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How i met your cliffhanger



A gente já falou aqui na redação sobre a série How I Met Your Motrher, eu particularmente havia deixado passar essa série por um bom tempo, até que a equação "Feriado + Netflix" resultou em 2 temporadas completas...

Mas por que essa série nos prende tanto? Por quê? Ok confesso que alguns dos personagens são, digo: Legendários! Todavia existe um artifício de roteiro bastante utilizado ali e que sustentou todas as temporadas, o cliffhanger. - pendurar em um desfiladeiro, em tradução livre. 


Alfred Hitchcock explorava este elemento até a tensão ser insuportável, e HIMYM (como os fãs chamam a série) consegue misturar essa tensão, quem é a tão mãe, com um enredo repleto de humor e aventuras amorosas de Ted.  Se você quer conhecer mais sobre este recurso, fique ligado pois semana que vem no blog teremos um artigo especial sobre cliffhanger!


Narcos, a visão de um Brasileiro que mora na Colômbia



O review abaixo foi originalmente postado por Leon Malatesta em seu perfil do Facebook - se quiser ter algum artigo publicado pela nossa redação, entre em contato aqui.

Atendendo a pedidos de alguns amigos, vamos finalmente falar de Narcos, a serie do Netflix que deu muito o que falar, ou não… sob um ponto de vista um pouco mais amplo, já que ao viver na Colômbia ganho algumas percepções - talvez um pouco mais autênticas que a maioria dos expectadores.

Vale entender primeiramente que a serie aqui não tem o mesmo impacto que no resto do mundo, por algumas razões não tão obvias, mas importantes de serem descritas: 9 de cada 10 conteúdos produzidos na Colômbia, tem como temática direta ou indireta a cultura narco, o que transforma a serie aqui, em apenas mais uma entre centenas.





Isso não impediu o Netflix de fazer sua divulgação local e confesso que o impacto dos pontos de ônibus multimídia passando micro-trailers da serie, causaram em mim um impacto muito interessante, não somente pela qualidade, mas porque era demasiadamente louco ver um dos maiores algozes do país estampado e em movimento em telas de alta resolução por toda capital.

Seguramente, se ainda estivesse vivo, Pablo Escobar estaria sorrindo de ego inflado e ao mesmo tempo absolutamente puto com a escolha do ator que faz seu papel, o que seguramente colocaria Wagner Moura em sua lista negra, correndo risco de vida. (vou explicar melhor mais a frente…)
Pra falar da escolha do ator, primeiro temos que nos perguntar para que mercado a serie foi produzida, e claramente não foi para o mercado Colombiano.





Sendo bastante genérico, podemos dizer que Narcos é um produto para o mercado internacional, com maior foco para o americano, onde tirando os latinos, a ignorância impera e se o espanhol do Wagner é bom ou não, não importa em absolutamente nada, pois todos fizeram uso da legenda. Quanto ao Brasil, que sim, tem um numero expressivo de assinantes do canal, sejamos bastante sinceros…que bando de desocupados, fazendo critica vazia. 90% dos brasileiros que acredita falar espanhol, falam um portunhol mal e porcamente compreensivo, o que automaticamente desqualifica completamente seu ponto de vista, e os outros 10%, te asseguro não criticaram a qualidade do espanhol do ator, porque simplesmente não podem.

Wagner Moura, faz um excelente trabalho, cria um personagem absolutamente cheio de layers, complexo, contraditório e ao mesmo tempo poderoso e gerador de empatia, seu espanhol é perfeito, porém, não alcança dois aspectos muito importantes que quase nunca estiveram descritos nas criticas mal realizadas pelos desocupados de plantão. É perfeito demais, é a prova de uma entrega absoluta do ator em tentar reproduzir com destreza a língua, mas que peca, por um tempo demasiadamente preciso, uma pronuncia cheia de um redondo fonoaudiólogo - totalmente esperado para alguém que foi apresentado a língua a menos de um ano, mas que nem por isso, é merecedor de critica, ao contrario, o feito impressiona pelo tão pouco tempo e dentro de uma situação de stress e cobrança absolutos. Outro ponto se dá pelo regionalismo da fala. Aqui na Colombia isso é assunto muito serio, sua região de nascimento é tudo, é a sua identidade primordial, é o algo que determinará como você é e se comportará socialmente e assim como no Brasil, o sotaque é o primeiro apontador dessa sua herança.

Não preciso dizer que é impossível para um não Colombiano reproduzir as sutilezas de pronuncia que eu estou tentando descrever tecnicamente. Não dá pro Wagner, não da pra mim e muitas vezes nem pro colombiano que não é paisa, que não nasceu naquela região e acreditem, não é só de sotaque que eu estou falando, vai além e esse texto não acabaria nunca tentando explicar.


Claro que a partir daí, todos os colombianos que assistem a serie, caem de pau…até gostam, mas com razão criticam a escolha do ator…Quem aqui se lembra do Julio Iglesias tentando cantar em português com o Roberto Carlos? No fundo é a mesma coisa, ainda que o Wagner seja bem melhor…Por isso, não seja babaca e considere pra quem a serie foi feita antes de sair falando.



Sobre o conteúdo. Falar que existem imprecisões históricas é chover no molhado, incluso logo na abertura existe uma ressalva bem clara de que o objetivo não é fazer um documento histórico…lembra? Entretenimento! Mesmo assim a serie merece muitos elogios, porque resume muito bem um período bastante controverso da historia recente do país e para quem não tinha nenhum conhecimento real do assunto é um bom introdutório, coloca o expectador em uma perspectiva bem mais clara dos fatos…a grande maioria das pessoas só sabia dizer que Pablo Escobar foi o maior traficante de todos os tempos e depois da serie consegue ver que o buraco é um pouco mais em baixo, uns sete palmos pra ser preciso…Pablo, foi ainda pior do que a serie é capaz de expor na sua obrigação comercial, um assassino inescrupuloso, audaz e absolutamente malévolo, um Carlos Chacal da causa própria, um fenômeno permissivo e pernicioso, fruto de uma sociedade igualmente cheia de contradições, que historicamente carrega todos os atributos e ingredientes necessários para sua existência.

Não por menos e de forma genialmente provocativa a serie começa traçando um paralelo com o realismo magico e estabelece uma relação de causa e efeito patente no trabalho de Padilha, que faz isso com maestria num formato narrativo já consagrado e dinâmico, mostrando dois lados de uma moeda muito mais suja e pesada do que se imagina.


Ah! Pros esquerdistas chiitas de plantão, dizer que este diretor distorceu os fatos defendendo Pinochet eu digo…Puta como vocês são chatos.
Se você não assistiu, assista, vale a pena, a serie esta muito bem feita, não só pela direção geral, mas pela impressão dada por cada diretor de cena e de fotografia, pelo roteiro envolvente e muito rápido e uma produção impecável que consegue fugir de muitos dos estereótipos recorrentes do universo retratado.
Pra quem já assistiu, não perca a segunda temporada que com certeza será ainda melhor e mais dramática, com a entrada dos PEPES( Perseguidos por Pablo Escobar) no contexto, colocando ainda mais loucura e contradição, numa história que apesar de parecer novela, realmente aconteceu.

O humor profundamente dramático de BoJack Horseman



Muitas vezes nos deparamos com ideias e plots que parecem "mais do mesmo".  Quando estamos escrevendo sob encomenda isso é bem frequente, aliás.  Nessas horas surge o conflito de como se diferenciar em meio a tantos enredos similares.

Claro, o primeiro elemento para dar personalidade a um enredo são os seus personagens.  Assim como as pessoas que conhecemos, eles podem se parecer muito quando observamos a camada mais superficial, porém quando adentramos seu íntimo descobrimos um oceano de particularidades (ou pelo menos devemos encontrar isso, se o personagem for bem escrito).

BoJack Horseman é um ótimo exemplo desse tipo de personagem.  Ele é uma estrela de seriados da década de 90, que vive uma vida decadente e totalmente displicente.  Tem tudo para parecer com Charlie de Two and Half Man, inclusive pelo trauma com sua mãe que sempre o tratou de forma horrível.  As feridas abertas em sua personalidade assolam a vida de BoJack e atrapalham todo tipo de relacionamento que ele cria, seja como amizade ou mesmo um romance.


Ai entra outro ponto alto dessa produção da Netflix: o tom.  Tinha tudo para ser bobo, ou uma comédia que abusa da suspensão da realidade (já que o seu mundo é habitado por humanos e animais antropomorfos que se relacionam de todas as formas). Mas as cenas dramáticas chegam a ser extremamente afinadas e até criam uma comoção.  Imaginem, um homem cavalo embriagado discutindo a relação com sua ex-namorada humana que vive casada com um cachorro, o contagonista da história.  Sim e funciona de maneira elegante e divertida,  Bojack Horseman é um seriado que vale a pena se envolver.



Sinopse: O mais cômico e famoso cavalo da TV dos anos 90 está de volta... 20 anos mais tarde. BoJack Horseman, sucesso da popular sitcom "Horsin' Around," hoje é um artista em decadência que mora em Hollywood, reclama de tudo e gosta de suéteres coloridos. Estrelando Will Arnett, Amy Sedaris, Alison Brie e Aaron Paul.



Pontos críticos na Transmidia de Defiance



Defiance é um seriado de ficção científica produzido originalmente pelo canal SyFy que estreou recentemente causando uma enxurrada de notícias em sites de entretenimento e de comunicação. Isso porque os produtores ousaram em criar um dos primeiros produtos de transmidia nativa dos últimos anos.
Transmídia nativa é aquela aonde a expansão do storytelling, através de múltiplas plataformas de mídias é planejada  previamente. 
 Para a indústria do entretenimento, uma narrativa expandida é o melhor que eles podem conseguir. Falar com seu público por vários anos e de várias formas.  Então é muito natural que iniciativas como esta comecem a aparecer em larga escala... aliás a Comcast, que é a maior companhia de TV a cabo, pretende investir além de Defiance 1 Bilhão de Dólares em 6 seriados de com Transmidia Storytelling nativa.  Só Defiance levou 5 anos de planejamento  e 100 milhões de Dólares apenas na fase de desenvolvimento das estratégias. Isso será um prato cheio para que muitas pessoas comecem a olhar para esses assuntos com maior frequência.

O enredo do seriado se passa em torno de uma guerra que se originou com a chegada de várias raças alienígenas que são conhecidas (todas) pelo nome de Votans.  Mesmo com toda sua tecnologia de Terraformação capaz de transformar a biodiversidade da Terra e alterar completamente a geografia do planeta eles, ao buscarem refúgio, não conseguiram perceber que já existia uma raça habitando por aqui. -outh!


Neste cenário, surge um ex-militar humano, Nolan, que caça as naves destruídas que ainda caem do espaço com sua filha adotiva, a votan Irisa. Até que eles se deparam com uma cidade construída sobre a antiga St. Louis. Ela é um tipo de colônia aonde as raças aliens e humanos podem viver em relativa paz. Os conflitos, previsivelmente fazem com que Nolan se torne o guardião do lugar, atualmente é chamado Defiance.

O ponto alto deste projeto é, como anunciado em vários lugares, ter nascido com um MMO (Massive Multiplayer Online) - um jogo online com servidores que suportam milhares de players ao mesmo tempo. A ideia é, que as decisões massivas dentro do game influenciem no desenvolvimento da série.  E existe uma coisa bem interessante que integra o projeto: Algumas keys que liberam equipamentos especiais para os jogadores são espalhadas por emails, social media e (espero) contidas nos episódios transmitidos pelo SyFy.


Mas então se tudo isso está sendo desenvolvido e com tanto investimento em transmídia storytelling o que pode dar errado? 

Pois é, o que poderia? Mas uma busca rápida no Google vai ajudar a perceber uma coisa que em 5 anos os produtores deixaram de lado. Eu acompanhei desde o início as notícias sobre Defiance e desde sempre o motivo principal por ele ter tanto destaque foi a transmídia e não a história.  O esforço na forma foi extravagante, mas no conteúdo nem tanto. Quando assisti o piloto senti como se estivesse mastigando uma embalagem bonita, porém vazia.
Esse é um caminho perigoso para quem pretende produzir transmidia storytelling.  A história sempre deve ser o principal, se ela for realmente boa, naturalmente transbordará para outros meios. 
Até o sexto episódio muita gente tem reclamado que a trama está lenta, não desenvolve e não é suficientemente interessante para engajar. Eu sou fã de ficção e realmente já vi coisas muito melhores.




E o Game... vai? 

Olha, a indústria de MMOs vem sofrendo com um grande dilema, qual modelo de rentabilização adotar. Free to play ou Pay to Play? Alguns grandes projetos como Star Wars Old Republic sofreram terríveis baixas após o período de teste em que começaram a pagar. Por fim tiveram que alterar suas estratégias e começarem a trabalhar com DLC (pacotes para download) pagos, que ofereciam conteúdo exclusivo e assim ganhar grana no servidor gratuito.

Então quando entro no site para tentar acompanhar Defiance também pelo jogo, não existe nem uma versão de teste. Nada do tipo jogue a primeira fase de introdução ao mundo de Defiance. Está tudo pago, assim como Ebooks e HQs, os produtores da série não estão esperando o engajamento, estão investindo agressivamente na rentabilização.  Não estou dizendo que ninguém vai entrar acompanhar a transmídia por esses meios, mas convenhamos que irá reduzir bruscamente as possibilidades de novas pessoas entrando no seu universo.  Eu mesmo não pagarei por algo que não "senti firmeza" com o seriado.
O fato do game ser TPS ( Third-person shooter ou jogo de tiro em primeira pessoa) não ajuda muito na hora de convergir o roteiro da Série.  Mesmo no piloto, se você é um jogador mais experiente, pode ter a sensação de que a maioria das cenas de conflito são como introdução as fases de um jogo de tiro:  "O cara para na floresta apenas com uma arma e alguns monstros super velozes correndo por trás das árvores... Start!"



Eu até me arrisco em dizer que o problema da lentidão no ritmo da trama é porque a todo momento eles tentam usar a série para apresentar ou explicar algo importante da mecânica do jogo.  Porém a imersão que acontece em um jogo de tiro,  na maioria dos casos não é totalmente baseada na narrativa, o que força a série a deixar de lado alguns pontos que podem ser importantes para aprofundar o storytelling, para aprofundar em outra coisa derivada do game.  O que estou dizendo é que tentaram chegar em um meio termo nos roteiros Game/TV para fazer com que as duas coisas andassem juntas e isso pode ter limitado muito alguns pontos da narrativa.

Já no piloto mesmo uma das sete raças tenta invadir a cidade, que perdeu seu campo de força (e nunca pensou em ter um sistema de segurança em caso de emergência) e então todos os moradores, praticamente todos, se armam para enfrenta-los. Aquilo não foi crível, em um MMO você está se ferrando pros NPCs ao teu lado, não se importa com quem eles sejam, mas em uma série todos eles tem nomes, vidas e isso não explicaria a maestria em acertar todos os tiros.

A verdade é que agora os esforços em torno da série, correm na direção de justificar tudo o que foi feito. Talvez seja possível dar um jeito em tudo, já confirmaram uma segunda temporada na TV e vão querer fazer dinheiro e dizer, isso aconteceu, alcançamos um número nunca alcançado. Se vão chegar lá,  isso é outra história.


J.J. ABRAMS, E SE A LUZ ACABAR?

O J.J. Abrams é o rei do "e se..." e se você não se lembra de quem ele é vamos passar por algumas de suas ideias para refrescar a memória.



E se um avião caísse em uma ilha desconhecida pela humanidade e todos ficassem presos por lá? E se essa ilha fosse dominada por um empresa/instituição super-secreta? Mas, e se a ilha tivesse vida? Ou se houvessem dinossauros? Ou se eles acreditassem que era um dinossauro mas não era? 

A quantidade de "e se..." que podemos encontrar no roteiro de Lost é enorme, um adicionado ao outro formando uma trama de linhas bem costuradas e contadas. Uma narrativa forte e bastante polêmica, do jeitinho que o nosso querido Adams adora trabalhar. Bom, já lembramos quem ele é, então vamos ao seu último e mais recente "e se..."? 

Acredito que muitos de vocês tenham visto o superbowl, aquele show de comerciais e habilidades publicitárias interrompido por uns jogadores de futebol americano e um ou outro astro pop. Pois é, no último evento desses as luzes se apagaram no estádio e o evento ganhou um toque de escuridão completa. O que lembrou a equipe de Revolution, a mais recente série de J.J. Abrams sobre "e se o mundo ficasse sem energia elétrica" de que o evento de maior audiência mundial seria uma boa ideia para promover a série. Mas o evento era exibido pela CBS e a série é da NBC, #comofaz? 

Eles foram rápidos no gatilho, se aproveitaram do "e se..." tão bem dominado pelo J.J. Abrams e usaram o twítter para dizer "isso é só um gostinho do que está por vir em 25 de março" (data da estréia da segunda temporada da série) e para trazer um pouco da série ao mundo real, publicando esta imagem: 
Como quem diz "e se isso funcionasse no mundo real também?"


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Micro Histórias

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Depois do cão, o melhor amigo do Homem contemporâneo é a caixa com a temporada completa de uma série televisiva. Qual? Qualquer uma, e não é só porque a maioria seja muitíssimo bem escrita e produzida, prendendo a atenção do espectador. Isso obviamente acontece, mas há outro fator associado ao fenômeno: tempo.

Por mais ocupadas que estejam, as pessoas sempre arranjam tempo para ler um livro, ir ao cinema ou acompanhar a novela. A relação das pessoas com as histórias é algo que trascende o trabalho, as multinacionais, o neoliberalismo ou até mesmo a bolha imobiliária na economia americana. Não é exagerado dizer que as pessoas precisam de histórias como precisam de oxigênio. Mas se der para encurtá-las um pouco, melhor.


Nunca vi uma pesquisa nesse sentido, mas creio que o caso não seja a diminuição do tempo total que as pessoas dedicam às histórias, até mesmo porque há um mínimo vital de oxigênio que é preciso respirar para continuar vivendo. Mas o ponto é que a vida moderna nos força a fragmentar cada vez mais esse tempo.

Se você crê no apocalipse, peço muita calma nessa hora. O cinema NÃO VAI acabar, nem nas salas e muito menos no seu home theater. Mas que o tempo de duração dos episódios de seriados, variando entre 20 e 40 minutos, cabem como uma luva na vida da maioria das pessoas, ah, isso é um fato inegável.

A vantagem é que os seriados cabem nas janelas onde os filmes de 2 horas não se encaixam, ali entre o jantar e a necessidade de terminar aquela apresentação para a reunião do dia seguinte. Na soma o fã de seriado acaba investindo tanto ou mais tempo do que o fã de cinema, só que de forma mais fragmentada.

É interessante notar como essa necessidade de se criar histórias que se encaixem melhor no tempo das pessoas, que estão no trânsito, no metrô ou entre um compromisso e outro, começa a transformar outras mídias. Isso foi um dos temas da FLIP desse ano (comentado aqui).

O escritor Samir Mesquita, por exemplo, fez um livro de micro contos do tamanho de uma caixa de fósforo. Na verdade o livro é uma caixa de fósforos! Veja entrevista com o autor nesse post. Já no campo da internet são cada vez mais comuns os concurso de micro contos, como o 140 (número máximo permitido de caracteres) , pelo Twitter, que inclusive teve participação de 2 Storytellers.


Mas, em termos de encurtar histórias, os seriados americanos estão anos luz de à frente de qualquer outro formato, e com eles há uma lição importante a ser aprendida. Apesar de todas essas mudanças, comparativamente, o espectador do seriado se insere de forma muito mais profunda no universo ficcional da história. Esse pelo menos é o caso dos que têm continuidade entre um episódio em outro (e geralmente um fim), como Lost. Se cada episódio tem no máximo 40 minutos, multiplique isso por todas as temporadas... As histórias ficando mais curtas, e o universo ficando mais extenso.