Nos tempos de colégio só não ouvia quem não prestava
atenção na professora: toda redação deve ter um tĂtulo. Ainda que nĂŁo seja condição
sine qua non, parece que, com o
tempo, a regra foi muito bem assimilada pela redação publicitåria. E jå que
falamos de tempo, hå algum que o ilustre redator Ruy Lindenberg, na época na
tambĂ©m ilustre W/Brasil, escreveu o importante anĂșncio “Tem gente achando que
vocĂȘ Ă© analfabeto e vocĂȘ nem desconfia.”. Nele, um legĂtimo All-type de cabo a rabo dos 21 por 29 centĂmetros
de uma pĂĄgina simples de revista, Ruy escreveu sobre como era possĂvel, em
pleno ano de 2001, vender produtos com textos criativos.
Mas foram-se os anos e, com eles, as
palavras. Ainda que tambĂ©m nĂŁo seja condição sine qua non, parece que, com o tempo, a regra sobre os tĂtulos da
professora do colĂ©gio foi tĂŁo bem assimilada nas agĂȘncias que sĂł restaram os
tĂtulos para redação publicitĂĄria. Ainda assim, nĂŁo se deve aos 12 anos que se
passaram o sumiço dos textos. Fórmulas prontas, ou ready-made, como preferem os profissionais da propaganda, consagraram
e condenaram a publicidade aos limites do bĂŽnus sobre volume, o convencional “BV”,
que rendeu o mesmo adjetivo ao ofĂcio das maiores agĂȘncias.
As exceçÔes não mais que confirmam a regra,
quando nĂŁo sĂŁo invisĂveis, tais quais fantasmas. Fora disso Ă© tĂtulo conciso e
direto, que transmita a sacada do anĂșncio e/ou o conceito da comunicação. AtĂ©
porque, no fim das contas (das contas da agĂȘncia, mesmo) o consumidor nĂŁo ouve,
nĂŁo vĂȘ, nĂŁo lĂȘ.
E em Cannes, voltam todos com leÔes, a confirmar o circo em que a publicidade brasileira se
encontra. Enquanto isso, no mesmo Cannes da propaganda floresce o Branded Content como quem quer, um dia,
ter um pé no Cannes do cinema e, porque não, do storytelling.
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