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STORYTELLING E OVOS DE PÁSCOA

Hoje é domingo de påscoa e como eu não posso oferecer chocolate para os leitores storytellers desse blog, decidi postar uma pequena seleção de easter eggs interessantes. Mas antes de qualquer coisa, o que é um "easter egg" mesmo?

Easter Ă© aquele detalhe escondido em um narrativa, seja ela game, video, livro ou revista que o diretor ou o roteirista colocam lĂĄ sĂł pros fĂŁs enlouquecerem procurando essas pequenas coisas e depois se vangloriando aos amigos por terem sido os Ășnicos a encontrĂĄ-las.

Vamos começar essa seleção com um recente easter egg de um experiente storyteller famoso por, de alguma maneira, conectar a maior parte das suas histórias através desses easter eggs.


O mestre Tarantino deixou muita gente curiosa com o seu segredinho em Django Livre, alguns fãs chegaram a acreditar que não tinha nenhum elemento ligando a história aos filmes anteriores, mas essa semana ele admitiu que o segredo estava lå, mas bem escondido em um personagem "pequeno" como ele mesmo diz. Captain Koon é um personagem interpretado por Chritopher Walken no filme Pulp Fiction e aparece modestamente em um dos papéis de procurados dos nossos queridos caçadores de recompensa em Django.

O prĂłximo easter egg Ă© famoso, mas curioso e tambĂ©m vem de alguĂ©m que nĂłs estamos mais do que acostumados. A pixar revelou um easter egg no filme Up atravĂ©s da convocação judicial do adorĂĄvel velhinho Carl. O nĂșmero do documento Ă©, na verdade, o cĂłdigo postal e San Carlos, California, a cidade da qual Bradford Lewis, produtor de Ratatouille e diretor de Carros 2, costumava ser prefeito.


E para finalizar vamos ao ovo de pĂĄscoa do senhor Dan Brown que guardou alguns de seus mistĂ©rios para os fĂŁs antes mesmo de estourar na mĂ­dia com o CĂłdigo da Vince. Na verdade em seu livro Ponto de Impacto, na contra capa era possĂ­vel encontrar os nĂșmeros  "1-V-116-44-11-89-44-46-L-51-130-19-118-L-32-118-116-130-28-116-32-44-133-U-130." que quando substituĂ­dos (pelo menos Ă© o que dizem) pela primeira letra dos capĂ­tulos correspondentes aos nĂșmeros a sequencia seria algo como "T V C I R H I O L F E N D L A D C E S C A I W U E" que ao ser organizado de uma maneira muito maluca forma a frase "The da Vince Code Will Surface" livremente traduzido "O CĂłdigo Da Vince irĂĄ se revelar". 




Feliz PĂĄscoa Ă  todos!

STORYTELLING: REALIDADE E FICÇÃO

Esse post faz parte de uma série de posts que irão ser publicados por mim aqui no storieswelike durante a semana, o tema da semana é "realidade e ficção".




Essa Ă© a histĂłria do filho de um famoso mĂĄgico, que aprendeu tudo com o pai antes de sua morte. PorĂ©m, ninguĂ©m levava a sĂ©rio uma criança ilusionista e por isso o garoto começou a fazer seus truques dizendo que era mĂĄgica. Sem saber onde estava sua mĂŁe ele partiu, ainda criança, em uma longa viagem pelo paĂ­s em busca da Ășnica famĂ­lia que lhe restava e deixou no caminho uma longa lista de amigos e inimigos, pessoas que o amavam e o odiavam por sua mĂĄgica.

Certa manhĂŁ ele chegou em uma cidade e sĂł sairia de lĂĄ ao entardecer, entĂŁo pegou sua mochila, suas cartas e foi para a praça central. Era assim que ele ganhava dinheiro para comprar comida. Fazendo mĂĄgica em praça pĂșblica. No inĂ­cio ninguĂ©m parou pra assistir, atĂ© uma criança, um garoto mais jovem do que ele, sentou no chĂŁo, do outro lado da rua e ficou admirado pelos truques de um ilusionista tĂŁo novo.

O dia passou e o jovem jĂĄ estava cansado de suas prĂłprias brincadeiras, o chapĂ©u no chĂŁo jĂĄ devia ter dinheiro o suficiente para uma refeição e se nĂŁo partisse logo, ele perderia sua carona. EntĂŁo deu o show por encerrado e agradeceu a bondade de todos. Esperou que estivesse sozinho e começou a arrumar suas coisas, ao abaixar  para pegar sua mochila deixou cair uma carta da manga de sua jaqueta. Assustado recolheu a carta do chĂŁo e percebeu que do outro lado da rua, estava o menino que havia passado a tarde inteira sentado, assistindo sua apresentação. O olhar triste do garoto o emocionou, ele foi atĂ© lĂĄ e perguntou o que estava o deixando triste, qual era o problema.

- O problema Ă© que vocĂȘ nĂŁo faz mĂĄgica, apenas truques... - disse a criança muito triste.

- Claro! Ninguém faz mågica amiguinho, mågica não existe... - disse ele ao perceber que o menino vira a carta cair de sua manga.

- Eu sei que nĂŁo... mas, enquanto vocĂȘ se apresentava parecia mĂĄgica, era bonito, agora que eu sei como vocĂȘ faz, me sinto enganado.

Confuso pelo que estava acontecendo o garoto foi embora, não entendia como alguém podia gostar de ser enganado, nem como a verdade podia deixar alguém tão triste. Aquilo não fazia sentido para ele. Jå na estrada novamente ele contou ao seu companheiro de viagens o que tinha acontecido e o senhor, de voz calma e com a face sorridente lhe respondeu. "Meu jovem, ninguém gosta de ser enganado, mas todos gostam de acreditar em mågica."

Foi ai que ele percebeu que o seu desafio nĂŁo era fazer truques e sim, fazĂȘ-los de maneira que nĂŁo enganasse ninguĂ©m, sem dizer se era mĂĄgica ou nĂŁo, sua função era apenas deixar que as pessoas sonhassem com o que preferissem sonhar. É como um escritor, ou um contador de histĂłrias, que busca mais honestidade do que realidade.

JOGOS MENTAIS




Junior aprendeu os truques com o avĂŽ. Na mesa todos assistem seus movimentos com a maior atenção que podem providenciar por entre as luzes e sons das mĂĄquinas do cassino. A linha entre a verdade e a mentira Ă© tĂȘnue e todos dividem o interesse em descobrir a verdade. Os olhares rĂĄpidos e atenciosos do rapaz, que aprendeu a lidar com as cartas antes mesmo de se formar no colegial, fazem parte de seu show. Tudo Ă© ensaiado desde a pequena dança com os dedos atĂ© o discurso leve e engraçado. Muitos outros jĂĄ haviam sido enganados por blefes e brincadeiras como aquela. NĂŁo era a primeira vez que ele fazia aquilo. Na verdade, ele era um especialista. Com as cartas escondidas entre as mangas, bolsos e qualquer outro lugar propĂ­cio, Junior ganhava a vida. NĂŁo Ă© um jogo, muito menos uma brincadeira, o que o jovem rapaz faz Ă© uma arte.

A moça de vermelho o olha com ar de desconfiada, como quem assiste a um charlatĂŁo dando seu golpe. O homem de terno italiano nĂŁo consegue esconder a surpresa em seus olhos e entre uma dose e outra desvia o olhar para a saia da garçonete. Tudo ali parece proposital, planejado para que o golpe dĂȘ certo. Inclusive a saia da garçonete. É um mundo de fantasia onde todos perdem a noção do que Ă© real. As leis da fĂ­sica parecem desaparecer. NĂŁo saber se Ă© dia ou noite causa confusĂŁo na cabeça das pessoas e em algum momento elas acabam por se perder em um tempo prĂłprio. A senhora de vestido florido dĂĄ gargalhadas ao perceber o que tinha acontecido. Parecia atĂ©, que ela nĂŁo estava presente durante todo o processo.

No fim das contas, Junior responde aos aplausos do pĂșblico com um aceno sorridente enquanto cartas voam pelos ares e o melhor mĂĄgico do mundo desaparece por detrĂĄs das cortinas.

Ser um storyteller Ă© como ser um mĂĄgico, mostrar para o atento apenas o que Ă© interessante, pulando as partes chatas da vida e deixando no ar o delicioso sabor de “quero mais”.