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Como professor parte do meu trabalho era entender as tendências e o pensamento das novas gerações, manter-me informado sobre suas referências culturais, artísticas e linguísticas. Esse trabalho de estudo do ser humano, que eu julgo necessário para qualquer professor, é um enorme aprendizado pessoal, além de profissional. 

Nos últimos tempos a discussão sobre o uso das novas tecnologias tanto em sala de aula quanto na publicidade tem sido motivo de reflexão da minha parte. A geração "touch", que já nasceu nativa ao uso de equipamentos como smartphones, tablets e notebooks é capaz de ver o mundo de maneira completamente diferente da minha geração, que apesar de ter inserido a tecnologia em sua vida muito cedo, não tem a tecnologia como um aspecto nativo da sua função social. Somos, com poucas excessões, imigrantes do mundo tecnológico em que vivemos atualmente. 

Tenho pensado muito no que isso significa para o storytelling e para a narrativa, em como essas tecnologias irão afetar a maneira com as quais contamos histórias e até, se essas tecnologias seriam o suficiente para alterar os grandes paradigmas que determinam como deve ser uma boa história. Semana passada eu postei aqui sobre os "convites" para dentro do universo ficcional necessários para o sucesso de uma narrativa e mesmo sem ser capaz de produzir nenhum tipo de certeza sobre o assunto, acredito amplamente no transmídia, não apenas como uma tendência, mas como um aspecto cada vez mais necessário no processo de comunicação atual. Quanto mais pontos de entrada um história tiver, mais fácil será de conquistar olhos e ouvidos para tal história, mas o transmídia é apenas a forma e a alteração da forma não é nenhum tipo de grande descoberta. O surgimento da televisão em meados do século 20 também forçou uma mudança radical na forma de se contar histórias. 

A grande pergunta que tem me tomado a atenção é se a alteração da forma será responsável por uma alteração do conteúdo. Joseph Campbell cunhou a "fórmula" do monomito ao perceber que todos os mitos que estudara, ou a maioria deles, psosuia uma estrutura bastante parecida. Se pararmos para pensar, ainda hoje, seguimos esses passos da jornada do herói na maior parte de nossas narrativas. Mas em uma sociedade onde a atenção se torna cada vez mais escassa o consumidor, para se tornar atento, está cada vez mais exigente, não apenas em termos técnicos e tecnológicos, mas também em termos culturais e de conteúdo. Negando cada vez mais o "mais do mesmo" apresentado pela indústria de entretenimento e pedindo por algo novo, algo que lhes chame a atenção, não apenas em diversas formas, mas também por diversos motivos. Será que as histórias que criamos e contamos serão o suficiente para satisfazer a fome de informação de uma geração que recebe hoje uma quantidade de informação inimaginável há 10 ou 20 anos atrás? Será que a mudança de forma, será mais uma vez a grande catalizadora da necessidade de inovação que se mostra presente? Será que o conteúdo, apesar de sempre diferente, continuará o mesmo para as novas gerações? 

Essas são perguntas para as quais eu não consigo encontrar respostas, nem mesmo do tipo mais superficial, mas que considero de extrema importância para todos que se aventuram em qualquer tipo de mercado da informação, da educação ao entretenimento, entender quais são as histórias contadas por um povo pode ser a chave para conhecer os indivíduos que o formam. 

"O excesso de informação gera a escassez de atenção". Essa premissa proposta por Herbert Simon pode nos ajudar a entender um pouco melhor os recentes movimentos, tanto de agências quanto de anunciantes, em busca do storytelling.

Em um mundo com celulares inteligentes, tablets, notebooks e até vídeo games capazes de nos conectar com a infinidade de informações da internet, conseguir a atenção do consumidor/leitor é o maior desafio do comunicador. A geração Y não costuma perder tempo com o que não lhes interessa e é o nosso trabalho criar conteúdo e propaganda que interessem. Afinal, antes de trocarmos produto por dinheiro, nós trocamos conteúdo por atenção e é por isso que o mercado acostumado a lutar por "share of market",  "mind" e "voice" deve se preparar cada dia mais para ganhar o share de olhos e ouvidos desse grupo de consumidores que não param suas atividades facilmente para ouvir o que temos a dizer.

Mas eu não vou me prolongar sobre o assunto e vou passar a palavra para o Fernando Palacios que explicou tudo isso de maneira bem fácil e prática na entrevista pro vlog do Ideia de Marketing  dessa semana. É só apertar o play e se preparar para aprender um pouco mais sobre storytelling, branding e narrativa.



O mundo mudou e as pessoas hoje em dia tem pouco tempo para o que não lhes acrescenta nada na vida. Vivemos na época da informação e por mais clichê que seja,não deixa de ser verdade e precisamos nos adaptar. A geração “Millenium” ou geração Y é ansiosa e empreendedora. Gasta horas do dia em busca de informação e novidades e é treinada para ter ideias que ajudem aos outros de alguma maneira. Busca oportunidades nas dificuldades, criando cada vez mais, produtos mais simples, estéticos e utilitários. É uma geração que discute o crowd e os movimentos sociais a partir de likes e shares, uma geração que vive on e off line, tudo ao mesmo tempo. Sempre cheia de sonhos cada vez mais ousados.



Com tantas telas em mãos não adianta mais tentarmos atacar o consumidor comprando espaços e forçando repetições nas mídias de massa, hoje, nossas estratégias devem ser mais cuidadosas e os investimentos devem ser feitos nas mídias certas para atingir as pessoas certas, afinal, quando entra o intervalo comercial eles não apenas mudam de canal, mas dão uma olhada no facebook no notebook enquanto respondem um whatsapp e quem sabe até twittam alguma coisa do tablet. A atenção se tornou o item mais desejado da comunicação e só há um jeito de se ganhar atenção: Seja interessante. 

No meu primeiro curso de storytelling eu fiquei encantado com a tecnologia de contar história para marcas pelo simples motivo de aquelas campanhas não se pareciam em nada com o intervalo comercial. Na verdade, se a coisa for bem feita, eu nem ligo pro fato de aquilo está me vendendo um produto, serviço ou ideia, eu assisto porque acho bonito, legal, interessante e quem sabe, se o produto for bom, fico até feliz por ter me divertido tanto com alguma coisa e ainda descobrir algo que vai mudar a minha vida de alguma maneira, mesmo que simples. Para mim é isso que o storytelling faz. Usamos histórias para criar conteúdo e informação que possa facilmente ser confundida com entretenimento, ou melhor, que seja, no final das contas, uma obra de entretenimento que também apresenta ao consumidor um produto e quem sabe, de bom humor e feliz, leve-o a comprar o que quer que seja que eu estou vendendo.


O storytelling me permite acreditar na possibilidade de criar campanhas publicitárias tão úteis ao consumidor quanto ao anunciante, transmitindo através da narrativa os valores e os princípios da marca, além das qualidades do produto, informando ao consumidor o que ele realmente quer saber sem que ele termine de ver a minha propaganda com a sensação de que gastou á toa aqueles minutos ou segundos da sua vida. O objetivo final é que o storytelling além de gerar vendas ao anunciante, seja parte de uma estratégia ainda maior de branding e fixação de marca e quem sabe se torne um produto cultural fazendo com que mesmo quem não se interesse imediatamente pelo produto anunciado sinta vontade de partilhar a experiência com os amigos, indicar o produto para alguém que vá se beneficiar mais do que ele mesmo com tal aquisição ou apenas reconhecer a marca como referência de mercado por ter lhe causado uma experiência maior do que uma lista de qualidades e frases motivacionais.