A importância das histórias para o fortalecimento das relações humanas



Muito fala-se sobre a importância de ser um líder integral e manter-se motivado para inspirar todos os stakeholders – chefes, clientes, parceiros, fornecedores e equipes de trabalho -, mas pouco se reflete sobre os pilares da verdadeira liderança.

Todos nós precisamos ser líderes – de nós mesmos e de nossa vida. O foco do líder integral precisa estar nos relacionamentos, na conectividade e nos resultados. A grande questão é: como interligar esse foco tríplice que une comunicação interpessoal com autoconhecimento e automotivação? Conectando a si mesmo com o contexto e o ambiente.

Motivação significa ter um motivo para a ação. A verdadeira motivação surge de dentro para fora. Nenhum líder consegue motivar seus colaboradores, mas ele pode inspirar e estimular todos ao seu redor. Precisamos aprender a ser protagonistas da nossa própria história e a valorizar mais a intuição, a emoção e a criatividade.

Como diz o filósofo Mário Sérgio Cortella, “a motivação é uma porta que só se abre do lado de dentro”. Para ajudar outros profissionais a enxergar essa porta, os líderes precisam entender a sua importância e a de sua equipe. Ninguém consegue motivar ninguém, mas é possível trabalhar comportamentos construtivos. Pequenas atitudes fazem toda a diferença e podem mudar o dia de uma pessoa ou transformar completamente uma situação.

Ao longo da minha carreira trabalhei em empresas de pequeno, médio e grande porte, em São Paulo e no Rio e já tive até o meu próprio negócio. Convivi com profissionais realmente inspiradores, que me contaram histórias fascinantes, vivenciadas dentro das empresas.
Quando eu trabalhei na área de saúde, por exemplo, conheci pessoas especiais, que conseguem transformar o ambiente pesado de dentro dos hospitais em um oásis de amor, carinho e cuidado. De que forma isso é relevante para nós? Essas histórias nos mostram como qualquer pessoa em qualquer lugar, pode mudar uma trajetória.

Quem não se lembra do cantor Cazuza e de todo o drama que ele viveu ao descobrir que era portador do Vírus HIV? Sua história já foi retratada em livros e em um filme de longa metragem. Uma curiosidade que você provavelmente desconhece – a não ser que tenha assistido a uma palestra minha ou do amigo Fernando Palacios – é que ele ficou internado no Hospital São Lucas, em Copacabana, no Rio de Janeiro, para se recuperar de um mal-estar. Ele começou a ser medicado e a desenvolver um quadro de depressão.

Observando o sofrimento do cantor, uma das enfermeiras que cuidava dele nessa época, convidou a ele e a sua mãe, que o acompanhava, para conhecer o Parque Ecológico do hospital, que fica localizado no sexto andar. Ao seguir o caminho feito com pedras portuguesas, Cazuza entrou em uma área verde que o fez esquecer do ambiente do hospital. Lá ele conseguia ver o céu azul manchado com nuvens brancas, ouvir o canto dos pássaros, respirar um ar mais puro e tocar na água do pequeno riacho que corria entre as árvores frutíferas. De repente um beija-flor pousou em sua mão e ele se sentiu inspirado para compor a música Codinome Beija-Flor. A atitude dessa profissional fez com que ele se sentisse motivado a se recuperar mais rápido e logo ele recebeu alta e voltou para casa.

No filme Tempos Modernos, de 1936, Charles Chaplin critica uma época em que as máquinas começavam a ocupar o lugar dos trabalhadores no mercado de trabalho. Hoje vivemos um período onde os computadores e os robôs estão ocupando cada vez mais espaço. Contar com a ajuda das máquinas dentro das empresas é algo extremamente importante e bom, o que não podemos é ignorar a mão-de-obra humana, que sempre terá a sua importância. As relações humanas são os principais ingredientes de sucesso das empresas.

Eu costumo contar em minhas palestras também a história de quando eu conheci o compositor e flautista Altamiro Carrilho, na época em que trabalhei na área de saúde.

Carrilho, aos 87 anos, ficou internado em um hospital na zona sul do Rio com problemas pulmonares e ele comentou com a sua esposa – que ficou com ele todo o tempo no hospital – que o que ele mais sentia falta era de tocar a sua flauta, instrumento que o acompanhou a vida inteira e o tornou conhecido. Como ele não estava forte o suficiente, o médico o proibiu de tocá-la e de fazer qualquer exercício. A recomendação era para ficar em repouso absoluto até receber alta do hospital. Percebendo que o paciente estava triste e querendo ajudar em sua rápida recuperação, o médico então conversou com a direção do hospital e contrataram um flautista para se apresentar no quarto do paciente. Foi enorme a surpresa de Altamiro ao receber um músico em seu quarto, tocando as músicas que ele gostava - algumas de sua própria autoria - e recitando poesias. O músico não conseguiu conter as lágrimas de emoção e agradeceu pela homenagem. Segundo sua esposa, a música o estimulou até a se alimentar melhor e ele se sentiu mais forte. Dentro de uma semana, ele recebeu alta e foi para casa, após um mês internado.

Altamiro morreu algum tempo depois, mas sua esposa sente-se grata até hoje pelo cuidado e carinho que o médico ofereceu ao músico, que fez muita diferença naquele momento em que ele estava vivendo e amenizou sua dor e seu sofrimento. Ele declarou na época que a música o fez esquecer dos problemas por alguns instantes e transmitiu paz e aconchego em um lugar que costuma ser triste e sem cor.

Como já bem colocou Paulo Freire, “você não educa ninguém, mas exemplifica com atos”.
Qual é a sua história? Como você está inspirando outras pessoas? Envie-nos suas experiências ou deixe aqui seus comentários.

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Vanessa Guimarães é jornalista, consultora de Comunicação Corporativa e palestrante. Pós-graduada em Comunicação Organizacional Estratégica, com MBA em Liderança Integral na Unipaz RJ. Fez curso de Empatia na School of Life Brazil e de Storytelling com o professor Fernando Palacios. Em 14 anos de carreira, sua trajetória profissional inclui vasta experiência em diferentes mídias: jornal impresso, site, comunicação interna, endomarketing, planejamento estratégico e assessoria de imprensa. Atualmente faz consultoria e palestras sobre Gestão de Mudanças e Gestão do Tempo para Correios, Cassi e FioCruz, no Rio de Janeiro.

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