Mostrando postagens com marcador semiótica. Mostrar todas as postagens

4 DICAS PARA SER UM STORYTELLER EM 2014

Final de ano é sempre a mesma coisa: muito trânsito, muita comida e, principalmente, muitas promessas para o ano seguinte. Se seu objetivo é emagrecer, uma dieta. Se você quer se casar, é bom que já tenha um parceiro(a) em vista. Mas e se sua meta é se tornar um escritor de histórias?
Se fizéssemos as contas, em mais de 50% das listas de resoluções de ano novo estaria algo como “escrever um livro”, ou “escrever uma grande história”. Mas, como nosso negócio não são as contas e sim os contos, aqui vão algumas dicas para se tornar um storyteller em 2014.

1) Saiba do que se trata: Storytelling (e escrever histórias, de uma forma geral) envolve ciência e técnica. Psicologia, Marketing, Semiótica, Semântica e Cia são só algumas palavras-chave de toda a teoria que colabora para uma boa história.
2) Aprenda com os melhores: Reza a lenda que Quentin, antes de ser “o Tarantino”, trabalhou em uma locadora e assistiu a todos os filmes da prateleira. Que tal começar a fazer o mesmo, começando com os livros da sua estante?
3) Escreva mais: Para escrever bem é preciso, primeiro, escrever. Imagine e organize cada detalhe, do botão de madrepérola do coadjuvante ao tom do esmalte da mocinha, e escreva. Contar uma boa história é como dar uma boa aula, quanto mais você sabe do assunto, melhor ela é.
4) Revise ainda mais: É famosa a frase do Hemingway sobre escrever bêbado e revisar sóbrio. Sem dúvidas, só para esta frase, ele deve ter feito algumas revisões.
Bem como a maioria das promessas para o ano que vem, não há grandes segredos na jornada para se tornar um storyteller. Se você já lê o blog ou faz nossos cursos, está no caminho certo. Ainda que, se você já está nesse caminho, sabe que aprender a contar realmente uma boa história não coube em uma promessa para 2013, nem caberá tão só em 2014. Por isso, mãos à obra!

STORYTELLING, PRODUCT PLACEMENT E OUTROS SIGNIFICADOS CONFUSOS



Uma das coisas mais difíceis de se trabalhar de com publicidade, na minha humilde opinião, é que publicitários adoram conceitos, palavras e "coisas" novas. Sofremos de um tipo de obsessão por coisas que não sabemos definir e por isso, quando não encontramos respostas, as criamos.

Isso tem acontecido muito com o storytelling, uma série de conceitos e definições divergentes dividem o mundo, todas competindo por um espaço um pouco mais importante no mercado. Há quem diga que para ser storytelling precisa ter uma história real, outros que só a ficção serve, há quem defenda que storytelling é um nome bonito para algo velho, outros acreditam na maior inovação possível. Mas hoje, eu não vou falar de storytelling, pelo menos, não só disso. Hoje nós vamos falar de significados.

Entre no google, o oráculo mais respeitado do século, e pergunte, por exemplo, o que é "tie-in", ou melhor, termine de ler esse texto antes de ir pro google. A resposta que você irá receber sobre "tie-in" será linguística em um primeiro momento. A tradução da palavra tie-in irá levá-lo, eventualmente, ao significado de "união" ou "entrelace", o que também pode te levar ao significado de "autores tie-in" que são aqueles autores respondáveis por escrever "fan-finctions" licenciadas, ou seja, novas histórias para um universo já consagrado. Alguns outros publicitários, como eu aprendi na faculdade, dirão que "tie-in" é a inserção de uma marca em um filme, programa de telivisão ou qualquer outro produto cultural. Essa última definição também serve perfeitamente para explicar "product placement" que é "é a inserção de uma marca em um filme, programa de telivisão ou qualquer outro produto cultural." Assim continuamos nossas viagens, dando diversos nomes para as mesmas coisas criando um pesadelo semiótico para todos que tentam se especializar em alguma coisa.

Por fim, "tie-in" também pode significar a ação promocional realizada por uma marca a partir do "endosso" de um produto cultural. Como por exemplo os M&M's de star wars, ou os brinquedinhos do McLanche Feliz. Eu particularmente gosto dessa definição, pois é a única que não contradiz outros termos publicitários, pelo menos até agora, afinal, são tantos nomes e tantas respostas que a publicidade quase subverte as logicas de significados e significantes responsáveis pela comunicação humana. Devo dizer, com certo incômodo, que os significados dos "jargões" estão longe de serem tão bem definidos quanto os significados das marcas que nós criamos, curiosamente, usando esses mesmos jargões.

STORYTELLING, SEMIÓTICA E ARTE

Escrever é a arte de brincar com significados a partir de seus significantes simbólicos. Para Peirce símbolos são representações com alta flutuação de significado, ou seja, com maior espaço para diferentes interpretações. A maior parte dos significados em nossas mentes são fruto de nossa experiência de vida o que quer dizer que quando eu escrevo a palavra "bola" cada um de vocês irá pensar em algo diferente, próximo, mas diferente. Alguns irão pensar em bola de futebol, daquelas clássicas com alguns gominhos pretos e outros brancos, outros irão imaginar bolas de tênis, vôlei, e por ai vai. O importante mesmo é entender que todas as palavras, enquanto formas para um conteúdo específico oferecem uma flutuação de sentido que permite várias interpretações.

A arte é a expressão humana, através de alguma linguagem, com o objetivo puro de observação e reflexão e para atingir esse objetivo é preciso que trabalhemos forma e conteúdo, que pode ser entendido superficialmente, como story e telling. Sendo que o primeiro, Story, é o conteúdo e o segundo, telling é a forma. O que eu quero dizer aqui é que há diversas maneiras de se contar uma história, desde a mais simples narrativa oral, até a mais complexa produção transmídia, a mesma história pode ser contada de diversas maneiras e cada uma dessas maneiras tem suas características específicas quanto ao tópico do parágrafo anterior. 

É simples, a descrição de um personagem em um livro permite mais variações de sua face do que o desenho desse mesmo personagem nos quadrinhos, por exemplo. O que significa que a interpretação desse mesmo personagem será diferente para quem leu o livro e para quem leu os quadrinhos. Podemos verificar esse problema semiótico quando assistimos um filme da Marvel, por exemplo, e saímos da sala do cinema com a impressão de que o personagem apresentado não condizia com o personagem que conhecíamos anteriormente pelos quadrinhos, afinal, além de termos uma interpretação diferente dos quadrinhos do que tinha o roteirista e o diretor do filme, a nossa interpretação do próprios filme é diferente da interpretação de seus criadores. 

Toda essa ciência que apresentei é na verdade um cenário no qual está inserido todo comunicador, desde o artística plástico que lida com a flutuação de sentido de suas obras até o redator publicitário que usa palavras para dar significado e sentido para o consumo de diversos produtos e serviços. Nós estamos, na verdade, no ramo de criar significados, trabalhar o que as marcas representam através das mensagens que elas apresentam. Ao contar uma história, a união de vários símbolos com várias possíveis interpretações, nós  somos os responsáveis por definir os vários níveis de interpretação que iremos permitir ao público. Tal desafio, de controlar a interpretação do atento, apenas é intensificado quando lhes oferecemos uma campanha transmídia em que através de várias plataformas iremos oferecer diferentes experiências sobre a mesma história, é preciso, então pensar cuidadosamente na relação entre a representação imagética e verbal da narrativa em que estamos trabalhando.