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Quem hoje vê a Disney lançando um sucesso atrás do outro nas telonas, mal pode imaginar que um dia a empresa de Mickey Mouse já passou por maus bocados quando o assunto é a sétima arte.

Eis que, no final dos anos 80, os filmes lançados pela Disney não estavam dando os resultados esperados. Até que um então funcionário da empresa, Christopher Vogler, baseou-se na literatura do mestre Joseph Campbell e do monomito para criar uma estrutura referência para as próximas narrativas produzidas nos estúdios de Walt Disney. Batizado “Memorando de Vogler”, que posteriormente, em 1992, veio a originar o livro “A jornada do escritor”, o modelo sofreu algumas adaptações e ficou também conhecido como o “Paradigma Disney”.
A partir daí ocorreu a grande virada nas contas da Disney, e o sucesso da empresa voltou a ser como é conhecido por todos nós até hoje – ainda que com uma ou outra diferença – também nos filmes produzidos por ela em parceria com a Pixar. Se você ainda duvida, pode conferir em todos os mais recentes sucessos da Disney que você deverá encontrar os doze estágios da jornada, um herói, um mentor, um arauto e todos os outros personagens da forma com que Vogler assim nomeou.
Com “Aviões”, o mais novo filme anunciado pela Walt Disney Company, não deverá ser diferente. “Derivado” do sucesso de 2006 – “Carros”, o trailer pode ser conferido aqui enquanto aguardamos ele aparecer no cinema mais próximo de você.

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Desde que comecei a pesquisar storytelling, algo me intriga: de onde vêm as histórias?

Da criatividade do autor? Sim.
De suas experiências vividas e sonhadas? Sim.
Da pesquisa de arquétipos, mitos e lendas? Sim.

Para todas essas questões a resposta é sim, mas acima delas, está uma fonte onde todo bom contador de histórias ou storyteller, como queira, bebe: a tradição oral. É graças a essa passagem de sabedoria de geração em geração que conhecemos tantas histórias. Os contos de tradição oral não ser perderam no tempo porque preservam uma estrutura narrativa, a jornada do herói, descrita por Joseph Campbell em O Herói de Mil Faces. Em cada cultura os mitos, as lendas e os contos aparecem com detalhes específicos e em variadas versões, mas a estrutura, se mantém.

Em Acordais, Regina Machado, afirma: São tantos os escritores que beberam e continuam bebendo dessa fonte [os contos de tradição oral], que é impossível conhecê-los todos. Há também os afluentes na superfície da terra, representados pelos autores contemporâneos que escrevem histórias recriando a estrutura e os temas dos contos tradicionais. O grande romance épico Senhor dos Anéis, que Tolkien elaborou durante anos, tem a estrutura narrativa moldada no modelo do conto tradicional. Os episódios sucedem-se combinando rigorosa pesquisa de fontes com a criação de inúmeras imagens poéticas e situações de forte impacto narrativo. A influência dessa história se expandiu em outras inúmeras produções como jogos e desenhos. (Olha só a transmídia aparecendo aí...)  

Quem acredita que Cinderela foi uma criação de Walt Disney está enganado. A história dessa princesa é um conto da tradição oral. No século passado foram coletadas 345 versões desta história. Pesquisadores localizaram versões contadas até na China e no Vietnã. Talvez à Disney coube o mérito de popularizar uma versão, a sua versão. Mas a origem do conto vem de um tempo imemorial que assim como local de origem, não se pode precisar. É assim com tantas outras histórias.

A nós, storytellers, fica uma lição: beber na fonte das histórias para que possamos conhecer suas versões e suas nuances. Para que cada conto lido ou ouvido e cada filme assistido seja nossa fonte de inspiração para criar e contar nossas próprias histórias.