Storytelling: aprenda a entender e contar histórias


*O que é Storytelling e quais seus usos*

Acho que essa foi a pergunta que mais respondi em entrevistas até hoje. Depois de uma década respondendo, talvez já dê pra listar 1001 usos do Storytelling.

Ninguém passa um único dia sem contar e consumir histórias. Mesmo alguém isolado numa caverna vai contar histórias, nem que seja pra si mesmo. Muitas vezes a gente nem se dá conta, mas o Storytelling está ali presente na situação. Um encontro num café vai ter troca de histórias. Num encontro com vinho e velas. No almoço em família. Muitas vezes com desconhecidos, que talvez pelas histórias decidam ficar amigos. A gente vive e mal percebe que até as músicas da trilha sonora do dia nos cantaram histórias. 

No meio de tanta história, uma coisa é certa: toda história é um dado rumo à um alvo. Um artista quer passar uma mensagem, expressar um sentimento, explicar algo da alma humana. Ele então faz filmes e livros e peças e música e games e quadros e o que mais for necessário para compor suas narrativas. 

Líderes contam histórias que inspiram de equipes a povos. Com Storytelling certeiro, conseguem apontador todos para a mesma direção e com o mesmo ritmo. 

Educadores contam histórias para ensinar pupilos de forma clara, prática e intrigante. Uma boa aula não precisa de projetor. Com boas histórias até um luau vira sala de aula. 

Publicitários contam histórias condensadas. Quando o Storytelling é certeiro, conseguem popularizar e valorizar marcas e assim vender mais: para mais pessoas, mais vezes, com mais retorno.  

*Livro Storytelling*

Os usos do Storytelling podem servir a qualquer tipo de profissional. Um advogado pode contar histórias para defender seu cliente, da mesma forma que um médico pode sensibilizar seu paciente para a importância de um tratamento. Um conselheiro financeiro pode narrar melhor a história por trás de seus números. Empreendedores conseguem explicar melhor e mais rápido as histórias de suas startups.


Essa abrangência foi ressaltada no Guia Completo do Storytelling, um livro novo no setor e que busca mostrar que Storytelling abraça o marketing e a comunicação e vai além. 


Desde quando Storytelling vem sendo usado pelas marcas?

Desde os primórdios as marcas já contavam histórias que tornavam seus produtos mais interessantes. 

O sapateiro do império romano contava que: tinha a matéria-prima do couro mais bem selecionada fazendo um produto final superior, ou usava técnicas aprendidas com os antepassados que foram afinadas ao longo de gerações e garantiam um produto inigualável, ou ainda que tinham seus produtos usados e aprovados pelos membros mais exigentes da elite.

A criação de ficções envolvendo marcas tem um caso icônico no Brasil, com publicação inicial em 1924. Uma história de Monteiro Lobato, para os Laboratórios Fontoura. Outros cases foram surgindo pelo mundo. Mas processo criativo era feito de forma espontânea e intuitiva.


*O que as empresas perceberam com relação ao Storytelling*

Do controle remoto ao adblock. Quando a audiência passou a escolher o que assistir e onde dedicar sua atenção, as empresas perceberam a necessidade crescente por conteúdos cada vez mais interessantes. Foi aí que as empresas perceberam teriam que recorrer a Storytelling.

A internet entregou o poder nas mão da audiência e se o conteúdo for tedioso, será pulado. A questão é que isso não vale só pra empresas. As interações no mundo real concorrem com os conteúdos do digital. Na palma da mão, sempre tem uma mensagem pra enviar ou um vídeo pra assistir. Storytelling certeiro é capaz de passar a mensagem e ao mesmo tempo entreter.


*Formas de aplicar Storytelling*

Foi em 2009 que as empresas passaram a buscar métodos e processos para contar melhores versões de suas histórias. De lá pra cá, Storytelling passou a ser usado até para preparar roteiro de reuniões. O vídeo abaixo traz vários exemplos de aplicações de Storytelling. 


Aplicações e exemplos de Storytelling corporativo… 


*De onde surgiu, qual é a origem do Storytelling?*

Storytelling é uma das atividades mais antigas da Humanidade… remete ao tempo das homens das cavernas que sentavam ao redor de fogueiras ancestrais e contavam histórias uns para os outros.


Essa cultura de contar histórias está enraizada no ser-humano. Nos dias de hoje, Hollywood depende tanto quanto de Storytelling quanto uma tribo perdida na Amazônia. 


Storytelling é algo que a humanidade faz com primor há mais de dois mil anos. O grego Aristóteles e o hindu Bharata escreveram manuais de Storytelling para o teatro. 


Esse conhecimento foi se aprimorando ao longo dos milênios. Storytelling tem a ver com aprender a escolher melhor suas histórias e a encantar mais a fundo suas audiências. 


*Significado de Storytelling*

A tradução simples do termo significa  contar histórias. Uma atividade que participa de nossas vidas, todos os dias. 

Contamos histórias na mesa de café da manhã, no bebedouro durante o intervalo do trabalho, no café, nas reuniões, acompanhando uma cerveja nos encontros com amigos. Mas não temos uma educação narrativa. A maior parte das pessoas têm dificuldade de contar a própria história numa palestra ou entrevista de emprego. 

A definição de Storytelling por Fernando Palacios é “storytelling é o simples ato de contar histórias, já Storytelling - escrito assim, com letra maiúscula -  é a habilidade de saber encontrar ou criar histórias fabulosas, com propósitos épicos e contá-las de forma fantástica.”


*Quando começou o Storytelling no Brasil?*

Os povos que aqui habitam contam histórias desde muito antes de chegarem europeus. Desde então foram muitos cruzamentos e influências. Nosso samba tem enredo. Nossas marcas contam histórias há quase um século. Monteiro Lobato escreveu histórias para vender um remédio. Deu tão certo que se tornou campanha de saúde e erradicou a doença.


O tema Storytelling como a busca de uma metodologia foi trazido ao Brasil em 2007, com o primeiro trabalho acadêmico que relaciona histórias com mundo corporativo. No ano seguinte aparecem os primeiros cases de Storytelling.



Além de São Paulo, o Storytelling é bastante conhecido no Brasil?

O Brasil tem uma cultura muito aberta às histórias. Um século atrás, éramos muito bons com folhetins. Depois vieram as radionovelas, que evoluiu para um formato tipicamente brasileiro: a telenovela. Sem falar no repente ou no samba-enredo. Somos um país contador de histórias. Então nosso povo é muito receptivo ao Storytelling. Sempre fomos muito bem recebidos nos 17 estados em que demos palestras ou cursos.

Uma curiosidade: o primeiro estado a investir em Storytelling foi Ceará. Primeiro com J.Macêdo e depois com M.Dias Branco. Minas Gerais também já fez incursões muito inovadoras. E sempre que levo um curso para alguma nova cidade, o sucesso de público é garantido. 


*Qual o objetivo do Storytelling*

Toda narrativa implica na existência de uma audiência. Nesse sentido, ninguém conta uma história por acaso. Os ancestrais ensinavam técnicas de caça e sobrevivência com suas histórias.  Eles não sabiam escrever, mas não queriam perder conhecimentos de vida ou morte. De geração em geração essas histórias foram sendo contadas.



*Como criar histórias com objetivo de fidelizar* 

A melhor palavra não é fidelizar, mas gerar fãs. Pense em adolescentes vestidos de personagens do Harry Potter. A grande questão é que esse não é um objetivo em si, mas talvez o principal resultado para comprovar se o Storytelling funcionou, se foi certeiro. 


*Importância do Storytelling*

A principal importância do Storytelling é a capacidade de tornar qual assunto, por mais sério que seja, em algo interessante. 

Em tempos de redes sociais, e-commerce, omnichannel e abundância de ofertas, as marcas que não conseguirem se diferenciar serão sufocadas na guerra de preço.

Do lado da audiência, ninguém quer dedicar 5 segundos sequer para ver um anúncio no YouTube. Dessa forma, as marcas precisam produzir seus conteúdos dentro do interesse do consumidor.  

Primeiro instigar, depois influenciar. Quando torcemos que um herói desvende o caso, concentramos nossa atenção em todos os seus movimentos. Tudo o que ele faz serve como exemplo e inspiração. 

Se no momento de tensão ele abrir uma lata de refrigerante e isso ajudar a dar um insight, vamos sentir vontade de fazer a mesma coisa. Se ele vestir uma marca de roupas, vamos nos imaginar usando as mesmas peças. Tudo o que um protagonista inspirador faz serve como sugestão para a audiência.



*Na prática, Storytelling é…*

Essa é uma questão que parece simples, mas existem diferentes práticas de Storytelling. Selecionamos quatro vertentes. 

Na prática da educação, Storytelling Didático é quando professores recorrem contar histórias para deixar suas aulas mais envolventes. Storytelling nasceu justamente para transmitir conhecimentos, há milhares de anos, ao redor de fogueiras.

Na prática dos negócios, Business Storytelling é o que tem relação com o ambiente dos negócios. Nesse continente, o maior país vive em função de contar as histórias de empresas ou marcas. Na capital desse país estão dezenas de produtoras que buscam tornar a publicidade mais dinâmica e interessante. 

No cotidiano empresarial as apresentações corporativas contam muito com Storytelling. Apresentadores e palestrantes podem recorrer a narrativas para tornar reuniões e encontros mais interessantes e memoráveis para audiências.

No mercado do entretenimento, Creative Storytelling é o poder das narrativas nas mãos de quem vive de contar histórias. Storytelling na literatura, no cinema, nos quadrinhos, nos games, na dramaturgia e até nas artes plásticas. Toda forma de expressão artística recorre às técnicas narrativas.

Independente do tipo de storytelling ou Storytelling, alguns princípios são os mesmos. O mais importante é o fato de que histórias não são sobre produtos ou empresas, mas sobre pessoas. Ao invés de contar a história de uma empresa, Storytelling busca a história dos fundadores. Ao invés de focar em uma marca e seus produtos, Storytelling procura retratar a vida de um consumidor.



*Benefícios do Storytelling*

É só analisar o que fazem os seriados entre um episódio ou outro. Ou então como fazem os escritores ao roubar preciosas horas de sono. Ou ainda como fazem os estúdios de cinema: contar uma história tão bem contada, narrada de forma intensa e inteligente, que prenda a atenção desde a primeira cena até o ponto final. 


Storytelling é a melhor forma de se passar uma mensagem publicitária, capaz de influenciar a audiência a consumir, e ao mesmo tempo entreter. Em outras palavras, todos nós somos a audiência e só vamos assistir o conteúdo que quisermos assistir. Não somos mais obrigados a ver anúncios; os anunciantes que estão obrigados a nos intrigar com uma boa narrativa. 


Estudos de construção de marcas mostram que é preciso meses e até anos para gerar o vínculo emocional entre pessoas e marcas. Filmes e seriados comprovam que bastam algumas horas para nos apegarmos a personagens, como se fossem nossos melhores amigos. 


*Como aprender Storytelling*

Não é restrito aos que nasceram com um dom. Mesmo quem não se considera uma pessoa criativa pode desenvolver a habilidade de contar histórias. 


Quando você começa a aprender Storytelling percebe as vantagens logo de cara. Mas também percebe que ainda vai ter muito o que aprender. Mesmo depois de já ter dedicado quase quinze anos a contar histórias, de ter lido mais de duzentos livros sobre roteiro, de ter ministrado mais de duzentos cursos e palestras, fico cada vez mais ciente que quando o assunto é contar histórias, existe um oceano inexplorado.


Existem muitas fontes para aprender sobre o assunto. Os livros foram fontes fundamentais para mim. O Guia Completo do Storytelling chegou a ter 50 páginas só de bibliografia. Mas a forma mais otimizada são treinamentos. 


*Treinamento de Storytelling*

No sentido de curso de Storytelling, existem muitos tanto online como presencial. A Storytellers é especializada em treinamentos In-company, tendo treinado mais de 100 equipes em grandes empresas. 


*Treinamento com Storytelling*

No sentido de Storytelling aplicado à criação e condução de aulas, a Storytellers desenvolveu uma série de metodologias que facilitam a vida de quem aprende e também de quem ensina. 


*Como funciona Storytelling*

Storytelling vem sendo estudado há milênios. Mais de dois mil anos atrás, técnicas de Storytelling já vinham sendo publicadas por hindus e gregos. 


Storytelling significa que o produto final é uma narrativa: um bom filme, ou livro de ficção, game, história em quadrinhos, videoclipe musical ou na menor das hipóteses uma história contada de forma oral durante uma apresentação ou palestra.


*Por onde começar um Storytelling*

Seja um seriado ou um livro, slides ou script de atendimento, o Storytelling sempre vai começar com um texto. Nem que seja um roteiro.


*Storytelling como fazer*

O "how-to" do Storytelling depende da aplicação. Ainda assim, existem algumas práticas gerais, padrões que costumam se repetir com frequência. 


*Roteiro de Storytelling*

Tudo começa na escolha de uma história certeira. Isso é feito a partir da mensagem que se deseja transmitir. Existem várias formas de determinar essa mensagem, para exemplificar podemos partir de um processo de solução de problemas. 


Em seguida é preciso ter um personagem com quem a audiência deve se importar. Isso não quer dizer que a personagem tenha que ser boazinha… 


Também não quer dizer que tenha que viver obrigatoriamente uma grande aventura épica. Só quer dizer que a jornada dessa personagem tem que ser dotada de verdade. 


*Estrutura de Storytelling*

Desde os primórdios a espécie humana aprendeu a contar as histórias para ensinar as novas gerações a superar problemas como caçadas fracassadas ou intoxicação alimentar causada por certos frutos. Um esquema para simplificar o processo é:

Alguém com um problema > 
Percebe que sua situação ficou ainda pior >
Chega a um beco sem saída >  
Moral da história: máscara triste ou feliz? 


Essa é um resumo atômico da estrutura de 4 Atos. Já é um bom começo. Uma estrutura de Storytelling um pouco mais avançada é a Jornada do Herói. Com ela dá para montar o esqueleto. 


Quanto mais longa for a obra narrativa, mais complexa será a estrutura. 


*Passo a Passo do Storytelling*

Algumas dicas de Storytelling na hora de pensar seu Storytelling. 

Além do personagem principal, é preciso encontrar ou criar personagens que possam ilustrar a história.

No mínimo serão necessários quatro personagens para desenvolver a estrutura dramática:

Herói / Mentor / Vilão / Vítima
A vítima é alguém na situação de vulnerabilidade e que precisa da ajuda do herói. O herói é aquele que vai lutar por uma transformação, mas que para isso precisa aprender algo importante. O mentor é aquele que vai ensinar a lição. O vilão é quem vai causar a necessidade de mudança, normalmente ameaçando a vítima.

Essa estrutura funciona tanto para histórias heróicas, quanto para comédias românticas ou até mesmo para histórias de startups de sucesso. Afinal, quando alguém empreende é porque encontrou uma oportunidade de mercado, que tem a ver resolver a necessidade de algum tipo de consumidor que é vítima de um sistema imperfeito.


A segunda coisa é desenrolar a trama do enredo ao formato final. Será um vídeo curto a ser exibido nos elevadores? Ou talvez um treinamento robusto para antigos e futuros colaboradores? Será visto de uma vez só por todos no auditório, ou cada um por si em seus smartphones? Com isso é possível encontrar a melhor linguagem e ritmo para o que chamamos de “telling do Storytelling”.


Esses são os passos fundamentais, mas é só olhar para as categorias de uma premiação como o Oscar para entender a quantidade de variáveis que existe no cinema. Cinema é só parte de um guarda-chuva maior chamado Storytelling. A mesma história pode ser contada e recontada de infinitas formas diferentes. É só assistir à Bela Adormecida e seguir de Malévola. Para aprimorar esse processo, artistas se valem de técnicas.


*Técnicas de Storytelling*

Uma história é profissional quando aplica uma série de técnicas narrativas e conta com centenas de boas ideias em sua concepção. Por isso que sempre sugiro aos meus alunos e clientes que contratem um profissional - escritor ou roteirista - para lidar com a parte técnica. Mesmo histórias reais dependem de ser bem contadas para encantar.

Um grande autor brasileiro chamado Affonso Romano de Sant'ana certa vez comentou que Jorge Amado se inspirou numa matéria de jornal para criar uma de suas melhores histórias. "O jornal embrulhou peixe na feira e o livro de Jorge Amado foi traduzido para mais de 70 línguas. O que existe no texto do escritor que difere na forma de escrever das pessoas comuns?" A conclusão é que "nem toda vida daria uma história. Ou daria, se ouvida e escrita por um escritor."

O fato é que bons autores dedicam anos mergulhados em estudar técnicas narrativas e analisar as histórias de outros escritores. Essa dedicação permite ao profissional saber encontrar a história certa a ser contada. Além disso, escritores são mestres da palavra e sabem quando uma frase está ruim. E basta uma frase no lugar errado para que quem estiver atento fique com preguiça e abandone a narrativa.


*Uma boa história é essencial para marcas atraírem consumidores?*

Desde os primórdios as marcas já usam recursos de Storytelling. O sapateiro do império romano contava a história de por que o seu produto era superior ao da concorrência: tinha a matéria-prima do couro mais bem selecionada fazendo um produto final superior, ou usava técnicas aprendidas com os antepassados que foram afinadas ao longo de gerações e garantiam um produto inigualável, ou ainda que tinham seus produtos usados e aprovados pelos membros mais exigentes da elite. Nesse sentido, o próprio conceito de marca anda lado-a-lado com o de Storytelling.

A melhor forma de fidelizar um consumidor é fazer com que o consumidor viva uma história. Nesse sentido, o produto ou serviço deve ser concebido com esse intuito. Ações de Live Marketing podem ser estratégicas nesse momento. Mas ao invés de fazer um simples coquetel, a marca deve realizar um espetáculo teatral ou até mesmo um ARG - Alternate Reality Game - em que a audiência vive uma história e até mesmo define seus caminhos.


*O Storytelling pode fazer o cliente comprar mais de determinada marca?*

Para entender como as histórias funcionam, é sempre bom usar uma como exemplo. Que tal o detetive mais famoso de todos os tempos? Vamos lá: Sempre que o Sherlock Holmes está trabalhando em um caso, ficamos na ponta da cadeira torcendo para que ele desvende o mistério.

Enquanto isso acontece, prestamos atenção em todos os seus movimentos. Acompanhamos cada ação que ele faz. Costuma ter um momento em que ele fica um pouco perdido, sem saber o que fazer. Talvez ele toque seu violino para se inspirar. Talvez ele ande pelas ruas de Londres. Talvez nessa hora ele decida tomar um leite de caixinha e ao ver algo na embalagem ajude ele acabe tendo um insight poderoso.

Pois bem. Nessa hora ficamos felizes com o leite e é capaz de ficarmos com vontade de tomar leite. Capaz inclusive de lembrarmos dessa cena quando estivermos no supermercado e nos depararmos com a mesma embalagem. Da mesma forma, quando o James Bond usa uma marca de relógio ou de roupa, vamos nos imaginar usando as mesmas peças. Há um estudo sobre o crescimento da vodca nos Estados Unidos após os filmes do 007. A conclusão do estudo: tudo o que um bom personagem consome serve como forte sugestão de consumo para a audiência.


*Vale qualquer história?*

Vale ficção, não vale mentira.


*Exemplos de Storytelling*

Os maiores cases de Storytelling se confundem como case artístico e empresarial. São histórias que encantaram e emocionaram e marcaram e ainda ajudaram nos resultados das marcas patrocinadoras. Há muitos exemplos, cases e causos que ajudam a ilustrar como o Storytelling faz a diferença na hora de atrair clientes e consumidores.

Começamos com os grandes exemplos mundiais, que servem de modelo a ser seguido: Bonequinha de Luxo como forma de popularizar a joalheria Tiffany’s, 
Se Meu Fusca Falasse como forma de humanizar o carro e estabelecer vínculos emocionais com a audiência, Náufrago como forma de demonstrar que mesmo que um avião da FedEx caia a sua encomenda vai chegar ao destino, Piratas do Caribe que nasceu para divulgar uma atração de parque de diversões, a Lego foi quem produziu o exemplo mais relevante dos últimos tempos: um filme publicitário com mais de uma hora de duração, com direito a participação do Batman. O mais importante: ao invés de pular depois de 5 segundos, a audiência esteve disposta a pagar pelo ingresso da sessão. 

Um grande exemplo brasileiro é o livro Jeca Tatuzinho escrito por Monteiro Lobato na década de 1920 e que é considerada como a melhor e mais efetiva peça publicitária brasileira. Conta a jornada de um homem preguiçoso, que ao tomar o remédio dos Laboratórios Fontoura se torna apto a embarcar em uma jornada dos trapos à riqueza e termina como grande fazendeiro.

A melhor forma de encantar é fazer com que o consumidor viva uma história. Nesse sentido, Ações de Live Marketing podem ser estratégicas nesse momento. Mas ao invés de fazer um simples coquetel, a marca deve realizar um espetáculo teatral ou até mesmo um ARG - Alternate Reality Game - em que a audiência vive uma história e até mesmo define seus caminhos.

Um case mais recente e muito interessante é o do IT Fórum. Trata-se de um encontro de executivos com a indústria de tecnologia que existe há mais de duas décadas. Foram 8 meses de desenvolvimento de Storytelling e a mudança foi visível:
Em 2015 essa era a cara do evento:
Em 2016 ficou assim: 

Além da questão estética, a história também permitiu a implementação de um game que tornou a experiência muito mais engajante. Na prática, apesar de ser um evento B2B, após a experiência em 2016, no ano seguinte, com a continuação da história e do game, o evento atraiu um número recorde tanto de CIOs quanto de patrocinadores.


* Qualquer tipo de empresa pode usar essa técnica ou é algo mais restrito às grandes empresas? *

Qualquer tipo de empresa e até de marca pode contar boas histórias. Desde secretarias de turismo, até pequenos estabelecimentos. Claro que para cada tipo de empreendimento, teremos um tipo diferente de história. 

Uma loja de artigos esportivos vai contar histórias de superação que incentivem seus consumidores a se tornarem atletas vencedores. Padarias vão precisar de outro tipo de história, mais ligadas à tradição das receitas e à origem dos ingredientes.

Uma pequena empresa pode contar a história do fundador e uma startup pode contar a origem da ideia. Sempre é possível contar histórias. Mesmo dentro de salas de reuniões narrando slides.


Como um pequeno empresário pode iniciar um planejamento para fazer uso do Storytelling no seu negócio.

A primeira coisa é identificar qual o objetivo daquela história. Ela deve ser contada para quem e com qual expectativa? É uma história para clientes se sentirem mais à vontade no estabelecimento? Talvez a ideia seja de revestir a padaria com um tema que a diferencie da concorrência. Mas também pode ser uma história para ressaltar os ingredientes especiais de uma nova receita e assim poder valorizar o produto e aumentar as margens de faturamento. Ou talvez resgatar os valores de tradição da padaria, que foi uma das primeiras fundadas no bairro? Quem sabe até uma história fantástica no cardápio para entreter o cliente enquanto o pão está sendo preparado na chapa... 


*Storytelling business*

Existem muitas possibilidades de como aplicar Storytelling no mundo dos negócios para fazer aquilo que se chama de Storytelling Empresarial. Desde ações de comunicação interna até conteúdos para clientes e consumidores. 

As histórias contadas para dentro da empresa são chamadas de “Endotelling”, e existem várias possibilidades nesse sentido, por exemplo:


-Storytelling liderança 
Desde preparação de um discurso até o desenvolvimento de uma comunicação mais próxima com a equipe. 
De forma geral, a proposta é alinhar conhecimento e inspirar colaboradores a seguirem uma meta comum. Dois exemplos para ilustrar: um vídeo contando a história do fundador da companhia para que todos entendam como tudo começou e qual era o sonho original; um vídeo sobre o reposicionamento de algumas marcas, para que todos entendam a diferença de postura esperada dali para frente. Essas são duas possibilidades entre dezenas.


-Storytelling em apresentações e reuniões 
Toda plateia aplaude uma história de impacto, que prende a atenção do começo ao fim. Por incrível que pareça, até uma apresentação de resultados financeiros trimestrais pode ter essa característica. Uma técnica muito valiosa nesse contexto é chamada de Os Oito Passos do Palacios.


As histórias contadas para fora da empresa são “Exotelling”, e existem várias possibilidades nesse sentido, por exemplo:


-Storytelling em vendas
Desde o segredo dos mercadores, até o roteiro camaleão que se adapta aos diferentes clientes.
Uma coisa é certa, Storytelling em vendas não trata de ‘achar a narrativa comercial’ mas de mapear as vinte histórias de valor. Depois ainda sempre é possível inovar na forma de contar as histórias. Pode ser um vídeo para clientes se sentirem mais à vontade no estabelecimento. Talvez a ideia seja de revestir o ponto de vendas com um tema que a diferencie da concorrência. Mas também pode ser uma história para ressaltar o que há de especial no produto e assim poder valorizar o produto e aumentar as margens de faturamento. Ou talvez resgatar os valores de tradição da companhia. Quem sabe até uma história fantástica para treinar a equipe comercial para entreter o cliente enquanto executa o procedimento de vendas…


-Storytelling Branding
Desde a criação de personagens mais profundos e compreensíveis que personas, até a construção do universo simbólico da marca. Afinal, marca é algo abstrato. As ferramentas de Storytelling resolvem a abstração das marcas ao representá-las através de personagens. Se você assistiu ao filme Náufrago, torceu pelo Chuck Noland (que representa FedEx) e chorou quando ele perdeu seu aliado - a bola de vôlei Wilson. Para algumas marcas o Storytelling já virou algo maior do que o produto inicial. Lego, por exemplo, lucrou mais com a bilheteria do seu filme do que com a venda de peças plásticas.


-Storytelling no Atendimento
Desde a formulação de modelos de respostas até a construção da personalidade para uma inteligência artificial.


-Storytelling no Marketing
Desde o desenvolvimento de campanhas transmidiáticas até se tornar detentora de suas próprias franquias autorais. Algumas empresas como Red Bull e Lego já começaram a fazer isso. Resultados de marketing possíveis de atingir usando o storytelling: fazer com que as pessoas paguem pra ver o anúncio e depois ainda comprem o produto. Afinal, histórias influenciam comportamentos e consumo. Toda vez que o cineasta Woody Allen faz um filme com um cenário marcante, do tipo que leva o nome da cidade no título,  ele ajuda a aumentar o turismo. Além disso, é um formato de comunicação que permite uma estratégia self-liquidate.


-Storytelling Publicidade
Desde anúncios fictícios criativos, até narrativas reais como a da Despedida da Kombi. Um anúncio pode contar uma história, mas também pode falar da promoção do peito de frango na “quarta-feira maluca”.  De forma geral, Storytelling é a forma mais sólida de fazer uma ponte entre posicionamento de marca (branding) e suas entregas (publicidade, relações públicas…). Para isso, a ideia é personificar a marca e a partir daí construir uma história consistente para essa personagem. 


As narrativas em campanhas publicitárias de antigamente se diferem das atuais. A primeira grande diferença não está na narrativa em si, mas no contexto da audiência. Antes as pessoas sentavam ao redor da TV e dentre uma dúzia de canais, escolhiam um para ficarem sintonizados por horas. Atualmente existem dezenas de canais abertos, centenas de fechados e milhares de opções quando levamos em conta a internet. 


A experiência mudou. Cada um tem sua tela e, por vezes, duas telas são assistidas simultaneamente. Isso obriga que a narrativa seja mais dinâmica. Se o filme publicitário não fisgar a audiência em cinco segundos, ele será pulado. Isso não quer dizer que boas narrativas como Primeiro Sutiã não seriam assistidos. Curiosamente, grandes exemplos da publicidade de antigamente possui características de dinamismo que serviriam para os dias de hoje. 


-Storytelling em Eventos de Lançamento
Desde uma atração até a tematização completa da experiência. É possível transformar centenas de slides num espetáculo teatral. Já fizemos isso algumas vezes. As Filhas do Dodô é um case brasileiro estudado internacionalmente. É a história de uma apresentação de slides que virou um espetáculo teatral. Ao acompanhar um dia especial na vida de quatro irmãs, toda a empresa entendeu o novo posicionamento estratégico das marcas. Esse case está detalhado no livro Comunicação com Empregados. São 15 páginas narrando passo a passo do processo. 


Storytelling Digital
Desde o uso de mascotes forma de deixar a comunicação comercial mais íntima, interessante e sedutora até a produção de webséries e outras narrativas-vitrines.


-Storytelling RH
Nova iniciativa da Storytellers, focada em desenvolver talentos e habilidades. Conheça nosso podcast sobre o tema.


*Outros tipos de Storytelling:*

-Storytelling pessoal
De saída melhora escrita e oratória para ajudar em momentos de contar a história profissional numa entrevista ou no perfil do LinkedIn.


Com o tempo ajuda a rever a própria jornada e reenquadrar a história de vida. Muitos passam a incluir relatos pessoais em entrevistas e palestras, indo da vulnerabilidade ao empoderamento. 


-Storytelling jornalismo
Desde técnicas de engajamento da audiência, até o plano multimídia de uma reportagem transmídia. 


-Storytelling educação
Desde a roteirização do programa ao conteúdo, até simulações didáticas como metodologia ativa. Veja um post mais completo sobre o tema.

-Storytelling nas redes sociais
Produtores de conteúdo e Influencer de redes com vídeos como YouTube, Instagram e Tiktok podem 



As dificuldades de se utilizar o Storytelling no Brasil

Não só no Brasil, mas no mundo todo, Storytelling tem um complicador: não é uma substituição, é uma nova camada. Isso quer dizer que a empresa tem que fazer tudo o que sempre fez para poder depois chegar na história. 



Por exemplo, se uma empresa quiser deixar uma reunião mais dinâmica e ao invés de slides apresentar a mensagem em forma teatral, ela não tem como deixar de organizar os dados, tal qual fosse apresentar os slides. Depois disso, tem todo um processo de dramatização que demanda tempo e energia. Poucas empresas têm recursos adicionais para isso.
Não por acaso, grande parte dos projetos começaram pequenos e aos poucos foram crescendo.


A principal dica para quem quer investir no Storytelling para seu negócio

A palavra é justamente essa, investir. É fácil considerar que um novo forno seja um investimento, já que é um bem durável. Mas depois de instalado, o forno deprecia até um ponto que precisa ser trocado. 


Com comunicação é a mesma coisa. É preciso 'instalar' a arquitetura, a comunicação, as histórias... que precisarão ser atualizadas depois de algum tempo. Se o forno é fundamental para produzir o pão, a comunicação é indispensável para atrair a clientela. 


Storytelling pode ser feito em um anúncio de 30 segundos, mas também pode ser feito num filme de 90 minutos ou mesmo num seriado de 7 temporadas. Mas todos eles começa com a sensanção de que algo importante - uma notícia, uma ideia, uma proposta, um anúncio oficial, um novo produto, uma carreira e até uma vida -  precisa ser bem contado.


Quando precisar de uma história certeira, conte com os Storytellers.

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