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Você acaba de conhecer alguém. Quem quer que seja. Num elevador, um potencial network. No trabalho, um novo colega. Até mesmo na internet, um interesse romântico. A próxima etapa é sempre a mesma: se apresentar. Esse momento te empolga, te entedia ou te apavora?

Cada reação dessas tem uma razão de ser. Já passei por todas elas. Pra mim o mais o cenário mais comum sempre foi ao conhecer pessoas em viagens. Já me peguei entediado ao responder pela quinquagésima vez perguntas como "de onde é?" ou "para onde vai?" até que tive uma sacada.

Antes disso, o que me apavorava era conhecer a família de algum novo romance. Não sabia nem por onde começar a falar de mim… já devia falar da visão política? Talvez ir pra um campo neutro e falar de trabalho, mas correndo o risco de descambar pra uma conversa chata. Até que descobri o ponto certo.

Graças a duas viradas de chave, hoje em dia fico empolgado com toda e qualquer situação em que eu tenha que falar de mim. Explico:

Quando alguém te conhece é como se acabasse de chegar a uma casa sem eletricidade em plena madrugada. Escuridão total. Quando você se apresenta, é como se acendesse uma vela. A pessoa passa a ter uma ideia do que tem ali. Nem mais, nem menos. Com o tempo essa vela se apaga e a pessoa mal se lembra da gente. Isso vale pra carne e osso ou dígitos. 

O erro que a maior parte das pessoas comete é acender uma mesma vela pra todas as pessoas que encontra. Contar a mesma história, do mesmo jeito, pra qualquer pessoa, nunca vai ser bom. Pra começo de conversa fica tedioso. Você se cansa da própria história. A dica é tentar contar outras histórias sobre você ou, no mínimo, por outros ângulos. Esse simples exercício vai te levar do tédio à empolgação em menos de três tentativas.

Se quiser ver alguns exemplos disso, clique aqui.


Certa vez ouvi dizer que a maior invenção do ser humano até hoje, ou até a data na qual ouvi dizer, foi o controle remoto. Incerto se concordo ou discordo dessa proposição, faço uso do mesmo controle remoto e pulo direto à cena em que me apresento ao blog: Olá, eu sou Pedro Kastelic e estou oficialmente me apresentando como colaborador do Stories We Like.


O botão “fast forward” nos trouxe até aqui, o momento em que você lê sem muito entender aonde eu quero chegar e eu torço para que você tenha paciência de lê-lo até o fim. Para isso vamos deixar o controle remoto de lado e começar onde tudo começou.
Meus pais eram um tanto bairristas e não quiseram que eu nascesse na pequena e pitoresca Maracaju, no Mato Grosso do Sul. Assim correram contra as luas da gestação rumo à São Paulo, onde eu deveria nascer. Por um triz - quase na divisa - fui nascer em Presidente Prudente. Essa é a história que ouvi por toda a minha infância e que, mal sabiam eles, faria todo sentido quando alguns anos depois, em resposta à clássica pergunta “O que você vai ser quando crescer?”, eu dizia: Presidente!
E da maternidade já saí trajado como um bom fanático que um dia viria ser: de Corinthians da cabeça aos pés. Pra tirar qualquer sombra da dúvida, assim que cheguei em casa já recebia uma bola de futebol, meu primeiro presente. Tiro e queda, anos mais tarde minha resposta à clássica pergunta passou a ser: Jogador de futebol!
Filho único, durante boa parte de minha infância meu maior medo era irônico: ficar sozinho. Desta forma ia “trabalhar” com os pais e minha distração era papel, caneta e tesoura. Não tardou e a resposta aos colegas de trabalho de meu pai ou de minha mãe já era outra: Quero ser artista!
A magia de minhas respostas parou por aí por muitos e muitos anos, até que há pouco tempo encontrei um fim onde toda esta trama se encaixa a formar a primeira parte de minha história. Onde eu posso ser presidente da república, jogador de futebol e artista com apenas algumas páginas escritas, ou tão só um clique em meu controle remoto. E que quando me perguntarem, responderei sem titubear: Quando crescer quero ser um storyteller!