Prompts de personagem são instruções estruturadas que direcionam a IA a construir protagonistas com conflito interno, arco de transformação e profundidade emocional, em vez de fichas genéricas com nome, idade e lista de adjetivos.
10 prompts testados pelo método MASK de construção de protagonistas, desenvolvido ao longo de 20 anos criando personagens para marcas como Nike, Pfizer, Itaú e Yamaha.
Você já pediu pro ChatGPT "criar um personagem" e recebeu de volta uma ficha que parecia cópia de RPG de mesa?
Nome, idade, profissão, "pontos fortes e fracos"... uma lista que não faz ninguém torcer por ninguém.
É como ter um Stradivarius e usar pra tocar parabéns.
O conflito não é a ferramenta. É o prompt.
A maioria dos prompts de personagem que circulam por aí comete o mesmo vacilo: trata personagem como catálogo de características. Como se empilhar adjetivos criasse uma pessoa de verdade.
Não cria.
Personagem não é ficha técnica. Personagem é conflito ambulante.
Quando criamos as Filhas do Dodô para a J. Macêdo (transformamos 1.248 slides de PowerPoint numa peça teatral com personagens que a plateia aplaudiu de pé), cada uma das quatro irmãs não nasceu de uma lista de características. Nasceu de um desejo bloqueado. A Graça queria agradar, mas era limitada pelo tempo. A Isabella queria sofisticação, mas precisava traduzir isso para quem não entendia. O conflito veio primeiro. O resto foi consequência.
Nos últimos 20 anos construindo protagonistas para marcas como Nike, Pfizer, Itaú e Yamaha, e treinando mais de 30 mil profissionais em 10 países, desenvolvi um sistema chamado MASK que decompõe a construção de personagens em capacidades mensuráveis. É engenharia reversa da intuição: pegar aquilo que os grandes roteiristas fazem "de ouvido" e transformar em processo replicável.
Os 10 prompts abaixo não são genéricos. Cada um ataca uma dimensão específica da construção de protagonistas. Use com ChatGPT, Claude, Gemini, o que preferir. O que importa é a pergunta certa.
Um aviso antes de começar: IA é a Fada Azul, não o Gepeto. Ela dá o sopro de vida, mas quem esculpe o boneco de madeira é você.
📑 Os 10 Prompts
- → Prompt 1: A Tríade Corrigível (o fundamento de tudo)
- → Prompt 2: A Ferida Fundadora
- → Prompt 3: O Interesse Bifurcado
- → Prompt 4: O Monólogo de 10 Frases
- → Prompt 5: A Primeira Cena
- → Prompt 6: A Taxonomia de Empatia
- → Prompt 7: O Objeto Totêmico
- → Prompt 8: O Teste de Estresse
- → Prompt 9: Mentira Central vs. Verdade da Jornada
- → Prompt 10: O Dilema Impossível
- → O prompt que não está nesta lista
- → Perguntas Frequentes
Prompt 1: A Tríade Corrigível (o fundamento de tudo)
Meu personagem é [NOME], que [DESCRIÇÃO BREVE DA SITUAÇÃO]. Analise esse personagem usando a Tríade Corrigível: (1) Qual é a INCAPACIDADE TÉCNICA dele, ou seja, o que ele não sabe fazer? Use verbo de ação + competência ensinável. (2) Qual FRAQUEZA MORAL essa incapacidade gera, ou seja, como ele age mal por causa disso? Descreva algo que uma câmera conseguiria filmar. (3) Qual é o PONTO CEGO, a crença que justifica ele não aprender? Formule como "verdade parcial levada ao extremo". Apresente a cadeia completa: Incapacidade → Fraqueza → Ponto Cego → Capacitação necessária → Transformação possível.
Por que este é o prompt mais poderoso da lista
Porque inverte a lógica tradicional de criação de personagens. Em vez de "meu personagem é controlador" (defeito fixo, rótulo), você descobre que ele "não sabe delegar sem sentir que está perdendo controle" (lacuna aprendível). Isso muda tudo: o arco de transformação deixa de ser mágico e vira capacitação mensurável.
Walter White não é "mau". Ele não sabe pedir ajuda nem aceitar vulnerabilidade. Tony Stark não é "arrogante". Ele não sabe trabalhar em equipe. Marlin não é "paranoico". Ele não sabe avaliar riscos reais versus imaginários.
A diferença? No modelo antigo, a plateia julga. No novo, a plateia aprende junto. E quando aprende junto, torce de verdade.
Teste de validação: "Existe um curso, mentor ou processo que ensinaria isso ao personagem?" Se sim, a incapacidade é válida. Se não ("ele é mau por natureza"), você ainda está no modelo antigo.
Prompt 2: A Ferida Fundadora
Crie a Ferida Fundadora do personagem [NOME]: um único evento traumático do passado que simultaneamente criou (1) seu SUPERPODER, a habilidade que o torna especial, e (2) seu DEFEITO FATAL, a fraqueza que quase o destrói. O mesmo evento. As duas faces da mesma moeda. Descreva o evento como cena cinematográfica: com lugar, sons, cheiros, e a frase que alguém disse que ficou gravada para sempre.
Por que funciona
Quando o superpoder e o defeito vêm da mesma origem, o personagem ganha coerência profunda. Batman: a morte dos pais cria tanto a obsessão por justiça (superpoder) quanto a incapacidade de formar vínculos afetivos (defeito fatal). A instrução para descrever como cena cinematográfica força a IA a sair do modo "relatório" e entrar no modo "história", com detalhes sensoriais que ancoram a memória.
Repare na conexão com a Tríade Corrigível: a ferida fundadora é a origem da incapacidade técnica. O personagem não nasceu incapaz. Algo aconteceu. Encontrar esse "algo" dá ao arco de transformação uma raiz emocional que nenhuma lista de adjetivos alcança.
Prompt 3: O Interesse Bifurcado
Para o personagem [NOME], separe claramente três coisas: (1) OBJETIVO: o que ele DIZ que quer (declaração pública, tangível, binário). (2) DESEJO: o que ele realmente quer no fundo (motivação oculta, emocional, infinita). (3) NECESSIDADE: o que ele precisa mas não sabe ainda (lição da jornada). Mostre como o conflito entre essas três camadas gera tensão dramática. Dê um exemplo de cena onde o Objetivo e a Necessidade entram em choque direto.
Por que funciona
Personagens rasos querem uma coisa só. Personagens fora de série querem três coisas diferentes ao mesmo tempo, e essas coisas se contradizem.
Marlin em Procurando Nemo: Objetivo (encontrar o filho), Desejo (nunca mais sentir medo), Necessidade (aprender a soltar). O drama nasce dessa contradição interna, não de vilões externos. Cada vez que Marlin avança no Objetivo, ele se distancia da Necessidade. E é exatamente por isso que a plateia não consegue desviar o olhar.
Esse princípio, que chamamos de Interesse Bifurcado, é o que separa o CEO de novela ("quer dinheiro") do protagonista intrigante ("diz que quer triplicar o faturamento, mas na verdade precisa provar ao pai que abandonar medicina não foi vacilo"). Percebe como o segundo elemento transforma tudo?
Prompt 4: O Monólogo de 10 Frases
Escreva um monólogo interno de exatamente 10 frases do personagem [NOME] no momento mais vulnerável da história. Regras: (1) A primeira frase revela o que ele esconde de todos. (2) A quinta frase contradiz a primeira. (3) A última frase mostra que ele sabe a verdade mas tem medo de admitir. (4) Use a voz específica dele: seu vocabulário, suas pausas, seus cacoetes verbais. (5) Nenhuma frase pode ser genérica, ou seja, cada frase precisa ser algo que SÓ esse personagem diria. (6) Cada frase deve fazer TRABALHO TRIPLO: avançar informação nova, revelar caráter, e criar tensão ou mistério. Se uma frase faz apenas um desses trabalhos, reescreva.
Por que funciona
A regra da contradição entre frase 1 e frase 5 garante complexidade interna. A restrição "só esse personagem diria" elimina o genérico. O "trabalho triplo" elimina frases decorativas: se uma linha só informa sem revelar caráter nem criar tensão, não merece estar ali.
Você descobre se conhece seu personagem de verdade quando tenta escrever 10 frases que ninguém mais falaria. Nos roteiros que criamos na Storytellers, cada personagem tinha um registro tão distinto que era possível reconhecê-lo apenas pela forma de construir as frases. Se você tampa o nome e não sabe quem está falando, o personagem ainda não tem voz.
Prompt 5: A Primeira Cena
Descreva a primeira vez que a plateia encontra [NOME]. Ele está no meio de uma ação que revela quem é sem que ninguém precise explicar. Regras: (1) Comece pela AÇÃO, não pela descrição. (2) Inclua um objeto significativo, um som ambiente e uma decisão pequena que diz tudo. (3) A cena deve SUGERIR a incapacidade técnica do personagem sem EXPLICÁ-LA. (4) Termine com uma frase que faça a plateia querer a próxima cena. Identifique no final: qual é a pergunta que a plateia terá ao terminar esta cena?
Por que funciona
A cena de abertura é o handshake do personagem com a plateia. Se você precisa de narração explicativa para apresentar alguém, o personagem ainda não existe de verdade.
Quando criamos o Carlito para uma performance corporativa da IBM, a primeira coisa que a plateia viu foi ele pesquisando presentes no celular enquanto a namorada bufava ao lado. Em 30 segundos, todo mundo entendeu o cara. Sem narrador. Sem ficha. Sem ninguém dizendo "o Carlito é distraído e tem dificuldade de priorizar". A ação mostrou.
A pergunta no final ("qual pergunta a plateia terá?") garante que a cena cria uma lacuna de informação intencional. A maioria das cenas de abertura geradas por IA são completas demais: explicam tudo e não deixam nada para a plateia querer descobrir.
Prompt 6: A Taxonomia de Empatia
Analise que TIPO de empatia o personagem [NOME] gera na plateia: (1) SUPERIOR (+): admiramos, ele faz o que gostaríamos de fazer. (2) INFERIOR (−): queremos cuidar, ele luta contra algo maior. (3) IGUAL (=): nos identificamos, ele é como nós em situação extraordinária. (4) DIFERENTE (≠): nos fascina, ele quebra regras que não ousamos quebrar. Qual é o tipo PRIMÁRIO? Qual é o SECUNDÁRIO que aparece em momentos específicos? Crie uma cena onde o tipo muda de primário para secundário, mostrando uma nova camada do personagem.
Por que funciona
A maioria dos criadores de conteúdo não pensa conscientemente em como a plateia se conecta. Esse prompt transforma intuição em estratégia.
O anti-herói que fascina (tipo ≠) mas em um momento vulnerável gera compaixão (tipo −): essa oscilação é o que cria personagens viciantes. Pense em Tony Soprano, em Walter White, em Villanelle de Killing Eve. A plateia não sabe se admira, se tem medo, se quer cuidar. Essa confusão emocional é intencional, não acidental.
Quando fizemos o roteiro da ABF, o rival Walter queria a mesma coisa que Adalberto: a atenção de Rosa. A plateia se identificava com Adalberto (tipo =) mas se fascinava com Walter (tipo ≠). Um lutava com coragem, o outro com dinheiro. O conflito ficou pessoal porque havia dois tipos de empatia competindo pela plateia ao mesmo tempo.
Prompt 7: O Objeto Totêmico
Qual é o único objeto que meu personagem salvaria num incêndio? Por quê? De onde veio? E o que acontece na história quando esse objeto é ameaçado, perdido ou destruído? Descreva o objeto aparecendo em pelo menos três momentos com significados diferentes: uma vez como orgulho, uma vez como vergonha, uma vez como redenção.
Por que funciona
Objetos ancoram emoção. São concretos. São filmáveis. São memoráveis.
Uma caneta tinteiro herdada do avô analfabeto que sonhava escrever. Na primeira cena, ela é orgulho. Na segunda, quando o personagem a usa para assinar um contrato antiético, é vergonha. Na terceira, quando a dá ao filho, é redenção. Três cenas, um objeto, a jornada inteira condensada.
Numa boa história, um anel, uma carta ou um par de havaianas pode carregar mais peso emocional que cinco páginas de backstory. O objeto funciona como MacGuffin, como Bomba Relógio, como Espelho ou como Chave. Quando bem usado, a plateia lembra do objeto antes de lembrar do nome do personagem. Essa é uma das técnicas de storytelling mais subestimadas.
Prompt 8: O Teste de Estresse
Coloque meu personagem [NOME] na pior situação possível para alguém com suas vulnerabilidades específicas. Ele é a PIOR pessoa possível para essa missão. Liste: (1) Qual habilidade específica lhe falta? (2) Qual trauma essa situação reativa? (3) Qual relação pessoal está em risco? (4) Que crença fundamental será desafiada? (5) Por que ele não pode simplesmente desistir? Descreva como ele reage nos primeiros 10 segundos (instinto) e depois de 24 horas (reflexão). A reação inicial e a ponderada devem revelar camadas diferentes.
Por que funciona
Personagem se revela sob pressão. Na calmaria, todo mundo parece igual. O teste de estresse é o raio X narrativo que mostra a estrutura real de quem alguém é.
Protagonistas intrigantes não são os mais qualificados. São os menos preparados para aquela missão específica. Indiana Jones tem medo de cobra e precisa entrar em templos cheios delas. A progressão de stakes (pessoal → relacional → profissional → existencial) garante escalada dramática: cada obstáculo torna o anterior mais grave.
A separação entre reação de 10 segundos e reação de 24 horas é o que impede que a IA crie personagens unidimensionais. O instinto mostra quem ele é. A reflexão mostra quem ele quer ser. A distância entre os dois é onde mora a história.
Prompt 9: Mentira Central vs. Verdade da Jornada
Todo personagem carrega uma MENTIRA que acredita sobre si mesmo ou sobre o mundo. Para [NOME]: (1) Formule a MENTIRA CENTRAL no formato: "[Verdade parcial], PORTANTO [generalização paralisante]". Exemplo: "Pessoas que se abrem são feridas, portanto vulnerabilidade é fraqueza." (2) Formule a VERDADE que a jornada vai ensinar, no formato: "[Negação da generalização] porque [evidência vivida na história]". (3) Descreva o MOMENTO EXATO em que o personagem vê sua fraqueza pelos olhos de outra pessoa (o Ponto de Vista Alheio). Quem é essa pessoa? O que ela diz ou faz? (4) Crie o Loop Narrativo: uma cena no início e uma no final que usam o MESMO elemento (objeto, frase, lugar), mas com significado completamente invertido.
Por que funciona
A estrutura Mentira/Verdade é o motor de todo arco de transformação. O formato específico ("verdade parcial + generalização") impede que a IA crie mentiras rasas. "Ele acha que o mundo é injusto" é raso. "Pessoas que confiam são traídas, portanto a única segurança é o controle total" é profundo.
O Ponto de Vista Alheio é ouro narrativo: o momento em que o personagem se vê de fora. Em Procurando Nemo, é quando Nemo grita: "Você acha que eu não consigo fazer nada!" Marlin vê, pela primeira vez, o efeito da sua superproteção. Não por reflexão interna. Por espelho externo.
E o Loop Narrativo (mesma cena, significado invertido) é a assinatura dos grandes roteiristas: Breaking Bad começa e termina no deserto, mas Walter White é outra pessoa. Quando a plateia reconhece o eco, sente a transformação no corpo, não precisa que ninguém explique.
Prompt 10: O Dilema Impossível
Crie um dilema moral para [NOME] onde ele precisa escolher entre dois valores igualmente importantes para ele. Regras: (1) Não pode existir opção "certa". (2) Cada escolha custa algo IRREVERSÍVEL. (3) A escolha revela quem ele realmente é, não quem diz ser. (4) Metade da plateia concordaria com a opção A, metade com a opção B. Apresente o dilema e depois mostre: qual escolha ele faz, o que essa escolha diz sobre sua transformação, e o que ele perde para sempre por ter escolhido.
Por que funciona
O dilema é o teste final de qualquer personagem. Se a escolha é óbvia, não há drama. Se é entre "certo" e "errado", não há conflito real. O dilema que transforma é entre dois "certos" que se excluem.
Sophie em A Escolha de Sophie. Frodo decidindo destruir o Anel. Essas escolhas definem o personagem para sempre, e a plateia sente que viveu aquela decisão junto. A regra "metade concordaria com A, metade com B" é o teste de qualidade: se todo mundo escolheria a mesma opção, não é dilema. É decisão com disfarce.
O prompt que você não vai encontrar nesta lista
Tem um décimo primeiro prompt que não coloquei aqui de propósito. É o que separa quem usa IA como muleta de quem usa como trampolim:
Depois de gerar tudo isso, feche o ChatGPT e pergunte a si mesmo: eu acredito nesse personagem? Ele me surpreende? Eu gostaria de sentar num bar com ele, ou sairia de perto?
Se a resposta for "não", jogue fora e comece de novo.
A IA é a Fada Azul: dá o sopro de vida. Mas quem esculpe o boneco de madeira é o Gepeto. E quem garante que o boneco tenha consciência (o Grilo Falante) é a estrutura narrativa.
Seus personagens, suas contradições, suas histórias já existem. A IA serve para extrair e estruturar. Não para fabricar.
Se quiser entender melhor o que é storytelling e por que a estrutura muda tudo, esse é o ponto de partida. Se quiser ver como storytelling e IA se complementam sem que um substitua o outro, aprofunde por ali.
E se precisar de ajuda com essa estrutura, sabe onde encontrar a fogueira. A Storytellers completa 20 anos em 2026, e duas décadas esculpindo protagonistas ensinaram uma coisa: a melhor ferramenta não é a mais recente. É a que carrega a pergunta certa.
E a pergunta certa para qualquer personagem sempre será: o que ele precisaria aprender a fazer para deixar de agir assim?
Perguntas Frequentes
Esses prompts funcionam com outras IAs além do ChatGPT?
Sim. Os prompts foram testados com ChatGPT, Claude, Gemini e Copilot. O que faz a diferença não é o modelo, é a estrutura da instrução. Modelos diferentes podem gerar respostas com estilos variados, mas a lógica de construção (conflito antes de característica, incapacidade antes de defeito) funciona em qualquer plataforma de IA generativa.
Preciso ter experiência em storytelling para usar esses prompts?
Não. Os prompts foram desenhados para traduzir princípios de construção narrativa em perguntas que qualquer pessoa consegue fazer. Se você tem uma história para contar ou um personagem para criar, os prompts guiam o processo. Quem tem experiência em storytelling vai extrair mais camadas, mas o ponto de partida é acessível.
Posso usar esses prompts para personagens corporativos, não só ficção?
Pode e deve. Na verdade, a maioria desses prompts nasceu de projetos corporativos. A Tríade Corrigível surgiu construindo personagens para a J. Macêdo. A Taxonomia de Empatia foi testada em performances para a IBM. Personagens de storytelling corporativo seguem as mesmas leis dos de ficção: precisam de conflito, desejo e transformação para que a plateia se importe.
Em que ordem devo usar os 10 prompts?
Comece pela Tríade Corrigível (Prompt 1): ela define o fundamento do personagem. Depois, a Ferida Fundadora (Prompt 2) dá a origem emocional. O Interesse Bifurcado (Prompt 3) cria a tensão interna. A partir do Prompt 4, a ordem é flexível: depende de onde seu personagem precisa de mais profundidade. Os prompts 1 a 3 são fundamento. Os prompts 4 a 7 são técnica. Os prompts 8 a 10 são integração e teste.
A IA não vai criar personagens genéricos mesmo com bons prompts?
Se o prompt for genérico, sim. Esses prompts incluem restrições internas (como "trabalho triplo", "só esse personagem diria", "verdade parcial levada ao extremo") que forçam a IA a sair do modo padrão. A diferença entre prompt genérico e prompt estruturado é a diferença entre pedir "crie um personagem interessante" e pedir "mostre a incapacidade técnica que gera a fraqueza moral". A segunda instrução não tem como gerar resposta genérica.
Qual a diferença entre criar personagens com e sem IA?
Sem IA, o processo depende inteiramente da intuição e experiência do criador. Com IA, você tem um sparring partner que devolve rápido, testa variações e força consistência. Mas a IA não substitui o julgamento humano: ela gera opções, você decide quais têm verdade. Como falamos na Storytellers: fogo é a história, madeira é a ferramenta. IA é madeira fora de série. Mas sem fogo, não aquece ninguém.
Próximos Passos
- 📖 O Que É Storytelling e Por Que Importa
- 🛠️ Storytelling Passo a Passo: Como Fazer
- 🎬 Anatomia de Grandes Histórias: 25 Obras
- 🤖 Storytelling Com IA e Sem
- 🎯 17 Técnicas de Storytelling dos Grandes Mestres
- 💼 Contratar um Especialista em Storytelling
Sobre o Autor
Fernando Palacios
- 2x World's Best Storyteller pelo World HRD Congress, Mumbai (2017 e 2018), único brasileiro bicampeão mundial
- Fundador da Storytellers (2006), primeira empresa de storytelling do Brasil
- Autor do bestseller "O Guia Completo do Storytelling"
- Criador do sistema MASK de construção de personagens e do método MAESTRIAS de avaliação narrativa
- Mentor de Nike, Coca-Cola, Pfizer, Natura, Itaú, Google, Yamaha
- 30 mil+ profissionais treinados em 10 países
- Professor em FIA, ESPM, FGV, IED
Artigo publicado em fevereiro de 2026. 20 anos de Storytellers.

