
Storyteller com letra maiúscula é o autor que não cria uma história simplesmente a partir de sua imaginação, e sim de uma missão.
Em Emília no País da Gramática foi isso o que aconteceu. Nessa aventura com Narizinho, Pedrinho, Emília, Visconde de Sabugosa e Quindim, o rinoceronte sábio, entender as coisas de nossa língua se transformou num divertido passeio feito na companhia desses incríveis personagens. Como se o Professor Pasquale fosse o cliente e o desafio fosse falar para crianças sobre substantivos concretos e abstratos, além de outras chateações da língua.
Abaixo vai uma pequena amostra. Depois de chegarem à Portugália, cidade onde vivem as palavras de origem portuguesa, Quindim cruza o centro da cidade, região em que vivem as palavras em uso (enquanto os arcaísmos, as gírias e os neologismos vivem nos subúrbios), e começa a explicação dos tais substantivos.
- Os nomes concretos são os que marcam coisas ou criaturas que existem mesmo de verdade, como HOMEM, NASTÁCIA, TATU, CEBOLA. E os Nomes Abstratos são os que marcam coisas que a gente quer que existam, ou imaginam que existem, como BONDADE, LEALDADE, JUSTIÇA, AMOR.
- E também dinheiro – sugeriu Emília.
- Dinheiro é concreto, porque dinheiro existe – contestou Quindim.
- Pra mim e pra Tia Nastácia é abstratíssimo. Ouço falar em dinheiro, como ouço falar em JUSTIÇA, LEALDADE, AMOR; mas ver, pegar, cheirar e botar no bolso dinheiro, isso nunca.
- E aquele tostão novo que dei a você no dia do circo? Lembrou o menino.
- Tostão não é dinheiro; é cuspo de dinheiro – retorquiu Emília.
Isso é ou não é muuuuito mais legal que aquele livro de gramática que você nem sabe que fim deu e que fazia parte da coleção “Os Intocáveis”?
E ó, se você for bonzinho, na semana que vem eu ponho um outro trecho bacana do livro. Até.
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