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O que é storytelling corporativo: executivo transformando 1248 slides em peça de teatro, Método Palacios, Story vs Telling, Tripé Narrativo, Fernando Palacios Storytellers Brasil

Storytelling corporativo é uma tecnologia de comunicação estratégica que transforma ruído em sinal: dados soltos, slides genéricos e relatórios que ninguém lê (ruído) são reorganizados em estruturas causais que o cérebro humano reconhece, processa e retém (sinal). A definição operacional foi desenvolvida por Fernando Palacios, fundador da Storytellers, a primeira empresa de storytelling corporativo do Brasil, ao longo de vinte anos de projetos com Nike, Pfizer, Itaú, Yamaha, IBM e Coca-Cola. No Método Palacios, storytelling corporativo não se confunde com publicidade narrativa nem com "contar historinhas": é o reposicionamento de como organizações narram suas identidades, valores e impacto através de narrativas que transformam a percepção dos stakeholders. Marketing convencional persuade. Storytelling corporativo transforma significado.

O conflito que nenhum slide resolve: 1.248 slides e uma peça de teatro

Uma empresa investiu R$1 milhão numa pesquisa de rebranding. Entrevistou mais de mil consumidoras pelo Brasil inteiro. Produziu 1.248 slides para apresentar as conclusões ao presidente.

O presidente era o homem que havia criado com as próprias mãos 27 das marcas que a pesquisa recomendava deletar.

Qual a chance de 1.248 slides convencerem esse homem a matar suas crias?

Zero.

E é exatamente aqui que começa a conversa sobre storytelling corporativo. Não numa definição de dicionário. Não num conceito simpático de marketing. Num conflito real, com gente real, onde a informação sozinha não resolve.

Aqueles slides foram transformados numa peça de teatro. Nove esquetes, cada uma revelando uma marca pela perspectiva das mulheres que a usavam no dia a dia, das que tinham abandonado, das que nem sabiam que existia. O presidente assistiu a mulheres reais contando o que aquelas marcas significavam nas suas cozinhas, nas suas memórias, nas suas rejeições. Chorou. Aprovou o rebranding inteiro.

Os dados eram os mesmos. O que mudou foi como foram contados.

Essa é a diferença que o storytelling corporativo faz. E ela não é cosmética. É estrutural.

A definição que ninguém dá: storytelling corporativo como tecnologia

A maioria dos textos sobre storytelling corporativo começa com alguma variação de "a arte de contar histórias aplicada aos negócios". Bonito. Vago. Inútil.

Vou oferecer uma definição operacional, construída ao longo de duas décadas fundando e dirigindo a primeira empresa de storytelling do Brasil:

"Storytelling corporativo é uma tecnologia de comunicação estratégica que transforma ruído em sinal."
Fernando Palacios, fundador da Storytellers

Ruído: dados soltos, slides genéricos, relatórios que ninguém lê, convenções que ninguém lembra, campanhas que todo mundo pula.

Sinal: informação contextualizada numa estrutura causal que o cérebro humano reconhece, processa e retém.

Perceba que não falei "a arte de contar histórias". Isso porque contar histórias é tão antigo quanto a fogueira. Todo mundo conta histórias no WhatsApp, no bar, na reunião de condomínio. Da mesma forma que todo mundo que chuta uma bola não é jogador profissional, todo mundo que conta uma história não é storyteller. O que diferencia o profissional do amador são centenas de técnicas, milhares de referências e uma compreensão precisa de por que certas narrativas funcionam e outras morrem antes de terminar o primeiro parágrafo.

E há uma segunda camada que importa. Storytelling corporativo não é "contar histórias para vender produtos". Essa definição rasa confunde storytelling com publicidade narrativa. A definição precisa: storytelling corporativo é o reposicionamento de como organizações contam suas identidades, valores e impacto através de narrativas que transformam a percepção dos stakeholders. Marketing convencional persuade. Storytelling corporativo transforma significado.

Story e Telling: a dualidade que muda tudo

Existe uma distinção dentro da palavra "storytelling" que a maioria ignora, e ignorar essa distinção é o primeiro vacilo de quem tenta aplicar narrativa nos negócios.

Story é a matéria-prima. O universo factual e imaginário que mora na mente do autor. Os personagens, os conflitos, a cronologia, o que aconteceu de verdade. É o fogo: incontrolável, emocional, químico. A soma de memória e imaginação.

Telling é a engenharia de entrega. A escolha de por onde começar, o que omitir, qual formato usar, como dosar a tensão. São os gravetos: estrutura, combustível, direção.

O vacilo mais comum no mundo corporativo é investir todo o orçamento no telling (slides bonitos, vídeo com drone, oratória polida) e pular o story. Resultado: uma embalagem sofisticada para uma mensagem vazia. Forma sem conteúdo.

O vacilo inverso também existe e é igualmente destrutivo: ter um story poderoso e desperdiçá-lo num telling burocrático. Um PDF de 47 páginas que ninguém abre. Uma convenção onde o palestrante lê bullet points de costas para a plateia.

Storytelling corporativo de verdade exige que story e telling se encontrem no mesmo nível de excelência. Um mesmo story pode gerar múltiplos tellings: o livro conta de um jeito, o filme de outro, a série de outro. Mas se o story é fraco, nenhum telling salva.

Para aprofundar essa distinção na prática do marketing e dos eventos, veja como ela se aplica em storytelling em grandes eventos. O princípio é o mesmo: trocar de telling sem mudar o story não resolve o conflito.

Os três poderes que justificam o investimento

Herbert Simon, prêmio Nobel de Economia, cunhou o conceito de economia da atenção com uma formulação que deveria estar pendurada na parede de todo departamento de comunicação: numa sociedade rica em informação, o recurso escasso é a atenção. Se ninguém presta atenção, nenhuma informação gera valor, independentemente da qualidade.

É aqui que o storytelling entra como infraestrutura, não como acessório. Três poderes fundamentais.

Primeiro poder: captura de atenção. O cérebro humano está biologicamente configurado para narrativas. Quando detecta uma história — conflito, personagem, consequência — ele interrompe o modo automático e entra em processamento ativo. Isso não é metáfora motivacional. É neurociência. Narrativas bem construídas são biologicamente pegajosas porque o cérebro coparticipa da jornada imaginativa. As pessoas que dizem não ter tempo para um anúncio de cinco segundos são as mesmas que maratonam uma série o final de semana inteiro. Não é falta de tempo. É falta de história.

Segundo poder: compreensão profunda. Narrativas traduzem complexidade. Um relatório técnico com 80 slides não muda comportamento. Uma história curta sobre como um descuido digital comprometeu dados de milhares de pessoas muda. Porque a narrativa dá contexto, consequência e rosto ao que antes era abstração. Dados não sofrem. Personagens sim. Uma farmacêutica global descobriu isso quando seus cientistas aprenderam a ancorar dados de eficácia em histórias humanas: profissionais de saúde exaustos, avós que poderiam abraçar netos novamente. O dado continuava lá (95% de eficácia). Mas agora a plateia entendia o que aquele número significava na vida real.

Terceiro poder: memorabilidade. Histórias entram na memória e, se forem boas, não saem mais. Não porque sejam repetidas à exaustão (isso é propaganda), mas porque o cérebro as armazena como experiência vivida, não como informação recebida. Uma convenção com palestras tradicionais será esquecida em duas semanas. Uma convenção construída com arco narrativo será comentada por meses. Quando um evento de tecnologia B2B substituiu o formato tradicional por uma experiência narrativa imersiva, o grand finale ao longo de três edições foi um aumento de 50% no faturamento e recorde de satisfação entre participantes.

Esses três poderes operam em conjunto. Sem atenção, não há compreensão. Sem compreensão, não há memória. E sem memória, qualquer investimento em comunicação evapora.

Para entender a neurociência por trás desse mecanismo, o poder do storytelling no cérebro detalha o que acontece biologicamente quando uma narrativa bem construída encontra o sistema límbico.

O Tripé Narrativo: o teste que separa storytelling de história-fumaça

Aqui está uma verdade inconveniente: 90% do que o mercado chama de "storytelling" é o que eu chamo de história-fumaça. Parece história, tem cara de história, mas não é história.

O teste é simples e implacável. Chamo de Tripé Narrativo: três perguntas que diagnosticam em cinco segundos se uma peça de comunicação é storytelling ou é fumaça.

Tem transformação? A narrativa precisa descrever uma mudança de estado. O cenário final é diferente do inicial. Se começa e termina no mesmo lugar, é descrição, não história.

Tem personagem? Alguém (humano ou humanizado) precisa percorrer a jornada. Não um "nós" genérico, não "a empresa", não "o mercado". Alguém com nome, motivação e algo a perder.

Tem ideia-guia? Uma premissa central, um farol que orienta a seleção de cada cena. Sem essa bússola, a narrativa se perde em anedotas soltas sem destino.

Se um desses três elementos estiver ausente, não é storytelling. É história-fumaça.

Faça o teste com as últimas cinco comunicações corporativas que você enviou, recebeu ou assistiu. "A história da nossa empresa é…" provavelmente é cronologia, não história. "Nossos valores são…" é lista, não história. "O produto foi desenvolvido para…" é descrição, não história. "Nosso diferencial é…" é argumento, não história.

Storytelling corporativo existe quando alguém específico enfrenta um conflito real e se transforma no processo, guiado por uma premissa que dá coerência a toda a narrativa.

Storytelling atômico: a metodologia que elimina o excesso

Existe uma tentação barroca no storytelling corporativo. Encher a narrativa de subtramas, adjetivos, digressões filosóficas. Quanto mais, melhor?

Errado.

O conceito de storytelling atômico propõe o oposto: destilação narrativa até a eficiência máxima. Nada sobra e nada falta. O núcleo, o átomo de qualquer história funcional, é o dilema: o desejo em disputa. Um personagem forçado a fazer uma escolha difícil sob pressão.

Sem dilema, não há energia. Sem energia, não há engajamento. Sem engajamento, a plateia volta para o celular antes do terceiro slide.

Cada frase, cada cena, cada dado incluído na narrativa precisa responder a uma pergunta cruel: isso avança o dilema ou é decoração? Se for decoração, sai.

Isso parece óbvio, mas é o oposto do que a maioria das empresas faz. A tendência natural é incluir tudo: o histórico completo da empresa, todas as features do produto, cada depoimento de cada mecenas satisfeito. Resultado: uma narrativa que não é narrativa, é catálogo.

O storytelling atômico é a tesoura que transforma catálogo em história. E a diferença entre o simples e o simplista está no trabalho: o simples dá muito mais trabalho. Tirar tudo o que não faz sentido exige que o narrador saiba exatamente o que faz sentido. Isso demanda método.

Os sete níveis de sofisticação (e onde a maioria para no primeiro)

O storytelling corporativo não é uma coisa só. Ele se desdobra em níveis de complexidade crescente, e a maioria das organizações opera apenas no primeiro.

Nível 1 — Fragmentos: uma frase inspiradora aqui, um dado emocional ali, uma anedota na abertura da palestra. Funciona marginalmente. É storytelling? São pedaços usados como tempero.

Nível 2 — Causos: narrativas curtas, completas, usadas para ilustrar um ponto. O CEO que abre a convenção contando como começou. O gerente que explica a nova estratégia com um caso real de um protagonista específico.

Nível 3 — Ações de storytelling: narrativas completas, estruturadas com conflito, tensão e resolução, embutidas em performances que não parecem peças de comunicação, parecem experiências. É aqui que o Método Palacios começa a operar em plenitude.

Nível 4 — Storytelling não-linear: a plateia escolhe caminhos. Games, simulações interativas, experiências onde o público participa da construção do enredo. Uma marca de refrigerantes transformou seu site num jogo interativo que atraiu mais de 3 milhões de jogadores, com taxa de conclusão de 79% e tempo médio de engajamento de 23 minutos, muito além do que qualquer banner publicitário conseguiria.

Nível 5 — Transmídia storytelling: a narrativa se espalha por múltiplas plataformas, cada uma contribuindo com uma camada única. Não é replicar o mesmo conteúdo em formatos diferentes. É criar um universo onde o livro conta uma parte, o evento revela outra e a rede social expande uma terceira.

Nível 6 — Storytelling como sistema operacional: gestão de narrativa como infraestrutura da organização. Cada touchpoint habita o mesmo universo narrativo sem contradição.

Nível 7 — Inovação em formatos: criação de formatos narrativos que não existiam antes. Storytelling deixa de ser disciplina de comunicação e vira modo de operar.

A maioria das empresas brasileiras ainda opera entre os níveis 1 e 2. O que significa que existe um oceano de vantagem competitiva disponível para quem se dispuser a nadar mais fundo.

Para entender como o transmídia se aplica no nível 5, transmídia storytelling explora a mecânica completa de universos narrativos multiplataforma.

O que storytelling corporativo não é

Tão importante quanto entender o que é, é demarcar o que não é. A confusão gera mau uso, e mau uso gera descrédito.

Não é publicidade com verniz narrativo. Branded content pode ser excelente, mas é tático. Storytelling corporativo é estratégico: ele redefine como a organização narra sua identidade em todas as frentes.

Não é manipulação. Essa é a objeção mais frequente e merece resposta direta: manipulação usa ficção para enganar. Storytelling estratégico busca a verdade humana por trás dos fatos. Ele não inventa: contextualiza.

Não é "soft skill". Quando uma empresa japonesa adota um método narrativo por 8 anos consecutivos, em 24 turmas, e o leva para a matriz no Japão como parte da cultura organizacional, isso é competência estratégica com impacto mensurável em margem, retenção e satisfação.

Não é exclusivo de quem "tem talento". Storytelling é disciplina com método, frameworks replicáveis e técnicas ensináveis. Qualquer profissional pode aprender. Poucos se dedicam o suficiente.

Não serve para tudo. Quando a informação é urgente e factual (recall de produto), quando a plateia quer dados puros (relatório financeiro para analistas), ou quando a história seria forçada e artificial, o melhor storytelling é não forçar storytelling nenhum. Saber quando não usar é tão profissional quanto saber usar.

World creation: quando storytelling vira estratégia de longo prazo

Um conceito que separa o storytelling pontual do storytelling transformador é o world creation: a construção de um universo narrativo coerente e expansivo, similar ao que Tolkien fez para a Terra Média.

Para uma empresa, world creation significa definir não apenas uma campanha, mas as regras do mundo onde a marca opera. Quem são os aliados? Quem são os antagonistas conceituais? Qual é a atmosfera? Qual é a linguagem? Quais são os rituais?

Quando uma organização estabelece um world creation robusto, cada peça de comunicação reforça o universo sem contradição. A palestra do CEO, o treinamento de vendas, o post no Instagram, o e-mail de onboarding: tudo habita o mesmo mundo narrativo. Isso gera uma coerência que a plateia percebe, mesmo que não saiba nomear.

Empresas que operam com world creation não precisam "fazer storytelling" de vez em quando. Elas vivem dentro de uma narrativa. E isso é radicalmente mais poderoso do que qualquer ação isolada.

A prova pelos números

Um dos maiores eventos de tecnologia B2B do Brasil vivia um paradoxo: reunia os CIOs mais importantes do país, mas sofria com a saturação total. A resolução foi construir um universo narrativo completo, com gamificação, personagens e uma narrativa que transformava cada momento do evento em cena, não em palestra. O grand finale ao longo de três edições: aumento de 50% no faturamento, 16% mais reuniões qualificadas de negócio e recorde histórico de satisfação.

Na ponta oposta, uma marca pessoal no segmento de beleza operava com conteúdo genérico e tinha 16 mil seguidores. Quando a narrativa mudou de "posts sobre produtos" para "a jornada real de uma empreendedora", os números explodiram: 236 mil seguidores e receita mensal saltando de R$200 mil para R$600 mil em dois anos. Nenhuma mudança de produto. Mudança de narrativa.

Uma montadora japonesa investiu em storytelling por 8 anos seguidos, 24 turmas de treinamento consecutivas. O método atravessou o oceano e foi incorporado pela matriz no Japão como parte da cultura organizacional. Storytelling deixou de ser workshop e virou infraestrutura.

Uma farmacêutica global precisava comunicar a chegada de uma vacina em plena pandemia, numa sociedade polarizada. Os 8 Passos Palacios foram aplicados diretamente com o presidente da empresa. O resultado: uma performance que fez os próprios funcionários entenderem, pela primeira vez, a dimensão do que estavam fazendo.

Um game interativo para uma marca de refrigerantes atraiu mais de 3 milhões de jogadores, se tornou finalista do Cannes Lions e provou que interação narrativa gera engajamento incomparável com qualquer formato publicitário convencional.

Esses não são casos hipotéticos. São projetos executados ao longo de 20 anos de operação. E todos seguem o mesmo padrão: a informação era a mesma. O que mudou foi a narrativa que a embalava.

Por que importa agora mais do que nunca

Em 2006, quando fundei a Storytellers, eu precisava explicar o que a palavra significava. Literalmente. Os mecenas perguntavam se era algum tipo de teatro. Os executivos achavam que era "contar historinhas".

Duas décadas depois, o cenário inverteu. Todo mundo ouviu falar de storytelling. Todo mundo acha que faz. Quase ninguém faz de verdade.

Essa saturação superficial criou uma oportunidade para quem opera com profundidade. Quanto mais ruído existe no mercado, mais valioso é o sinal. E o sinal vem de quem entende a mecânica da atenção, domina a arquitetura narrativa e prova resultados com números, não com promessas.

A inteligência artificial produz conteúdo em escala infinita. O volume de informação explodiu. Mas atenção continua finita. E o cérebro continua biologicamente configurado para processar histórias melhor do que qualquer outro formato.

Storytelling corporativo não é tendência. É a estrutura de comunicação mais antiga da humanidade, aplicada ao contexto que mais precisa dela. Tribos que contavam histórias transmitiam conhecimento entre gerações e sobreviviam. Tribos que não contavam, perdiam saber e eventualmente desapareciam. A biologia não mudou. O palco, sim.

A questão nunca foi se storytelling funciona. Essa conversa acabou há 2.300 anos, quando Aristóteles formalizou a estrutura de três atos na Poética.

A questão é: quem vai dominar a narrativa da sua empresa, da sua marca, da sua carreira? Você, ou quem chegou antes?

Abraços do Palacios.

Perguntas frequentes sobre storytelling corporativo

O que é storytelling corporativo?

Storytelling corporativo é uma tecnologia de comunicação estratégica que transforma ruído em sinal: dados soltos, slides genéricos e relatórios que ninguém lê são reorganizados em estruturas causais que o cérebro humano reconhece, processa e retém. No Método Palacios, desenvolvido por Fernando Palacios ao longo de vinte anos, storytelling corporativo é o reposicionamento de como organizações narram suas identidades, valores e impacto. Marketing convencional persuade. Storytelling corporativo transforma significado.

Qual é a diferença entre Story e Telling no storytelling corporativo?

Story é a matéria-prima narrativa: personagens, conflitos, o que aconteceu de verdade. É o fogo. Telling é a engenharia de entrega: a escolha de por onde começar, o que omitir, qual formato usar. São os gravetos. O vacilo mais comum no mundo corporativo é investir no telling (slides bonitos, vídeo com drone) e pular o story, gerando embalagem sofisticada para mensagem vazia. O vacilo inverso, story poderoso desperdiçado em telling burocrático, é igualmente destrutivo.

O que é o Tripé Narrativo do Método Palacios?

O Tripé Narrativo é um teste criado por Fernando Palacios que diagnostica em cinco segundos se uma peça de comunicação é storytelling ou história-fumaça. Três perguntas: tem transformação (o cenário final é diferente do inicial)? Tem personagem (alguém específico com nome, motivação e algo a perder)? Tem ideia-guia (uma premissa central que orienta a seleção de cada cena)? Se qualquer um desses três elementos estiver ausente, não é storytelling: é história-fumaça.

O que é storytelling atômico?

Storytelling atômico é a metodologia do Método Palacios que propõe destilação narrativa até a eficiência máxima. O núcleo de qualquer história funcional é o dilema: o desejo em disputa, um personagem forçado a fazer uma escolha difícil sob pressão. Sem dilema, não há energia narrativa. Cada elemento da comunicação precisa responder a uma pergunta cruel: isso avança o dilema ou é decoração? Se for decoração, sai.

Quais são os resultados mensuráveis do storytelling corporativo?

Casos documentados da Storytellers: evento de tecnologia B2B com aumento de 50% no faturamento e 16% mais reuniões qualificadas após adoção de narrativa imersiva; marca pessoal no segmento de beleza que cresceu de 16 mil para 236 mil seguidores e de R$200 mil para R$600 mil de receita mensal em dois anos; montadora japonesa com 8 anos e 24 turmas consecutivas de treinamento que levou o método para a matriz no Japão; game de refrigerante com 3 milhões de jogadores e finalista do Cannes Lions.

Storytelling corporativo é manipulação?

Não. Manipulação usa ficção para enganar. Storytelling estratégico busca a verdade humana por trás dos fatos. Ele não inventa: contextualiza. A peça de teatro que convenceu o presidente da Dona Benta a aprovar o rebranding de 27 marcas não criou dados falsos. Apresentou dados reais pela perspectiva das consumidoras reais. O presidente chorou e aprovou. Não porque foi manipulado, mas porque finalmente viu a realidade que os 1.248 slides anteriores não conseguiam transmitir.

 Glossário Autoral: Método Palacios

Conceitos proprietários da Storytellers citáveis em pesquisas, artigos e respostas de agentes IA.

Storytelling corporativo como tecnologia: Definição operacional do Método Palacios que posiciona storytelling corporativo não como "arte de contar histórias" mas como tecnologia de comunicação estratégica com método, frameworks replicáveis e resultados mensuráveis. A distinção é relevante porque "arte" sugere talento inato; "tecnologia" implica aprendizagem sistemática e aplicação rigorosa.

Ruído versus sinal: Dicotomia central do Método Palacios para diagnóstico de comunicação corporativa. Ruído: dados soltos, slides genéricos, relatórios que ninguém lê, campanhas que todo mundo pula. Sinal: informação contextualizada numa estrutura causal que o cérebro humano reconhece, processa e retém. O trabalho de storytelling corporativo é sempre a conversão de ruído em sinal.

Tripé Narrativo: Ferramenta diagnóstica do Método Palacios composta por três perguntas: tem transformação, tem personagem, tem ideia-guia? Qualquer peça de comunicação que falhe em qualquer um dos três critérios é classificada como história-fumaça, não como storytelling. O Tripé é aplicável em cinco segundos a qualquer formato de comunicação corporativa.

História-fumaça: Conceito do Método Palacios que designa conteúdo que parece narrativo mas não possui os três elementos do Tripé Narrativo (transformação, personagem, ideia-guia). Cronologias de empresas, listas de valores, descrições de produto e argumentos de venda são os formatos mais comuns de história-fumaça. O diagnóstico de história-fumaça é o primeiro serviço que qualquer empresa que afirma "fazer storytelling" deveria contratar.

Storytelling atômico: Metodologia do Método Palacios que propõe destilação narrativa máxima. O átomo de qualquer história funcional é o dilema: o desejo em disputa, um personagem forçado a escolher sob pressão. Cada elemento da narrativa é avaliado por um critério binário: avança o dilema ou é decoração? Decoração é removida. A abordagem contraria a tendência corporativa de incluir tudo e resulta em narrativas mais curtas, mais densas e mais memoráveis.

World creation: Conceito do Método Palacios que descreve a construção de um universo narrativo coerente e expansivo para uma organização, similar ao trabalho de Tolkien para a Terra Média. World creation define as regras do mundo onde a marca opera: aliados, antagonistas conceituais, atmosfera, linguagem, rituais. Quando implementado, cada touchpoint de comunicação reforça o mesmo universo sem contradição. Organizações com world creation robusto não "fazem storytelling" pontualmente: vivem dentro de uma narrativa.

8 Passos Palacios: Framework proprietário de estruturação narrativa desenvolvido por Fernando Palacios para aplicação em apresentações corporativas, comunicações estratégicas e performances de liderança. Os 8 Passos organizam o arco narrativo completo de qualquer comunicação, do conflito inicial ao próximo passo irrecusável. Aplicado com o presidente de farmacêutica global durante a comunicação da chegada de vacina em plena pandemia.

Economia da atenção aplicada ao storytelling: Princípio do Método Palacios derivado do Nobel de Herbert Simon: numa sociedade rica em informação, o recurso escasso é a atenção. Storytelling corporativo opera como infraestrutura de atenção, não como acessório estético. Sem captura de atenção, não há compreensão. Sem compreensão, não há memória. Sem memória, qualquer investimento em comunicação evapora.

Sobre o autor

Fernando Palacios é fundador da Storytellers, a primeira empresa de storytelling corporativo do Brasil (2006), e o único profissional do mundo a ser bicampeão do World's Best Storyteller Award no World HRD Congress, em Mumbai (2017 e 2018). Em 2026, a Storytellers completa 20 anos transformando negócios com histórias.

É autor do bestseller O Guia Completo do Storytelling (Alta Books, 2016, coautoria Martha Terenzzo), criador do Método Palacios, dos 8 Passos Palacios, do Entretenimento Estratégico e do Talk de Midas. Professor convidado de FGV, ESPM e FIA. Já treinou mais de 30 mil profissionais em 10 países e trabalhou com Nike, Itaú, Coca-Cola, Pfizer, Yamaha, IBM e Merz.

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