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O J.J. Abrams é o rei do "e se..." e se você não se lembra de quem ele é vamos passar por algumas de suas ideias para refrescar a memória.



E se um avião caísse em uma ilha desconhecida pela humanidade e todos ficassem presos por lá? E se essa ilha fosse dominada por um empresa/instituição super-secreta? Mas, e se a ilha tivesse vida? Ou se houvessem dinossauros? Ou se eles acreditassem que era um dinossauro mas não era? 

A quantidade de "e se..." que podemos encontrar no roteiro de Lost é enorme, um adicionado ao outro formando uma trama de linhas bem costuradas e contadas. Uma narrativa forte e bastante polêmica, do jeitinho que o nosso querido Adams adora trabalhar. Bom, já lembramos quem ele é, então vamos ao seu último e mais recente "e se..."? 

Acredito que muitos de vocês tenham visto o superbowl, aquele show de comerciais e habilidades publicitárias interrompido por uns jogadores de futebol americano e um ou outro astro pop. Pois é, no último evento desses as luzes se apagaram no estádio e o evento ganhou um toque de escuridão completa. O que lembrou a equipe de Revolution, a mais recente série de J.J. Abrams sobre "e se o mundo ficasse sem energia elétrica" de que o evento de maior audiência mundial seria uma boa ideia para promover a série. Mas o evento era exibido pela CBS e a série é da NBC, #comofaz? 

Eles foram rápidos no gatilho, se aproveitaram do "e se..." tão bem dominado pelo J.J. Abrams e usaram o twítter para dizer "isso é só um gostinho do que está por vir em 25 de março" (data da estréia da segunda temporada da série) e para trazer um pouco da série ao mundo real, publicando esta imagem: 
Como quem diz "e se isso funcionasse no mundo real também?"


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Enquanto abria o velho portão de entrada a moça se lembrou de tudo de um vez só. Lembrou de quando voltava da escola e corria para a cozinha sentindo o cheiro do almoço escapar pela janela. Pensou em todas as dificuldades que passou, e ainda passa, quando decidiu mudar para a cidade grande. Imaginou como seria a vida, hoje, se ela ainda morasse com os pais. 

- Filha! Ah! Que saudades meu amor! Vem, entra que o almoço já está quase pronto! 

- Oi, mãe? Tudo bem? - disse a moça com um sorriso no rosto enquanto corria para abraçar a senhora que a recebia de braços verdadeiramente abertos na porta da sala. 

- Tudo bem... e com você filha? Nossa! Como você tá magrinha, minha flor? Não tem comida naquela sua casa não? 

- Tem sim mãe, não estou tão magra assim, vai... cadê o pai mãe? 

- O pai tá lá dentro, cuidando do almoço... esse homem não me deixa mais cozinhar, sabia? 

- Calma mãe, ele só quer que você descanse... afinal você cozinhou pra gente a vida toda. Deixa ele fazer alguma coisa pra você de vez em quando vai.

- Oi filha! Vem cá, vem, prova esse molho, me diz se tá bom de sal. 

- Oi, pai! Tudo bem? - disse moça enquanto experimentava o molho direto da colher de pau que seu pai segurava na direção de sua boca. 

Aquele molho de tomate a fez lembrar um pouco mais da sua infância. Dos domingos de sol em que toda a família se reunia para preparar o almoço. Lembrou de Lucas. 

- Mãe, o Lucas vem hoje? 

- Não filha, ele está viajando de novo. Ele veio mês passado... - a mãe de Monica sempre justificou a falta do filho usando suas viagens de trabalho, mas a menina nunca acreditou. 

- Sei, sei. Mãe, eu queria ver umas fotos antigas, preciso de fotos minhas pequena para o meu próximo livro, você ainda tem aqueles álbuns de quando eu era pequena. 

Nunca ouvi falar de uma mãe que perdeu os álbuns de foto dos filhos. Logo chegaram álbuns e mais álbuns nas mãos de Mônica que olhava para as fotos e era atacada por um série de perguntas sobre o passado e o futuro. Em uma das fotos Monica estava ao lado de Bruno, um namoradinho da adolescência, e pensou - "e se eu tivesse aceitado o pedido de casamento dele? Onde será que estaríamos?" - tremeu de calafrios só de imaginar uma vida como a de sua mãe, para sempre na mesma casa, com a mesma rotina. 

- Venham, a comida está pronta! - anunciou o pai de Monica com orgulho do seu próprio trabalho. 

Seu Pedro, pai de Monica e Lucas, sempre disse que se pudesse teria se tornado chefe de cozinha. Aos fins de semana adorava cozinhar para os filhos, mas só sabia fazer uma receita de macarrão e alguns lanches. Hoje a mesa estava diferente, a panela deixava escapar um cheiro forte de camarão e as torradas com alho estavam excelentes. A aposentadoria tinha mesmo feito a diferença na vida culinária de Seu Pedro. A menina comia e pensava - "E se meu pai fosse mesmo chefe de cozinha?". Sonhou com uma infância diferente, como a filha de um chefe famoso, dono de um lindo restaurante na área nobre de São Paulo. - "Alex Atala que nada, o nome do momento ia ser Pedro Karr" - comentou a menina como se todos pudessem ouvir seus pensamentos. Mais e mais perguntas vinham a sua mente enquanto a menina revisitava o seu passado. 

E se o Lucas estivesse aqui ainda? E a se meu livro não ficar bom? E se descobrirem que o último livro é horrível? E se eu não conseguir terminar essa nova história? E se a minha vida mudasse por completo? E se...? 

No meio do último pedaço de torrada, Monica percebeu, que não conseguia mais não pensar nas possibilidades. Um hábito que adquirimos quando escrevemos muito. O "e se" é um bom jeito de criarmos novas situações e histórias para nossos personagens. 

E se a sua empresa usasse storytelling? Quem sabe não aumentavam as vendas, o engajamento? Quem sabe tem alguém no mundo que precisava ouvir a sua história para mudar de vida?