Mostrando postagens com marcador tecnologia. Mostrar todas as postagens

Paramout anuncia o fim da película no cinema

Dona Ana, minha avó, é uma das poucas pessoas que, em pleno Século XXI ainda usa máquinas fotográficas analógicas, aquelas com filme. 

Muitas pessoas da geração atual provavelmente nem chegaram a conhecer esta tecnologia. Mas o fato é que: o caminho do progresso tende a tornar obsoletas as tecnologias anteriores por maior que seja a carga emocional que elas carreguem consigo. Assim foi com a transição do Vinil para o CD, da fita VHS para o DVD e parece que a Paramout Pictures, empresa responsável por filmes como o recente “Lobo de Wall Street” e clássicos como o "Resgate do Soldado Ryan” e “Titanic", sem falar em outros como os "Vingadores" está prestes a aposentar a tecnologia.

A empresa anunciou recentemente que irá distribuir filmes apenas em formato digital aos cinemas, aposentando o bom e velho filme em 35mm ainda presente em muitos cinemas do Brasil.

A iniciativa deve ser seguida por várias empresas no futuro que devem abandonar o formato antigo dando lugar a praticidade e qualidade do novo. Então, esqueça aquele velho barulho do projetor do cinema, ou mesmo os cortes improvisados de filme e a textura que este formato trazia em tela, pois a revolução digital está diante de nós!

SOBRE SER UM STORYTELLER

Aprendi com o Fernando Palacios que storytelling é uma tecnologia da comunicação. Mas para entender o que isso significa precisamos conhecer o significado de tecnologia. Uma das definições de tecnologia que eu mais gosto é que tecnologia é a soma de técnica + ciência. Portanto, o storyteller é, ao mesmo tempo, o mecânico e o engenheiro das narrativas. É o responsável por transformar o briefing em uma história e uma narrativa é um anúncio publicitário.

Somos escritores com clientes, escrevemos para transmitir uma mensagem pré-determinada, para promover uma marca, um produto, um sentimento ou, até mesmo, uma sensação. Começamos no briefing, como qualquer outro publicitário, conhecendo melhor o nosso cliente, a sua história, os seus desejos e, é claro, os seus objetivos, já que esses serão os objetivos da nossa narrativa. Pensamos em problemas e objetivos de marketing e de comunicação, pensamos no consumidor, nas histórias que eles contam e consomem. Por isso é importante conhecer séries, filmes e livros que fazem sucesso. Depois disso nos tornamos projetistas, desenhando universos, criando personagens, pensando em situações que se encaixem no briefing, histórias que resolvam nossos problemas e alcancem nossos objetivos.

Voltando ao pensamento de engenharia, antes de se desenhar um prédio é preciso aprender as leis da física, assim como antes de escrever uma história é preciso conhecer o que é uma boa narrativa. Como construir uma estrutura sólida que aguente todas as camadas e andares do que iremos construir, onde colocar as colunas estruturais que não devem ser alteradas, como dividir o espaço para caber tudo o que precisamos acomodar, como criar algo que resista a interferência exterior, seja da chuva ou de um leitor desatento. Cada detalhe de uma história deve estar baseado no conhecimento científico, desde a semiótica até a narratologia.

As técnicas vem depois, como colocar os fios elétricos nos lugares certos, onde posicionar as lâmpadas, as portas e as janelas. Como apertar os parafusos o bastante para que não soltem e sem exagerar para que não espanem. Depois da ciência vem a técnica, o cuidado com os detalhes, a especialidade de cada um. No caso do storyteller, precisamos ter muitas especialidades para garantir a qualidade de nossas narrativas desde a sua base até o seu acabamento.

AS NOVAS HISTÓRIAS DAS NOVAS GERAÇÕES

Como professor parte do meu trabalho era entender as tendências e o pensamento das novas gerações, manter-me informado sobre suas referências culturais, artísticas e linguísticas. Esse trabalho de estudo do ser humano, que eu julgo necessário para qualquer professor, é um enorme aprendizado pessoal, além de profissional. 

Nos últimos tempos a discussão sobre o uso das novas tecnologias tanto em sala de aula quanto na publicidade tem sido motivo de reflexão da minha parte. A geração "touch", que já nasceu nativa ao uso de equipamentos como smartphones, tablets e notebooks é capaz de ver o mundo de maneira completamente diferente da minha geração, que apesar de ter inserido a tecnologia em sua vida muito cedo, não tem a tecnologia como um aspecto nativo da sua função social. Somos, com poucas excessões, imigrantes do mundo tecnológico em que vivemos atualmente. 

Tenho pensado muito no que isso significa para o storytelling e para a narrativa, em como essas tecnologias irão afetar a maneira com as quais contamos histórias e até, se essas tecnologias seriam o suficiente para alterar os grandes paradigmas que determinam como deve ser uma boa história. Semana passada eu postei aqui sobre os "convites" para dentro do universo ficcional necessários para o sucesso de uma narrativa e mesmo sem ser capaz de produzir nenhum tipo de certeza sobre o assunto, acredito amplamente no transmídia, não apenas como uma tendência, mas como um aspecto cada vez mais necessário no processo de comunicação atual. Quanto mais pontos de entrada um história tiver, mais fácil será de conquistar olhos e ouvidos para tal história, mas o transmídia é apenas a forma e a alteração da forma não é nenhum tipo de grande descoberta. O surgimento da televisão em meados do século 20 também forçou uma mudança radical na forma de se contar histórias. 

A grande pergunta que tem me tomado a atenção é se a alteração da forma será responsável por uma alteração do conteúdo. Joseph Campbell cunhou a "fórmula" do monomito ao perceber que todos os mitos que estudara, ou a maioria deles, psosuia uma estrutura bastante parecida. Se pararmos para pensar, ainda hoje, seguimos esses passos da jornada do herói na maior parte de nossas narrativas. Mas em uma sociedade onde a atenção se torna cada vez mais escassa o consumidor, para se tornar atento, está cada vez mais exigente, não apenas em termos técnicos e tecnológicos, mas também em termos culturais e de conteúdo. Negando cada vez mais o "mais do mesmo" apresentado pela indústria de entretenimento e pedindo por algo novo, algo que lhes chame a atenção, não apenas em diversas formas, mas também por diversos motivos. Será que as histórias que criamos e contamos serão o suficiente para satisfazer a fome de informação de uma geração que recebe hoje uma quantidade de informação inimaginável há 10 ou 20 anos atrás? Será que a mudança de forma, será mais uma vez a grande catalizadora da necessidade de inovação que se mostra presente? Será que o conteúdo, apesar de sempre diferente, continuará o mesmo para as novas gerações? 

Essas são perguntas para as quais eu não consigo encontrar respostas, nem mesmo do tipo mais superficial, mas que considero de extrema importância para todos que se aventuram em qualquer tipo de mercado da informação, da educação ao entretenimento, entender quais são as histórias contadas por um povo pode ser a chave para conhecer os indivíduos que o formam.