Entre Marcas e Mundos fantásticos



O repentino sucesso das produções Marvel vem trazer luz a reflexões que a tempos defendemos aqui no blog: Marcas podem hospedar universos inteiros e conectar pessoas a níveis épicos.

Guardiões da Galáxia, por si é um filme de sucesso, sozinho arrecadou cerca de meio bilhão de dólares em todo o mundo depois de três semanas no lançamento.  Entretanto há um pensamento que pode supervalorizar este resultado.

É um pensamento que apela para o hábito humano de colecionar coisas, principalmente quando nos tornamos fãs de algo.  Um mundo de histórias compreende uma gama enorme de produtos licenciados, desde action figures, exposições, roupas, etc e etc...

Até aí um nível que muitas marcas já alcançaram. O que o Storytelling (com S Capitular) pode oferecer a essas marcas é uma compensação mitológica para qualquer esforço de conexão que alguém tenha em relação ao seu mundo.  É como em qualquer jogo, sem uma boa história a ação de matar monstrinhos se torna simplesmente mecânica, com um bom plano de fundo ela se torna uma tarefa que pode levar a evolução da raça humana, uma etapa inicial de uma grande jornada.


É extremamente fácil encontrar jovens e crianças que conhecem características de algum mundo ficcional com maior propriedade do que conhece a geografia do seu país.




Essa é mesmo uma forte condição humana. Campbel dizia que "Mitologias são músicas que a gente dança, mesmo quando não podemos reconhecer a melodia".  E Jung defende que "A fantasia sempre foi e sempre será aquela que lança a ponte entre as exigências inconciliáveis do sujeito e objeto, da introversão e introversão".  Na prática, somos criaturas que pedem inconscientemente por boas histórias e que sejam fantásticas para aliviar a tensão da realidade.


Agora vamos voltar ao pensamento de colecionar coisas e dos produtos licenciados para o Guardiões da Galáxia e relacionar ele com os hábitos de consumo de mídia que imperam nas ultimas décadas.  Sabemos que uma só mídia não sustenta o entretenimento de qualquer pessoa. Já é crescente o número de pessoas que assistem TV com celulares, tablets e gadgets sem fim.  Inclusive também cresce o número de jovens que assistem mais ao Youtube do que a TV convencional nos EUA. 

Isso apenas nos abre novas possibilidades para mergulhar a audiência no mundo de uma história com profundidade e o mais importante, gerar consistência para a realidade do seu mundo.  Quando o mundo alcança esse nível, então passa a habitar histórias sem fim... inclusive criadas pela sua audiência - isso é, aliás, um dos quesitos que definem um fã para Henri jenkis.  



Imaginem a possibilidade de um consumidor adentrar o universo de uma marca e se engajar a ponto de habita-lo e construir uma nova vida (imaginária) lá. 

Esse é o nível que as produções cinematográficas e/ou religiões conseguem atualmente e o que as marcas almejam. As pessoas estão consumindo tudo o que é possível dessas produções e elas não param de expandir.  O poder comercial de Guardiões das Galaxias é apenas uma peça dentro de um quebra cabeça chamado "universo Marvel"... um plano que vem se construindo há mais de uma década com outras produções como "Homem de ferro", "Vingadores", "X-Men" e em breve com 5 seriados exclusivos para o Netflix.

Este é um universo ficcional persistente que se estende por uma variedade de plataformas de mídia, aonde cada peça é uma adição autônoma para uma mitologia maior construída sobre seus heróis e deuses...  
isso nos leva a pensar: até onde vai o universo da sua marca?

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