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Se é que não houve um grande vencedor da premiação do Oscar deste ano, o que mais levou estatuetas para estampar as capas de DVD em breve na locadora mais próxima, foi “Aventuras de Pi”, do taiwanês Ang Lee.
Com o título original “Life of Pi”, o filme conta a história de um garoto indiano que teve seu barco naufragado em plena Fossa das Marianas – área das águas mais turbulentas dos sete mares – e viveu grandes emoções cruzando os oceanos à bordo de um bote e ao lado de um tigre. Digno de tirinhas de Calvin e Haroldo, o extraordinário impera e não poderia ser diferente nesse épico solitário pelos mares.


(ilustração de Victo Ngai para a revista "New Yorker")
Pra quem assistiu o filme e até agora só relembrou o que viu, deve lembrar também da grande questão que o espirituoso Pi (que é ao mesmo tempo cristão, muçulmano e hindu, isto é, as 3 maiores religiões do mundo) nos deixou na cabeça ao fim do filme: Qual história você preferiu, a do garoto, do tigre, do orangotango e da hiena ou a do garoto, da sua mãe, do budista e do cozinheiro?
A não ser que você preencha o clássico estereótipo do “crítico chato de cinema”, ou que seja um dos representantes da companhia do cargueiro japonês naufragado “Tsimtsum”, você deve ter preferido a primeira. Porque histórias são sobre fatos extraordinários, e contadas nas telonas resultam em prêmios como de melhor diretor para Ang Lee, ou de melhor fotografia para Claudio Miranda.
Ainda que uma história cheia de espiritualidade (com direito a primorosos capítulos sobre o assunto no livro de Yann Martel – que deu origem ao filme), nota-se que em nenhum momento discutiu-se sobre qual é a história verdadeira. Para tal, e para encerrar o texto, faço minhas as palavras do sábio Mario Vargas Llosa:
“A ‘irrealidade’ da literatura fantástica se transforma, para o leitor, em símbolo ou alegoria, quer dizer, na representação de realidades, de experiências que se pode identificar na vida.”



Essa é uma história contada no futuro, uma hipótese para dizer a verdade. Os longos tapetes vermelhos irão se estender, estrelas e astros irão desfilar seus talentos, vestidos, ternos e, quem sabe, extravagâncias. O mundo das telonas irá invadir as telinhas do mundo inteiro e o cinema terá mais uma noite de celebração.

Daqui a pouco começa a premiação do Oscar 2013, então eu adiantei o post de hoje para quem sabe ajudá-los a entender um pouco mais dessa festa. Uma das primeiras coisas que eu acho que devemos ressaltar é que a premiação e suas categorias já nos ensinam uma ótima lição de storytelling. São ao todo 24 categorias premiadas, indo desde maquiagem e figurino até melhor filme, o que só mostra o quão complexa é essa história de contar histórias. É claro que estamos falando de filmes, mas e se você pensar no seu próximo conto, livro ou artigo como uma história merecedora do Oscar? Será que suas palavras são capazes de fazer o leitor ver a maquiagem de cada um dos personagens, sem que você precise enrolar por horas sobre o assunto? Será que você consegue sair um pouco do papel de roteirista e sair do story para pensar no telling como um diretor? Será que é possível transmitir em palavras a complexidade de um filme? 

Essa última pergunta eu posso responder tranquilo e dizer que sim, é possível desde que sejamos capazes de entender a diferença entre as várias linguagens que podemos usar para contar uma história. Me lembro de um livro que li quando era criança, um livro que por muito tempo eu achei que era um filme, pois na minha cabeça sou capaz, até hoje, de ver cada cena daquela história. A prova disso é o próprio Oscar, afinal, meus amigos, histórias de cinema começam com roteiros e só depois disso são interpretadas por talentosos diretores, maquiadores e figurinistas. Pergunte para um ator ou diretor qualquer e eles te dirão que não há nada melhor que trabalhar com um bom roteiro, um pedaço de narrativa escrita capaz de fazê-los imaginar suas próprias visões de cada uma das cenas. Se eu ainda não os convenci, tenho mais um simples fato na manga, dos 10 filmes indicados para melhor roteiro, original e adaptado, 8 fazem parte da lista de indicados a melhor filme. Pois é meus amigos, quem sabe não seja a hora de começar a pensar na iluminação e na maquiagem de nossos próximos contos? 





Uma aula de como fabricar um bestseller, os 50 Tons de Cinza renderam uma série de posts em janeiro:

- O que é essa mania de 50 Tons de Cinza - uma introdução para quem nem mesmo folheou o livro.

- As 5 técnicas dos 50 Tons - as técnicas de storytelling que fizeram dessa saga, um fenômeno mundial.

- As 5 marcas dos 50 Tons - quais empresas que pegaram carona e lucraram com a história.

- Uma tradução precipitada - sobre as diferenças entre as versões linguísticas da obra.

- Os tons por trás das páginas - um estudo de todo o movimento dos bastidores e da propaganda:




Por último, na semana passada os 50 Tons de Cinza foram o tema do Primeiro Hangout Brasileiro de Inovação em Storytelling. Até por isso, essa primeira edição foi carinhosamente chamado de 50 Tons de Storytelling. Para quem quiser ver o que rolou, abaixo um vídeo com os melhores momentos editado por Pedro Kastelic.




Depois de toda essa diversão, resolvemos tornar a iniciativa mensal.

O próximo já tem data e tema: dia 25 de fevereiro e a escolha do tema vai para........ os filmes do Oscar!

Clique aqui e venha celebrar com a gente.