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Como a Microsoft usa o Storytelling para promover o Internet Explorer



Para celebrar o Anime Festival Asia (AFA) 2013 e divulgar o Internet Explorer 11 naquele continente a Microsoft resolveu levar a sério os animes, afinal todos sabemos que eles tem uma relevância para os povos asiáticos - tanto quanto as novelas tem aqui no Brasil. 

Em Novembro de 2011 divulgaram o video “Anime Festival Asia Special Video - feat Inori Aizawa” no YouTube. Inori é a personificação do Internet Explorer (segundo seu próprio perfil no facebook),  uma heroína que aparece lutando contra monstros relembrando clássicos de animes como Sailor Moon e Evangelion. Vejam o vídeo:




O vídeo se tornou viral e ganhou fama em todo o mundo. O anime do IE 11 e Inori foi criado pela Microsoft de Cingapura e dedicado a todos os fãs do gênero em todo o mundo e particularmente, apesar de reconhecer vários dos elementos da marca do IE e Microsoft na personagem ainda dá a vontade de ver como a Inori vai enfrentar o ultimo boss, quero dizer, isso poderia virar uma série animada pra televisão facilmente.

A história não para por aí 

Talvez muita gente vai pensar que um vídeo de 2 minutos (aprox) não tenha tanta força pra carregar uma história intensa, mas como sempre ressaltamos aqui no blog "o segredo é a parte da história que ainda não foi contada" pois ela vai criar conexões e fazer as pessoas continuarem com sua imaginação.

Foi o que aconteceu no caso de Inori, ela mantem um perfil ativo até hoje no Facebook ( https://www.facebook.com/internetexplorertan ) aonde é possível notar uma série de tirinhas ilustradas da Microsoft aonde Inori Aizawa aparece em situações que podem representar características do navegador.


O post com a tirinha sempre tem um link para um site com especificações técnicas e comparações. Além disso a página divulga artes dos fãs, ilustrando ou mesmo produzindo novos videos com a personagem cantando:

 

Também tem alguns wallpapers e muitas mensagens de fãs que devem estar esperando para ver novas aventuras de Inori pelo Youtube. Espero que com todo esse sucesso por lá, a Microsoft resolva expandir essa ação aqui pro ocidente e traga sua personagem para interagir com o público - quem saiba assim eu até pense em voltar a usar o navegador :p

3 DICAS PARA CONSTRUIR PERSONAGENS POR BARNEY STINSON



O herói galanteador dos tempos modernos Barney Stinson tem muito mais à oferecer para os storytellers de plantão do que apenas "jogadas" para conquistar mulheres. Suas complexas estratégias contém importantes lições de como se construir um bom personagem.

1. BACKSTORIES 

A primeira coisa que um personagem precisa é uma história, algo que justifique o seu comportamento e que possa ser usado, de tempos em tempos, para revelar mais sobre ele e tornar os espectadores mais íntimos. De onde ele vem? O que ele faz? Qual é o seu nome? E o sobrenome? Onde ele mora? Como é a sua casa? Do que ele gosta? O que ele fazia quando era criança?

Todas essas perguntas devem ser respondidas, mesmo que seja só para o autor. Eu costumo dizer que um personagem é bom quando o conhecemos como conhecemos o nosso melhor amigo, quando sabemos como ele reagiria nas mais diversas situações. Quanto mais você conhece o personagem, mais fácil fica de saber o que ele faria se o mundo fosse acabar amanhã, ou se o amor da sua vida estivesse mudando para outro continente. Além disso, quanto mais o espectador conhecer do personagem, mais íntimo eles estarão e maior será o interesse do espectador na vida do personagem. Faça com que o espectador acredite que o personagem é um de seus amigos e ele sempre terá um motivo para vê-lo.

2. O DIFERENTE É ATRAENTE 

Não é a toa que os personagens de Barney Stinson tem nomes peculiares, profissões curiosas e hábitos quase absurdos. Nós somos seres naturalmente curiosos, quanto mais estranha for uma situação, mais iremos querer saber sobre ela. Crie nomes que chamem a atenção e sobrenomes que possam conter histórias. Usar sobrenomes estrangeiros pode ser uma boa pedida.

Elementos que não deveriam pertencer mas pertencem, como latas de sopa em galerias de arte, ou carros em janelas de prédio tem sido usados pela publicidade para chamar a atenção há muito tempo e ainda funciona com os seus personagens. Use o seu estilo de roupas para torná-lo único, seja um cara que só veste ternos ou um jovem cientista da década de 90 que só veste jalécos, assim como na vida real, na ficção a sua roupa diz muito sobre você.

3. PENSE NAS VARIÁVEIS 

Criar um personagem para a ficção é como criar um personagem para conquistar as garotas do bar. Há muitos fatores externos que podem atrapalhar o seu personagem, dificultar a sua atuação ou, até mesmo, destruir o personagem por inteiro. Pense nos fatores externos que podem afetar o seu personagem. Seus amigos, o trânsito da cidade ou a bolsa de valores. Se o seu objetivo é criar um personagem verossímel, em algum momento o mundo tem que afetá-lo. Não adianta dizer que ele é um economista e deixá-lo simplesmente alienado ao seu mundo profissional, são esse links com a realidade, essas diversas possibilidades que fazem um personagem funcionar ou não, seja no papel de um livro, na tela da TV ou na mesa de bar.

3 DICAS DE ESCRITA DE THE WALKING DEAD

Os perigos do apocalipse zumbi não se aplicam apenas aos personagens. Muitas vezes escrever é um processo "orgânico" e cronológico, uma brincadeira de personagens e uma sucessão de "e se"s que acabam se transformando em uma narrativa. Esse processo arriscado de construção narrativa já custou dois showrunners (responsáveis criativos da série) em 18 meses. Eu sei que estou simplificando muito o processo, mas foi basicamente assim que a AMC conseguiu quebrar todos os recordes de audiência de séries com The Walking Dead.

CUIDADO COM AS PROMESSAS

Uma das coisas mais importantes em uma narrativa, seja ela série ou livro, é o que chamamos por aqui na storytellers de Grã-conceito, ou seja, aquela promessa que fazemos ao espectador quando apresentamos a nossa história. Quando falamos de The Walking Dead o grã-conceito é bem simples "Um xerife norte americano que acorda de um coma no meio do apocalipse zumbi e começa uma jornada para proteger e salvar sua família, encontrando no caminho, além dos obstáculos apocalíticos, muitos outros sobreviventes" ou simplesmente "Uma história sobre sobre o apocalipse zumbi".

Com um grã-conceito assim, precisamos apenas de bons personagens e alguma imaginação. Conhecendo nossos personagens somos capazes de prever o que eles fariam em certas situações e é ai que entra o "e se..." na brincadeira. Dai pra frente é só continuar escrevendo e se perguntando, "e se eles fossem atacados por 100 zumbis ao mesmo tempo, o que fariam?", " e se eles forem atacados por um grupo de humanos?", "mas e se a mulher estivesse grávida?" e imaginar as respostas de cada personagem para cada uma dessas situações. Pronto, temos uma história... ou não... 


PENSE NAS PESSOAS

Um bom personagem é para o autor como um de seus melhores amigos já que é preciso ter a capacidade de descrever o que ele faria em determinada situação. Pense no seu melhor amigo e tente imaginá-lo no apocalipse zumbi, o que ele faria? Será que ele seria um sobrevivente? Como ele morreria? Qual seria a fraqueza dele que o levaria a morte? Ou qual seria qualidade que garantiria sua sobrevivência? 

Pense nas pessoas, o público tem que entender os personagens como você os entende, se relacionar com eles. Fazê-los acreditar que o personagem é real e humano, vai te ajudar a fazê-los acreditar que todo o resto também é real. 

NÃO SE ESQUEÇA DOS ZUMBIS 

Um dos perigos de seguir a regra de cima é que nós podemos nos esquecer das nossas promessas, então vamos lembrar que: se você prometeu uma história sobre o apocalipse zumbi entregue uma história, no mínimo, sobre zumbis. Pensar nas pessoas é importante, saber o que elas fariam também é, mas no fim das contas o que deve determinar suas ações na história, assim como na vida, deve ser a situação em que estão inseridas, portanto, os zumbis devem fazer parte do "e se..." e ao invés de reagirem eles devem forçar reações, invadir áreas desconhecidas do acampamento supostamente seguro de seus personagens, vez ou outra pegar a menininha loirinha que vocês estava começando a conhecer e se apaixonar e quem sabe até atacar o líder da turma só pra criar um conflito.


Um dos problemas desse tipo de processo é que podemos nos perder no meio do caminho e, ao invés de escrever sobre os zumbis, transformamos a história em um relato sobre um grupo de pessoas forçadas a viverem juntas, dramas pessoais entre eles tomam conta da narrativa enquanto o apocalipse se torna uma desculpa para a união dos personagens, com uma ou outra aparição de um zumbi.  



O Espectador em Terapia

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Logo após terminar minha pós-gradução veio aquele dilema. Qual seria o próximo passo da minha vida acadêmica? Mestrado? Curso no exterior? Uma graduação exótica e complementar? Era 2005 e havia um mundo de possibilidades, mas escolhi investir tempo e dinheiro em terapia.

Há quem diga que eu tenho um parafuso a menos, mas garanto ser uma loucura saudável. Naquela época não havia uma grande crise, nem mesmo um surto, que justificasse essa decisão. Mas estava na hora de parar um pouco os estudos em comunicação, marketing ou seja lá o que fosse, e investir em uma jornada de autoconhecimento. Não adiantava continuar estudando sem saber o que eu realmente queria para a minha vida, por isso encarei o desafio como uma pós-graduação em mim mesmo.

É verdade que namorar uma psicanalista tenha ajudado a dissolver alguns preconceitos. Aliás, há poucas coisas tão carregadas de preconceito quanto o processo de terapia. O divã, o tempo de sessão, o preço da consulta e o fato do paciente escancarar sua vida à um estranho são algumas das coisas que causam arrepios para a maioria das pessoas. Mas o maior medo, sem dúvida, é conhecer a si mesmo. Não é à toa que a mente humana cria tantos bloqueios e ilusões.

Não sei se é necessário que todo mundo passe por isso, mas recomendo a psicanálise para quem tiver sede de autoconhecimento. E se você ainda tiver muitos preconceitos, recomendo dar uma olhada antes em In Treatment, série de TV magnificamente produzida pela HBO.


A história se passa durante 9 semanas na vida do terapeuta Paul Weston, que a cada dia, de segunda a quinta, atende um paciente e, na sexta-feira, tem sessões com sua ex-mentora para poder falar um pouco de si mesmo.

A série tem algumas peculiaridades, como o fato de ter sido exibida diariamente nos Estados Unidos, e não uma vez por semana como é praxe. Outra novidade é que 95% dos episódios se passam em dois cenários, o consultório de Paul e o de Gina, sua ex-mentora, onde os personagens apenas conversam. As vezes gritam, xingam, choram, mas não há explosões, efeitos especiais, lutas fabulosas ou teorias da conspiração. O único mistério da série é o próprio ser humano. E precisa mais?

Os mais ortodoxos devem pensar que esses são os ingredientes para uma história chata e parada, do tipo que faz dormir no sofá, mas garanto que não (e muitos críticos endossam). In Treatment é uma das coisas mais legais que surgiu na TV nos últimos tempos, uma verdadeira aula de construção de personagens, a multidimensionalidade da vida na essência.

Depois de ver os 43 episódios da 1ª temporada (e parece que vem uma 2ª temporada ano que vem) fiquei pensando que In Treatment é uma dessas histórias que tem uma função muito maior do que o entretenimento. Acompanhar a jornada de cada um dos pacientes, e principalmente a do doutor Paul Weston não só faz com que o espectador pense sobre sua própria vida, como provavelmente deve ter sido o gatilho para que muitos vencessem barreiras e preconceitos e iniciassem suas próprias terapias.

Se eu fosse de uma associação de classe como o próprio CRP (Conselho Regional de Psicologia), bancaria uma produção dessas para que mais pessoas pudessem conhecer melhor os benefícios desse trabalho.