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O dia amanheceu com milhares de órfãos agora que acabou de acabar a quarta temporada do seriado Game of Thrones. Mesmo com o calor da Copa e apesar da final de temporada da NBA, o final conseguiu espaço para continuar a repercutir nas redes sociais. Para quem acompanhou a temporada, isso não causou espanto algum, afinal, alguns episódios conseguiram se manter como o principal assunto da semana em todo o mundo. Para se ter uma ideia, existem sites especializados em vender informações que estão nos livros e que ainda não foi para a TV. Sim, por incrível que possa parecer, muita gente paga por "spoilers" do seriado. Por essas e por outras, a saga é obrigatória para quem vive de contar histórias - basicamente qualquer pessoa que trabalha com comunicação.

Quem não gostaria de deixar sua audiência hipnotizada durante a transmissão de sua mensagem e, ao final, deixar aquele gostinho de "quero mais"? Qual marca não preferiria ao invés de ter que pagar para veicular suas mensagens, ter milhões de fãs pagando para ouvir o que ela tem a dizer?

A verdade é que não existe um "segredo guardado a sete chaves", algum saber oculto que só o autor conhece. Ir além de uma 'boa história' e realizar uma 'história épica' é simples e os livros que inspiram o seriado - As Crônicas de Gelo e Fogo - ilustram com muita clareza como fazer para tornar a sua história num grande fenômeno.

A grande chave é entender e aplicar a diferença entre Story e Telling. No caso de Game of Thrones, o autor George RR Martin criou 12.503 de Story. Se Storytelling fosse uma árvore, o Story seria a raiz,  aquilo que quase não aparece... mas que dá suporte e nutrientes ao tronco. A saga ainda não está completa, ainda faltam os últimos dois livros, mas a partir dos primeiros cinco é possível prever quantas páginas faltam até o final.

Considerando que cada último livro tenha entre 900 e 1000 páginas podemos afirmar que o autor reservou cerca de 6 mil páginas de Telling. Em breve o autor vai lançar o sexto livro - Winds of Winter - que entra no terceiro ano narrativo. Ou seja, de mais de doze mil e quinhentos anos de história, a saga narra 'apenas' os últimos três.

Seguindo essa lógica, toda vez que uma marca for criar um comercial, por exemplo, ela deve pensar que para cada trinta segundos de tela, ela deve pensar pelo menos três horas de história. Uma coisa é certa: material não vai faltar. Feito com atenção, pode até ser o início de um épico de décadas... por que não?




George R.R. Martin tem atraído milhões de leitores às livrarias e um número igualmente incrível de assinantes para o HBO, canal por assinatura que tem adaptado sua série de livros Crônicas de Gelo e Fogo para a TV na forma da série "Game of Thrones". Mas qual seria o segredo deste sucesso?
Um deles é que Martin é um autor de carreira e está por aí solidificando seu nome obra atrás de obra desde a década de 80.

Além disso, o autor parece utilizar técnicas conhecidas pelos storytellers, pois diz que "autores podem ser como arquitetos ou jardineiros" deixando bem claro o equilíbrio que mantém entre o estilo pantzer, dos autores que escrevem guiados pelo espírito artístico e os plotters, storytellers meticulosos que planejam cada passo de sua história.

Ele também revela que a experiência pessoal é muito importante quando se quer cativar o público, por isso aconselha que os storytellers escrevam sobre aquilo que os emociona e ordena que eles vivam antes de escrever.

O autor, que tem seu sucesso atribuído as suas narrativas magneticamente cativantes e imprevisíveis, ressalta ainda que a revisão pragmática e a prática constante são fatores decisivos na carreira de um escritor.

Quer mais dicas de George R.R. Martin? Veja 20 delas no link abaixo (em inglês):




Tyrion Lennister é um anão que só teve sua vida poupada por pertencer à família mais rica de todos os reinos. Por causa de sua situação física Tyrion voltou todos os seus esforços para desenvolver habilidades intelectuais, se tornando um mestre em estratégias de governo. Tyrion é a “mão do rei”, ou seja, o segundo em comando no reinado de seu sobrinho Joffrey, um jovem despreparado para o trono. Tyrion tem como único objetivo proteger a integridade de sua família e defender o trono de seu sobrinho.
   
Para Robb Stark o trono da capital é apenas um trono e não possui muita importância. Ele luta para defender o povo do norte, assim como seu pai lutou antes de ser assassinado. O reinado de Jofrey representa, para a família Stark, o reinado da corrupção e da injustiça. Além de vingança, Robb marcha em busca de suas irmãs, Aryia e Sansa, que supostamente permaneceram como prisioneiras do rei e sua família. A luta de Robb Stark é pessoal e não carrega tanta carga política.

No último post falamos um pouco sobre a importância de um bom personagem em uma narrativa e como toda história precisa de um ponto de vista. Mas será que precisamos mesmo, de apenas um ponto de vista?
George R. R. Martin, o autor de “A Guerra dos Tronos” parece discordar que um ponto de vista seja o suficiente para sua história e nos apresenta a narrativa em uma espécie de “carrossel” de pontos de vista, sendo cada capítulo apresentado por um personagem e seu ponto de vista único da situação.

Quando pensamos em criar uma narrativa, pensamos automaticamente em um protagonista, ou seja, o personagem responsável pelo ponto de vista que irá apresentar a história. E em um antagonista, aquele que irá nos apresentar um contra ponto ao protagonista. O antagonista não é necessariamente um vilão típico, que quer dominar o mundo ou destruir o mocinho e isso fica claro na saga de “A Guerra dos Tronos”.  

 Ao assistir a série, ou ler o livro, o atento é levado a participar de uma experiência nova e curiosa. A sensação de não saber para quem estamos torcendo é algo com o qual não estamos acostumados. Ainda mais quando queremos torcer por todos, ou quando o personagem para quem torcemos se demonstram inimigos de outro personagem com motivos e objetivos justos, tornando-se de certa maneira um vilão.
 Mas para que isso seja possível não adianta apenas apresentar a história por vários pontos de vista. É preciso que o autor tenha, assim como George R. R. Martin, a maravilhosa habilidade de criar bons personagens. Fazendo com que cada personagem seja o “herói” de sua própria história e dando para cada um deles uma verdade humana forte o bastante para que nós, os atentos, possamos nos relacionar com seus motivos e entender seus objetivos.

Quando todos os objetivos, independente de quem é o protagonista ou antagonista, são verdadeiros, a história fica autêntica e crível. Somos naturalmente atraídos por bons objetivos e boas histórias, e para que as histórias sejam boas, os pontos de vista devem ser honestos e claros. É a honestidade do personagem que nos faz acreditar em todo o universo da narrativa e prende a nossa a atenção, cria expectativa e nos transforma em atentos, além de espectadores ou curiosos.