Fernando Palacios descreve um percurso que diz observar em quem começa a escrever com IA. No início, a ferramenta genérica parece resolver: já escreve, está bom. Com o tempo, vem a queixa de quem passa mais tempo arrumando o texto do que levaria para escrevê-lo.

No episódio 5 do Podcast Autoria, a conversa com a farmacêutica Raigna Vasconcelos chega ao passo seguinte desse percurso: um agente que conhece a pessoa e escreve em seu nome, com um critério simples para saber se deu certo.

Na semana da gravação, Raigna Vasconcelos tinha gravado doze vídeos sobre um mesmo produto para o YouTube, uma frente nova na rotina dela. Doze, explica, porque cada vídeo parte de um ângulo, fala com um público e responde a uma dor diferente.

A farmacêutica conta a Fernando Palacios, no episódio 5 do Podcast Autoria, como divide esse trabalho entre ela, os agentes de IA e a agência que publica os vídeos. A divisão responde a uma pergunta que qualquer produtor de conteúdo conhece: quem dá conta de tantos ângulos e de todas as exigências do canal?

Raigna Vasconcelos se apresenta como parte de uma geração que aprendeu a trabalhar muitas horas, fazer carreira e querer mais. Ela observa que a geração seguinte mede o sucesso de outro jeito e liga essa mudança ao que chama de novo modelo de trabalho, o das inteligências artificiais.

Na conversa com Fernando Palacios, no episódio 5 do Podcast Autoria, a farmacêutica se inclui entre os que vieram da era da internet discada e se adaptaram a cada mudança desde então. A pergunta que atravessa o trecho é como acompanhar uma tecnologia que ninguém consegue prever.

Raigna Vasconcelos vai preparar um material que será entregue num consultório médico. Ou uma sequência de stories. O formato muda, e a cobrança que ela descreve continua a mesma: deixar tudo bem explicado. Se algum parâmetro fica de fora, vem o desconforto de quem sente que não foi verdadeira com o leitor.

No episódio 5 do Podcast Autoria, a farmacêutica conta a Fernando Palacios como esse cuidado pesa na hora de escrever. Quem trabalha com conteúdo técnico em saúde reconhece o impasse: o profissional enxerga cada ressalva, e o leitor precisa de um caminho para acompanhar.

Nos cursos que dava na ESPM, Fernando Palacios abria a primeira aula com uma afirmação que, segundo ele, muita gente ainda desconhece: storytelling é técnica. Para sustentar a ideia, mostrava centenas de livros que ensinam a escrever peça de teatro, roteiro de cinema e literatura.

No episódio 5 do Podcast Autoria, a afirmação volta com um nome novo. Assim como a programação ganhou o vibe coding, diz Fernando, a narrativa caminha para um vibe storytelling, e a farmacêutica Raigna Vasconcelos reconhece a ideia numa experiência pessoal.