"HISTÓRIA". USE COM MODERAÇÃO.




Pulei de site em site, como de galho em galho, me dependurando em manchetes e twites em busca de um parágrafo mais doce que ainda não houvesse caido da arvore lá pra página 20 do google. Lá de longe, nem lembro onde, encontrei uma frase bonita, que me chamou a atenção, não dava muito bem para ver o que era, mas três palavras eram claras: "ballantine's", "quadrinhos" e "história", algo me chamou a atenção e eu decidi buscar mais informação sobre aquilo. 

A antecipação era grande, uma marca de whisky, o meu predileto, contando uma história, o sorriso escapava por entre os pensamentos cautelosos capazes de prever possíveis decepções com horas de antecedência. Mas não consegui evitar, a curiosidade criou expectativas, mais algumas páginas, mais alguns pulos e tropeços causados pela pressa e pronto. A página do Ballantine's Brasil no Facebook. 

Estou chateado, de verdade. Magoado. Quem sabe um dia eu entendo o descaso, o desapego, a "desvontade" desse povo para com as palavras. Não é assim, bagunçado, nem tão simples... história... não basta dizer o que aconteceu, basta? Não basta, escrever em um balão e desenhar... cada coisa mais descabida que colocam no balão desses desenhos hoje em dia... não basta fazer quadrinho e dizer que é história, o manual da TV tem quase 200 páginas e não é livro, não é literatura. É claro que esse sentimento todo é culpa minha, um tanto de exagero de um escritor que ainda romantiza o que não conhece. Talvez seja a falta de experiência que me deixe tão exagerado. 

Pois é, meus amigos, o manual não está errado em ser um manual e eu juro, em um momento de ócio, eu já o li, do começo ao fim. O problema é dizer que o manual é a história da TV. A forma tanto faz, o que importa no fim das contas é o conteúdo. Nem todo vídeo é um filme assim como as instruções de segurança do avião, apesar de terem quadrinhos, não são nem revista, nem história. Pois é, procurei e procurei um pouco mais, mas no fim eu só achei os quadrinhos e me perdi em mais e mais galhos e páginas do facebook procurando a história. Não estou dizendo que é errado usar outros formatos para falar da sua empresa ou se comunicar com o seu público, estou apenas dizendo que as instruções de voo em um avião estão em quadrinhos e nem por isso são uma história. Não que a campanha não seja boa, mas não sei se a palavra "história" é adequada para a situação. "Quadrinhos com certeza" mas a história deixou a desejar e acabou se revelando apenas tirinhas com piadas e pequenas situações bastante óbvias falando de consumo consciente. Não achei o conflito e os personagem vão assim como aparecem, vivem no máximo por três quadrinhos, assim não dá tempo de conhecer ninguém, muito menos de criar laços. Não que eu quisesse uma saga de heróis, mas talvez uma série de tirinhas. Eu diria até, ousadamente, que manter o personagem por mais de um tirinha seria interessante, faria com que nos conectássemos melhor, lembrei da Mafalda e pensei: "Que graça teria a Mafalda se amanhã fosse Joaninha e depois Gabriela?" 






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