “comum” (rica, porém mortal e sem poderes) se tornaria um super-herói.

Mas não se trata apenas de entretenimento. O cinema Hollywoodiano - cada vez mais refinado e competente para contar histórias realistas, verossímeis e inquestionáveis pelo ponto de vista da lógica – também tem a função de transmitir os valores sociais norte-americanos e “vender” o American Way of Life.

O que a Storytellers faz com marcas, produtos e mensagens corporativas, Hollywoood faz para o sistema e o governo norte-americano. No “Batman Begins” a Liga das Sombras – uma instituição milenar que luta para “balancear e equilibrar” o planeta – é dada como responsável pela destruição de vários povos através da história. E mesmo com muita experiência, treino e adaptação, a Liga das Sombras “perdeu” para os EUA. Já o Dark Knight “ensina” que não se pode confiar nem nos produtos, nem nos executivos chineses. Indepententemente do que digam seus diplomatas; é isso que mostram suas histórias.

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