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Ultimamente tenho pesquisado histórias africanas. De repente, um interesse foi despertado. Talvez seja pela descendência, uma vez que meu avô materno é filho de uma escrava com um português. Comecei a pensar o que eu sei sobre a África. Fiquei envergonhada... É pouco demais... E você, o que sabe sobre esse continente?

Nessas buscas reencontrei esse TED, que já tinha visto há um tempo, mas nem de longe naquela época ele fez o sentido que hoje ele faz. Está aí um dos atributos do storytelling: as histórias são capazes de ressignificar e quando se encontra um significado que faz sentido a atenção é capturada.




NO TED a romancista nigeriana Chimamanda Adichie nos faz um alerta: "A única história cria estereótipos. E o problema com estereótipos não é que eles sejam mentira, mas que eles sejam incompletos. Eles fazem um história tornar-se a única história."

Assim como muitos de vocês, eu também tinha uma única história sobre a África antes de começar a pesquisar as histórias daquele continente, que são riquíssimas e inspiradoras, diga-se. Chimamanda tem uma fala que me remete à única história que os estrangeiros têm do nosso país: samba, futebol, carnaval, favelas, corruptos... É o retrato boa parte dos filmes nacionais passa. E esse retrato é o que fica também para nós, afinal o país tem dimensões continentais e nem todos têm a possibilidade (e até interesse) de conhecer tudo.  

Nas andanças pelo universo das histórias conheci uma escritora tocantinense. E lá veio a pergunta martelando internamente: o que eu sei sobre o Tocantins, seu povo, sua história? Mais uma vez era pouco... Com a leitura de dois de seus livros descobri algumas coisas, inclusive que o pirarucu -- um peixe típico da região -- pode chegar a 250 quilos! 

Para alguns isso pode soar como cultura inútil. Eu não acredito nisso. Acho que o storyteller tem o dever de saber mais e mais sobre tudo e sobre todos. Quanto mais referência, melhor. E como bem pontuado nesse TED, que sejam referências diversas e não apenas uma única história, imposta como verdade absoluta e enfiada goela abaixo. 

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J. J. Abrams, produtor de TV e cinema e criador de Lost, há muito tempo é uma das figuras mais admiradas pelos Storytellers. Em março de 2007 ele deu uma palestra no TED que já rodou a blogosfera faz um tempo. Mas não tem problema, se você já viu vale a pena ver de novo. Se ainda não teve a oportunidade, essa é a sua chance. Simplesmente genial.

O ponto central da palestra é o mistério, que ele defende com unhas e dentes como uma técnica de envolvimento. Reter informação de maneira proposital pode parecer uma coisa meio revolucionária nos dias de hoje, quando a ordem é ser óbvio, mas, na verdade, é uma coisa bastante antiga.

Sherazade, a personagem das Mil e Uma Noites, era uma contadora de histórias nata. Resumindo a história, ela queria acabar com o hábito de um rei que, para se vingar de uma dor de cotovelo, se casava com uma nova mulher toda noite, ordenando sua execução na manhã seguinte.

Sabendo do poder das histórias e dos mistérios, Sherazade se casou propositalmente com o rei e, logo na primeira (e, até então, última) noite lhe contou uma história. O truque estava em não ir até o fim, de forma que o rei teve que lhe conceder mais um dia de vida, de tão curioso que ficou para saber o final. No dia seguinte veio o final da história e o começo de outro, e assim sucessivamente durante mil e uma noites.

Moral da história: quando você é óbvio com o público para o qual está transmitindo alguma mensagem, quantos dias de vida a mais ele te concede?


TED | Talks | J.J. Abrams: The mystery box (legendas em portugues) from Grupo de Planejamento on Vimeo.