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O processo criativo é individual e muitos autores defendem seu aspecto caótico.  Apesar disso ele pode ser direcionado... inspirado.  Boa parte da inspiração para as cenas que Quentin Tarantino cria em seus filmes , por exemplo, é proveniente das músicas que ouve.  E ele não ouve pouca música, o diretor dispõe de um quarto só para guardar as centenas de CDs e discos de vinil que ele coleciona desde a sua adolescência.

Mas nem todo mundo tem um quarto cheio de referências musicais clássicas de várias épocas.  É aí que um bom serviço de música digital pode ajudar na hora de criar sua história. Neste post vou dar algumas dicas que eu pratico usando o Spotify. 


A biblioteca do Spotify tem músicas para todos os gostos e isso é ótimo quando estamos embarcando em um mundo não habitual: E se quiser escrever cenas de um Pub Europeu que apresenta uma banda celta? Ou se você é autor de terror e quer sentir a "vibe" da cultura sertaneja para um curta metragem?  Pra isso vai a primeira dica:




Crie uma Playlist para cada projeto


Qual é o gênero da sua narrativa? Bem, comece por aí.  No Spotify é possível encontrar dezenas de trilhas sonoras de filmes e games.  Eu vou escutando cada uma, procurando nas músicas a porta para aquele sentimento que tento evocar no texto.  Nem todas cabem, as que dão certo entram para a playlist. 

Por vezes seu projeto vai gerar mais de uma playlist. Já aconteceu de usar determinadas músicas para inspirar minhas cenas de ação e outras para trazer emoção aos diálogos em momentos cruciais.  Abuse disso!  Por que não escolher uma trilha sonora para seu personagem? 


Se você não tiver ideia alguma de onde começar, o spotify tem uma ferramenta poderosa, que dispõe de playlist prontas e ranks de músicas mais ouvidas. 




Sério, a imersão em um mundo diferente, pode ser uma barreira enorme para escritores iniciantes. Você precisa saber aonde esta pisando e aliando imagens com músicas você poderá se transportar para dentro da ação. 

Em um dos meus  novos contos, (ainda não publicado) até a escaleta, tudo parecia estar perfeitamente definido.  Eu sabia que iria começar a cena narrando em terceira pessoa a situação do protagonista - uma forma que escolhi de apresentar seu novo conflito já que ele era conhecido da história passada.  Sentei na frente do notebook com todas minhas anotações, passei um tempo olhando as ilustrações que havia pesquisado sobre o storyworld, coloquei o fone de ouvido, fechei os olhos e fiquei uns minutos absorvendo tudo.  

Minha frequência cardíaca pareceu se acelerar e quando minha retina tocou a luz novamente, o que nasceu do encontro dos meus dedos com o teclado foi uma cena em primeira pessoa, explicando toda a emoção que o personagem sentia naquele momento. 


Quando a sua publicação estiver finalizada vai ser interessante compartilhar com seus leitores a trilha sonora que ajudou a construir sua história.   Mas isso é assunto pra um outro post  este que nosso amigo Tiago Cabral já disponibilizou aqui 


Tem alguma dica para compartilhar? Deixe aqui nos comentários. E para conhecer o spotify acesse spotify.com




As letras das músicas de Renato Russo, mais uma vez, vão sair do formato de versos e estrofes para ir aos roteiros. A composição escolhida dessa vez, dentre as várias com potencial narrativo do cantor, já é figurinha repetida quando o assunto é storytelling: Eduardo e Mônica.
A música que, pouco tempo atrás, foi tema de uma comovente campanha homônima para a Vivo, agora quer ser transformada em minissérie por Giuliano Manfrendini, filho de Renato. Além dessa, vale lembrar, recentemente o épico “Faroeste Caboclo” virou tema de longa metragem.
Seja através de um clipe, um filme ou uma minissérie, uma rápida busca pelos maiores hits de Renato e da Legião Urbana expõe uma série de músicas que, sem dúvida, dariam ótimas histórias além das que já são contadas no formato MP3. Só em minha pesquisa pelo CD “Mais do Mesmo”, de cara percebi em músicas como “Ainda é cedo”, “Pais e Filhos” e “Dezesseis” histórias prontas para o formato que vier. Isso, sem levar em conta músicas como “Geração Coca-Cola”, que inspiraria uma ficção e tanto.
Músicas como essas, grandes sucessos que contam histórias, não são exclusividade de Renato Russo e dariam muitas outras postagens. Quem sabe até, por que não, um show só para elas. Fato é que, desde que bem adaptadas, letras de músicas como essas são bem-vindas nas mais diversas formas e já contam com um prestígio inicial que pode ser interessante para quem busca audiência e atenção. 



No Carnaval carioca deste ano, chamou a atenção uma forma de patrocínio que parece estar substituindo o antigo modelo sustentado pelo Jogo do Bicho. Dez das 12 escolas de samba tiveram dinheiro da área de marketing institucional para transformar suas ideias em desfile na Marquês de Sapucaí. No orçamento, houve desde verba corporativa à de países como Alemanha e Coreia do Sul.

De acordo com especialistas do samba e a imprensa de modo geral, um fator importante contribuiu para o sucesso da campeã, Unidos de Vila Isabel, foi a composição de um samba-enredo sem forçar demais a barra para o lado do patrocinador. O desfile contou sobre as manifestações culturais do Brasil rural e a canção não se prendeu a expressões que mais parecessem publicidade do que Carnaval.

Foi diferente da Unidos do Porto da Pedra, em 2012, que cantou “Leveza, o equilíbrio se traduz em beleza/ Do dia a dia me refaz/ Iogurte é leite, tem saúde e muito mais”. Não precisa nem dizer que tipo de indústria patrocinou a escola. Além disso, convenhamos, os versos soaram mal aos ouvidos e devem até ter desconcentrado o passista de gosto minimamente apurado.

O desfile das escolas reúne coreografia, música, personagens, carros alegóricos e fantasias narrando uma história. A bateria e a letra dão o tom, sendo fatores preponderantes para empolgar o público no sambódromo.

Diante dos enredos patrocinados, o desafio dos compositores se assemelha cada vez mais aos storytellers que enveredam pelo mundo das organizações. Em várias situações, ambos precisam passar a sua mensagem com graça, adequando a linguagem e recorrendo ao “corporativês” somente quando muito necessário, ou apropriado.  

Assim, o maior sucesso do patrocinador ocorrerá caso o samba caia no gosto popular, sendo repetido pelo povo nos carnavais seguintes, por muitos e muitos anos. Vai saber. Como será o amanhã? Responda quem puder.