AS LIÇÕES DA TELENOVELA: EPISÓDIO 2


Nossas séries ainda engatinham. Nossos filmes, vezes deslancham, vezes encalham. Nossos livros até andam, em círculos. 

Gostemos ou não, o formato de história que é a cara do Brasil ainda é a telenovela. Complexo de vira-lata à parte – temos muito o que aprender com as novelas brasileiras. Esse é o segundo de 4 episódios sobre as telenovelas brasileiras.


Quando a Globo anunciou que a próxima novela das 6 seria de Benedito Ruy Barbosa, muitos atores tiraram o corpo fora. Isso porque Benedito tem a fama de atrasar roteiros, entregar tudo em cima da hora da gravação. Mas a Globo evitou isso: fez com que o autor entregasse o roteiro completo, pronto, antes mesmo da estreia.


Essa decisão não só aliviou os atores, como deu força à trama. Entre o amor e o ódio à novela, o primeiro elogio a ser feito para “Meu Pedacinho de Chão” é à sua construção dramática.

1) PERSONAGENS
Se na semana passada os personagens foram alvos de crítica, hoje são de elogios. A começar pelos números. Na construção de uma história, assim como numa casa, os personagens são os tijolos que sustentarão a narrativa. Sem personagens não há história, sem paredes não há casa que pare em pé.

Meu Pedacinho de Chão provou que quantidade não é qualidade: com apenas 23 personagens na história (contra 68 e 56 das duas novelas anteriores do horário, e quase 100 de “Em Família”), a novela tem poucos, mas ótimos personagens. É possível ver a profundidade em cada um deles e até identificar seus arquétipos. Ninguém está na trama por acaso.

2) DETALHES
Há uma máxima que diz: “As boas histórias são contadas nos detalhes”. Basta assistir uma cena de Meu Pedacinho de Chão e enumerar quantos detalhes ela tem. Desde o cenário, construído totalmente do zero e muito mais do que um desgastado Leblon, passando pelos animais e pelos incríveis figurinos.

Tudo isso confere à novela um ar teatral. Cada elemento de Meu Pedacinho de Chão enriquece o universo da história – que mais parece uma fábula. Não por acaso os figurinos da novela ganharam uma exposição no Rio.

3) REFERÊNCIAS
Não é novidade que, ainda que a passos de elefante, a Globo tem procurado reinventar seu modelo de novela. Para isso ela não tem medo de buscar referências naquilo que está em alta mundo afora. O novo traje de Zelão, quando o inverno chega, remete a Jon Snow de Game of Thrones. Gina é a cara da Merida, de Valente. São referências que vão além da estética até as características dos personagens.


Pessoalmente, há tempos não assistia uma novela tão bem construída e divertida quanto Meu Pedacinho de Chão. Àqueles que assistiram uma vez e não gostaram, vale ligar a TV às seis horas e assistir com outros olhos. Horário das seis este, aliás, que tem sido um grande laboratório à inovação nas novelas da Globo.

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