Uma história para começar

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Casa de ferreiro, espeto de pau. Está aí um ditado muito sábio. Ditados podem ser histórias condensadas em uma frase, e haja poder de síntese. Nesse caso temos um personagem, que é o ferreiro, e uma ironia que também funciona como moral, a famosa "moral da história". Esse cara, que era um ferreiro, não conseguia usar suas habilidades para si próprio, por isso tinha um espeto de pau, e não de ferro.

A vida geralmente é assim. Anúncio de agência de comunicação quase sempre é abaixo da média, já perceberam? E o evento da associação das produtoras de evento? Nunca estive em um que fosse espetacular. A ironia está no fato de agências e produtoras fazem, respectivamente, ótimos anúncios e eventos, mas não para elas mesmas.

A história do ferreiro explica essas e outras coisas. Então estávamos reunidos discutindo o futuro. Um dos vários itens da pauta era justamente esse blog, e aí surgiu a grande questão: como vai ser o primeiro post?

O blog de uma agência criativa que utiliza histórias como contexto para transmitir mensagens de marketing e comunicação só poderia começar de um jeito, certo? Com uma história. Mas qual?

Logo são colocadas na mesa diversas possibilidades para esse primeiro post, mas não há consenso. Seria uma história real? Uma história fictícia? História humorística ou inspiradora? Qual mensagem queríamos passar com essa história? Algum mistério para envolver os leitores? Quantos personagens? Quais adversidades eles enfrentariam para chegar ao objetivo almejado?

Não importa que tivéssemos lido mais de 20 livros sobre storytelling, a maior parte deles importados. Irrelevante o fato de que o assunto era estudado há tanto tempo. Inútil saber que, em nossas respectivas carreiras solo em agências conceituadas, sempre que possível criávamos projetos que bebiam na fonte do storytelling. Conhecimento, experiência e paixão nunca são suficientes quando o ferreiro está fazendo um espeto para si próprio.

Então alguém vai para o terraço tomar um ar. É última tentativa de bater aquela inspiração antes que a reunião acabe. Mas no lugar da inspiração vem o sinal. Sinal incontestável, daquele tipo que pouco importa se você acredita em religião, horóscopo ou coincidências bizarras do universo. E a palavra mais pronunciada nessa e em outras reuniões estava lá, na parede do prédio ao lado.

Não havia dúvidas. Estávamos decididos sobre contar uma nova história daquele momento em diante. E isso é só o começo.


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