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Cliffhanger funciona como uma descarga elétrica em um longa ou curta metragem. Entrevista com Kapel Furman





Estamos de volta com mais um episódio da série Cliffhanger, dessa vez com outro mega nome brasileiro, Kapel Furman.

Kapel Furman é conhecido por fazer parte do reality show Cinelab, do Canal Universal. Cineasta e diretor de efeitos especiais, especialista em armas, coordenação de ações, maquiagem de efeitos, e animador, atua na área há mais de 10 anos, fazendo parte de uma nova geração premiada e reconhecida internacionalmente por um intenso trabalho de modernização estética do cinema nacional.

Como você usa este artifício de roteiro em suas obras?


Pra mim o  cliffhanger funciona como uma descarga elétrica em um longa ou curta metragem, quando estamos naquele momento entre os arcos da história onde tudo está calmo, e até chato, o cliffhanger serve para, de súbito, acordar o espectador e prender sua atenção de volta. Acho importante ter momentos de tédio em uma história, isso valoriza as cenas de impacto quando necessário, e o cliffhanger, no meu caso, serve para isso, surpreender o espectador com um impacto, deixando-o com aquele sensação do que vai acontecer depois disso, mesmo quando o filme acaba. No seriado ele funciona para segurar a atenção ate depois do intervalo comercial, em um filme funciona para surpreender o espectador em um momento em que ele acho que tudo está calmo.


O que diferencia um bom cliffhanger de uma tentativa fraca de criar um gancho na narrativa?

Acho que é a surpresa, criar algo novo que não seja clichê ou conveniente. Só funciona se surpreender ou chocar o espectador, se seguir as fórmulas tradicionais, até cria o gancho, mas cria com menos intensidade ou mesmo emoção, algo como aquele close seguido de um "tummmmm" que vemos sempre em todos os reality shows, e consequentemente cria a mesma sensação insossa no espectador. Um bom gancho ou cliffhanger seria aquele que surpreende, ofende, questiona o espectador, que faz com que ele queira assistir o que vem depois, mesmo que seja para xingar o diretor, que cria um aftertaste.


Semana que vem tem mais, acompanhem por aqui e em breve começaremos uma série sobre HQs! Não deixem de comentar abaixo o que vocês acharam e como gostam de utilizar os Cliffhangers.




Bernardo Ajzenberg, Vencedor do 56º concurso literário 'Casa de las Américas' fala sobre Cliffhangers



Vencedor do  56º concurso literário 'Casa de las Américas' em 2015, com seu livro mais recente, Minha vida sem banho (2014).  Bernardo Ajzenberg é um dos maiores ficionistas da literatura brasileira na atualidade.  É autor de Variações Goldman (1998), A gaiola de Faraday (2002, prêmio de Ficção do Ano da Academia Brasileira de Letras), Homens com mulheres (2005, finalista do prêmio Jabuti) e Olhos secos (2009), entre outros livros.

Não tem como começar melhor a nossa série de entrevistas sobre como autores brasileiros usam os clufhangers,  um artifício de roteiro que iniciei a discussão semana passada, neste link. Vamos descobrir o seu ponto de vista sobre o assunto, acompanhem.

Como você utiliza um Cliffhanger? 

Procuro fazer um uso moderado e sutil desse recurso, espalhando pílulas de suspense ao longo de toda a narrativa. O importante é que, ao final, todas elas tenham sido amarradas, mesmo que não necessariamente solucionadas.


O que diferencia um bom cliffhanger de uma tentativa fraca de criar um gancho na narrativa?

Acredito que o mais importante é evitar a sensação de artificialidade ou de forçação de barra, como se diz. Seu uso deve soar natural, quase que obrigatório pelo fluxo da narrativa. Do contrário, corre o risco de soar como um "pega-leitor" barato, como acontece na maior parte dos romances ruins ou das novelas de TV de estilo mexicano.

Fiquem ligados que ainda esta semana um novo nome vai aparecer aqui na nossa série Cliffhanger.  Para quem quiser aprender sobre estes e outros artifícios de um bom storyteller, não percam o curso com Fernando Palacios no Rio de Janeiro!