STORYTELLING ALÉM DOS "CASES"


O mundo da comunicação está repleto de exemplos e casos que reafirmam o poder das histórias na construção de marcas. Sem muito esforço encontramos diversas menções a storytelling em campanhas de comunicação – muitas delas até incorretas – mas sempre se vangloriando pragmaticamente pelo sucesso gerado.
Quando vamos a uma esfera científica do estudo da comunicação, do consumo e das marcas vemos que também não é diferente. Se por um lado respeitadas marcas como Coca-Cola e Google discutem o storytelling, por outro autores-referência como Colin Campbell e Andrea Semprini embasam a discussão em seu viés mais profundo e defendem a relação de consumo como cada vez mais imaginária, imaterial e simbólica.
E já que tratamos o storytelling em sua vertente acadêmica, valem algumas citações pra deixar tudo mais claro:
"Em muitas destas, a fronteira entre a representação dos interesses de determinado fabricante e distribuidor (i.e., a propaganda) e as imagens produzidas primeiramente para entretenimento é claramente distinguível, sugerindo que as duas coisas preenchem a mesma função de facilitar o hedonismo imaginativo. Em outras palavras, as pessoas 'desfrutam' dessas imagens em grande parte da mesma forma que desfrutam de um romance ou filme."
Retirada do livro “A ética romântica e o espírito do consumismo moderno”, de Colin Campbell, editora Rocco.
“Lembremos apenas que a capacidade de construir mundos desenvolver territórios simbólicos e manipular a abstração são aspectos que definem a lógica de marca. O desenvolvimento, no seio do consumo, de dimensões imateriais e imaginárias, entra então em íntima ressonância com a própria essência da lógica de marca.”
Do livro “A marca pós-moderna”, de Andrea Semprini, da editora Estação das Letras.
E disso tudo, em suma, o que se tira é que nada mais imaginário e possível de construir um mundo para uma marca do que uma boa história.

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