Dimensão Organizacional

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Em todas as épocas, os autores sempre tiveram suas influências. O leitor mais atento já deve ter percebido que cultivamos uma certa admiração pelo JJ Abrams, o cara responsável por Lost (além de outras séries e filmes). Eu mesmo já escrevi sobre Cloverfield, seu último filme, e a "mystery box", um conceito que ele utiliza em suas histórias. O Palacios já o usou como assunto entre dois personagens, em uma história sobre os 6 graus de separação e, recentemente, fez um link entre isso e sua mais nova série, Fringe.

Pois bem, venho nesse post retomar Fringe e, pra variar, falar de JJ Abrams. Antes mesmo do seriado estrear, os fãs mais atentos viram pelo trailer que logo no primeiro episódio havia um desastre de avião, assim como em Lost. Seria JJ Abrams obcecado por desastres de aviões?

A partir daí o Palacios desenvolveu uma ótima teoria capaz de explicar essa coincidência. Em resumo, avião é um bom recurso para juntar gente de tudo quanto é canto do mundo em uma história.

E é mesmo. Mas, no momento que escrevo esse post já vi até o terceiro episódio e, sem prejudicar quem ainda não passou por essa experiência, adianto que, ao contrário de Lost, em Fringe o avião é só mais elemento, um caso a ser solucionado que acaba ali mesmo, no único episódio em que aparece.

Mas não se preocupe, JJ Abrams revela, logo de cara, que o padrão de suas séries é outro: grandes organizações. Assim como a misteriosa Iniciativa Dharma em Lost, e a Tagruato, empresa que está ligada aos acontecimentos de Cloverfield, uma tal de Massive Dynamic logo de cara aparece em Fringe.


Organizações e empresas fazem parte da vida das pessoas, e por isso não teriam como não fazer parte da vida de personagens contemporâneos. A novidade é que JJ Abrams explora essa dimensão com maestria, fazendo com que empresas fictícias deixem de ser apenas cenários, tornando-as parte importante da trama.

Da Massive Dynamics ainda não dá para falar muito, a não ser que eu já estou intrigado, mas pegando a Iniciativa Dharma como exemplo é fácil entender a metodologia. Muito mais do que um simples dado do contexto, JJ Abrams trata do assunto com incrível detalhamento. Logomarca, uniforme, filosofia, objetivos. Está tudo lá, e cada uma dessas coisas tem seu motivo de ser.

Uma organização bem construída sempre pode ajudar no desenvolvimento da história. Quem já trabalhou em empresa sabe que o ambiente corporativo é uma rica fonte de conflitos, intrigas e toda sorte de gatilhos para as mais variadas emoções. Grande parte da população urbana passa pelo menos um terço do dia em escritórios, portanto, além do trabalho, é lá que muitas vezes as pessoas vivenciam romances, vinganças, dilemas etc.

Fugindo um pouco da órbita do JJ Abrams, é possível citar pelo menos mais dois exemplos disso. Ainda no campo dos seriados, o impagável The Office já diz tudo pelo título. Para quem não conhece, basta dizer que é protagonizado pelo Steve Carell, novo queridinho das (boas) comédias pastelônicas americanas. E, no campo da literatura, One Night @ the Call Center é um romance do escritor indiano Chetan Bhagat, que curiosamente também trabalha em um banco de investimentos. A trama se desenvolve em torno de seis funcionários de um call center no subúrbio de uma cidade indiana.

E você? Se lembra de mais algum exemplo de história onde a empresa praticamente torna-se um personagem? E de que forma empresas reais podem utilizar esse recurso?

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