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Não importa. Você pode preferir um filme sobre dois adolescentes com câncer, uma trilogia sobre uma menina arqueira do futuro, ou até uma trama conceitual sobre amor e sistemas operacionais. Mas isso não muda o fato de que alguns dos grandes monstros de bilheteria são literalmente monstros. Um gorila alpinista, um tubarão psicótico, ou um lagarto antissocial são alguns exemplos desses grandes. Os dinossauros são ainda mais assustadores, pois parecem ter conquistado o fascínio de quase todas as crianças do mundo (e alguns adultos também) e, mesmo extintos, estão lá, devorando pessoas e mercados de entretenimento desde o auge dos anos 90. Talvez tenham perdido sua imponência desde então, mas parecem lutar ferozmente pelo seu espaço (que não é pequeno).

Dinossauros, robôs e galáxias

Em junho de 2015, os monstros de Jurassic Park voltarão às grandes telas com um quarto filme, quebrando o hiato de quase 14 anos desde o último lançamento. Mas não são só eles. Guerra nas Estrelas e O Exterminador do Futuro também pretendem chegar com suas sequências e marcar mais passos em trilogias que se estendem desde 1977 e 1984, respectivamente.

Mas por quê? Por quê essas histórias insistem em voltar? Melhor, por quê as pessoas ainda gostam de dinossauros, robôs e galáxias? Não precisamos ser gênios do Storytelling para perceber um padrão nessas narrativas. Por exemplo, as de dinossauro. Tem sangue. Tem gritos. Tem mortes. Tem T-rex. A trama em si não importa muito, enquanto houver esses elementos. Então porque ainda sobrevivem, em um mundo onde a guerra por atenção aniquila centenas de tramas não tão interessantes?

Calma. Não vamos nos desesperar. O que acontece é que, na verdade, nesses casos, as tramas importam sim, mas de uma outra forma. Para entrar no mundo aterrorizante e fascinante dos dinossauros, precisamos de um guia. Esse guia pode imprevisível e cativante, e a viagem será ainda mais emocionante. Esse guia pode ser monótono e antipático, e a viagem vai perder um pouco da graça. Esse é o papel da trama. Mas, em qualquer hipótese, não é a atração principal. A atração principal sempre serão os Tiranossauros, Velociraptores e pterodáctilos.


O universo e a narrativa

Os dinossauros, o sangue e as mortes são elementos do universo de Jurassic Park (assim como os sabres de luz são de Guerra nas Estrelas e robôs exterminadores são de Exterminador do Futuro). Todo universo é criado por uma narrativa, e, mais do que isso, todo universo depende de uma narrativa (os dinossauros só são legais se alguém for perseguido por eles). O que acontece é que, às vezes, alguns universos tornam-se tão poderosos que se distanciam de suas narrativas originais e parecem ganhar vida própria. Assim, as tramas ficam subordinadas aos próprios elementos.

Pode parecer um pouco ingrata essa história de uma narrativa criar um universo que se torna mais importante do que ela própria. Porém, esse é um dos maiores poderes das histórias. Enquanto as narrativas são perecíveis, os universos não, e podem ser fontes infindáveis de novas narrativas: eles as sustentam e as potencializam. Algo semelhante ocorre com as marcas. Algumas contam com tão universos tão bem articulados no imaginário de seus consumidores, que as histórias que contam duram e se reinventam por décadas. O universo é o objetivo maior, e esse é o poder do Storytelling.

Por isso, não é difícil entender porque os dinossauros e seus amigos do século passado sobrevivem até nossos tempos. Eles deixaram de ser simples narrativas e passaram a ter um mundo próprio, alimentado pelo imaginário de inúmeros fãs que desejam embarcar em tours cada vez mais emocionantes por essa ilha de entretenimento. E, agora, não há meteoro que possa destruí-los.



Uma das maiores vantagens de usar storytelling na publicidade é que você dá a oportunidade do consumidor virar fã e depois, é só uma questão de tempo até o fã virar evangelizador. Para quem está conectado o conceito de fan fiction não é novo, mas eu vou explicar:

Fan Fiction é um termo em inglês que dá nome ao ato de criar arte com base em universos ficcionais famosos. Como exemplo disso podemos citar, entre muitos outros, a série animada The Clone Wars que conta novas histórias no universo do conhecidíssimo Star Wars. Outro exemplo recente e famoso de fan fiction é o livro 50 tons de cinza que originalmente surgiu em um fórum norte americano como fan fiction de crepúsculo. 

O poder de engajamento de uma história leva a inspiração e a inspiração leva a novas histórias. Não é uma lógica difícil. Mas o que é que marketing político tem com tudo isso? 

Nos estados unidos, durante o período eleitoral, é comum encontrar os "attack ads", ou seja, uma propaganda eleitoral que ao invés de dizer os motivos pelos quais devemos votar no Sr. Y ou X, ressalta de maneira sensacionalista, por assim dizer, os motivos pelos quais NÃO devemos votar no Sr. Z ou V. 

Durante a última eleição norte americana a revista Mother Jones, especializada em conteúdo político decidiu misturar fan fiction e attack ads como formo de protesto, ou não, aos ataques públicos entre os candidatos. Para isso eles criaram uma série de vídeos baseados no universo, de R. R. Martin, "A Guerra dos Tronos" e o resultado foi esse ai, olha só: 







Para ver os outros vídeos da série de Attack Ads criada pela Mother Jones entrem no site http://www.motherjones.com/politics/2012/06/game-of-thrones-attack-ads.



Duas empresas que conhecem o poder do storytelling e o usam como ninguém acabam se unir. Como todos já devem saber a Disney comprou a LucasFilms e o mundo entrou em frenesi por causa do acontecido. Princesas dos contos de fada que inspiram os sonhos de meninas (e meninos) no mundo inteiro agora fazem parte do mesmo universo de Darth Vader e Indiana Jones, a internet borbulhou de imagens antigas de desenhos em que as duas marcas apareciam juntas através de seus personagens mais representativos. Algumas teorias malucas sobre autores de desenho animado que "previram" o acontecimento nasceram e a vida de muitos e muitos fans, de um ou de outro, virou ao contrário. O mundo das histórias virou uma loucura nos últimos dias.

Ninguém melhor do que a Disney e a LucasFilms para provar ao mundo o poder de uma boa história. Gerações e gerações de fãs evangelizam seus filhos e amigos com base nas histórias contadas a partir das produções de ambas as empresas, quantas não foram as propagandas veiculadas que fazem referência direta ou indireta aos filmes e desenhos animados mais famosos do mundo. Ainda não podemos dizer ao certo qual será o futuro desse acontecimento, mas podemos sem sombra de dúvidas esperar novas histórias, e novos capítulos de velhas histórias já que a primeira promessa da Disney é lançar um novo episódio da franquia de filmes mais cara e mais assistida do mundo, Star Wars está de volta e milhões de roteiristas devem estar com as mãos coçando para conseguir assinar o roteiro e ver o seu nome nas telas de cinema ao som da trilha sonora icônica dos créditos de Star Wars. 

 Mas hoje eu não quero falar de trabalho, roteiro ou do impacto disso no mundo do storytelling, escrevi este post apenas para deixar a nossa homenagem ao grande acontecimento da semana e para mostrar a força das histórias deixo aqui dois vídeos e uma mensagem: Magic Happens when the Story is with you!