Are You the One

Agora já faz praticamente dois anos desde que eu terminei meu último namoro de verdade. O último com direito a status no Facebook, aliança de prata no dedo, declarações de amor públicas e transando com uma só mulher. Só de pensar em tudo isso de novo me sobe um arrepio pela minha espinha.


Ao todo esse meu último namoro durou um ano e meio. E, mesmo sabendo que era a coisa certa a fazer, foi estranho terminar. Era estranho não ter mais que dar satisfação. Ou jogar diversos planos feitos ao longo daquele espaço de tempo no lixo. Então eu tive que passar por uma espécie de “terapia”.

A minha terapia, no caso, era me reunir com dois amigos aos domingos, tomar cerveja e ver um reality show da MTV chamado “Are You The One”.

O “Are You The One” é um reality show onde dez homens e dez mulheres são isolados em uma casa e têm dez semanas para acharem quem são seus “pares ideias”. Caso todos achem, eles ganham um milhão de dólares dividido entre todos os participantes. Caso o contrário, ninguém leva nada.


Para acharem seus “pares ideais” os participantes contam com provas onde os vencedores ganham como prêmio um encontro. O casal do encontro pode ser indicado para uma coisa chamada de “Cabine da Verdade”, que diz se o par formado está correto ou não. Toda semana os participantes têm direito a uma cabine da verdade. E depois, juntos, eles formam os dez casais que acham corretos em uma cerimônia que diz quantos “pares ideais” foram formados sem dizer quais pares estão certos ou errados.

Parece simples e fácil, não? Mas pense melhor. Em um ambiente controlado e feito para que os participantes se apaixonem, é um tanto quanto fácil se apaixonar pela pessoa errada... E com dinheiro envolvido no meio da história erros não são levados com leviandade. É por isso que o reality fica interessante. Casais são formados e separados, manipulações e intrigas entram no meio da disputa e sempre tem algum motivo para aquela treta que o público tanto gosta. É estupidamente genial. Ou genialmente estúpido.


Ao assistir “Are You The One” eu me sentia bem. Afinal, não importasse o quão baixo eu tivesse descido na minha vida amorosa, eu nunca chegaria tão baixo quanto alguns dos participantes. Mas não só por isso. Eu também comecei a ter uma reflexão de que tipo de personagem eu seria dentro da casa. Seria o cafajeste? O emotivo? O cara legal? Acho que eu só saberia se participasse. E se eu participasse, quem sabe que lição sobre mim mesmo eu não poderia aprender?

Pensando em uma premissa aristotélica de storytelling, os personagens da história criada em "Are You the One" devem evoluir e aprender uma lição sobre o que buscar em um relacionamento amoroso para serem dignos de seus finais felizes. Isso ligado aos cinco elementos narrativos bem delineados fazem do reality um exemplo de reality show com storytelling.

Os cinco elementos narrativos de "Are You The One" são:
- Personagens – vinte participantes solteiros + um mestre de cerimônias/mediador;

- Tempo/Local – uma casa em um lugar paradisíaco durante dez semanas nos dias de hoje;

- Estilo – edição com depoimentos do ponto de vista dos participantes e filmagem cronológica dos acontecimentos;

- Tema – “a busca do par ideal”;

- Plot/Enredo – semana após semana são descobertos casais corretos e casais errados, dando ação à história e movendo os personagens.

Se você ficou curioso e se interessou pelo programa, basta ligar na MTV às 19h30 de domingo. A segunda temporada brasileira começou na semana passada e, ao que parece, promete ser muito boa.  

Quanto a mim, eu superei meu término de namoro há muito tempo atrás. Mesmo assim, continuo assistindo ao programa aos domingos com meus amigos e uma cerveja na mão. Agora já é tradição. E quem sabe eu não participo de alguma edição futura? Pelos meus textos nesse blog já dá para imaginar que daria um bom caldo para a MTV.

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