Mostrando postagens com marcador campanhas storytelling. Mostrar todas as postagens

.
Você, recente ou assíduo leitor, deve ter percebido que o Palacios estava fazendo uma série de posts com o intuito de explicar as relações das histórias com vários segmentos da sociedade e, no final, haveria um post amarrando tudo e explicando a nossa proposta.

Mas muita coisa aconteceu no decorrer do processo e o post final acabou se transformando em algo maior. Após uma quinzena de reformulação, voltamos ao ar com um novo Stories We Like...Stories We Like Even More. :)

A diferença agora é que queremos adicionar você à receita antiga. Nosso objetivo é mudar a forma como as coisas são feitas e sua opinião é muito importante.

.


David Bodanis é um historiador e escritor que pegou o espírito storytelling em um de seus livros, Universo Elétrico.

Com o objetivo de mostrar a importância da eletricidade, ele optou por trocar a escrita técnica, e chata, por uma forma mais romanceada e gostosa de ler.

Não li esse livro, mas os comentários do Tiago Dória me chamaram bastante atenção:

"Sem ser técnico, apresenta os protagonistas dessa história como mocinhos ou vilões ou, em certos momentos, como uma mistura dos dois. O mais marcante na leitura do livro é o fato de Bodanis revelar os pontos mais obscuros de diversos inventos que surgiram em torno da eletricidade..."

Em outras palavras, o autor sabe que um mocinho só não faz verão. História é, dentre muitas coisas, conflito e verossimilhança. Uma história só de heróis se torna chata, e uma história só com heróis e vilões se torna caricata e inverossímil. Na vida todo mundo tem um pouco dos dois...

"O telefone foi criado, antes de tudo, por que Graham Bell queria se comunicar melhor com a sua namorada, que era surda. Ou seja, num primeiro momento, o telefone surgiu como um aparelho contra surdez."

Bom saber que Graham Bell não inventou o telefone do nada. Teve um motivo, e como tudo aquilo que nos motiva, foi bastante humano. Essa pequena narrativa já é capaz de tornar a informação de que um sujeito inventou o telefone muito mais interessante. Aposto que você nunca mais esquecerá disso.

Agora imagine se o telefone fosse um produto ou uma marca...

Escolher o seu site preferido sobre um assunto específico já pode ser uma tarefa bastante árdua devido à quantidade de opções que se encontra por aí. E se for da internet inteira? Escolha impossível?

Não para mim. Leio algumas dezenas de blogs e sites quase que diariamente, mas de toda a internet há um, na minha opinião, que ninguém bate. O design é super simples, o editor não é ninguém famoso do mundo dos negócios e só tem um post novo por semana (sempre aos domingos). Então, que raios faz do PostSecret, na minha opinião, a melhor coisa da internet?


Para quem não conhece, o PostSecret é um blog onde pesoas do mundo todo enviam cartões postais contando seus segredos mais profundos. O editor escolhe os melhores e publica uma seleção todo domingo. Simples assim.

Engraçados ou tristes, triviais ou profundos, a soma desses segredos fazem desse site o que há de mais humano na internet. É impossível passar por um domingo sem se identificar com pelo menos uma meia dúzia de segredos, dilemas, emoções e pensamentos.


Pois bem, mesmo antes de me tornar um Storyteller eu já defendia a tese de que as marcas deveriam falar dessa forma com as pessoas, como uma troca de confidências. Uma comunicação muito mais humana do que o establishment, com mensagens que de fato gerassem identificação.

Por isso sempre usei (e recomendei) o PostSecret como fonte de inspiração para o planejamento e criação de campanhas. Melhor do que demonstrar os features de um determinado produto é mostrar como isso vai ajudar as pessoas, cujos problemas e dilemas muitas vezes não aparecem nas pesquisas. O PostSecret, muitas vezes, é melhor focus group.


Mas, mais do que eleger o melhor site de toda a internet, difícil mesmo é falar de igual para igual com as pessoas por meio de um slogan sem sal de uma peça publicitária qualquer. O ser humano é multidimensional, cheio de zonas cinzentas muito mais complexas do que o "preto no branco" dos features de produtos e valores de marca.

É aí que entram as histórias, que como definiu a filósofa Hannah Arendt são capazes de "revelar o significado sem cometer o erro de definí-lo". Afinal, como prova o PostSecret, quanto mais humano maus difícil de traduzir em bullet points. Nesse caso as histórias dão conta do recado.

E, por falar nisso, nem preciso dizer que o PostSecret é uma infinita fonte de inspiração para criação de histórias. Cada cartão tem em sua essência a matéria-prima para a complexa construção de um personagem complexo.