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A saga do Storyteller consiste em encontrar as melhores ferramentas e técnicas para construir uma história. Mas muita gente se esquece do que faz uma boa história.

O autor Alan Moore diz que boas histórias são feitas de pessoas e emoções humanas. A psicologia concorda com ele, já que toda narrativa precisa cativar seu espectador através da empatia. Nos identificar com as emoções dos personagens faz a história ficar mais emocionante para o espectador o que aumenta exponencialmente a experiência.

Mas como criar personagens capazes de causar esta empatia? Talvez o segredo já tenha sido revelado por outro autor (que também começou nos quadrinhos): Neil Gaiman. O também britânico autor de fantasia nos diz que se quisermos tocar as pessoas, devemos falar daquilo que nos toca!

Então siga o conselho também de George R.R. Martin, viva bastante, acumule emoções e experiência, e parta para tecer aquela história! 


"Quando você começa uma carreira artística você não a menor ideia do que está fazendo. Isso é ótimo! As pessoas que sabem o que estão fazendo, sabem as regras, o que é possível e impossível. Você não sabe e nem deveria saber. As pessoas que criaram as regras no mundo das artes não ultrapassaram os limites entre o possível e o impossível. Mas você pode!"

Assisti a este vídeo no início da semana e esse pensamento ficou na minha cabeça, me incomodando ao ponto de que quase tudo o que tentei escrever caia nessa discussão entre o que é possível e o que não é. Afinal, se há um ano atrás você me perguntasse se eu achava possível estar onde estou, finalmente podendo dizer que vivo de escrita eu seria cético, pessimista até. Mas aqui estou eu, crescendo aos poucos e fazendo o que eu gosto.

Às vezes, depois de uma reunião de trabalho da qual eu chego em casa com pilhas de folhas em branco a serem preenchidas, eu sinto como se eu estivesse realmente fazendo o impossível, possível. É a realização de um sonho, mas não é disso que eu estou falando. Estou falando de um poder da minha profissão: o poder de fazer a imaginação se tornar real o bastante para que outras pessoas se sintam naquele mesmo lugar, naquela situação e o melhor de tudo, sentindo aquela mesma sensação que você, ou o seu personagem está sentindo.

Eu já escrevi sobre como a minha vida mudou por causa de um curso que fiz na espm em 2012, mas hoje me dei conta que faz um ano que isso aconteceu e que 2012 se foi deixando um gostinho de quero mais, um saudosismo gostoso daqueles que nos faz sentir satisfeitos com nossas vidas e decisões. 2012 foi um ano em que eu aprendi muito e me tornei um escritor melhor, mas acima de tudo eu me tornei uma pessoa melhor. Hoje eu percebo que grande parte dessa realização tem relação com este curso que eu fiz, então eu decidi sequestrar esse espaço para agradecer ao Fernando Palacios, Martha Terenzzo e Bruno Scartozzoni pela transformação que suas histórias causaram na minha história pessoal. Obrigado meus queridos mestres, obrigado mesmo.


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Continuação do post Discussões Aplicadas parte 1.

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Na mesa Veludo cotelê o escritor/comediante David Sedaris deu um show de bom humor. Talvez seja possível dizer que ele faz um tipo de stand-up comedy escrita. Eis duas coisas capazes de estabelecer conexão com praticamente qualquer ser humano: bom humor e miudezas do cotidiano. Somos todos muito parecidos nas pequenas dúvidas e angústias, naquelas que, de tão pequenas, raramente são comentadas. Quando alguém resolve quebrar o gelo, é o nirvana.

David Sedaris pode dar outro bom arquétipo...mas aí podia ser Jerry Sienfeld também. :)

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A mão e a luva, a mesa que tinha Neil Gaiman e Richard Price, certamente foi uma das mais esperadas pelo público. A mesa transmídia por excelência, contando com um quadrinhista/escritor e um escritor/roteirista.

Marcelo Tas falou muito sobre o blog do Neil Gaiman, mas o momento mais rico, na minha opinião, foi uma conversa sobre a natureza dos diálogos nas histórias. Usando palavras diferentes, ambos comentaram que os diálogos reais são muito chatos, ou seja, quando dois personagens conversam em uma obra, a fluência precisa ser lapidada de acordo com o meio. Nos quadrinhos, por exemplo, tudo que é importante precisa estar no pequeno espaço do balão, ou seja, sobra pouco para as "gordurinhas" das falas reais.

Concordo totalmente, mas, por outro lado, como fica a onda de reality shows e outras realidades capturadas para o entretenimento?

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O ponto alto da festa foi Shakespeare, utopia e rock’n’rol, com o dramaturgo Tom Stoppard. Conhecido por criar suas peças a partir de personagens secundários de outras obras, ele me faz pensar nos spin offs, recurso muito utilizado para continuar e, ao mesmo tempo, dar vida nova à seriados. Pega-se um personagem e mostra-se outro aspecto e momento da vida dele.

Outra pergunta provocativa: seria possível que uma mesma marca veiculasse durante muito tempo uma série de campanhas onde uma, de certa forma, é um spin off da anterior? É uma forma de se renovar, ter módulos independentes que permitam o entendimento da audiência rotativa, mas, ao mesmo tempo, permitir um engajamento e uma linha de história bastante duradoura.

Comentário off-topic: hoje mesmo alguém apontava que, apesar das quase 20 temporadas, o público de antes não vê mais Simpsons, só casualmente. Verdade. Não está na hora de fazer um spin off para esse fim?

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Por fim, Folha Seca, uma mesa sobre futebol, cultura e sociologia (mas não era uma mesa redonda). Fora análises muito interessantes de José Miguel Wisnik e Roberto Damatta, o que ficou para a Storytellers foi o fato do futebol ser um dos poucos esportes que possibilita uma narrativa não-contabilizada.

Explico. Uma partida de futebol pode proporcionar narrativas épicas para os dois times de forma que isso não reflita necessariamente no placar. Um time joga muito melhor, mas perde por um detalhe bobo. Provavelmente injusto, mas isso que dá a graça. Futebol é o esporte storytelling por excelência, e não por acaso é a maior modalidade esportiva do mundo.

Na foto, duas pessoas lendo entre uma palestra e outra ;)