Olympia – um excelente storytelling e um exemplo de transmídia


Já faz mais de um ano, mas um bom exemplo de storytelling e de transmídia não pode passar despercebido.


Após a onda de manifestações que ocorreu a partir de julho de 2013, o país estava dividido: de um lado, aqueles que torciam pela continuidade do governo; do outro aqueles que estavam descontentes ou decepcionados e eram chamados de “coxinhas” pelos adeptos do governo vigente – e mesmo estes estavam descontentes com o mesmo.

O Brasil estava prestes a sediar uma Copa e uma Olimpíada e alguns acreditavam que muitas das reformas estruturais necessárias fossem feitas com o dinheiro que seria eventualmente arrecadado. Nossos sonhos tupiniquins estavam prestes a se tornar realidade... ou ao menos era o que muitos esperavam.

Amizades se desfaziam, seja no Facebook ou na vida real, muito embora a vida facebookiana e nas redes sociais seja às vezes mais real que a realidade, como uma película em Blu-ray... mas isso é papo pra outro artigo. Era preciso amar as pessoas como se não houvesse eleições...
Três anos depois, após o fiasco futebolesco, era a vez das Olimpíadas ganharem medalha de ouro em descaso e falta de planejamento. Remoções eram feitas. Superfaturamento de imóveis, especulação imobiliária... e o termo “gentrificação” passou a ser conhecido fora do meio acadêmico.

Neste cenário, o roteirista e diretor Rodrigo Mac Niven concebe o seu Olympia. Um documentário fictício (chamado em inglês de mockumentary, embora o mesmo não tenha nada de engraçado como o termo sugere) baseado em histórias reais, que se passa em um Rio de Janeiro distópico cujo nome é o mesmo que intitula o projeto.
Valendo-se do recurso de metalinguagem (o roteirista e diretor se encontra com um dos personagens numa conversa que realmente aconteceu na vida real e deu origem ao projeto), o documentário se intercala com uma HQ que, de forma muito mais fantasiosa, faz um interessante spin off que ilustra perfeitamente tanto o cenário quanto o pay off da trama.

Na HQ, os Olympianos se dividem em duas castas: os Alados, que não se adequam ao regime careta, de servidão, e não se mostram aptos aos trabalhos burocratizantes, e os Pés-no-Chão, que, embora pareçam comportados são na verdade tolhidos pela grande máquina burocrática. Através de campanhas culturais tendenciosas, aprendem a admoestar os Alados e a tratá-los como “vagabundos”. No filme, à medida que a investigação jornalística avança, os protagonistas vão recuperando gradativamente suas asas.

O projeto é audacioso e um exemplo tanto de storytelling quanto de transmídia. Através de uma história cativante, o enredo capta a atenção do espectador filtrando o caráter tedioso de um documentário para os que não são fãs do gênero e passa a mensagem valendo-se do recurso de apresentar a Verdade Humana, que fala a todos os corações e mentes independentemente da classe social ou nível cultural.

Como convém a qualquer obra que se valha da linguagem transmidiática, é possível assistir ao filme sem ler a HQ e vice-versa, já que cada obra se sustenta sozinha, apresentando um conteúdo novo, diferente e necessário à compreensão do todo embora não seja imprescindível a obtenção de todos os elementos da história para se compreendê-la. Ter acesso às duas obras torna a experiência única.

NOTA: É importante ressaltar que este conteúdo reflete as opiniões do autor de ambas as obras aqui citadas e não a opinião do Storytellers.

Confira o trailer do filme aqui: https://www.youtube.com/watch?v=j697cZ5zNic

  




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