Carminha andava de um lado pro outro no corredor, todo pintado de branco, ansiosa como quem espera o resultado de um importante exame médico. Mas a verdade é que naquele prédio não havia médico algum, dentro da sala estavam os dois avaliadores de arte que a moça mandou vir da Europa para analisar o quadro que encontrara na garagem de sua avó. Dizia uma lenda familiar que aquele quadro tinha se perdido e que era uma grande obra de Van Gogh que a família Couto trouxera ao Brasil há várias gerações.

O Bizavô de Carminha era um grande negociador de arte e teria conseguido esse quadro com um excêntrico milionário que possuía em seu porão uma vasta coleção de arte. De acordo com os relatos de sua avó o milionário teria dado o quadro para o amigo como retribuição por um favor, mas ninguém nunca soube que favor era esse.

Quando sua avó faleceu Carminha já conhecia a história, mas acreditava na versão de que o quadro teria sido vendido, ou se perdido entre as gerações há anos e jamais esperava encontrá-lo na garagem, enrolado em velho cobertor.

Se aquele quadro fosse o original a vida de Carminha ia mudar e ela sabia disso.
– “Calma Carmem, ninguém vai morrer por causa desse quadro!” – Dizia Caio o marido da moça nervosa
– “Não entendo! Qual é a diferença se o quadro é verdadeiro ou não? Você disse que nem vender vai!” – completava o rapaz tentando acalmá-la.

Carmen pensava sem responder ao marido – “Não vou vender! Claro que não! É o quadro da minha família! Mas se for verdadeiro, ah... se for verdadeiro”

- as últimas palavras de seu pensamento escaparam pela boca em um tom de ânimo, deixando o marido ainda mais confuso e sem entender qual era a importância do quadro ser ou não verdadeiro se ela nem iria aproveitar de seu valor.

Afinal, qual é a diferença na beleza do quadro se foi ou não Van Gogh quem o pintou? 





http://www.ted.com/talks/lang/en/paul_bloom_the_origins_of_pleasure.html




Pois é, pois é. O Storytelling está se espalhando por todo o Brasil. Todos querem contar melhores histórias. Eu estarei lá para falar de alguns conceitos básicos de como contar bem uma boa história.

Parabéns à AmCham de Recife pela iniciativa fundamental. A programação é concisa e direto ao ponto:

» 8º Panorama de Marketing em Recife
08h00 - Credenciamento
08h30 - Curador de Honra do Evento: Hamilton Mattos
08h45 - Conceitos Básicos de Como Contar e Produzir uma Boa História
Fernando Palacios,ESPM |

Estudou Comunicação na USP e trabalhou no planejamento de grandes agências em projetos como Nokia Trends, Super Casas Bahia e Skol Beats.
Em 2007 defende o primeiro estudo acadêmico sobre storytelling no Brasil e logo em seguida fundou o primeiro escritório brasileiro de storytelling.
Em 2008 planejou o case para Mini-Schin, um game online com mais de 2 milhões de acessos e tempo médio de 27 minutos de navegação.
Em 2009 concebeu o primeiro e ainda hoje um dos poucos cases no mundo de transmídia para endomarketing.
Em 2010 realizou um experimento narrativo marcante na cidade de São Paulo, a Virada Cinegrastronômica.
Em 2011 lecionou na ESPM o primeiro curso universitário de Transmídia Storytelling.
Em 2012 decide finalmente se lançar como autor e larga tudo para se dedicar ao projeto autoral intitulado A Próxima Maravilha.
09h35 - Quais meios de comunicação utilizar para distribuí-las?
Mauro Vasquez,Agência Babel |

Planejamento de publicidade e comunicação on e offline. Mais de 20 anos de experiência no mercado publicitário, criação de conteúdo, planejamento e soluções integradas de comunicação. Formação em publicidade e propaganda (ESPM) e jornalismo (ECA-USP). Cambridge University-ESOL Proficiency in English, Francês e espanhol. Especilaização em web design pela United Digital Artists-NY. A experiência acumulada como cliente (gerente de marketing da Alphaville Urbanismo), professor (Universidade Anhembi Morumbi), jornalista e profissional de content marketing (MIM Editorial), Internet (Siren Internet Intelligence) e Publicidade (JourneyCom), construiram uma visão 360º do planejamento de publicidade e o desejo de trabalhar cada vez mais de perto com a investigação constante de tendências e comportamento do consumidor.
Especializações :Advertising Planning, Strategic On-Offline Communications Planning, Trendspotting, Trends and consumer behaviour, project management, presentation, clients pitch (Portuguese and English)
10h25 - Coffee Break
10h45 - Como adaptá-las aos diversos dispositivos de acesso?
Carlos Eduardo Batista, TeleMídia/PUC-Rio |

Mestre em Informática pela Universidade Federal da Paraíba, (ênfase em Sistemas Distribuídos). É colaborador do Laboratório de Aplicações de Vídeo Digital (LAViD) desde 2003, trabalhando com projetos na área de Multimídia e TV Digital; é co-autor das especificações do middleware Ginga. Atualmente conclui seu doutorado na PUC-Rio, atuando como pesquisador associado ao laboratório Telemídia, que é o grupo de pesquisa responsável pela especificação Ginga-NCL, subsistema declarativo padrão do Sistema Brasileiro de TV Digital e recomendação internacional UIT-T para interatividade em serviços IPTV
11h35 - As melhores estratégias utilizadas para divulgá-las
Raquel Scrivano, Coca-Cola Brasil |
Formada em Comunicação Social / Publicidade e Propaganda pela UFRJ e com Mestrado em Administração com ênfase em Marketing / Comportamento do Consumidor pela COPPEAD / UFRJ, é atualmente responsável pela área de inteligência em conexões com o consumidor da Coca-Cola Brasil, com foco em análise de resultados, capacitação do time e das agências, ferramentas de amparo a decisões de mídia e monitoramento de redes sociais. Atua em projetos digitais desde 2000 com experiências em diferentes start ups e passagens por sites de comércio eletrônico como Bondfaro e Buscapé.
12h30 - Encerramento


Para mais informações é só acessar o site:

http://ww2.amcham.com.br/eventos/tpl_evento?event_offer_id=1714113&organization_id=118



Já sabemos que o Storytellling é usado desde os primórdios para chamar atenção e engajar pessoas, sabemos também que uma boa história, bem contada,  tem muitas aplicações que vão além da publicidade. Nós mesmos da Storytellers já usamos a tecnologia para conscientizar equipes de uma grande empresa sobre o novo posicionamento das marcas e dos produtos do cliente. Mas hoje vamos falar de um de seus usos mais comuns e talvez um dos primeiros, hoje nós vamos falar do storytelling na educação.

Comecei a dar aula bem cedo e minha jornada como professor de inglês acabou quando eu parei de dar aulas na Wise Up, uma escola de Inglês que tem como principal proposta o ensino rápido do idioma, 18 meses para te ensinar inglês é uma proposta ousada, mas eles descobriram uma maneira de fazer isso: usando storytelling para fazer o que pode ser chato ficar interessante. Todo o curso da escola é baseado na história da família Elliot, composta por 3 irmãos, George, Peter e Eleanor Elliot, que vão passar o verão, todos juntos pela primeira vez em anos, na casa onde cresceram com seus pais. Além da família contamos com mais 3 personagens, um chefe de cozinha contratado por Eleanor Elliot para ajuda-la a escrever um livro sobre culinária, uma moça chamada Abigail que sofre de amnésia por causa de um atropelamento que sofrera logo no inicio da história, e Margot, fisioterapeuta do irmão mais novo que é um famoso campeão do surf internacional que sofreu um acidente e vê sua carreira em risco além de temer a possibilidade não poder mais voltar a praticar o esporte que tanto ama.

 Cada aula do curso contém uma pequena história, apresentada aos alunos através de uma minissérie em DVD e trabalhada em sala de aula com transcrições dos diálogos da série. Cada capítulo da história apresenta um conflito que será discutido entre os alunos e o professor durante as aulas, fazendo com que a curiosidade do aluno se transforme em material para prática do idioma. A verdade é que se tirarmos a história dos livros não teríamos matéria e a escola seria apenas mais um escola de inglês prometendo aprendizado rápido, mas a narrativa faz com que tudo fique diferente ao ser usada para que os alunos entendam o idioma além do vocabulário e a estrutura gramatical levando-os de dentro da sala de aula para um universo onde o inglês é usado no dia-a-dia dos personagens.

O storytelling deu tão certo para a escola que o Holding deles, o Grupo Ometz, apostou nas histórias para criar mais duas marcas e desenvolver mais dois métodos de ensino, a YouMove e a Wise Up Teens, cada uma com seu próprio universo e linguagem, especificamente criados para atingir uma parcela diferente do mercado em que atuam.

A iniciativa de usar o storytelling dentro e fora das salas de aula, através de seus livros e DVDS, para criar engajamento e tornar o aprendizado do idioma mais eficaz é ótima e bastante inovadora, visto que o método foi criado há 16 anos, porém a história falha em técnicas narrativas fazendo com que o engajamento dos alunos com o universo seja bastante limitado e em muitos momentos fugindo do próprio universo para atingir objetivos institucionais, interrompendo o ritmo da trama e fazendo com o interesse e a atenção dos alunos se perca em muitos momentos do curso, chegando até a reclamar que a série é chata por causa da falta de amarração entre os acontecimentos.  A escola se beneficia do storytelling para ajudar seus alunos a aprender inglês, mas perde uma ótima oportunidade de transformar seus alunos em atentos e melhorar ainda mais a relação do cliente com a marca fazendo com que o aprendizado desses alunos seja ainda maior,  tudo isso pela falta de investimento e atenção na criação do universo e no desenvolvimento narrativo da história.

Como educador e storyteller sempre sonhei com a oficialização das histórias como tecnologia de ensino para melhorar, quem sabe, a qualidade do aprendizado de nossos jovens brasileiros, fazendo com que os livros e as aulas fiquem mais interessantes e com que os alunos fiquem mais interessados.    




Entender que o storyteller é como um mago que captura a atenção e causa curiosidade, truque por truque, página por página, é um bom começo para chegarmos à conclusão de que, apesar de sabermos que sexo, comida e violência chamam a atenção das pessoas, uma narrativa não precisa necessariamente ser mantida por essas características. No livro Jogos Vorazes, por exemplo, a narrativa é inteiramente mantida pela personalidade da protagonista, uma menina de dezesseis anos, moradora da região mais pobre do “distrito 12”, que se oferece para participar de uma batalha promovida pela “Capital” (cidade tecnológica que governa todos os distritos do mundo pós-apocalíptico em que se passa a história) no lugar de sua irmã. O evento que é promovido anualmente pela Capital, que escolhe um casal de representantes de cada distrito que deverão se enfrentar em uma arena até que apenas um sobreviva. Apesar desse plano de fundo a narrativa não apresenta um ambiente violento e sanguinário como imaginamos que poderia ser, pelo contrário, somos levados para dentro da história através do ponto de vista da protagonista que narra sua jornada nessa aventura na qual entrou para proteger sua irmã mais nova. Com essa narrativa podemos perceber que um bom personagem já é o suficiente para segurar uma história por bastante tempo. Mas existem alguns truques para que isso seja possível.

A primeira regra é que o storyteller deve ser um especialista em reter informação. Diferente de um publicitário ou um jornalista o objetivo do storyteller não é passar a mensagem de maneira rápida e sim fazer com que o atento fique curioso, fisgar sua atenção no começo de tudo para que ele queira buscar por essa informação nas próximas páginas e nos próximos capítulos. “Gostou disso? Então espere só para ver a próxima página!” Dizia Allen R. Kates em sua palestra via streaming para o curso de Inovação em Storytelling do CIC – ESPM.  É esse raciocínio que nos leva ao mote de “sempre criar mais perguntas do que respostas”, mas sempre com o cuidado de eventualmente responder, mesmo que não por inteiro, a algumas dessas perguntas durante a história e a todas elas no fim.

Podemos usar como exemplo disso o Livro “The Girl with the Dragon Tattoo” (traduzido oficialmente como “O homem que não amava as mulheres!”) onde a personagem principal, a menina com a tatuagem de dragão citada no título original em inglês, só aparece depois de 30 páginas de narrativa. É importante dizer também que toda narrativa precisa de um ponto de vista, uma espécie de binóculo pelo qual estaremos olhando para aquele universo, no caso de Jogos Vorazes o autor usa a visão da personagem principal que conta os acontecimentos como se estivessem acontecendo no presente, deixando o leitor sempre suspenso no tempo, sem saber o que acontece no futuro, ou até mesmo até quando vai esse futuro. No livro Firmin, de Sam Sevage, somos guiados pelo ponto de vista de um rato que vive em uma biblioteca e dá sua opinião sobre os livros com base no que sente ao comer suas páginas.

Citando a pergunta: “Por onde devo começar a minha história?” como uma das perguntas que mais recebe, nosso convidado, Allen Kates, diz que devemos começar por aquilo que mais nos empolga na história, já que toda história é escrita para alguém, e se você está empolgado com o que está contando as chances de que outras pessoas também fiquem empolgadas com aquilo são grandes. Desse pensamento tiramos duas importantes lições para um storyteller, a primeira é que devemos sempre ter alguém em mente enquanto escrevemos, um amigo, um parente, ou até um desconhecido, alguém para quem gostaríamos de contar aquela história acreditando que essa pessoa possa se interessar pelo que estamos contando. Assim saberemos como contá-la, afinal, podemos contar a mesma história para uma criança e para nossos avós, mas nunca o faríamos da mesma maneira. E a segunda lição importante desse pensamento é que tudo o que escrevemos carrega um pouco de nossas experiências e é bem possível que o nosso humor, no caso a empolgação, seja transmitido ao texto.

Por fim, somos advertidos enfaticamente a evitarmos clichês, afinal quando algo é repetido por vezes demais acabamos por perder o significado daquilo que estamos dizendo e caindo em uma expressão sem apelo emocional que dificilmente irá chamar a atenção de qualquer pessoa, fazendo com que a narrativa perca o poder de causar aquele sentimento de ser única e inovadora. 

Gostaríamos de agradecer ao Sr. Allen R. Kates pelo prazer de tê-lo conosco dividindo seu expertise e deixando dicas tão valiosas para nossos novos storytellers!





Quando entrei na sala de aula eu jamais esperava ouvir histórias sobre pessoas nadando com tubarões e viajando pela África para promover marcas e engajar consumidores, mas a vida é cheia de surpresas e foi mais ou menos assim que nós, alunos do Curso de Inovação em Storytelling da ESPM, conhecemos Maarten Schäfer e sua agência, a COOLBRANDS.

“Estávamos tranquilos até alguém gritar – “Tubarão” - e apontar para a água, avistamos, então, um enorme tubarão nadando ao redor de nosso barco. Ligaram os motores e lá fomos nós, atrás daquele animal fascinante, até que chegamos num ponto onde nos mandaram mergulhar e eu, obediente, mergulhei e fui avisado que estava na “rota de colisão” com o animal - Como assim? Rota de colisão? – me perguntei assustado apesar de saber que aquela espécie especifica não se alimenta de seres humanos. Lá estava eu, parado na água com as pernas balançando, lutando com o medo, enquanto assistia aquela boca, do tamanho de um contêiner, se aproximando e passando por debaixo de mim, me possibilitando o prazer de acaricia-lo nas costas e, emocionado, acabei esquecendo de tirar a foto o que resultou em um “click” rápido que registrou apenas o rabo daquela criatura fascinante.” São histórias assim, diz Maarten Schäfer, que usamos para convidar marcas ao nosso mundo, afinal todos querem viver experiências que merecem ser lembradas e compartilhadas.

Quando Julio Verne escreveu “A volta ao mundo em 80 dias” o objetivo era escrever um romance e não usar storytelling para promover marcas, mas a história de Phileas Fogg (protagonista do livro) não demorou para chamar a atenção de empresas, que de tão engajadas na história decidiram ajudar o inglês, Fogg, e seu fiel empregado a completarem sua missão. Foram empresas de transporte e agências de viagens as primeiras a promoverem suas marcas através da jornada de um homem que queria atravessar o mundo e, graças a essas empresas, Fogg acaba realizando seu objetivo e ganhando a aposta feita com seus amigos que diziam ser impossível dar a volta ao mundo em 80 dias. Desde Julio Verne e sua história sobre Phileas Fogg viajando ao redor do mundo, nós temos um case para justificar os esforços de incluir marcas em histórias e assim unir o engajamento que as histórias criam com o engajamento que as marcas querem. Não sei dizer se foi inspirado em Verne que nasceu a COOLBRANDS, agência holandesa especializada em storytelling, mas posso garantir que quando a agência nasceu, Maarten Schäfer e Anouk Pappers sabiam do poder das histórias para fazer marcas serem lembradas. 

Usando um stotytelling um pouco diferente a COOLBRANDS não cria universos para as marcas de seus clientes, ao invés disso, eles convidam essas marcas para participarem da viagem pelo mundo de Anouk Pappers e Maarten Schifer, o livro “Volta ao mundo em 80 marcas”, que conta as histórias de Maarten e Anauk e de suas viagens pelo mundo atrás de novas experieências é capaz de proporcionar para seus clientes a experiência de ser visto como parte essencial de uma viagem, transformando, por exemplo, o seu hotel em um hotel digno de ser lembrado como parte da experiência de uma viagem. Mas não estamos falando também de quaisquer hóspedes, estamos falando de hóspedes que são viajantes profissionais com um grande círculo de contatos importantes de formadores de opiniões, blogueiros, jornalistas, publicitários e empreendedores. Estamos falando de Maarten Schäfer e Anouk Pappers, gurus internacionais do storytelling, pessoas que são capazes de fazer com que suas histórias se propaguem pelo mundo antes mesmo de terminar a própria viagem e quem sabe em uma dessas viagens seus caminhos se cruzam com o caminho do nosso CAO, Fernando Palacius, o  @w_writer, em busca da Próxima Maravilha!

Além de nos contar histórias fantásticas, Maarten também explicou que todas as histórias da COOLBRANDS são publicadas tanto em um livro quanto em plataforma digital e distribuídas para formadores de opinião no mundo todo, que em troca do conteúdo recebem apenas uma missão: compartilhar aquelas histórias.

Para justificar o porquê de fazerem o que fazem nosso convidado nos deu uma lista de motivos, desde “Porque somos pagos por isso!” até “Porque amamos viajar!”. Mas na verdade isso tudo só funciona porque nós, homens e mulheres, dividimos um sonho em comum com as marcas: todos queremos ser lembrados!
 Obrigado Maarten Schäfer pelas histórias e ensinamentos!



A música alta ecoa em minha mente e atrapalha o caminho das palavras, o som das vozes se torna cada vez menos importantes e o mundo se reduz calmamente até que tudo o que me resta sou eu, minhas ideias e algumas poucas palavras que lutam pela sobrevivência na jornada que começa em algum lugar de minha mente e termina no papel branco.
Lembro de quando eu era criança e podia resumir minha filosofia de vida em histórias para os meus bonequinhos, podia encaixar qualquer pensamento que me parecesse minimamente interessante em um universo composto por diversos personagens mas o tempo passa e a vida acaba fazendo com que os bonequinhos se tornem um passatempo um tanto estranho para um professor de inglês de 19 anos e tatuagem no braço. Dos bonequinhos e das histórias de heróis acabei indo para o papel, sempre assustador antes de preenchido e percebi, muitas e muitas páginas depois, escritas ao longo de alguns anos, que a escrita era minha nova mania, era com a poesia e os contos que eu descontava no mundo a imperfeição de tudo, em silêncio, acompanhado apenas do que cabia em minha cabeça.
Na sala de aula eu me sentia bem, mas quando percebemos, aos 20 e poucos anos de idade, que temos quase metade de nossas vidas em anos de carreira somos obrigados a repensar se é realmente isso que queremos ser, se é realmente esse titulo que queremos carregar profissionalmente. Por muito tempo eu acreditei que a sala de aula era mesmo o meu lugar, ou pelo menos quis me convencer disso, e foi assim que acabei me perdendo em folhas cada vez mais brancas e realidades cada vez mais distantes daquela da minha infância criativa que tanto me fazia bem. Procurei constantemente novas maneiras de me relacionar com mundo, novas experiências e conhecimentos, esperando que em algum lugar do mundo eu encontrasse alguma coisa que me fizesse feliz. Na cozinha do restaurante na Inglaterra, aprendendo a cozinhar e de certa maneira realizando um sonho, o melhor momento do dia era a pausa para o cigarro, não para saciar o vício em nicotina, mas para preencher as folhas de um pequeno caderno que carregava no bolso da calça com as histórias que me vinham à cabeça enquanto cortava quilos e quilos de cebola. Enquanto carregava tijolos e equipamentos de construção pelas obras nos subúrbios ingleses eu aproveitava para conversar com meus colegas de trabalho sobre suas histórias de vida, procurando em cada um deles um motivo para escrever e enquanto batíamos o cimento em seus moldes eu cantarolava poesias quase épicas sobre um rapaz que procurava seu lugar no mundo. Não importava o quanto eu tentasse, no fim das jornadas eu sempre estava na frente de uma sala de aula usando minhas histórias para tentar ensinar inglês ou português, até que um dia, essa segurança acabou e eu me encontrei nas ruas de São Paulo sem poder dizer “sou professor na escola x ou y”.
Ser demitido nem sempre é uma boa notícia, mas duas horas depois da minha demissão, quando recebi uma ligação de outra escola querendo me contratar, por algum motivo que eu não sabia bem o qual, eu neguei a proposta e entendi que ensinar inglês não era mais o suficiente. Ainda amo a sala de aula, serei para sempre professor, mas não mais das matérias que costumava ensinar, eu queria ensinar coisas novas para o mundo e para ensinar coisas novas precisamos aprender coisas novas. Iniciei, então, mais uma de minhas buscas por algo que me fizesse feliz e acabei conhecendo um curso de storytelling que me lembrou muito de como eu me sentia quando criava histórias para os meus bonequinhos. Fiz o curso e descobri que havia sim, um lugar no universo para as minhas histórias e com a ajuda de pessoas maravilhosas que apareceram na minha vida junto com esse curso, eu acabei assumindo um novo título, um título que eu jamais imaginei possível: tornei-me storyteller e reaprendi a brincar com as palavras como fazia em minha adolescência. Só que agora a brincadeira era séria.
Eu sou o Luis Mathias, ou Gaspar como sou conhecido por aí e dedico meu tempo e minha felicidade a criar histórias que ajudem pessoas e marcas a alcançarem seu objetivos e estou muito feliz por oficializar a minha participação no storieswelike.blogspot.com e fazer parte do mundo da Storytellers ao lado de amigos e mentores.