CEO como Chief Storyteller é o papel que o líder máximo não pode delegar. Definir o tom, encarnar cultura e propósito em cada decisão e falar diretamente nos momentos que definem a empresa. A McKinsey formalizou o conceito em 2025. A Storytellers opera sob essa premissa desde 2006, e já entregava antes de eles publicarem.
Em 2001 eu trabalhava diretamente com Ramiro Prudencio, então CEO da Burson-Marsteller na América Latina. Já naquela época uma coisa era óbvia na prática: CEO que terceiriza a narrativa da empresa está assinando um cheque em branco para o futuro. Narrativa delegada é narrativa morta.
Cinco anos depois fundei a Storytellers para transformar isso em método.
Em 30 de junho de 2025 a McKinsey publicou “The CEO’s role as chief storyteller”. Ramiro é um dos co-autores. O mercado chamou de novidade. Eu chamo de reconhecimento tardio.
O conceito não nasceu em Londres em 2025. Nasceu na prática que venho sistematizando desde 2006.
Por que narrativa do CEO virou agenda crítica agora?
Executivos sempre precisaram se comunicar. A diferença agora é o custo do silêncio. Disrupção geopolítica, IA generativa reescrevendo negócios, escrutínio simultâneo de board, talentos, investidores, reguladores e sociedade. Delegar 100% da narrativa para o time de comunicação deixou de ser ineficiência. Virou risco mensurável.
O artigo da McKinsey descreve exatamente o mundo que C-levels enfrentam todos os dias. Ninguém aceita mais porta-voz no momento decisivo.
Slide deck bem diagramado não substitui isso. Assessoria de imprensa não substitui isso. Comunicado escrito em comitê definitivamente não substitui isso.
Quais os três movimentos que apenas o CEO pode liderar?
O artigo da McKinsey identifica três movimentos que ninguém abaixo dele consegue executar com a mesma autoridade.
| Movimento | O que faz | Custo da ausência |
|---|---|---|
| Definir o tom | Ser o narrador principal e garantir que todos contem a mesma história | Cada área conta uma versão diferente. A empresa fragmenta. |
| Encarnar cultura, propósito e valores | Viver em cada decisão, crise e pivô, não apenas falar | O que o CEO faz contradiz o que o CEO diz. A plateia nota e desacredita. |
| Falar nos momentos que definem | Aparecer em crises, fusões, demissões e mudanças regulatórias | Silêncio ou genérico. Confiança, talentos e capital saem pela porta. |
O que são os quatro W’s da narrativa estratégica?
Os quatro W’s são o framework prático da McKinsey. A Storytellers chama de Mapa Narrativo do CEO.
Quatro perguntas que parecem simples e quase nunca são respondidas com profundidade:
Who are we? Quem somos de verdade, além do deck de valores na parede?
Why do we exist? Por que existimos neste momento específico? Propósito que não sobrevive a uma recessão ou a uma IA não é propósito, é slogan.
What do we want to achieve? O que queremos conquistar. E o que estamos dispostos a sacrificar para chegar lá?
When will we share our plans? Quando e como vamos contar isso para cada stakeholder, com transparência e timing estratégico?
A maioria dos C-levels responde esses quatro W’s com estratégia. Poucos respondem com narrativa que muda como a empresa pensa.
Quanto tempo CEOs de alta performance dedicam à narrativa?
O artigo da McKinsey cita números reais de alocação de tempo em stakeholder engagement, que na prática é gestão ativa de narrativa.
Brad Smith (Intuit) dedicava 20%. Peter Voser (Shell) chegava a 50%. Reed Hastings (Netflix) mantinha um terço da agenda nisso.
Creating this culture is my chief job as CEO.Satya Nadella, CEO da Microsoft, sobre transformar a cultura da empresa
Judy Marks, CEO da Otis, repetiu publicamente: “I can’t tell the story enough.” Não é teoria. É agenda. É repetição deliberada.
Como a Storytellers entrega o que o artigo apenas descreve?
A McKinsey diagnosticou o conflito com precisão. O que o artigo não entrega é o “como”. A Storytellers trabalha com C-levels há quase 20 anos exatamente para isso: não para “comunicar melhor”, mas para mudar como eles pensam, decidem e lideram através da narrativa.
Método Palacios transforma narrativa em sistema de pensamento executivo. Comunicar melhor é técnica. Pensar narrativamente é arquitetura de decisão.
Qual o risco real de tratar isso como tendência?
O artigo vai circular bastante em 2025. Vai virar pauta de offsite, vai ser citado em comitês. E, na maioria das empresas, nada vai mudar.
Porque o conflito não é falta de conhecimento. É falta de coragem para tratar narrativa como competência de liderança, não como tarefa de comunicação.
Narrativa fraca não mata a estratégia de uma hora para outra. Mata devagar: confiança do board que erode, talentos que saem sem conseguir explicar por quê, investidores que não compram a visão, mercado que não entende o propósito. Quando o estrago fica visível, o custo já está pago.
A Storytellers não descobriu o CEO como chief storyteller em 2025. Nós o ensinamos antes de virar moda. O que a McKinsey publicou como tendência, nós transformamos em músculo executivo desde 2006.
Se você é C-level e sente que sua narrativa não está colando, a pergunta não é se o conceito está certo. É: quanto tempo mais vai custar esperar?
Perguntas frequentes sobre CEO como Chief Storyteller
O que significa CEO como Chief Storyteller?
É o papel executivo de liderar pessoalmente a narrativa central da empresa, sem delegá-la ao time de comunicação. Envolve três movimentos: definir o tom narrativo, encarnar cultura e propósito em cada decisão, e falar diretamente nos momentos que definem (crises, fusões, mudanças regulatórias). A McKinsey formalizou o conceito em 2025, mas a prática já era sistematizada pela Storytellers desde 2006.
Por que o CEO não pode delegar a narrativa ao time de comunicação?
Porque narrativa delegada é narrativa morta. O Edelman Trust Barometer 2025 mostra que 67% das pessoas confiam no “meu CEO” mas apenas 53% confiam em CEOs em geral. A diferença entre esses dois números é exatamente a narrativa que só o líder máximo pode carregar, porque combina palavra e ação em uma única figura de autoridade. Slide deck, assessoria de imprensa e comunicado escrito em comitê não substituem esse papel.
Quanto tempo um CEO deve dedicar à narrativa estratégica?
Segundo a McKinsey, CEOs de alta performance dedicam entre 30% e 50% do tempo a stakeholder engagement, que é gestão ativa de narrativa. Brad Smith (Intuit) dedicava 20%, Peter Voser (Shell) chegava a 50%, Reed Hastings (Netflix) mantinha um terço da agenda em relações com governo, imprensa e investidores. Não é teoria de comunicação. É alocação de tempo como competência executiva central.
Quais são os quatro W’s da narrativa estratégica?
Os quatro W’s são: Who are we (quem somos de verdade, além do deck de valores), Why do we exist (por que existimos neste momento específico), What do we want to achieve (o que queremos conquistar e o que estamos dispostos a sacrificar) e When will we share our plans (quando e como comunicar para cada grupo, com timing estratégico). A Storytellers chama esse framework de Mapa Narrativo do CEO.
Qual a diferença entre “comunicar melhor” e pensar narrativamente?
Comunicar melhor é aprender técnicas de oratória. Pensar narrativamente é reformular como o CEO estrutura decisões, convoca o time para uma mudança e transforma dados em argumento que move comportamento. É esse o núcleo do Método Palacios: narrativa como sistema de pensamento executivo, não como ferramenta de apresentação. Muda como a empresa pensa, não apenas o que ela comunica.
Sobre o autor
Fernando Palacios
- 2x World’s Best Storyteller (World HRD Congress, Mumbai, 2017 e 2018)
- Fundador da Storytellers (2006), primeira empresa de storytelling do Brasil
- Autor do bestseller “Guia Completo do Storytelling” (Alta Books, 2016)
- Treinou 30 mil profissionais em 10 países, incluindo líderes de Itaú, Nike, Pfizer, Swarovski e Yamaha
- Professor em FIA, ESPM, FGV, USP, Sebrae, Instituto Europeo di Design e O Novo Mercado

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