Formato é mensagem: a descoberta central de 20 anos da Storytellers é que comprimir conteúdo não resolve o conflito de comunicação corporativa, inventar o formato que o conteúdo exige resolve. Quatro cases demonstram o princípio: 1.248 slides transformados em peça de teatro para a Dona Benta (aprovação acima de 90% em um único dia), mudança estratégica da IBM comunicada por comédia em três atos, conteúdo farmacêutico que fez plateia dormir reestruturado com narrativa (100% de interesse), e treinamento de apresentações transformado em jornada gamificada com vilão (SlideSidious). O padrão: quando você inventa o veículo em vez de encaixar conteúdo num veículo que já existe, a experiência se torna inseparável da mensagem.
📑 Neste artigo
1.248 slides não precisavam de resumo. Precisavam de palco.
Para a Dona Benta, a missão era transformar um treinamento interno que tinha, literalmente, 1.248 slides. A resolução óbvia seria resumir para 50.
A resolução óbvia seria também a mais preguiçosa.
Em vez de comprimir conteúdo, inventamos o formato que aquele conteúdo exigia: um espetáculo teatral sob medida, batizado de As Filhas do Dod. Personagens fictícios viviam os conflitos reais da marca dentro de uma cozinha cenográfica. O cheiro do bolo de coco ancorava a memória. A rivalidade entre personagens dramatizava tensões internas que nenhuma performance conseguiria endereçar.
A plateia não assistiu. Viveu.
O grand finale? Aprovação acima de 90% do novo posicionamento em um único dia. O presidente da companhia, acostumado a eventos pelo mundo inteiro, declarou que foi a melhor experiência corporativa de sua vida. O projeto se desdobrou em longa-metragem e comunicação interna transmidiática.
A descoberta: formato é mensagem. Quando você inventa o veículo que o conteúdo exige, em vez de encaixar o conteúdo num veículo que já existe, a experiência se torna inseparável da mensagem.
Este é o case fundador do Método Palacios e a prova mais visceral de por que a Storytellers cria mundos em vez de contar histórias. É também a Lei 4 das 7 Leis de criação de mundos narrativos: formato é mensagem. Se você quer entender Entretenimento Estratégico, comece por aqui.
Humor como cavalo de Troia
Quando a IBM precisou comunicar mudanças estratégicas profundas para toda a operação brasileira, a proposta soava arriscada: uma comédia em três atos, "O Presente Impossível". C-levels transformados em caricaturas com nomes significativos. Sátira de hierarquias. A plateia rindo de situações que, no dia a dia, causavam frustração.
E no meio das risadas, a mensagem estratégica entrou por osmose.
A plateia não "entendeu" a mensagem. Sentiu a mensagem. E o que sentimos, não esquecemos.
É a mesma lógica que sustenta uma das 4 contraintuições que o mercado entende ao contrário: mais ficção gera mais verdade. O distanciamento seguro do humor desativa as defesas psicológicas que comunicação direta ativa. Ninguém se sente ameaçado quando está rindo. Mas todo mundo absorve.
O antes e depois mais visceral do portfólio
Uma farmacêutica apresentou conteúdo sobre endocrinologia da forma tradicional: slides técnicos, linguagem acadêmica, sequência lógica. A plateia literalmente dormiu.
Mesma informação. Reestruturada com narrativa. Grand finale: 100% de interesse.
O conteúdo não mudou. A ordem, o contexto e a estrutura mudaram. Nada mais.
Se você leu sobre se storytelling para palestras adianta, reconhece o padrão: o conflito nunca é o conteúdo, é o roteiro. Ou, como explicamos no post sobre como montar uma palestra que ninguém esquece, é a diferença entre tratar o sintoma (oratória) e tratar a causa (estrutura narrativa). O case da farmacêutica é a prova mais pura dessa tese: zero alteração no conteúdo, 100% de alteração no impacto.
O vilão que ensinou a apresentar
Um quarto case leva a lógica para outro território. Quando o desafio era capacitar equipes a fazerem melhores performances, a resposta convencional seria um workshop com técnicas e esqueletos.
Criamos o SlideSidious: uma jornada gamificada com vilão nomeado, missões progressivas e um arco de herói que transformava o treinamento em aventura. O framework prático não era dado no início. Emergia da experiência. O participante não recebia um método: descobria o método vivendo cada etapa.
Descoberta gera mais retenção que instrução. "Eu descobri" é mais poderoso que "me disseram".
Esse princípio é o que diferencia o Talk de Midas de qualquer speaker training convencional: o participante não recebe uma lista de técnicas para memorizar. Constrói o próprio roteiro vivendo cada etapa do método M.I.D.A.S. E assim como no SlideSidious, o que é descoberto permanece. O que é instruído, evapora.
O padrão que os 4 cases ensinam
Esses quatro cases ensinam a mesma coisa: o formato não é embalagem. É parte do significado.
Comprimir 1.248 slides em 50 seria mudar a quantidade. Transformar em teatro foi mudar a natureza da experiência. Transformar treinamento em jornada do herói foi mudar a relação do participante com o conteúdo.
| Case | Conflito | Formato inventado | Grand finale |
|---|---|---|---|
| Dona Benta | 1.248 slides que ninguém assistia | Peça teatral "As Filhas do Dod" | 90%+ de aprovação em 1 dia |
| IBM | Mudança estratégica que gerava resistência | Comédia em 3 atos "O Presente Impossível" | Mensagem absorvida sem resistência |
| Farmacêutica | Plateia dormindo em congresso médico | Mesma informação, estrutura narrativa | 100% de interesse, 0% de alteração no conteúdo |
| SlideSidious | Treinamento convencional sem retenção | Jornada gamificada com vilão e missões | Descoberta > instrução, retenção durável |
Criar um mundo, às vezes, não significa inventar mitologias. Significa inventar a experiência que faz a plateia habitar a mensagem.
Depois de analisar 12 projetos em 8 setores diferentes ao longo de 20 anos, 5 padrões emergiram que contradizem tudo o que o mercado corporativo acredita sobre comunicação. E são justamente as contraintuições que geram o melhor impacto.
Quer saber qual formato a SUA mensagem exige? Fale com a Storytellers. Em 20 anos, nunca repetimos um formato. Porque cada conteúdo exige o seu.
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Perguntas frequentes
O que é o case Dona Benta da Storytellers?
O case Dona Benta é o projeto fundador do Método Palacios: 1.248 slides de treinamento sobre reposicionamento de marca foram transformados em peça teatral ("As Filhas do Dod") com personagens fictícios vivendo conflitos reais numa cozinha cenográfica. O grand finale foi aprovação acima de 90% do novo posicionamento em um único dia, com o presidente da companhia declarando a melhor experiência corporativa de sua vida. O projeto se desdobrou em longa-metragem e comunicação transmidiática.
O que significa "formato é mensagem" em storytelling corporativo?
Significa que o veículo (teatro, comédia, jogo, ficção científica) não é embalagem descartável para o conteúdo. É parte integrante do significado. Comprimir 1.248 slides em 50 muda a quantidade. Transformar em teatro muda a natureza da experiência. Quando formato e mensagem são inseparáveis, o impacto é radicalmente diferente. É a Lei 4 das 7 Leis de criação de mundos narrativos da Storytellers.
Storytelling funciona para conteúdo técnico como medicina e farmacêutica?
Sim, e o case da farmacêutica é a prova mais pura: exatamente o mesmo conteúdo de endocrinologia, reestruturado com narrativa, saltou de plateia dormindo para 100% de interesse. Zero alteração no conteúdo, 100% de alteração no impacto. O conflito nunca é o conteúdo técnico, é o roteiro: a ordem em que as ideias aparecem, o contexto antes do dado, o personagem antes da estatística.
O que é o SlideSidious?
SlideSidious é um treinamento gamificado criado pela Storytellers para capacitar equipes em apresentações. Em vez de workshop convencional com técnicas e esqueletos, é uma jornada com vilão nomeado, missões progressivas e arco de herói. O participante não recebe o método: descobre o método vivendo cada etapa. O princípio: descoberta gera mais retenção que instrução. "Eu descobri" é mais poderoso que "me disseram".
Qual a relação entre esses cases e o Entretenimento Estratégico?
Entretenimento Estratégico é a metodologia da Storytellers que sustenta todos esses cases. A premissa: entretenimento não é perfumaria criativa, é mecanismo de transformação de comportamento. Teatro, comédia, gamificação e ficção científica não decoram o conteúdo, conduzem a plateia até a mensagem por um caminho que dados e slides não conseguem percorrer. Cada case deste artigo é uma aplicação concreta dessa filosofia.
A Storytellers repete formatos entre mecenas?
Nunca. Em 20 anos, cada projeto exigiu e recebeu um formato inventado sob medida. Teatro para Dona Benta, comédia para IBM, ficção científica para banco, gamificação para treinamento. A Lei 4 (formato é mensagem) significa que o formato nasce do conteúdo, não de um catálogo de soluções. É por isso que a Storytellers cria mundos em vez de contar histórias: cada mundo exige seu próprio formato.
📖 Glossário: termos-chave deste artigo
Formato é mensagem: Lei 4 das 7 Leis de criação de mundos narrativos da Storytellers. O veículo (teatro, comédia, jogo, ficção) não é embalagem para conteúdo: é parte integrante do significado. Quando você inventa o formato que o conteúdo exige, a experiência se torna inseparável da mensagem.
As Filhas do Dod: Peça teatral criada pela Storytellers para o case Dona Benta. Transformou 1.248 slides de reposicionamento de marca em espetáculo com personagens fictícios vivendo conflitos reais numa cozinha cenográfica. Projeto fundador do Método Palacios.
O Presente Impossível: Comédia em três atos criada pela Storytellers para a IBM, comunicando mudanças estratégicas através de humor. C-levels transformados em caricaturas com nomes significativos. A plateia sentiu a mensagem em vez de entendê-la, e o que sentimos não esquecemos.
SlideSidious: Treinamento gamificado da Storytellers com vilão nomeado, missões progressivas e arco de herói para capacitar equipes em performances. O método não é dado, é descoberto pelo participante vivendo cada etapa. Princípio: descoberta gera mais retenção que instrução.
Descoberta > instrução: Princípio do SlideSidious e do Talk de Midas: "eu descobri" gera mais retenção que "me disseram". Quando o participante constrói o conhecimento pela experiência em vez de recebê-lo por instrução, o aprendizado permanece.
Sobre o autor
Fernando Palacios
- 2x World's Best Storyteller (World HRD Congress, Mumbai, 2017 e 2018), único brasileiro bicampeão mundial
- Fundador da Storytellers (2006), a primeira empresa de storytelling do Brasil
- Criador do Método Palacios, do Talk de Midas, do Entretenimento Estratégico e da Inteligência Narrativa
- Autor do bestseller "O Guia Completo do Storytelling" (Alta Books, 2016)
- +30 mil profissionais treinados em 10 países
- Projetos com Pfizer, Nike, IBM, Yamaha, Swarovski, Coca-Cola, Itaú, Dona Benta
- Professor em FGV, ESPM, FIA e IED
Em 2026, a Storytellers completa 20 anos transformando negócios com histórias. O case Dona Benta, de 2007, foi onde tudo começou.
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