Como estamos contando histórias na televisão dos dias de hoje



Eu não sei se sou só eu, mas ultimamente vejo que muitas histórias de sucesso na televisão têm três elementos básicos: sexo, violência (excessiva) e um mood meio dark.

Como assim?, você deve estar se perguntando. Pare e pense um pouquinho. Vou dar alguns exemplos de algumas séries de diferentes canais e temáticas para você refletir: Game of Thrones, Spartacus, Da Vinci’s Demons, The Walking Dead, Roma, The Tudors, Os Bórgias, Skins, Sex and the City, Smallville (nunca antes o Superman transou tanto), por aí vai...


             O que eu quero com isso não é falar mal de nenhuma dessas séries. Muito pelo contrário, inclusive porque gosto delas. O meu ponto é o interesse da audiência. O público parece pedir cada vez mais por ousadia nesses três pilares. A sociedade demanda sexo, violência e um ar sombrio para se entreter.

Lógico que isso não é geral. Existem exceções a esse formato muito boas por sinal. Mas, independentemente de qualquer coisa, esses três pilares acabam aparecendo uma hora ou outra para chamar a atenção da audiência. Até nas novelas da Globo a coisa está assim!

A partir daí proponho uma reflexão: será que são as histórias das séries que estão conduzindo o comportamento e a demanda do público, ou o é público que está conduzindo os enredos e as construções das histórias das séries? Estamos vivendo em uma sociedade voltada para sexualidade, violência e temas sombrios ou a ficção se limita a apelos da audiência?

Para ajudar nessa reflexão, vou pegar histórias infantis tradicionais e dizer como elas seriam se fossem criadas hoje para uma série televisiva. Você pode pensar nelas como readaptações ou ideias criadas da demanda da audiência, se preferir. Bom, vamos lá:



A Branca de Neve – Essa história é quase sem graça de servir como um exemplo já que os dois últimos filmes baseados nela deixam claro meu ponto de vista anterior, mas vou usá-la mesmo assim. A história da Branca de Neve fugir por causa da madrasta e etc... seria mantida. O que mudaria, na minha opinião, seria a relação dela com os anões, especialmente porque os anões em si seriam diferentes. Eles não seriam velhinhos ou engraçadinhos como no conto original ou na história da Disney. Eles seriam anões guerreiros, como os do Hobbit. E, assim sendo, a Branca de Neve se relacionaria amorosamente com algum deles. Aliás, não só com um, com dois anões de personalidades antagônicas, gerando uma disputa entre os anões. E, no final, um deles morreria enquanto o outro se tornaria seu príncipe encantado.




Chapéuzinho Vermelho – Outra história que ganhou milhares de readaptações. Mas se a história fosse criada para uma série de TV atual, eu teria uma outra ideia de como as coisas iriam funcionar. Chapéuzinho Vermelho seria uma caçadora de lobisomens sexy e feroz, e seu Lobo Mal seria um lobisomem com quem ela já tivesse transado. Eles teriam uma relação de amor, ódio e muito sexo, regada a combates na floresta e inimigos em comum.




A Pequena Sereia – Para uma série de TV, acredito que Ariel não iria se apaixonar por um príncipe em um navio, e sim por um pirata estilo Jack Sparow (bêbado, engraçado e mentiroso). Ela também não iria abdicar de sua vida de sereia por ele, mas ganharia poderes para ir à superfície como uma humana. Juntos, os dois viveriam aventuras no mar lutando contra monstros, enfrentando perigos e transando algumas vezes. Porém a temática central da série giraria em torno de Ariel tentando conquistar o amor de seu pirata, que também se sente atraído por ela, mas não sabe se consegue abdicar de sua vida boêmia.




A Bela e a Fera – Bela ainda seria aquela garota geek e estudiosa, enquanto Fera ainda seria uma criatura amedrontadora. O que iria acontecer de diferente é que justamente esse lado de Fera iria atrair Bela, como Risoletta e Aristóbulo em Saramandaia. A garota tímida e culta iria se soltar e revelar suas fantasias para a fera peluda. Após os dois primeiros episódios, Fera poderia voltar a se tornar humano, porém tendo o poder de se transformar em monstro assim que desejasse. Se você acha que isso nunca daria certo, pense na Saga Crepúsculo.






                              
Agora, pegue esses exemplos e pense:

1- Eu veria essas séries?
2- Eu conheço alguém que veria essas séries?
3- Eu acho que algumas dessas séries poderiam ser produzidas?
4- Eu acho que algumas dessas séries poderiam ser um sucesso de audiência?

Fica aberta a discussão.


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