ESCREVENDO COM MARCEL PROUST



No livro “O Caminho de Swann”*, do escritor francês Marcel Proust, o narrador começa a se lembrar com mais clareza de sua infância, na pequena cidade de Combray, a partir de um episódio singular: o consumo dos famosos madeleines – pequenos biscoitinhos tradicionais da França.

Durante muito tempo, o narrador não tivera a chance de voltar a experimentar a iguaria, que, ao ser saboreada novamente, entre goles de chá, trouxe lembranças há tanto adormecidas. Mas Proust não se contenta em resumir a experiência em um parágrafo curto.

Na edição da obra que tenho em mãos, gasta boas três páginas relatando como os madaleines foram capazes de promover uma admirável e longa viagem pela memória. Mais do que isso, os biscoitinhos são um ponto-chave, servindo de pretexto para o desenrolar dos fatos. 
  
Vale destacar um trecho:
“E de súbito a lembrança me apareceu. (...) E logo que reconheci o gosto do pedaço de madeleine mergulhado no chá que me dava minha tia (...), logo a velha casa cinzenta que dava para a rua, onde estava o quarto dela, veio como um cenário de teatro se colar ao pequeno pavilhão, construído pela família nos fundos (...); e com a casa, a cidade (...)”.

Para Proust, foram os madeleines. E para você, caro storyteller? O sabor da macarronada que a vovó preparava? Uma fotografia descolorida? O perfume da ex-namorada? Jornais em um velho sebo? O tique-taque do antigo relógio do pai? Pare para pensar, revisite o passado. Se possível, como incentivo à inspiração, repita experiências que não tem vivido há um bom tempo. Elas ainda podem levar a um grande passeio pelo tempo, ajudando a render uma ótima história.       

*“O Caminho de Swann” é o primeiro livro da série “Em busca do tempo perdido”. 



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