Gotham e a expansão dos estereótipos para personagens extremamente cativantes




Algumas pessoas talvez lembrem ou já tenham buscado na web a primeira aparição de Batman, foi em uma revista a Detective Comics (origem do nome DC) em 1939.  O que tínhamos naquele momento eram histórias cheias de maniqueísmo com aquela cena clássica de polícia correndo atrás de ladrões.

O morcegão surgiu em uma cidade dominada por Gangsters e estes só podiam ser dos mais clichês possíveis. Maus, burros e sempre se ferravam, beiravam ser patéticos.  Este estereótipo de gangster só foi quebrado na cultura pop no começo da década de 70 com o clássico poderoso chefão.

Tecnicamente falando, os vilões das HQs antigamente (e as vezes os heróis também) só dispunham de uma única dimensão, que era estereotipada.  Imaginem um cara que se chama Edward Nigma, ser o alter ego de um vilão que usa roupas verdes com pontos de interrogação no meio e se denomina o "Charada".  Ou, um palhaço que usa a alcunha de Coringa, pois é... bem clichê.




Mas a gente aprende que clichês também dão certo e estes funcionaram ao longo dos anos de existência do Homem Morcego até chegarmos na produção televisiva recente, Gotham.  A série já começa com um trunfo, ela conta a história de James Gordon ou como o conhecemos, o cara comum, comissário Gordon e sua empreitada no meio desse bando mafioso.  O tom da produção é o mesmo definido por Nolan para a trilogia de filmes do Batman que foi aclamada pelos fãs, porém sem fazer conexões com aquele universo.

Quando encontramos alguns desses nomes famosos em sua origem, na infância do menino Wayne percebemos que eles extravasaram seus estereótipos (e muito) se tornando personalidades densas, extremamente envolventes e com motivações fortes.

Se você não assistiu a série, vai encontrar spoilers abaixo!

Nigma é um cientista forense, um cara que vive no conflito de trabalhar com a delegacia mais corrupta do mundo e ainda mantém uma paixonite por aquela mulher que possivelmente vai se tornar a Arlequina.  Ele é um desengonçado social, as vezes tido como cara estranho e é possível notar que vai nutrindo uma crescente impaciência quando alguém o chama assim. 


A saga de  Selina  é uma das mais envolventes, a garotinha de rua que prefere ser chamada de Cat (gata) se torna a femme fatale mais famosa dos quadrinhos. O figurino não esconde isso, aliás é outro ponto alto da série.  O que nos intriga dessa personagem é ir desvendando os seus conflitos internos e ir conhecendo a dura realidade dos becos de Gotham, aonde crianças morrem e somem a troco de nada. Apenas para satisfazer necessidades sórdidas dos mafiosos e por vezes dos políticos e policiais corruptos.

"Nas ruas de Gotham só sobrevivem as pessoas que são cruéis" - isso resume um dos diálogos que Selina teve com Bruce em um dos episódios,  mostra uma maneira dela se envolver na crueldade para se proteger e também proteger aquelas pessoas que importam.




Deixei para comentar meu favorito no final do post. O pinguim, ah o pinguim.  Este aspirante a rei do crime com uma habilidade anormal: capacidade de atrair e suportar surras. Parece até masoquista, mas ele é um gênio.  Um cara que se apresenta "com a capacidade de se infiltrar e se tornar um delator".  Ele passa pelas três casas mais importantes da máfia de Gotham, Fish Mooney, Maroni e Falcone. Anda como um rato juntando restos de influência entre o chão sujo da lama do crime e da guerra que eles travam por poder.  Aliás, a ânsia de poder de Oswald "Pinguim" Cobblepot nem sempre pode ser contida, o que leva ele a conseguir boas surras de seus chefes.

"Você é um macaco talentoso, mas ainda é um macaco... e eu sou o tratador".  A cara de Pinguim ouvindo isso é reveladora,  assim como sua promessa de ser alguém naquela cidade.

A série ainda tem vários outros personagens envolventes.  Nesse momento você se pergunta aonde estão os estereótipos que os nomes sugerem. Eles ainda estão lá, pois são a essência desses personagens, mas claro foram cobertos por camadas e mais camadas de conflitos e personalidade. A interpretação dos atores também dá uma cor a mais para cada um deles, gosto da maioria.  Vale a pena se envolver com esta série e aguardar a sua continuação, o melhor é que seu universo conversa com o do Arrow e Flash, mas vamos falar disso em um outro post quando estiver mais próximo do crossover.

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