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BACKSTORY - Um primeiro passo para construir uma narrativa




Para se começar a escrever uma história, primeiramente é preciso definir sobre o que a narrativa vai tratar. Qual é o tema central daquela história e qual sua importância. A partir disso definimos o personagem principal que queremos apresentar ao público e o mais importante: quem ele é, o que ele representa.

O personagem principal é aquele que vai passar por uma transformação ao longo da história e seu sucesso ou fracasso em aprender uma lição determina se ele terá um final feliz ou trágico. Mas quais perguntas devemos fazer para que a narrativa toda se conecte em torno do personagem principal?

No VÍDEO dessa semana no canal da Storytellers, falamos sobre backstory e como ela pode ser uma ferramenta fundamental para entender nossos personagens. Essa história anterior serve como um primeiro passo para criar um grande universo narrativo.

Agora, podemos entender como aplicar os conceitos vistos e algumas das perguntas apresentadas a narrativas já existentes. Essas definições sobre personalidade e backstory dão um direcionamento único à trama e conectam os eventos que acometem os personagens. Selecionamos 3 narrativas populares para uma análise. 


Procurando Nemo:

Em procurando Nemo, os produtores escolheram nos dar um vislumbre da backstory do personagem principal, Marlin, o peixe palhaço, logo no início do filme. A escolha do posicionamento dessa cena como uma introdução foi feita para criar mais empatia do público com o personagem do pai controlador. 

Na história anterior, Marlin é um peixe palhaço aventureiro, apaixonado por sua esposa, Coral, que quer mostrar o mar para seus futuros filhos. Porém uma barracuda ataca sua família e Marlin é deixado sozinho com apenas um dos seus milhares de filhotes. Ele percebe, a partir desse momento, que tem apenas uma única chance de ser um bom pai. Esse é seu desejo primordial e sabemos que ele é forte o suficiente, pois Marlin estará disposto a arriscar a própria vida para conseguir satisfazê-lo, mais tarde no filme.

Mas Marlin é tomado pelo medo de perder o único filho que lhe restou e se torna um pai controlador e medroso. Em um momento crucial da narrativa, ele é traído por sua própria falha. Não confia que seu filho conseguirá se virar sozinho e muito menos que seguirá suas instruções de se manter fora de perigo. A desconfiança do pai gera raiva em Nemo que se aventura pelo mar aberto e é capturado por um humano.

Marlin deve então atravessar o mar aberto e arriscar sua vida para resgatar seu filho e realizar o seu desejo de ser um bom pai.

Sua aliada, Dory é a representação de seu completo oposto. Ela confia demais em todos os peixes que encontra e não se apega ao passado. Enquanto para Dory, o passado não existe, para Marlin, o passado é algo que ainda molda seu comportamento e atitudes.

Mas Marlin tem o superpoder da determinação o que faz com que ele não desista nunca. Sua esperteza também colabora quando ele tem que se livrar dos perigos do mar e convencer Dory a seguir seus planos.

Por fim, Marlin deve passar por uma prova final. Deve deixar que seu filho ‘nade com as próprias barbatanas’ e tome as próprias decisões. Ao superar sua falha e aprender sua lição, Marlin tem o final feliz que merece, encontra sua medida e consegue ser um bom pai.

Aladdin:

Se você procurar na Disney Wiki, poderá ver toda a história anterior que cerca Aladdin. Seu pai deixou a família com intuito de em outra cidade conseguir ganhar mais dinheiro, ao mesmo tempo em que sua mãe ficou doente e Aladdin foi forçado ainda jovem a sobreviver sozinho nas ruas de Ágraba. Mais tarde, seu pai viria a se tornar o líder dos 40 ladrões. Aladdin só rouba o que precisa para se alimentar e mesmo assim, ajuda os mais necessitados. Nada disso precisou ser dito no filme do Aladdin. Mas foi essencial para estabelecer como ele se sentiria e como agiria em cada momento da história. Por exemplo, quando ele vê duas crianças sozinhas também tendo dificuldade em sobreviver em Ágraba. Aladdin se compadece e compartilha seu pão.

Percebemos também que Aladdin é um aventureiro e também um acrobata, tudo isso devido a sua passagem pelo circo, onde conheceu Abu. (Essa informação também não aparece no filme, mas justifica o caráter desconfiado do macaco).

Ao longo do filme, entendemos que Aladdin quer mudar de vida, quer ser mais do que um rato de rua, não quer ser considerado um ladrão. Esse é seu desejo primordial. Aladdin conhece a princesa Jasmin e se apaixona por ela.

Ao conseguir a lâmpada mágica, Aladdin tem o poder de alcançar tudo o que queria: ser uma pessoa diferente. Mas há uma lição que ele precisa aprender. E a primeira dica sobre essa lição é dada pela princesa Jasmin, que se recusa a recebê-lo, disfarçado de príncipe Ali, em seu palácio. A princesa está cansada dos príncipes esnobes que conheceu. As roupas bonitas e a riqueza não significam nada para ela. Aladdin deve provar seu valor.

Depois de conseguir uma chance com Jasmin e ser confrontado por ela, Aladdin não consegue dizer a verdade. Ele mente sobre ser o rapaz que ela conheceu no mercado e afirma ser realmente um príncipe que por vezes se disfarça de plebeu. Aladdin nega sua essência por ter vergonha de quem ele é. Percebemos que ele tem um grande medo de não ser aceito, de ser julgado, injustiçado por seu status social.

Aladdin consegue manter as aparências até que precisa perder tudo para perceber o que realmente é importante. Sem amigos, sem o gênio da lâmpada e sem seu disfarce, Aladdin é ameaçado por Jaffar que está a beira de assassinar a princesa. Ele deve usar seu superpoder para conseguir combater o vilão. Ele usa sua lábia (de ladrão) para enganar Jaffar. O jogo de cintura que Aladdin conquistou nas ruas é a única coisa que pode salvá-lo. 

No final, como prova máxima de que Aladdin aprendeu sua lição e abraçou sua essência, ele usa o último pedido que tinha para libertar o gênio da lâmpada.




Breaking Bad:


Em Breaking Bad, temos um protagonista, Walter White (como o próprio nome já indica, Walter é um homem de bem). Ele é um professor de química que mora com sua esposa, agora grávida, e seu filho já adolescente que é deficiente.  

A backstory de Walter nos mostra que ele se sente menosprezado, diminuído em diversos âmbitos de sua vida. A empresa que ele ajudou a fundar agora é multimilionária, enquanto Walter se esforça para manter os gastos de casa controlados; seu cunhado acha que Walter não é homem o suficiente nem para segurar uma arma; seu filho é humilhado, e sua esposa é seduzida por seu chefe, mais bem sucedido que Walter.

Logo no início da trama, Walter descobre que está com câncer. Além de não ter dinheiro para o tratamento, ele também sente que sua família será deixada sem um tostão e ele não terá cumprido sua missão. Aprendemos também que a falha de Walter White é o orgulho. Por orgulho ele não quer aceitar o dinheiro dos amigos e por orgulho Walter começa a agir de maneira inescrupulosa ao longo da história. 

Ele decide fabricar metanfetamina para deixar dinheiro para sua família quando ele morrer. As forças do antagonismo são diversas que tentam impedir Walter de conquistar seu objetivo. Mas Walter vai se transformando, até que se torna Heisenberg e passa a liderar o mercado da droga. O superpoder que o ajuda durante o processo é sua inteligência que o torna um verdadeiro mastermind do crime. A qualidade do produto de Walter também é imbatível.

O fim de Walter pode ser considerado irônico. Walter aprende sua lição tarde demais. Até quase o último momento ele é liderado pelo orgulho e acaba se tornando seu próprio antagonista. No meio da trama vemos o momento em que Walter poderia parar, por já ter conseguido todo o dinheiro que ele precisava, mas ele insiste em sua falha e decide continuar a fabricar a droga, destruindo não só a sua vida, mas também com a de sua família e seu parceiro mais fiel, o garoto Jesse Pinkman. 

Walter consegue tudo o que queria, mas perde sua família, seus amigos, e o respeito da sociedade. No último momento, Walter consegue admitir que estava sendo regido pelo próprio egoísmo e faz um último sacrifício para salvar Jesse, o que provoca sua própria morte.


Um mundo sem Heróis: Como aprendemos a amar os Monstros


A estreia do tão esperado Esquadrão Suicida trouxe à tona um tema que vem marcando o entretenimento moderno há muito tempo e já deve ter sido percebido por muita gente, seja quem é mais antenado nesse mundo ou só mais um ser humano em busca da próxima série que vai devorar em maratonas.

Quem nunca teve raiva do mocinho que toma sempre a atitude certa apesar das consequências ou aquele que se nega a dar o golpe final em seu inimigo, apenas para ser traído por ele mais para frente na história. Tornou-se muito mais comum flagrar-se torcendo para personagens mais ambíguas ou que apenas não estão nem ai para o mundo ou o que os outros pensam. Utilizando de técnicas narrativas e cinematográficas na construção de personagens e do enredo, os filmes, séries e quadrinhos de hoje nos fazem sentir empatia e amor por algumas das criaturas mais repugnantes e detestáveis da história da ficção. Porém, tais sentimentos não poderiam aflorar de tal forma no público apenas através de métodos aplicados durante o processo do contar das histórias. Eles são reflexo de um mundo muito menos maniqueísta e divido entre noções rasas de “bem e mal” ou “mocinho e vilão”, desde pontos chave da história moderna como a derrota americana na Guerra do Vietnã e a despolarização do mundo após o fim da Guerra Fria. 

Os meios de comunicação evoluíram de tal forma que é possível se criar personagens muito mais multifacetadas que deixam de ser alegorias planas para se tornarem pessoas quase reais, que quando apresentadas a oportunidade de reparar um erro o fazem, mesmo que através de outros ou de sacrifício moral.  Uma personagem que mente, que sofre, que ama, que se engana ou que se questiona é muito mais verossímil do que um defensor da honra e da moral a todo o custo, que sempre salva o dia apesar dos obstáculos. E hoje em dia, essa primeira personagem pode ser representada mais fielmente nas telonas e telinhas.

As características desse novo tipo de herói, mais falhado e mais humano do que o herói clássico de antigamente, refletem os traços e atributos que a população enxerga em si e que procura em seus meios de representação. 



A essa altura, todos sabem que exemplos não faltam na hora de demonstrar como os mocinhos das histórias de hoje em dia não condizem mais com as noções passadas do herói clássico. O irreverente e nada nobre pirata Jack Sparrow é a estrela da franquia Piratas do Caribe e não Will Turner, o bom rapaz da trama. Em Game of Thrones, personagens que costumam seguir sua moral e as regras não costumam sobreviver tanto tempo na série quanto personagens cruéis ou que se deixaram corromper pelo meio em um determinismo que chega a lembrar a estética realista do século passado. Desde o grande estouro da Família Soprano, séries como Breaking Bad, House of Cards e Dexter nos colocam na posição de torcermos pelo sucesso de assassinos e criminosos que, mesmo que tenham tido motivos nobres no início, se perderam em suas próprias falhas ou orgulho. E o que é mais humano do que isso, não é?

No filme Esquadrão Suicida, um grupo dos mais detestáveis e perigosos criminosos se une para “bancar uma de herói”. O filme tem uma apresentação de personagens atrapalhada e que segue em tropeços até as últimas cenas, culminando em um roteiro que acaba por não fugir muito da fórmula já conhecida por todos. Porém a grande hype criada em torno do filme vem justamente desse novo olhar do mercado e dos espectadores que começam a repudiar cada vez mais o herói incorruptível em armadura dourada, tão distante de nós. 



Os vilões e anti-heróis da atualidade vivem uma vida livre e questionadora muito mais próxima da que sonhamos (mesmo que só no mundo das ideias) e a cada ato odioso cometido nos tornam seus cúmplices e nos fazem sentir bem com nossas próprias mentiras e defeitos. Representar o bem e o mal que coexiste dentro de todos nós não é mais uma mensagem a ser aprendida no final da história, mas sim uma regra a ser seguida para poder conversar, de igual para igual, com um público que sabe que não possui apenas qualidades heróicas dentro de si e que procura se ver representado nos grandes veículos de comunicação. Mesmo que isso tenha que acontecer através de adoráveis, adoráveis monstros.

STORYTELLING NA CASA BRANCA





Qual é o prazer que todo publicitário conserva em assistir Mad Men? Por que químicos (Ou traficantes? Ou professores?) podem se interessar mais pela história de Breaking Bad? A verdade é que, se as histórias nos comovem, de modo geral, por contarem a nós um pouco mais sobre nós mesmos, exemplos como esses se encaixam nisso de forma literal.
O que dizer, então, do fanatismo de Barack Obama por House of Cards? Sim, a série de Francis e Claire Underwood, que retrata os dramas e jogadas políticas da capital americana Washington, dentre várias, está entre as preferidas do presidente dos Estados Unidos da América. E ele não pretende esconder isso de ninguém.



Para quem acompanha a série, até que ponto isso pode comprometer o presidente americano? Ele não parece estar preocupado com isso e, pelo contrário, já revelou a sua admiração pelo personagem de Kevin Spacey.

“Esse cara está conseguindo fazer muita coisa. Eu gostaria que as coisas fossem implacavelmente eficientes desse jeito”, afirmou Obama sobre seu companheiro de profissão Frank.


Indo ainda mais longe nessa relação Obama e House of Cards, em uma recente reunião, em dezembro, na Casa Branca, o CEO do Netflix, Reed Hastings teria convidado Obama para uma participação especial na próxima temporada da série. Quantos favores Frank Underwood conseguiria negociar com Barack Obama?

Nesse passeio entre realidade e ficção, Casa Branca e Netflix, histórias nos fazem rever dogmas, repensar conceitos, e quando menos notamos, o homem mais poderoso do mundo também está entre nós, e é fã declarado de um personagem que, no fundo, é um político assassino e inescrupuloso.


Para concluir, não precisamos nem ir muito longe, cruzar as Américas, para ter exemplos como esse. As melhores histórias mesmo são aquelas que derrubam fronteiras e diferentes culturas, e se encaixam em todas as sociedades. Você já viu a Revista Istoé da semana passada?


DO BIG BROTHER AO BREAKING BAD

Mal o ano virou e as telinhas ligadas na Globo já anunciam: lá vem mais um BBB. Muitas intrigas, paixões e reviravoltas são garantidas pelas palavras de Pedro Bial, mais uma vez. Líderes, anjos, paredões - dentro da casa do Big Brother, nada de novo. Quem ganhará 1 milhão e meio de reais ao fim da história?
A grande novidade para a décima quarta edição do programa vem de muito longe da casa e da própria Rede Globo. Ao mesmo tempo em que hoje, depois da novela das nove, estreia o BBB; com quase os mesmos Bês estréia a série Breaking Bad na Record. 

Nada de mais uma edição de "A Fazenda", nem de mais do mesmo. A aposta da emissora concorrente para colocar o BBB 14 no paredão é a história de Walter White e Cia, tão postada por aqui e aclamada a melhor série dos últimos tempos pelo Guinness Book.
A série que fez tanto sucesso lá fora em rede nacional, e também aqui, através de streamings, torrents e Netflix, enfim chega a TV brasileira com a promessa de não haver corte algum em suas cenas. 
No fim das contas (e sem spoilers demais), as morais das histórias de BBB e BB até se assemelham em algum momento: as custas e as penas para ser um milionário.
E você, em que programa dará a sua espiadinha?

QUANTAS SÉRIES HÁ EM BREAKING BAD?



A série Breaking Bad acabou e seu criador, Vince Gilligan, já anunciou uma possível nova série dentro do mesmo universo. “Better Call Saul” conta as peripécias de um dos personagens de Breaking Bad, o advogado Saul Goodman. Mais um “spin off”, como definimos na semana passada, este não é o único que caberia na série de Walter White. Quantos podemos enumerar?


  1. A começar pelo próprio protagonista, a história de White antes de se tornar Heisenberg, quando ainda era um promissor estudante de cristais e fundou, junto de Elliott e Gretchen, a Gray Matter Technologies renderia uma história e tanto.
  2. Gus Fring e seu misterioso passado sulamericano é mais um personagem que mereceria uma série só para a sua história até o comando da “Pollos Hermanos”.
  3. Mike Ehrmantraut, o braço direito de Gus, é outro que seria capaz de render uma série entre sua exímia habilidade na organização do crime e sua paixão por sua neta, como avô.
  4. Ainda que preso em uma cadeira de rodas e sem voz, Hector Salamanca é um dos personagens mais intrigantes da série, e caberia desenvolver a sua história muito além de seu sino.
  5. Do outro lado da lei, o agente Hank Schrader se mostrou incorruptível e, junto de seu parceiro Gomez, poderia dar frutos a mais uma série de investigação policial de que tanto o americano gosta.
  6. O que dizer, então, da história de Walter Jr e Skyler, após a perda do patriarca, no aniversário de Junior, quando o casal Schwartz faz uma misteriosa doação de 10 milhões de dólares de presente ao filho de Walter White?
  7. E Jesse Pinkman, teria largado o crime após sair vivo de Breaking Bad, ou se consagrado como, agora, o único a produzir a “Blue Sky” com seu nível de pureza?
Isso sem falar em Lydia, Todd, Jack, e outros personagens tão profundos que também seriam dignos de suas próprias séries. Se Breaking Bad é considerada uma das melhores séries já produzidas, um dos segredos da pureza de 99,1% que só Walter White conseguia alcançar, é a complexidade de todos os personagens envolvidos na trama.

HOW I MET YOUR DAD SERÁ LEGEN… DÁRIO?

Quando a série “How I Met Your Mother”, ou “HIMYM” para os íntimos, estreiou escancarando a sua proposta desde seu título, seus fãs não imaginavam esperar 184 episódios para, finalmente, conhecer essa tal mãe. Como se não bastassem esses mais de 4000 minutos, o cocriador da série Carter Bays prometeu ainda mais: “How I Met Your Dad”, uma nova série sob o ponto de vista feminino.
O nome desse artifício é “Spin Off”, e já falamos disso por aqui em algumas postagens. Spin Off é, basicamente, quando uma nova série nasce a partir de outra pré-existente. Prometido em séries como Breaking Bad e Modern Family, o modelo está em alta entre as séries americanas.
Mas o que faz do spin off em “How I Met Your Dad” diferente? Novamente, a resposta está no título. Enquanto a série de Ted Mosby trabalha o seu ponto de vista para contar a história de como ele conheceu a mãe de seus filhos, “HIMYD” inverterá esse ponto de vista para a versão de uma mãe. O desafio se amplia ainda mais por, ao contrário do que pode parecer, a nova série ser sobre uma outra mãe de uma outra família.
Ainda que spin offs possam se aproveitar de universos ficcionais prontos de suas “séries mães”, nada de personagens como Ted, Barney e Cia em How I Met Your Dad. A série, que deverá estreiar em maio de 2014, começará do zero. O que não significa, para os mais atentos, não procurar por semelhanças e referências à serie em sua história.
How I Met Your Mother conquistou fãs durante suas 9 temporadas com uma proposta simples: a história de como um casal se conheceu. Através do consagrado modelo de sitcom, a série obteve sucesso até hoje, em sua última temporada, liderando a audiência do canal CBS. A questão que fica é: isso tudo será suficiente para o sucesso de How I Met Your Dad?

UM POUCO MAIS DE BREAKING BAD: CURIOSIDADES

A série Breaking Bad chegou ao seu fim ao ritmo de muita euforia por parte de quem acompanhou, e de muita cautela de quem, como eu, vive fugindo dos spoilers porque ainda não chegou ao episódio dezesseis da quinta temporada. Aliás, a começar por aí a série já mostra o que tem de mais especial na sua construção, ao ser pensada e filmada tão só para cinco temporadas.
Assim, continuando o post do Luis Gaspar na semana passada, sobre o que podemos aprender com Breaking Bad, eu ainda acrescentaria uma grande máxima das grandes histórias que volta-e-meia aparece por aqui: boas histórias são criadas nos detalhes. Dentre os diversos detalhes em sites e blogs sobre “curiosidades de Breaking Bad”, alguns aqui merecem destaque e colaboram para que a série tenha, por assim dizer, os "99,1% de pureza".

No quesito “personagens”, a boa construção deles na série é um mérito que tem sua explicação desde a seleção e a preparação de autores. Bryan Cranston, que faz o protagonista Walter White, foi treinado por um professor de química real para viver o seu papel. Além disso e mais impressionante que isso é o fato de que o filho de Walter na série, Walter Junior, é interpretado por um ator que também tem paralisia cerebral, R.J. Mitte. A preparação de Aaron Paul, para viver Jesse Pinkman na série, também foi intensa e regada a muita bebida em bares – tudo, é claro, para trabalhar o vício com total verossimilhança.

Em se tratando de roteiro, a série de Vince Gilligan também é um belo exemplo a ser seguido. O autor, que diz ter pensado na série depois que seu amigo, também roteirista, disse que se eles não conseguissem vender um filme para Hollywood comprariam uma van e fabricariam metanfetamina no deserto, não precisou ser tão drástico na vida real – mas soube adaptar perfeitamente para a ficção. Em seu roteiro não há espaços para improviso. Cada palavra é parte do texto, inclusive cada gíria como os clássicos “Yo!” ou “Bitch” de Jesse na série.
Tudo isso, sem dúvidas, não sai barato. Estima-se que cada episódio da consagrada série custou cerca de três milhões de dólares – muito mais do que Walter White almejava conseguir no início da série quando descobre que tem câncer e resolve deixar um dinheiro para que sua família possa viver.

BREAKING BAD, O QUE APRENDER COM A SÉRIE QUE ENTROU PARA O GUINNES?

Todos que estiveram online nas últimas semanas leram em algum lugar que Breaking Bad entrou para o Guinnes como a série mais bem avaliada da história. Pois é, se você ainda não começou a assistir a famigerada série norte americana sobre um professor de química superqualificado que diante de um câncer terminal decide ganhar dinheiro fabricando metanfetamina e virar traficante de drogas, essa é a sua desculpa para chegar em casa e começar a diversão. 

Em primeiro lugar eu acho importante citarmos que o parâmetro para essa seleção de Breaking Bad pelo Guinnes Book foi o uso de um agregador de criticas virtuais sobre séries e filmes, chamado "Metacritic", onde a série ficou com 99% de aprovação e, por isso, ganhou a oportunidade de ser selecionado para o Guinnes Book que tem previsão de ser publicado em 2014. 

Agora vamos ao que interessa, o que podemos aprender com Breaking Bad? 

A primeira coisa que tem sido citada pelos blogueiros e especialistas no assunto é o uso de uma técnica narrativa conhecida como Chekhov's Gun, que consiste em introduzir elementos aparentemente desimportantes na narrativa que serão resgatados mais tarde e terão o seu valor revelado. Causando no espectador uma sensação de surpresa e certa admiração pela forma como as coisas acontecem. É possível também usar essa técnica para aproximar a narrativa da realidade do expectador, afinal, quem nunca comprou algo aparentemente inútil que depois de algum tempo se revelou importante? 

A segunda coisa que podemos aprender com a série é a importância dos personagens de apoio, aqueles que não contamos 100% da história mas que estão sempre ali do lado do protagonista para ajudá-lo, ou atrapalhá-lo, conforme for necessário para o bem da história. Quanto mais profundos e melhor desenvolvidos forem os seus personagens de apoio mais fácil será para o autor usá-los na narrativa quando o protagonista precisar de uma força extra para se mexer e gerar ação na sua história. 

Por fim, falando em ação, outro aspecto importante da série é o uso de uma regra do roteiro que eu conheci através do Syd Field (ainda não sei se a regra é dele ou se ele apenas a usa). "Tudo na sua história de fazer uma dessas duas coisas: apresentar o personagem ou criar ação". Uma narrativa, principalmente visual como em um filme ou em um roteiro não deve ter "gordura" ou "acontecimentos sem importância", tudo deve servir para apresentar melhor o seu protagonista e/ou os personagens de apoio ou deve fazer a narrativa se mover e evoluir, todo acontecimento deve mudar o destino da história, ou pelo menos alterá-lo temporariamente. 

Nós, da Storytellers, entendemos que em uma história, assim como na publicidade, toda mensagem tem o objetivo de gerar reação no espectador, seja essa reação a compra, o interesse, ou o engajamento, tudo deve fazer com que o consumidor, que costumamos chamar de atento, tenha um experiência com cada uma das ações de nossos personagens.