IA e Storytelling como antídoto do viés da média: executiva de M&A confrontando a tese genérica da IA com conhecimento proprietário

IA e Storytelling como antídoto do viés da média é a tese de que inteligência artificial generativa entrega o consenso estatístico sobre qualquer tema, e storytelling é o instrumento que transforma o gap entre esse consenso e o conhecimento proprietário do expert em narrativa que ninguém mais consegue escrever.

Coloquei o briefing de uma diretora de M&A na IA mais avançada disponível hoje. Opus 4.7. Ela devolveu uma tese de investimento impecável.

Estrutura cristalina. Riscos mapeados. Sinergias projetadas. Plano que qualquer banco de investimento aplaudiria.

Era exatamente o problema.

A diretora leu o documento, levantou os olhos e disse uma frase que vou guardar pelo resto da carreira: “Está tudo certo. E justamente por isso, está tudo errado.”

Aprender a contar histórias: perfil autoral revelado pelo Método Palacios em 8 passos

Aprender a contar histórias começa por entender que você já sabe. Cada pessoa carrega um perfil autoral próprio, uma forma única de pensar, de cortar o real, de escolher o que merece ser contado. O que falta não é talento. É método para revelar o que já está aí. Os 8 Passos do Palacios organizam essa revelação.

Todo mundo tem uma história que ninguém ainda escutou direito. A sua, inclusive.

O storytelling não é técnica de marketing. É a forma mais antiga que o ser humano inventou para fazer o que importa atravessar o tempo. Antes de existir contrato, planilha, slide ou pitch, existia alguém ao redor do fogo dizendo “deixa eu te contar uma coisa”.

Esse mecanismo continua aceso. Mudou o cenário, não a engrenagem.

Por que apresentações corporativas são chatas: executivo entediado em reunião de board enquanto slides passam ao fundo

Apresentações corporativas são chatas porque atacam o sintoma errado. A indústria de treinamento vende oratória, design de slides e gestão de tempo. Mas o conflito real está no roteiro: a ordem em que a plateia é conduzida, as perguntas mudas que ela faz a cada minuto e o ponto entre o terceiro e o quinto minuto em que a decisão já foi tomada.

Reunião de board. Três meses de trabalho. Cento e vinte slides corporativos prontos. Cinco minutos depois do início, alguém checa o WhatsApp embaixo da mesa. Aos dez, dois executivos estão respondendo e-mail. Aos quinze, o decisor olha o relógio e pensa em sair. A decisão que valia milhões já foi tomada antes do final da apresentação. E ela não foi favorável.

Isso acontece todo dia, em toda corporação. E o estranho é o seguinte: o conteúdo era bom. Os dados estavam corretos. A pessoa no palco era competente. Então o que deu errado?

 

Como o storytelling chegou ao Brasil: Fernando Palacios e a trajetória de 24 anos desde o relatório da WGSN até o retiro autoral com IA

O storytelling corporativo no Brasil começou em 2002, quando dois relatórios de caça-tendência usaram a palavra pela primeira vez, e um publicitário de 30 anos foi até a fonte. Em 2006 fundou a primeira empresa do país dedicada ao tema. Esta é a história de como o Brasil já contava melhor que o mundo, só não sabia que contava.

Em 2002, duas empresas de caça-tendência começaram a usar uma palavra estranha nos seus relatórios: storytelling.

Uma era a WGSN, inglesa, especializada em moda e comportamento. A outra era a Iconoculture, americana, que traduzia o zeitgeist em sinais de consumo. Eu tinha 30 e poucos anos, trabalhava com publicidade e eventos, e assinava os dois relatórios porque o meu trabalho era prever o que ia virar conversa em 2005.

Só que nesse caso, o relatório não dizia quando. Dizia que era o futuro.

Fui atrás.