O que é e de onde surgiu o Storytelling Interativo



Quem acompanha este blog já leu o post que fala dos fundamentos do storytelling, então já sabe que existe dois conceitos a se relevar dentro dessa palavra; O story e o telling - que por sinal foram bem elucidados pelo Fernando Palacios.

Nos últimos anos com a consolidação de ferramentas de redes sociais e comunicação digital pelas empresas de marketing e (mesmo) por marcas o termo Storytelling Interativo passou a ser utilizado para representar algumas ações de social media, o que nem sempre vai de acordo com seus fundamentos.

 Da Ficção ao Storytelling Interativo

Parece-me natural o hábito dos homens tentarem recriar experiências com histórias desde os primórdios da sociedade. Rituais são a pura expressão dessas experiências. Huizinga elucida um pouco dessa questão ao afirmar que “a função do rito está longe de simplesmente imitativa, leva a uma verdadeira participação no próprio ato sagrado” . Assim como podemos definir o rito como a própria definição do espírito do jogo.

Jogos sempre trouxeram consigo alguma ficção, mesmo que mínima como no Xadrez. Você encontra nele, elementos do story e até pode compreende-lo como uma simulação de guerra medieval, entretanto a imersão narrativa não se mostra da sua maneira mais densa e é deixada de lado na maior  parte da experiência.



No início do Século XX iniciativas mais robustas de imergir jogadores em histórias começaram a se desenvolver e eram chamadas de ficção interativa ou mesmo war games de miniatura.  Gosto de citar um dos sucessos da época (e não é para menos, foi escrito por um dos grandes nomes), Little Wars de H.G. Wells em 1913.  Um jogo de miniaturas aonde você poderia simular pequenas guerras e criar suas próprias histórias.

A partir daí essa ficção interativa começou a se desenvolver sobre a visão de outros autores e vamos dar um salto até a década de 70, que particularmente considero o gênese do storytelling interativo moderno. Foi uma década aonde os jogos publicados causaram tremendo impacto nas narrativas interativas até os dias de hoje. 


Em 71  surgiu Chainmail  de  Gary Gygax e  Jeff Perren que já trazia regras mais interessantes e tornava mais profunda a conexão da historia com o gameplay.  O jogo foi extremamente influenciado pela literatura de Tolkien e trazia seres fantásticos da Terra-Média para o tabuleiro.
O gênero de ficção interativa já se espalhava em livros por onde era possível experimentar uma aventura escolhendo as ações do personagem. Eram os “livros jogos” que se popularizaram no Brasil como “aventuras solo”.


Em 1974 Gygax com um novo parceiro (Dave Arneson) aprimorou as mecânicas de Chainmail criando o fenômeno que deixou um legado vivido até os dias de hoje nos games. Dungeons & Dragons o primeiro Role Playing Game.   Na mesma época (75) o programador Will Crowther criou Colossal Cave Adventure, que trazia a ficção interativa dos livros jogos para os computadores, também inspirando-se em Tolkien.  A barreira entre storytelling interativo dos boardgames e computadores estava rompida e então foi um passo para os games digitais desenvolverem narrativas mais complexas.

Podemos definir o Storytelling interativo (da forma que alguns game designers definem) como: " um meio onde a narrativa, e sua evolução, podem ser influenciadas, em tempo real pela sua audiência."  Isso significa que não basta interagir com a história, você tem que participar ativamente da narrativa.  É aí que além do Story e do Telling encontramos um terceiro conceito, o gameplay.


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