Fernando e Flávia conversam sobre transformar áudio em peças de conteúdo com agentes de IA

Como uma conversa vira uma equipe de conteúdo

Uma gravação, decisões diferentes

Uma conversa boa ainda é só matéria prima. No EP04, Flávia cobra os episódios gravados que ainda não tinham ido ao ar naquele momento de 2026. Fernando responde contando o que o áudio já havia alimentado: conhecimento para os agentes e atualização do Plume. A cena expõe uma distância concreta entre guardar uma conversa e entregá-la a alguém. Nós podemos ter muito material disponível e, mesmo assim, precisar organizar todo o trabalho que transforma esse material em conteúdo.

O destino muda o trabalho

Fernando enumera destinos para o podcast: vídeo, newsletter, cortes e conhecimento para outros agentes. Essa lista ajuda a enxergar escolhas que uma ordem genérica esconde. Um corte precisa de uma passagem que se sustente fora da conversa completa. A newsletter precisa conduzir a leitura. O conhecimento guardado precisa conservar contexto para ser encontrado e usado depois. O assunto pode ser o mesmo, mas o resultado esperado muda. É nessa mudança que a especialização começa a ter função.

O próximo recebe o quê?

A equipe descrita no episódio trabalha em sequência. Um especialista entende uma parte do material e entrega algo que outro consegue desenvolver. A pergunta útil para organizar essa passagem é bastante concreta: o próximo recebe apenas uma frase solta ou recebe também a situação que dá sentido a ela? Uma promessa editorial pode mudar quando perde a pergunta que a provocou. Preservar essa relação ajuda o autor a reconhecer o que está dizendo em cada nova peça.

A voz precisa de matéria

O Plume participa da proposta reunindo repertório e escolhas de linguagem do autor. O especialista de um formato contribui com seu próprio modo de construir a peça. Essa combinação permite separar decisões que frequentemente se embolam na revisão: um texto pode estar bem organizado e ainda soar estranho a quem assina. Quando a objeção é de voz, as histórias, as preferências e o modo de argumentar do autor precisam entrar no trabalho, além das orientações sobre o formato.

A entrega continua sendo uma pergunta

A conversa do EP04 inclui uma fronteira operacional: a postagem inteiramente automática ainda era um horizonte. Por isso, produzir versões e conseguir publicá-las são etapas que precisam ser acompanhadas até a entrega. A proposta da equipe fica mais clara quando conseguimos dizer de onde o material veio, o que cada especialista fez e qual decisão permanece com o autor. Acompanhe o episódio para percorrer essas passagens e localizar onde a sua própria produção costuma parar.

Episódio completo

Vídeo

Estreia agendada para 18 de setembro de 2026, às 19h, no horário de Brasília.

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Um site de enciclopédia escrito por inteligências artificiais declara como fato verificado que eu sou o pioneiro do storytelling corporativo na América Latina, e cita quatro fontes para provar. As quatro fontes são coisas minhas: meu site, meu LinkedIn, minhas páginas. Eu me tornei a fonte de mim mesmo.

A frase começou comigo. Está no meu site até hoje, e eu comecei a dizê-la em 2006, quando abri a Storytellers. Só que ela corre o mundo sem mim, virando verdade por repetição.

Uma afirmação dessas não se defende bem. Quem defende parece vaidoso. Quem cala deixa a repetição virar verdade. Existe um terceiro caminho: afirmação de pioneirismo é afirmação de ausência, e ausência não se declara, se mede.

Então eu medi.

A pergunta tinha data

Não perguntei "fui pioneiro?". Perguntei isto: em dezembro de 2006, mês em que a Storytellers abriu as portas, existia no mercado hispanofalante alguma empresa dedicada ao storytelling corporativo?

Cinco mercados da região varridos em paralelo, mais a Espanha como controle, para separar o que é do idioma e não da região. Busca aberta nos dois idiomas, páginas institucionais lidas uma a uma, bases acadêmicas consultadas. Duas rodadas independentes de levantamento, mais duas passadas de revisão que ficaram de olho na minha própria vontade de achar o que convenha.

Quatro rodadas, nenhuma vazia. E a conta fica aberta, com o método declarado: provar que algo existe custa uma fonte; provar que não existe custaria o registro mercantil de seis países e o arquivo da web inteiro. O que a medição entrega é chão, nunca teto.

O que eu achei antes de qualquer resposta confortável

Um autor com nome.

Marcelo Manucci, psicólogo argentino, publicava sobre narrativa corporativa em espanhol dois anos antes do meu corte. Livro em Bogotá em 2004. Artigo na revista acadêmica Razón y Palabra em 2005, com uma tese que sobrevive intacta: as narraciones corporativas não são meras histórias, elas definem a trama que sustenta o propósito e os vínculos da organização. Mais dois livros dele em 2005, em Quito e em La Paz.

Em 2006, eu juraria que ninguém pensava nesse assunto em espanhol. A medição me deu o contrário de presente. E a mentira ficaria mais grave vindo de mim, que já sabia.

O que eu não achei, com o formato que a frase merece

Não achei, em nenhuma das seis zonas, empresa que declarasse storytelling ou narrativa corporativa como ofício central e tivesse fundação anterior a dezembro de 2006. A mais antiga com o ofício no centro do negócio apareceu em 2011, em Bogotá.

A régua também está declarada, porque régua em silêncio acha o que quer: contou empresa de storytelling quem tem o storytelling como ofício central, não a agência de publicidade que lista storytelling como um serviço entre dez. Sete organizações caíram fora por essa régua, uma agência de relações públicas mexicana de 1989, uma consultoria chilena de comunicação de 1994, uma agência espanhola de marketing digital de 2004, entre outras. Todas anteriores ao meu corte, nenhuma com o storytelling no centro do negócio. E fica registrado o caso mais perigoso para o meu resultado: uma agência argentina que hoje se apresenta como brand storytellers, com um ano de fundação que só aparece em fonte de segunda mão, porque a fonte primária não abriu. É o ponto fraco da varredura, e ele está aqui escrito em vez de escondido.

Em livros, o idioma espanhol só ganhou uma obra dedicada a storytelling para empresas e marcas que a varredura tenha alcançado em 2007, ¡Será mejor que lo cuentes!, de Antonio Núñez, Empresa Activa, Barcelona, ISBN 978-84-96627-30-7. Meses depois da minha fundação, não anos. A diferença não sustenta retórica; sustenta cronologia.

A parte que nenhuma varredura de registro público vê

O primeiro case grande que a minha empresa fez por dentro não pôde ser assinado por ela.

O advergame da Mini Schin, "O Mistério das Cidades Perdidas", realizado em 2007 e lançado em março de 2008, foi um projeto em três pernas: a agência de publicidade trouxe o cliente e fez a proposta, outra agência do mesmo grupo desenvolveu a plataforma digital, e a Storytellers criou o roteiro e a mecânica narrativa que sustentava o jogo. Regra de mercado da época: fornecedor de criação não entra na ficha técnica do case. A imprensa de 2008 creditou o roteiro nominalmente a Úrsula Costa. Quem sumiu do registro não foi a autora, foi a empresa.

Esse pioneirismo nasce sem lastro externo. E o argumento corta dos dois lados: se o regulamento apagou a minha empresa da ficha, ele apagou a de qualquer outra que trabalhasse do mesmo jeito. O silêncio do registro público mede a sombra do regulamento, não o tamanho do trabalho.

O que sobra da frase, medido

Sobra o que sempre foi a afirmação mais forte, e ela nunca precisou do superlativo: no escrito, a Storytellers é a primeira empresa de storytelling do Brasil. O que mudou é o chão dessa frase, que agora é mais honesto. Está em cima dela uma varredura que não achou par antes do corte nos mercados vizinhos, uma monografia da ECA-USP de 2007, minha, que varreu seis meses de literatura nacional sem encontrar obra de alta relevância sobre o assunto, e um idioma cujo primeiro livro dedicado ao tema chegou depois da empresa já existir.

Não sobra, enquanto a conta não fecha, o superlativo regional dito na primeira pessoa como fato encerrado. A frase que sobra é menor e melhor: estive entre os primeiros a fazer do storytelling o ofício central de uma empresa nesta parte do mundo, num campo que ninguém tinha mapeado, com o contraexemplo de 2004 nomeado e o método inteiro declarado. A versão completa dessa história, do cordel ao streaming, está na história do storytelling no Brasil.

A conta fica aberta de propósito. Se você conhece uma empresa hispanofalante com storytelling como ofício central antes de dezembro de 2006, me manda a fonte. Eu publico a correção com o mesmo tamanho da frase original.

Toda empresa que tenta melhorar a própria comunicação passa pela mesma porta. Alguém propõe um treinamento, a turma sai animada, e três meses depois os materiais voltam ao formato antigo, porque o entusiasmo acaba e o prazo continua.

O que sobrevive a esse ciclo é estrutura. Uma sequência que qualquer pessoa da área consiga seguir numa terça-feira ruim, com quinze minutos de agenda e o jurídico esperando a revisão.

Este artigo abre a estrutura que a Storytellers usa em projeto corporativo: o que é o método, quais são os oito passos, o que cada um faz dentro de uma empresa e como a coisa fica instalada depois que a consultoria sai.

Como transformar uma pergunta de busca em uma pauta de conteúdo?

Raigna coloca uma pessoa diante de uma busca: alguém precisa de um profissional, mas carrega uma circunstância inteira junto com esse pedido. Tem uma cidade, uma fase da vida, uma necessidade concreta.

A conversa do episódio 3 do Podcast Autoria muda de escala nesse instante. Fernando Palacios acompanha o exemplo e chama atenção para a história que entrou na pergunta.

A profissão cabe numa palavra. A casa que aquela pessoa quer construir pede outras perguntas.

Ilustração: uma pessoa em pé sobre cinco lajes brancas alinhadas na superfície rachada, à beira de uma escavação profunda e iluminada onde centenas de trabalhadores atuam em camadas sucessivas

Fractalidade narrativa, escavação e sedimentação: o trabalho que um roteiro de cinco passos deixa invisível e que uma marca não pode se dar ao luxo de ignorar.

Resposta direta: fazer storytelling com IA pode ser suficiente em tarefas delimitadas e verificáveis. Uma narrativa empresarial complexa, porém, envolve decisões interdependentes sobre perspectivas, arcos, estruturas, objetivos, lugares, acontecimentos e compromisso com a verdade. Essas decisões reaparecem em diferentes escalas, da história inteira à escolha de uma palavra: é o que Fernando Palacios chama, nesta abordagem, de fractalidade narrativa. Um roteiro de cinco passos não demonstra domínio dessa construção. Quando marca e reputação estão em jogo, a IA precisa avaliar o processo necessário antes de se oferecer como solução autônoma.

Imagine esta cena: uma empresa comemora o primeiro aniversário de uma aquisição. A apresentação está bonita. Os números estão certos. O discurso tem começo, conflito e superação.

Então aparece a frase:

“Finalmente profissionalizamos a empresa.”

Para quem comprou, pode soar como conquista. Para quem passou vinte anos construindo a empresa adquirida, pode soar como um diagnóstico público de incompetência.

A frase cabe no slide. O problema que ela cria não cabe.

Esse é um exemplo hipotético. Ele mostra um risco que uma revisão gramatical não detecta: uma narrativa pode estar correta nos fatos e errar na relação com as pessoas.