Crie histórias de amor - Uma opção contrária ao Lulu e ao Tubby

Durante essa última semana, muito se falou sobre esse tal de Lulu. Para quem ainda não conhece, o Lulu é um aplicativo exclusivo para o público feminino que permite às mulheres fazerem resenhas (de cunho sexual) anônimas de seus amigos, ex-namorados, parceiros ou afins. Além de dar uma nota para o cara em questão, o Lulu possibilita que as mulheres preencham o perfil dele com hashtags positivas ou negativas, como: #SemMedoDeSerFofo, #TaradoDoJeitoCerto, #NuncaPassaANoite, #LindoTesãoBonitoeGostosão, #PiorMassagemDoMundo, #CurteRomeroBritto, #TrêsPernas, #FilhinhoDaMamãe, #LábiosdeMel, #MaisBaratoQueUmPãoNaChapa, #PrefereoVideogame, #Bebezão, #DáSono, #ArrotaePeida e etc.


Alguns homens ficaram apavorados. Alguns ficaram entusiasmados. E outros nem ligaram (eu me incluo nesse último grupo). Meu amigo que faz mais sucesso com as mulheres foi destruído no Lulu. Um outro amigo que não faz tanto sucesso assim foi extremamente bem avaliado. No final das contas, a mulherada se divertiu às custas dos homens, tanto pelo lado bom quanto pelo lado ruim.

As feministas mais fascistas ressaltaram que o Lulu veio como vingança por anos de objetificação das mulheres por parte dos homens. Ou seja, para elas, os homens devem pagar o preço agora (acho engraçado como essas feministas querem ter os mesmo direitos dos homens em comportamentos tão babacas como esse, ao invés de se mostrarem superiores e agir diferente). Alguns homens mais sensíveis chegaram até a processar o aplicativo, de tão insultados que se sentiram. E, eis então que agora está para surgir a versão masculina do negócio.

Daqui a uma semana vai ser lançado o Tubby, uma resposta masculina ao Lulu. Agora é a vez das meninas ficarem desesperadas por duas razões específicas: 1- as máscaras de muitas meninas que pagavam de santinhas vão cair; 2- vai ser muito mais pesado, com hashtags, segundo boatos, como #EngoleTudo, #ComiDePrimeira, #AdoraDáD4 e etc.


Se esses dois aplicativos farão sucesso ou serão rapidamente esquecidos eu não sei dizer. O que sei dizer é que eles mostram uma coisa muito clara dos dias de hoje: a forma mecânica dos relacionamentos afetivos da nossa geração.

Tanto homens quanto mulheres estão virando objetos. São apenas bocas a serem beijadas e corpos a serem usados. Esses aplicativos só mostram isso de uma forma nua e crua. E daí surgem problemas. Não digo isso de um ponto de vista conservador ou coisa do tipo. Digo a partir de um ponto de vista analítico. Quando pessoas usam outras e aceitam serem usadas como objetos não só perdem parte de sua humanidade como também se expõe a diversos problemas que não precisariam existir em suas vidas. Primeiramente pela questão das DSTs, que muita gente transmite sem nem saber que tem. Depois pela questão psicológica, que vai desde fragilidade e depressão até transtornos compulsivos e obsessivos. E agora surge também a questão cibernética, não só com aplicativos, mas com exposição de intimidade e humilhação em redes sociais (como no tão falado e recente caso Fran).

Escrevi um livro fantástico infato-juvenil na tentativa de criar um exemplo para a geração que está vindo aí mudar esse quadro. Mas como acho que ele pode demorar um pouco ainda para ser publicado, quero deixar meu apelo aqui.

Como Storyteller crio histórias para marcas e produtos. Mas gosto de ir além disso. Gosto de criar histórias escritas fora do papel. Ou ajudar na criação delas. Gosto de criar histórias para serem vividas.

Infelizmente eu não posso pegar todos os usuários dos aplicativos que falei e criar uma história para inspirar cada um deles. Mas o que eu posso fazer é aconselhar os leitores desse blog a apoiarem e ajudarem histórias de amor como antigamente.

Não é uma coisa difícil. Pensando como storytellers, como criar histórias de amor?

 - Primeiramente, temos que encontrar os dois personagens principais dessa história e temos que conhecê-los. E, lembre-se, ninguém é perfeito. Exatamente por isso que ambos os seus personagens precisam ter falhas!


 - Depois, temos que pensar nos elementos da história. Como os personagens se conheceram, como se apaixonaram, como se relacionaram e etc. Isso é o que dirá e fará a história ser um romance ou apenas mais um caso mecânico qualquer. Se os elementos da história não forem especiais, críveis ou cativantes, apague tudo e comece do zero.


 - Por último, obviamente, vem o final da história. Ele pode ser feliz, triste, cômico, irônico, trágico ou simples. Mas independentemente de como a história acaba, o importante é que ela existiu.


Então, pense nesses passos acima. A partir deles você pode fazer inúmeras coisas. Pode escrever uma história de amor. Pode inspirar uma história de amor. Pode ajudar uma história de amor. Pode participar de uma história de amor. E, quem sabe, pode viver uma história de amor.


Experimente uma dessas oportunidades. Garanto que vai ser bem melhor do que correr para o celular e ficar cada vez mais robotizado com aplicativos de relacionamentos.

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