Cinco semelhanças entre Game of Thrones e a Pedra do Reino



Game of Thrones é o nome da série de TV que procede os livros das Crônicas de Gelo e Fogo, cujo primeiro volume é especificamente a Guerra dos Tronos. Não há dúvidas que esta obra de G. R. Martin revolucionou a cultura pop da última década, aliás já foi considerada uma das melhores obras do século.  Entretanto, nem só de romances medievais europeus vive a "boa" literatura de fantasia.

Aliás esse post é sobre uma obra que veio provar este argumento: O Romance d'A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta.  Vejamos a sinopse:


 O personagem-narrador, Quaderna, é preso em Taperoá por subversão, faz sua própria defesa perante o corregedor e, para tanto, relata a história de sua família, escrita na prisão. Declara-se descendente de legítimos reis brasileiros, castanhos e "cabras" da Pedra do Reino - sem relação com os "imperadores estrangeiros e falsificados da Casa de Bragança" - e conta o seu envolvimento com as lutas e as desavenças políticas, literárias e filosóficas no seu reino.


Assim como os livros de Martin, a Pedra do Reino também se tornou um marco brasileiro para o mundo - e para mim, a obra prima da fantasia verdadeiramente brasileira.  Vamos falar de algumas semelhanças para você poder compartilhar suas ideias com a gente. 


Um livro a cada 10 anos

Sabe-se que esse foi o tempo médio de escrita de cada um dos livros da série Crônicas de Gelo e Fogo, do G. R. Martin. Tamanho era o universo ficional que ele estava criando e tão densas eram as relações que ele estava planejando para seus persoagens que um tempo menor poderia deixar a obra prejudicada.  

Não foi diferente com Suassuna, O Romance d'A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta começou a ser escrito em 1958 e foi trabalhando como um artífice, pois tinha grandes pretensões com essa obra. 


Uma estrutura inovadora

Alguns consideraram uma grande inovação quando abriram as páginas de A guerra dos tronos e não encontraram aquela estrutura básica de capítulos, a obra era separada por perspectivas dos personagens que vão narrando os acontecimentos. De forma que os narradores se repetem em momentos oportunos.

Novamente o romance do mestre Suassuna não perde em nada, ele é descrito como um "romance-memorial-poema-folhetim", pelo poeta Carlos Drummond de Andrade.  Através de folhetim, prosa e poesia o protagonista vai narrando todas as histórias (do presente e do passado) que levaram ao seu destino final.


Brasões, famílias e reinos

Aliás esse é o um dos maiores motivadores de conflito na série americana.  Cada família tem seu símbolo/brasão. O autor desenvolveu todo um sistema de Heráldica fantástica para seus personagens. 



O que torna a Pedra do Reino especial, uma das coisas, é que a pretensão que o autor teve com a obra era realmente de inaugurar um movimento Armorial,  cujo objetivo seria criar uma arte erudita a partir de elementos da cultura popular do Nordeste Brasileiro.  Na prática ele queria trazer todos elementos régios de culturas saxões para o sertão.  Então prepare-se para encontrar coisas como a Casa-da-Onça-Parda e categorias de guerreiros como o Cabra-do-rifle.  Suassuna foi extremamente feliz em transpor esses motivos e criar uma nova fidalguia sertaneja - o livro é cheio de ilustrações do próprio Ariano.




Um marco cultural 


Após o sucesso do seriado, Game of thrones inspirou exposições, peças de teatro e foi considerada uma das maiores obras do novo século. Da mesma forma, A Pedra do Reino foi considerada um marco, a princípio na paraíba, levando esta e outras obras a serem  traduzidas para inglês, francês, espanhol, alemão, holandês, italiano e polonês. Até hoje, a obra recebe a atenção de vários estudantes pelo mundo que buscam entender o movimento Armorial, instaurado com o livro.   Ainda na Paraíba foi erguido um teatro com o nome Pedra do reino e acontece uma cavalgada homónima, inspirada na obra. 


Toque do cruel realismo do mundo

De fato os elementos desvendados pelos livros das Crônicas de gelo e fogo podem chocar alguns, coisas como incesto e brutalidade são jogadas em forma de palavras na frente dos leitores.  Essa não é a intenção de Suassuna com seu romance, porém ainda assim algumas passagens podem expressar essa violência intensa. Como o próprio nascimento do protagonista Quaderna, que se deu em meio a um banho de sangue na tentativa de seu pai encantar as pedras do reino.  O ar picaresco do texto de Suassuna também aparece por várias vezes, os diálogos são extremamente inteligentes e engraçados como os de Tyrion Lannister (algumas vezes mais).  Pedro Dinis Quaderna também se mete em várias situações em que precisa usar seu pensamento ardiloso para sair vivo. 


Plus: Ambos receberam adaptações para a TV

Várias outras coisas ligam as duas geniais séries literárias, como uma quantidade de páginas robustas dos livros, uma coesão em todo universo ficional, uma árvore genealógica e mapa de relações bem trabalhados e para quem não tem paciência para ler tudo isso, uma adaptação televisiva - claro que perde muito do charme. 

Espero que possam ler e assistir ambas e não deixem de comentar aqui suas opiniões. :) 




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