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Seu projeto morreu na sala de reunião. De novo.

Você tinha 73 slides. Dados irrefutáveis. ROI calculado até a terceira casa decimal.

Mas na hora H, viu os olhos da diretoria vidrados. O CEO mexendo no celular. O CFO folheando suas anotações.

E então veio a frase fatal: "Interessante, mas vamos reavaliar no próximo trimestre."

O problema não eram seus dados. Era sua narrativa.

Mais especificamente: a ausência de um high concept corporativo.


O que Hollywood pode ensinar ao C-level sobre comunicação executiva

Em 1976, dois roteiristas entraram no escritório de um produtor em Hollywood.

Tinham 2 horas marcadas para apresentar seu novo projeto.

Usaram apenas 8 segundos.

"É Tubarão no espaço."

Alien estava vendido.

Essa é a força de um high concept.

Uma ideia tão clara, tão intrigante, tão inevitável que vende a si mesma em uma única frase.

E aqui está o insight que 74% das empresas brasileiras ainda não perceberam:

A mesma técnica que aprova filmes de 200 milhões de dólares pode aprovar seu projeto.


High concept corporativo: quando sua ideia precisa de apenas uma frase

No mundo dos negócios, high concept é a arte de destilar propostas complexas em conceitos irresistíveis.

É transformar isto:

"Propomos a implementação de uma solução integrada de gestão de relacionamento com cliente baseada em inteligência artificial para otimização do funil de vendas através de análise preditiva..."

Nisto:

"É o Waze para a jornada do cliente – mostra o caminho mais rápido para a venda e avisa sobre obstáculos antes que apareçam."

A diferença?

A primeira faz o CFO bocejar.

A segunda faz ele se inclinar para frente e perguntar: "Me conta mais."

A ciência por trás do high concept executivo

Nosso cérebro processa metáforas 6 vezes mais rápido que explicações abstratas.

Quando você diz "É o Uber do seguro saúde", instantaneamente ativamos:

  • Entendimento do modelo (app, sob demanda)
  • Benefícios implícitos (rapidez, conveniência)
  • Potencial disruptivo (transformação de mercado)

Tudo em 5 palavras.

Compare com um pitch tradicional de 15 minutos.

Qual você acha que o board vai lembrar uma semana depois?


Os 4 tipos de high concept que aprovam projetos


1. O problema-solução instantâneo

Fórmula: "E se [problema conhecido] pudesse [solução surpreendente]?"

Exemplo real: Um diretor de TI precisava aprovar R$ 8 milhões para modernização de sistemas.

Pitch tradicional: 47 slides sobre arquitetura de microsserviços.

High concept usado: "E se nossos sistemas conversassem entre si como apps no seu celular?"

Resultado: Aprovado em 12 minutos. O CEO até sugeriu aumentar o orçamento.


2. A analogia transformadora

Fórmula: "É o [referência conhecida] para [seu contexto]"

Exemplo real: Uma gerente de RH propondo novo modelo de desenvolvimento de talentos.

Em vez de: "Programa de capacitação continuada com trilhas personalizadas..."

Ela disse: "É o Netflix do treinamento corporativo – cada colaborador tem sua própria 'playlist' de desenvolvimento."

Resultado: Não só aprovado como virou case de inovação da empresa.


3. O antes/depois dramático

Fórmula: "Transformamos [situação atual frustrante] em [futuro desejável]"

Case Pfizer (adaptado): "Transformamos relatórios que ninguém lê em dashboards que todos consultam."

Simples. Visual. Impossível de ignorar.


4. O ROI emocional

Fórmula: "Investir [X] para nunca mais [dor corporativa]"

Exemplo: "Investir R$ 500 mil para nunca mais perder um cliente por falta de comunicação."

Note: o valor é concreto, mas o benefício é emocional.

CEOs aprovam números. Mas decidem com base em sentimentos.


O framework S.P.A.R.K. para criar seu high concept

Desenvolvemos este framework exclusivo após analisar +200 apresentações executivas bem-sucedidas:

S - Simplificar até doer Corte 90% das palavras. Depois corte mais.

P - Provocar curiosidade Sua frase deve gerar a pergunta "Como assim?"

A - Anclar no conhecido Use referências que seu público já entende e valoriza

R - Relevar o benefício único Qual é A transformação que só sua ideia proporciona?

K - Kinetic (criar movimento) Sua frase deve sugerir ação, mudança, progresso


Aplicando o S.P.A.R.K. na prática

Projeto: Sistema de gestão de conhecimento interno

Tentativa 1: "Plataforma colaborativa de gestão do conhecimento organizacional" ❌ Genérico, corporativês, zero emoção

Tentativa 2: "Wikipedia interna da empresa" ❌ Melhor, mas não mostra o valor único

Tentativa 3 (S.P.A.R.K.): "Onde o conhecimento de 20 anos da empresa vira poder de decisão em 20 segundos" ✅ Simples, provocante, ancorado em benefício claro


Os 7 erros fatais do high concept corporativo

1. Confundir simplicidade com superficialidade

Errado: "Vamos digitalizar tudo!" Certo: "Transformar processos de 7 dias em decisões de 7 minutos"


2. Usar jargão disfarçado

Errado: "É o blockchain do supply chain" Certo: "Cada produto conta sua história da fábrica até o cliente"


3. Prometer demais

Errado: "Vai revolucionar completamente nosso negócio" Certo: "Vai eliminar 80% do retrabalho no processo X"


4. Esquecer o contexto cultural

Errado: "É o WeChat dos pagamentos" (poucos conhecem profundamente) Certo: "É o WhatsApp dos pagamentos" (referência universal no Brasil)


5. Ignorar o ceticismo natural

Executivos já ouviram promessas demais. Antecipe objeções:

"Parece complexo? É mais simples que pedir um Uber."


6. Não ter o segundo ato

Seu high concept abre a porta. Mas você precisa ter substância para manter a atenção.


7. Usar sem estratégia

High concept não é para TODA comunicação. É para momentos decisivos.


Como implementar high concept na sua comunicação executiva

Passo 1: Identifique o momento S.O.S.

Situações de Oportunidade Singular:

  • Primeira apresentação de um projeto
  • Elevator pitch para o CEO
  • Kick-off de transformação
  • Pedido de orçamento extra

Passo 2: Teste o "fator Uber"

Sua mãe entenderia seu conceito?

Se você precisa explicar muito, ainda não chegou lá.


Passo 3: Valide com a "reação de 3 segundos"

Apresente sua frase.

Conte: mil e um, mil e dois, mil e três.

Se a pessoa não reagiu (sorriso, franzir de testa, pergunta), refaça.


Passo 4: Prepare o "zoom in"

High concept é o anzol. Tenha pronto:

  • 3 dados que comprovam
  • 1 história de 60 segundos que ilustra
  • 1 próximo passo concreto

O futuro do high concept: IA e narrativas corporativas

Com o ChatGPT e ferramentas similares, qualquer um pode gerar relatórios de 50 páginas.

O que a IA não pode fazer?

Criar aquela frase perfeita que faz o comitê executivo parar tudo e prestar atenção.

Isso ainda é profundamente humano.

E é por isso que dominar high concept será ainda mais valioso nos próximos anos.

Enquanto todos mandam PDFs de 200 páginas, você vai aprovar projetos com uma frase.


Transforme sua próxima apresentação em uma aprovação inevitável

High concept não é truque de marketing.

É estratégia de comunicação baseada em como nossos cérebros realmente funcionam.

É a diferença entre ser mais um na fila de projetos...

...e ser o projeto que todos lembram.


Pronto para elevar sua comunicação executiva?

Na Storytellers, transformamos líderes técnicos em comunicadores magnéticos.

Nosso Workshop high concept para C-level já ajudou executivos de Nike, Pfizer e Yamaha a:

  • Aprovar projetos 3x mais rápido
  • Conseguir 40% mais orçamento em média
  • Reduzir apresentações de 1 hora para 15 minutos

Descubra qual high concept está escondido no seu próximo projeto.

Porque no mundo executivo, você não tem uma segunda chance de causar a primeira impressão.



Fernando Palacios é fundador da Storytellers e único brasileiro premiado como World's Best Storyteller. Desde 2007, ensina executivos a transformar dados em decisões através do poder das narrativas.



Você já se perguntou o que significa 50 tons de cinza?

Este título aparentemente simples esconde uma das estratégias narrativas mais sofisticadas da literatura contemporânea. Com mais de 150 milhões de cópias vendidas e US$ 1,3 bilhão em bilheteria, o fenômeno cultural criado por E.L. James continua intrigando leitores ao redor do mundo.

A resposta curta: O título "50 Tons de Cinza" (Fifty Shades of Grey em inglês) representa as complexidades psicológicas e emocionais do protagonista Christian Grey, que se descreve como "fifty shades of fucked up" - cinquenta tons de perturbado.

Mas há muito mais nesta história... incluindo muitas e muitas técnicas de storytelling!

Por Que 50 Tons de Cinza Tem Esse Nome? A Origem Revelada

A pergunta sobre por que 50 tons de cinza tem esse nome revela um mistério editorial fascinante.
E.L. James nunca explicou publicamente a escolha específica do número cinquenta ou da cor cinza.
Esta ausência de explicação é notável, considerando o impacto global da obra.

A única pista concreta vem do próprio romance:

"Because I'm fifty shades of fucked up, Anastasia"

Esta confissão de Christian Grey para Ana Steele tornou-se a chave interpretativa do título. Ana posteriormente o chama de "Mr. Fifty Shades", consolidando a conexão entre o título e a complexidade psicológica do protagonista.

A Evolução do Título: De Fanfiction a Fenômeno

O título passou por uma transformação reveladora:

2009: Como fanfiction de Twilight, chamava-se "Master of the Universe"
2011: Renasceu como "Fifty Shades of Grey" quando foi publicado oficialmente
Nome em inglês: "Fifty Shades of Grey" manteve-se inalterado globalmente

O Significado Profundo de 50 Tons de Cinza

A Simbologia da Cor Cinza
O que significa 50 tons de cinza em termos simbólicos?
O cinza representa:

Ambiguidade moral: O espaço entre certo e errado onde a relação existe
Complexidade emocional: Nem preto nem branco, mas todas as nuances entre
Transformação: A jornada de Ana da inocência para a experiência
Sofisticação: Uma cor que evoca mistério sem ser vulgar

O Poder do Número 50

O número cinquenta carrega significados culturais profundos:

Completude: Na tradição judaico-cristã, 50 representa totalidade
Libertação: O ano do Jubileu, quando dívidas eram perdoadas
Transformação: Pentecostes ocorre 50 dias após a Páscoa
Variedade: Sugere um espectro completo de experiências

Qual o Significado do Filme 50 Tons de Cinza vs. O Livro?

Muitos buscam entender qual o significado do filme 50 tons de cinza em comparação com 50 tons de cinza o livro.
No Livro:

As "cinquenta tonalidades" são reveladas gradualmente através do diálogo interno
A complexidade psicológica de Christian é explorada em profundidade
O título funciona como promessa narrativa de descoberta episódica

No Filme:


O visual reforça a metáfora através da paleta de cores
A ambiguidade é mantida através da atuação e direção
O título ganha dimensão cinematográfica literal

O Gênio do Marketing Por Trás do Título
O sucesso de "50 Tons de Cinza" deve muito à genialidade do título:

1. Criou uma "lacuna de curiosidade"

Sofisticado o suficiente para intrigar
Ambíguo o suficiente para exigir investigação

2. Evitou referências explícitas

Permitiu consumo mainstream
Mulheres podiam ler publicamente sem constrangimento

3. Soava literário e refinado

Transcendeu limitações da literatura erótica típica
Abriu portas para público mais amplo

"Nosso marketing não foi sobre o ato, foi sobre a descoberta de um livro do qual todos estão falando" - Laurence Festal, Cornerstone Publishing

A Tradução Perfeita: Como "Fifty Shades" Virou "50 Tons"


A adaptação de 50 tons de cinza nome em inglês para o português demonstra sofisticação estratégica.
Entre as opções disponíveis:

Matizes
Tonalidades
Sombras
Nuances
Gradações

"Tons" foi escolhido porque:


Mantém o ritmo sonoro de "shades"
Cria duplo sentido com quantidade
Ressoa culturalmente com brasileiros
Preserva significados literal e metafórico

O resultado?

Mais de 7 milhões de cópias vendidas no Brasil, com taxa de 13 livros por minuto no pico.
O Título Como Ferramenta de Storytelling
O que significa 50 tons de cinza como dispositivo narrativo?
Promessa Narrativa:

Cada "tom" representa uma faceta de Christian
Desenvolvimento gradual do personagem
Complexidade psicológica episódica

Expectativa de Gênero:


Sinaliza conteúdo adulto sem ser vulgar
Sugere profundidade além da ficção erótica típica
Cria ponte entre literatura e entretenimento

Função Antecipatória:


Prepara o leitor para ambiguidade moral
Estabelece tom sofisticado
Promete jornada de descoberta

Por Que Esse Título Conquistou o Mundo

O fenômeno global de "50 Tons de Cinza" revela como um título pode:

Transcender barreiras culturais

Funciona em múltiplos idiomas
Mantém mistério universal

Criar conversação cultural

Provocativo sem ser explícito
Memorável e compartilhável

Gerar curiosidade massiva

Ambíguo o suficiente para intrigar

Específico o suficiente para ser único



Conclusão: O Triunfo do Mistério Narrativo

Agora você sabe o que significa 50 tons de cinza - mas talvez o verdadeiro gênio esteja justamente no mistério que permanece.

Como o próprio Christian Grey, o título existe em suas próprias cinquenta tonalidades:


Marketing e metáfora

Superficial e profundo

Calculado e orgânico


O sucesso prova que títulos efetivos não precisam ser totalmente compreendidos para serem poderosos.

"50 Tons de Cinza" transformou não apenas a indústria editorial, mas as conversas culturais sobre relacionamentos, sexualidade e o próprio ato de ler.


Quer dominar a arte de criar títulos que vendem milhões?

Descubra como o storytelling estratégico pode transformar suas apresentações e comunicações em ferramentas de persuasão irresistíveis. Conte com a gente!


Fernando Palacios é pioneiro do storytelling no Brasil e único brasileiro reconhecido com o prêmio World's Best Storyteller.



Duas décadas atrás. Às 2h47 da manhã, quebrando a cabeça para transformar marca em personagem e slide em teatro, descobri algo perturbador: estava contando a história errada. 

Sabe aquele momento em que você percebe que está tentando começar a ver um seriado pelo terceiro episódio da quarta temporada?

Foi exatamente isso que entendi, na prática.


Backstory é coisa de bastidores

Todo personagem memorável tem um segredo.

Luke Skywalker não sabia quem era seu pai. Harry Potter viveu debaixo da escada sem saber que era bruxo. Walter White era professor de química antes de virar Heisenberg.

E sua marca?

Qual é o segredo dela?

"Backstory não é o que aconteceu. É por que ainda importa."

No storytelling tradicional, backstory é tudo aquilo que aconteceu antes do "Era uma vez...". É a história por trás da história. O iceberg submerso que sustenta a ponta visível.

Aristóteles já sabia disso em 335 a.C.

Nós esquecemos.


Do writer's room ao boardroom

Algo fascinante aconteceu nos últimos 15 anos.

O backstory saiu de Hollywood e invadiu a Faria Lima.

Não foi acidente. Foi necessidade. As marcas descobriram que produtos são copiáveis. Preços são igualáveis. Mas histórias?

Histórias são impressões digitais corporativas.

Únicas. Intransferíveis. Impossíveis de plagiar.

A Nike não vende tênis. Vende a história de um treinador derramando borracha numa máquina de waffles às 3 da manhã. 

E funciona.

Sabe por quê?


A neurociência da narrativa de origem

Nosso cérebro é uma máquina de significados.

Quando ouvimos fatos, ativamos duas áreas cerebrais: Broca e Wernicke. Processamento de linguagem. Pronto.

Quando ouvimos histórias?

O cérebro inteiro acende como árvore de Natal.

Córtex sensorial (se a história menciona texturas). Córtex motor (se descreve ações). Sistema límbico (emoções). É um show pirotécnico neural.

Por isso lembramos que Jobs começou numa garagem, mas esquecemos o faturamento da Apple no último trimestre.

A história gruda.

O dado escorrega.


ORIGEM: Framework para Construir Seu Backstory

Desenvolvi este framework depois de criar narrativas para dezenas de marcas icônicas:

O - Obstáculo inicial (Qual problema você resolveu?)
R - Revelação transformadora (Qual foi seu momento "aha"?)
I - Identidade dos fundadores (Quem são as pessoas por trás?)
G - Guinada decisiva (Qual escolha mudou tudo?)
E - Essência preservada (O que nunca mudou desde o início?)
M - Missão projetada (Para onde essa história aponta?)

Simples? Sim.

Fácil? Nem um pouco.


Os 7 Pecados Capitais do backstory corporativo

Aprendi isso em duas décadas de prática:

  1. Perfumar o fracasso - Omitir as dificuldades torna a história plástica
  2. Romantizar demais - Nem toda garagem vira Apple
  3. Esquecer os coadjuvantes - Grandes histórias têm elenco
  4. Começar pelo produto - Ninguém se emociona com especificação técnica
  5. Ignorar o contexto - Sua história aconteceu quando e onde?
  6. Forçar o extraordinário - Às vezes o comum é extraordinário
  7. Parar no passado - Backstory deve apontar para o futuro

Na prática a teoria é a mesma

Ter um backstory é como ter um diamante bruto.

Precisa lapidar. Precisa mostrar.

Nas redes: Serialização. Um capítulo por semana. #TBT com propósito. Stories que contam histórias.

No pitch: Comece com "Deixa eu te contar como chegamos aqui..." em vez de "Somos uma empresa de..."

Na cultura: Onboarding narrativo. Que todo funcionário novo conheça a lenda. Vire guardião da história.

Na publicidade: Cada campanha, uma temporada. Cada anúncio, um episódio.


Agora, tenho que dizer...

Nem toda história merece ser contada.

Se sua empresa nasceu apenas para dar lucro, sem dor real, sem propósito genuíno, sem personagens interessantes...

Talvez seja hora de criar uma história que valha a pena contar.

Começando hoje.


Plot Twist final

Lembra do roteiro que mencionei no início?

Transformamos 1248 slides em peça de teatro. Contamos a história de 4 marcas se transformando em 4 heroínas.

O presidente chorou.

O champagne estourou.

Não foi o PowerPoint. Foi o "Era uma vez..."


Sua vez

Toda marca tem uma história.

A questão é: você vai contá-la ou vai deixar que outros inventem uma por você?

O mercado não perdoa página em branco.

Se sua história precisa de um plot twist, se seus slides precisam virar teatro, se sua marca precisa de alma...

Vamos conversar. Toda grande narrativa começa com uma primeira linha.


P.S.: Ainda guardo o rascunho daquela madrugada. 1248 slides que nunca foram apresentados. Às vezes, o melhor PowerPoint é aquele que você tem coragem de não usar.

 




Histórias de sucesso facilmente saltam aos nosso olhos. Elas inspiram, motivam!

Veja a história da JK Rowling, por exemplo. Ela nasceu em uma família humilde, no Reino Unido, lutou para vencer a depressão e tendências suicidas. Além de ter o primeiro livro da série Harry Potter recusado por doze editoras. Depois de muito, até mesmo de ouvir que deveria desistir e que nunca teria um livro publicado, se tornou uma das autoras britânicas mais amadas do mundo.

Não obstante, há um enredo, por trás de histórias assim, que potencializa a simbiose entre a narrativa e a audiência, pois mostra momentos de superação do protagonista. Ele é chamado de Rags To Riches ou “do trapo à riqueza”, em tradução livre.

Assim sendo, para quem quiser contar uma narrativa Rags To Riches, mas carece de habilidades para construir uma, sem necessariamente seguir alguma estrutura, vale a pena usufruir das cinco etapas apresentadas pelo escritor Christopher Booker.

São elas:

1 - A miséria inicial e o chamado para a ação → A história começa com o protagonista em uma situação deplorável (seja em aspectos externos ou internos), o que o impele a um desejo de mudança.

2 - Saindo para o Mundo → O protagonista inicia o processo de mudança e já colhe alguns frutos dela. No entanto, ainda não sofreu as transformações que lhe proporcionarão um sucesso duradouro.

3 - Crise Central → Aqui o protagonista se encontra no ponto mais crítico da história. Ele vê as vitórias oriundas das modificações iniciais irem por água abaixo. É comum que alguma figura sombria do passado volte a atormentá-lo.

4 - Independência e Provação → Neste ponto, o protagonista não tem ao seu dispor ajudas que outrora possuiu. Agora ele precisa superar os desafios com as suas próprias forças.

5 - Realização → Este é o momento da vitória. O momento em que ele passa da miséria à riqueza e atinge os seus objetivos. Ao contrário de antes, desta vez, o sucesso é contínuo.

Essas são as cinco etapas de uma história Rings To Riches, segundo Booker.

Contudo, é preciso saber contá-la. Saber dar o tom certo para cada nota de drama, suspense, tropeços, “virada de mesa” e por aí vai. Como em uma sinfonia, onde cada instrumento entra no compasso certo, sem perder o ritmo.

Agora me conta, você consegue olhar para a sua história e encaixá-la no enredo Rags To Riches?

PS: Não considere, porém, riqueza somente como o acumulo de bens materiais. Amplie sua percepção e investigue o que pode ser riqueza além do saldo em conta. Caso contrário você não conseguirá responder a essa pergunta, pois é bem provável que não esteja com o saldo bancário que almeja, ainda.

Muitas pessoas falam sobre storytelling, é verdade. Mas outras tantas - que se interessam pela abordagem - desconhecem os fundamentos e artifícios da sua aplicabilidade para o marketing.

Sendo assim, tenciono trazer análises da utilização de storytelling em campanhas que foram cases de sucesso. Para que assim possa te ajudar a pegar esses fundamentos e adaptar a realidade do seu produto ou serviço.  

Bom, hoje, analisarei (do ponto de vista do Storytelling, reitero) uma peça da campanha👇

Uso consciente do Crédito do Banco Itaú.


A campanha foi lançada em 2014 e, diga-se de passagem, fez um baita sucesso pelo formato inovador à época, sobretudo pelo fato de ter sido veiculada exclusivamente nas plataformas digitais em parceria com o Gmail.

A peça em questão é um criativo (em vídeo) de aproximadamente um minuto e quarenta segundos e é estrelada pelo artista Marco Luque e pelo personagem Hilário

A história é a seguinte⬇️

Hilário vive uma vida sem controle financeiro. Quando a situação fica crítica, ele quer um empréstimo mas não sabe qual a melhor linha de crédito se adequa à sua realidade. Nesse momento, o Itaú (personificado no artista Marco Luque) oferece uma solução.🗯️

Feito as considerações iniciais, a questão é: quais os elementos usados no criativo que deixa a história interessante?

Agora eu sugiro que você pare um pouco e assista o vídeo, em seguida, volte para acompanhar a análise.


PRELIMINARES


Um dos primeiros passos para contar/criar uma história é questionar: A quem se destina essa história?

Outro pensamento basilar é: O que queremos contando essa história?

Com isso, define-se o tom de voz e o estilo adequado de como comunicar a história.

No caso do Itaú, a escolha foi claramente uma história que gerasse identificação com um público adulto jovem, eu diria. Fato que explica um tom de voz mais descontraído.

Certamente, na época, muitos estavam vivenciando os dramas do Hilário.

CONTRATO COM A AUDIÊNCIA


Toda história deve selar, logo de cara, um contrato com a audiência, isto é, ela deve deixar claro o que aspira o protagonista.

Donald Miller, em Storybrand, diz que quando não conseguimos responder, nos primeiros minutos, o que o protagonista quer no final de tudo, nós tendemos a abandonar a história. 

O professor Fernando Palacios ensina que este contrato é vigorado quando o espectador entende o problama e o desejo do personagem principal.

No case do Itaú, há uma nuance da compreensão do problema logo na H1 da história: Hilário, muito mês para pouco salário.

“(...) Esse é Hilário. Hilário é um cara muito legal, mas ele tem um probleminha…”

E o que se segue é a apresentação do descontrole financeido (problema) do Hilário. O que, levando em consideração o contexto, logo deixa claro o desejo de sanar esse problema.

Contrato selado!

PERSONAGEM


O personagem é uma evolução da persona, no contexto do marketing.

Se pensarmos num funil, seria assim: No topo do funil, PÚBLICO-ALVO; No meio do funil, PERSONA; no fundo do funil, PERSONAGEM.

No mkt digital é comum se parar no meio do funil, isto é, na persona. Acontece que o personagem é um aprofundamento da persona.

O personagem é a persona vivendo uma série de situações e experimentando uma gama de emoções em diversos contextos sociais.

Ainda que, no final das contas, o que apareça na peça publicitária esteja relacionado diretamente com o problema central.

Como é o caso do Hilário.

O personagem deve, portanto, se conectar com aqueles a quem a campanha deseja alcançar.

Certamente, muitos que assistiram o criativo se identificaram e se identificam até hoje com o Hilário.

Ah, vale frisar aqui algo que a Pixar soube e sabe explorar muito bem. Os personagens são sempre pessoas, ainda que sejam brinquedos ou carros falantes. Isto porque o que dá vida a eles são princípios que rege todo o ser humano.

Portanto, o Hilário é a personificação de todos aqueles que vivem esse mesmo problema financeiro.

DILEMA


O dilema é um ponto de inflexão em toda história. É, portanto, uma das grandes molas propulsoras nas narrativas. Diante dele, uma personagem decide qual caminho seguir. Ou este, ou aquele.

Para Hilário, o dilema se apresenta em continuar com uma vida cheia de prazeres e se endividar ainda mais ou reduzir drasticamente os prazeres e se organizar financeiramente.

Acontece que nessa peça publicitária o dilema foi utilizado como margem para a continuação da história, uma vez que o Itaú não oferece uma linha de crédito específica. Ao contrário, dá dicas ao cliente (Hilário) do que fazer antes de contrair o crédito.

No fim das contas, o Itaú oferece ao cliente um processo de transformação que inicia com uma mudança de atitude.

GUIA


Por fim, o guia. É aquele que na história tem um plano para a solução dos problemas do protagonista e deseja ensiná-lo.

É o que acontece com o Marco Luque, ele oferece ao hilário uma estratégia para que o personagem faça o uso consciente do próprio dinheiro.

Finalmente, esses são alguns dos elementos utilizados e que fizeram com que a peça fosse um case de sucesso para o Itaú, atendendo assim um dos fatores que pretendiam:

“Fazer uma comunicação que de fato se diferencie por ser relevante, inovadora, passando a mensagem de forma leve e sob a ótica do consumidor.” Como disse em entrevista à revista Exame o então diretor executivo do Marketing do Itaú Unibanco, Fernando Chacon.

Por ora, findo a análise.