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"Steh, quero escrever um livro. Me ajuda?!". Desde quando lancei meu livro, GiraMundo, essa é uma das frases que mais escuto. A continuação da conversa é mais variada, mas geralmente permeia pelos caminhos de como começar a escrita, maneiras de publicação ou detalhes técnicos. Já quero adiantar que não sou nenhum George Martin ou Yuval Harari, mas minha obra foi muito bem avaliada e vira e mexe está entre os dez mais do dia em duas categorias da Amazon. Sendo assim, acho que posso dar um conselho ou outro que será útil caso você queria começar a escrever.

Meu livro é sobre a viagem que fiz em 2015 e mudou minha vida. Estava puto com tudo, liguei o foda-se e comprei uma passagem só de ida para Roma, onde deixei meu dinheiro e passado para trás e parti pegando carona rumo a Jerusalém em busca de Deus (na sentido mais amplo possível) e de mim mesmo. No caminho encontrei paixões na Estrada, quase morri algumas vezes e fui realmente iluminado. Depois acabei indo morar em Ibiza onde curti a vida adoidado em um estilo muito mais hardcore que o icônico Ferris Bueller. Essa história e as histórias que fazem parte dela me ensinaram muita coisa. Ensinamentos que tentei passar no meu livro. E esse é o primeiro conselho que te dou caso você queira escrever. Como assim? Qual conselho? Esse aqui, ó: passe ensinamentos! Desde a Idade da Pedra contamos histórias para lições serem passadas para frente. Para que a roda não tenha que ser inventada de novo e para que ninguém morra comendo o que não deve. Então, antes de escrever a primeira letra maiúscula no topo de uma página em branco, pense nos ensinamentos que você quer passar adiante.


Tudo certo até aqui? Pensou no que você quer ensinar para sua audiência? Beleza, pode começar a escrever... só que não. Para o livro ser bom mesmo, antes de você começá-lo, tem que pensar em uma pergunta que será respondida no final da escrita. E você não pode saber a resposta. Pode ter hípoteses, mas a resposta será uma jornada de autodescobrimento sua. Tipo: "Será que servem cerveja no inferno?"; ou "Androides sonham com ovelhas elétricas?" (dois títulos de livros reais, que dão ótimas perguntas a serem respondidas/descobertas de diferentes formas no final do processo). Escolha bem sua pergunta, porque não dá para mudar depois. Ou até dá, mas sua obra corre o grande risco de ficar uma coisa esquizofrenica.

Para qualquer história ser contada, existem cinco elementos básicos de Storytelling a serem considerados: Personagens (com quem sua audiência estabelecerá uma relação emocional), Templo/Local (onde e quando se passa sua história), Estilo (o jeito de conduzir seu público pela narrativa), Enredo (como os elementos se relacionam) e Tema (sobre o que se trata sua história). Abordo cada um desses cinco elementos de forma lúdica e profunda em outro texto desse blog no seguinte link, caso você tenha curiosidade. Esse é meu último ponto para você considerar antes de começar a escrever. Agora pronto, está liberado, vamos começar.

O começo de qualquer coisa dá medo e escrever um livro não é diferente. Por isso uma página em branco intimida muito. Então, como começar o "começo" da história? Bom, o começo da sua narrativa tem sempre que dizer sobre o que ela se trata. O ideal é que nos primeiros parágrafos o leitor já descubra sobre o que você está falando. Deixe isso claro para ele. Saber disso já é um grande avanço para começar o "começo". Daí para frente tudo fica mais fácil.

O caminhar do seu livro pode seguir diferentes formatos. Desde "A Jornada do Herói" de Joseph Campbell até o modelo Pixar de criação de conteúdo. Vai de você. Mas seja qual for o formato, dê picos de excitação para sua audiência ao construir o "recheio" em meio ao andar da carruagem. Existem três pontos de conteúdo que nossos cérebros nos obrigam a prestar atenção: situações de quase morte, conteúdo sexual e momentos empáticos. Cada um desses pontos está ligado à evolução da nossa espécie e ao nosso passado ao redor das fogueiras. Seja por necessidade de sobrevivência, reprodução ou simplesmente pela nossa humanidade em si, aprendemos a prestar atenção à histórias com esses atributos. Então pense em colocá-los como linhas de batimentos cardíacos entre momentos cotidianos da narrativa para manter seu público interessado e ao mesmo tempo não sobrecarregá-lo de acontecimentos.



O último toque que dou a respeito de construção de conteúdo é uma opinião pessoal minha. Quando entrevistei Walcyr Carrasco na Rota da Tocha Olímpica descobri o motivo do sucesso das suas obras: ele transcreve a própria essência. E eu tentei fazer a mesma coisa com meu livro, o que deu muito certo. Esse detalhe é bem ilustrado logo no começo desse texto. Eu falo palavrão, sou agressivo, brincalhão, desbocado e adoro figuras de linguagem que envolvem a cultura pop. Foi muito mais fácil e natural escrever meu livro do jeito que eu falo e sou do que mascarando a mim mesmo por trás de algum outro tom de voz menos polêmico. Mas aí vai de você o jeito que quer transcrever sua história e se expor.

Começo e miolo prontos, agora só falta o final. E o final é simples. Basta responder aquela pergunta que você elaborou antes mesmo de colocar a primeira letra maiúscula no topo da primeira página em branco. Depois disso é só se despedir da audiência de uma forma condizente com a trajetória da narrativa. Fim. Fim?! Não, espera aí, tem muito mais coisa.

Depois do conteúdo pronto você pode buscar uma editora ou virar um autor independente, como foi meu caso. Escolhi esse caminho simplesmente por não querer ficar preso a nenhum contrato e ter total poder de decisão sobre meu livro. Confesso que fui muito feliz com minha escolha, diferente de amigos que conheci que se foderam na mão de editoras incompetentes ou mal intencionadas ou incompetentes e mal intencionadas (embora outros amigos escolheram editoras que foram grandes diferenciais no sucesso de suas obras).

O bom de optar por uma editora é que você já tem tudo organizado e não precisa se preocupar com "nada". Já como autor independente você precisará encontrar e dirigir seu capista (quem faça sua capa), seu revisor, seu diagramador e tirar os documentos necessários. Você será seu próprio editor e chefe. Então se dedique. E não pense que qualquer um desses serviços é dispensável. Economize na cachaça do final de semana, mas não na produção do seu livro. Muita gente julga um livro pela capa, então procure um designer/diretor de arte com portfólio similar ao que você deseja para chamar a atenção do seu público. Revisor é extremamente necessário para que nenhum erro de português escape ou algumas passagens da história não fiquem confusas para seus leitores. Diagramador nem preciso falar, né?! É desconfortável ler alguma coisa que parece que foi feita no Word de qualquer jeito e sem espaçamento correto. Todos esses serviços você consegue achar em sites especializados ou simplesmente pela recomendação de amigos via redes sociais. O mesmo pode ser dito das medidas de capa (como lombada, orelha e faces) e miolo (contando com lombada e sangria ideais para diagramação). O que eu mais penei para descobrir foi o tipo de papel para ser utilizado. Fiz uma pesquisa para ver o melhor custo benefício e cheguei no Supremo Alto Alvura 250 gramas para capa e Pólen Soft 80 gramas para o miolo.

Recomendo fazer todo esse processo de edição depois de tirar os documentos requisitados para proteger seus direitos autorais e para a comercialização do seu livro. São eles o ISBN (http://www.isbn.bn.br) e a Ficha Catalográfica (http://cbl.org.br/servicos/ficha-catalografica). O código de barras do ISBN geralmente é colocado na contracapa do livro enquanto a Ficha Catalográfica entra na folha de rosto. Tanto seu capista quanto seu diagramador vão te agradecer se você já tiver ambos em mãos. E tem mais uma coisinha que vale a pena ser feita antes do processo de edição: mandar o material para alguns leitores beta.

Minha história inteira era muito clara para mim. Mas quando escrevi algumas partes, passei uma impressão ruim que pude perceber por causa dos meus leitores beta. Eu mandei o manuscrito do meu livro para 10 amigos antes de publicá-lo e registrei críticas e observações recorrentes que indicavam a necessidade de mudanças ou melhorias. Fez toda a diferença no resultado final da obra.

Bom, livro escrito e produzido. O trabalho acabou? Não! Falta a divulgação. O que eu fiz foi escrever artigos gratuitos para diferentes portais contando sobre minhas aventuras e loucuras, participei de lives com influenciadores digitais de viagem e dei palestras pocket para diferentes públicos. Daí para frente, a coisa viralizou e espero que ela também viralize para você.

Se você chegou até aqui, deve ter percebido uma coisa: escrever um livro dá trabalho. E cansa, ah, como cansa! Mas também é uma coisa extremamente gratificante. Quando vejo que estou no topo do ranking da Amazon ou recebo alguma mensagem de um leitor, fico extremamente feliz e orgulhoso. Como se fosse um rockstar e escutasse minha música tocando na rádio. Ou fosse jogador de futebol e me visse na televisão fazendo um golaço. A moral dessa história toda de ser escritor é a seguinte: escrever um livro dá trabalho, ansiedade e estresse, mas vale totalmente a pena!



Durante a primeira Cruzada da Igreja Católica aconteceu um feito bem curioso. Imagine, os cruzados estavam sitiados pelo exército Muçulmano durante alguns meses. A fome e a desolação da esperança já habitava o coração e a mente daqueles homens - incontáveis guerras eram vencidas apenas por sítio.

Já não havia o que fazer, senão esperar a morte dentro das paredes ou encará-la no campo de batalha além dos portões, mas pra que? 


Foi quando Pedro Bartolomeu retirou do bolso (na verdade de uma escavação) um artifício milagroso, a Lança do Destino. A relíquia que teria perfurado o peito do Cristo na cruz. Ninguém sabe se foi pela visão turva ou histeria coletiva, mas ele brandou ela no alto e disse algo como "ninguém pode com a gente, bora lá".  E aquela guerra foi vencida.

Essa é uma história muito curiosa, mas que expressa o que eu gostaria de trazer para a discussão: Histórias fantásticas sempre estiveram a frente de guerras.  Júlio César era outro, enviava seus arautos espiões que disseminavam entre seus inimigos feitos horrendos de batalhas (degolações, estupros e toda qualidade de tortura possível).  Assim, quando encarava o exército oposto, ele estava abalado de algum modo, tendendo fugir com mais facilidade.

Uma boa historia era capaz de influenciar legiões sem levantar uma espada. Então se um grande rei quisesse mudar a cultura de um lugar, ele começava a contar as suas. Já ouviu falar da verdade humana? Quando alguém encontrava uma verdade poderosa e usava uma boa estrutura arquetípica, a revolução era infalível.



Voltemos a religião cristã para entender isso. Quando Roma se tornou oficialmente cristã, eles tinham centenas de cultos politeístas, templos, calendários, símbolos que o povo cultuava. Confrontar isso poderia custar o império. Ao contrário, foram ressignificando tudo...

"Sabe aquele Deus Sol? Então vou te contar a história de quando ele nasceu em Jerusalém e a mensagem que ele deixou... é coisa nova, os homens acabaram de entender".

Assimilando e moldado novas culturas a igreja foi se instalando em Roma e propagando sua fé sobre todos os outros povos. A expansão da Igreja Romana foi uma forma de imperialismo cultural, que obliterou inúmeras culturas e histórias pelo seu caminho.  Depois de um tempo a própria igreja foi vitima disso, assimilada por todos símbolos, linguagem e sistema político europeu. Chegando a 2017 em países como o Brasil que ainda usam uma forma de canto gregoriano em rituais religiosos.



Agora que entendemos um pouco de como uma história pode cobrir uma cultura em toda sua extensão podemos levar essa discussão para outra dimensão, a dimensão comercial aonde as histórias mais vendidas e contadas por todo o globo são as Holywoodianas.

Quando o presidente americano Herbert Hoover, nos anos 20, promoveu os filmes americanos entre os outros países ele esboçou a famosa frase:"aonde quer que um filme americano penetre, nós venderemos mais automóveis, mais bonés e mais vitrolas americanas"

Historicamente, o país estava consolidando também o que foi chamado de Estilo de Vida Americano, que foi carregado junto com todo o cinema - sem contar a parte racista, afinal o primeiro grande filme do país "O Nascimento de uma nação" mostrava a Ku Klux Klan como heroína. 

Faturamento passou a ser um termo importante para o entretenimento e o Storytelling, as fórmulas surgiram e se adaptaram. A jornada do herói de Holywood foi reproduzida pela Disney, Universal, Warner e todos os outros estúdios que procuram morder esse bolo.  Daí que surgem aquelas conversas sobre os filmes da Marvel sempre puxar para o humor. O alívio cómico, aliás, é uma figura que Vogler trouxe á luz em sua obra "a jornada do escritor" como um dos principais arquétipos de um bom filme.



O passar dos anos foi juntando essas estruturas com um comportamento social padrão, um novo reino e uma nova religião conhecida como Cultura Pop. Vocês devem reconhecer seus símbolos e suas músicas.  Eles foram imprimidos no nosso DNA cultural de forma tão intensa, que muitas novas gerações nascem sem conhecer sua identidade local, apenas se alimentando das histórias pop, blockbusters e games AAA.

Vogler dedicou parte da segunda edição dos eu livro a discutir sobre isso, será que a generalização das histórias está matando as histórias que não seguem a estrutura da jornada do herói de holywood?  Definitivamente não, basta ligar a TV aberta no SBT por exemplo e ver as novelas latinas, que tem sua própria estrutura e arquétipos ou mesmo sucessos internacionais como Bahubali de Bolywood ou qualquer bom filme Chinês.

Mas de fato se você não prestar atenção vai ficar nadando eternamente nas histórias que propagam o império cultural popular. Isso não deve ser problema algum para a audiência, mas como escritor você precisa mergulhar mais fundo para ter ideias mais originais ou com conexões culturais verdadeiras em seu país.





Lembram que citei lá atrás em um post 5 aplicativos para ajudar na escrita? Pois bem, vamos nos aprofundar um pouco em um deles que considero essencial e se tornou meu companheiro de brainstorming e worldbuilding: o Evernote - leia o que ele faz aqui 

Obviamente cada um de vocês poderá ter uma experiência única com o aplicativo e com isso desenvolverão seus próprios métodos de trabalho, mas vou dar algumas dicas de uso que faço para minhas narrativas. 


Como o processo de desenvolvimento do "story" pode ser intenso e descentralizado o primeiro passo é ter o evernote em todos seus dispositivos (celular, desktop, tablet, aonde der...).  Assim sempre que algo surgir em sua mente, basta registrar de maneira rápida. Da pra fazer isso em registro de voz ou transcreve-la com a ferramenta, mas nem sempre fica bom e eu prefiro escrever mesmo em tópicos.


versão web do evernote 

Este é o ensaio para um romance,  separei em notas os motivos que gostaria que o plot abrangesse, a esquerda é possível ver que tenho outras notas para os eventos importantes.  Pelas datas fica visível que os eventos foram surgindo após definir o motivo e o plot. 


Crie pilhas de cadernos e junte suas referências

A pilha de caderno é como um fichário com várias divisões que aqui chamamos de cadernos.  Em cada um deles eu gosto de trabalhar algo diferente.  Segue abaixo uma estrutura rápida de como eu monto minha pilha:

Pilha "Nome do Livro":  - Motivos - Plot -Eventos - Personagens - Lugares & cenários - Plot Devices (Itens) - Escaleta 


Os personagens ficam muito bem organizados como cards digitais que dá paera acessar a cada momento, basta juntar tudo que puder ali: ilustrações, bio, histórico e o que achar essencial para que ele funcione de maneira profunda.  Como vocês poderão ver no Thomaz Magnus, personagem que desenvolvi para o jogo Selene The Fantasy 




Essa ilustração é original do game, quando você trabalha em conjunto com um designer ou ilustrador (como foi nesse caso) fica muito mais fácil imergir na personalidade que está criando, principalmente quando se tem tudo ali na sua mão de maneira bem acessível. 

Acontece também de você não ter talento algum para ilustração, da mesma forma como este que voz escreve.  Mas isso não nos impede de buscar referências em sites de ilustração que possam servir de base para o projeto.  Isso agiliza tudo na hora de descrever para outra pessoa o mundo que está criando ou quais são as características físicas dos personagens. Geralmente quando for contratar ou fazer parceria com um desenhista ele vai requerer essas fontes, é aí que o evernote se mostra efetivo mais uma vez. 


Desenvolvimento do storyworld para conto de scifi "A cor dos seus olhos" 



Nem tudo você vai fazer na frente do PC, lógico! Mesmo assim ainda dá para aproveitar o aplicativo tirando fotos das anotações e salvando nos cadernos específicos, como o da escaleta.  Na versão plus ou premium do app você ainda pode compartilhar os cadernos e trabalhar colaborativamente.  E, para não ser perder, o programa ainda cria um sumário com links para as notas do bloco que você criou.  





Desde que comecei a trabalhar com o Evernote para meus textos ficou mais fácil retomar o trabalho de escrita quando passo um tempo fora daquele universo.  Com as coisas sempre a mão a história vai se construindo no tempo que ela precisa para se tornar coesa e tudo vai se esclarecendo na minha mente até que eu passo para as páginas. 

Espero que essas dicas tenham ajudado vocês! O que acham, me indicam um outro uso ou um outro app para organizar sua narrativa? Deixa aqui nos comentários.  





Recentemente eu escrevi um artigo sobre meu processo criativo para um conto de Scifi. Logo que meus outros trabalhos estiverem publicados posso compartilhar também como foram suas concepções, mas estou trazendo alguns aplicativos que eu uso o tempo todo e que podem ajudar, seja na inspiração, seja na hora da mão na massa.

Evernote




Vocês devem conhecer o Evernote, o app para criação de notas. Elas podem ser fotografadas, gravadas em áudio ou transcritas do áudio para texto.  É sem dúvida o que eu mais utilizo e, inclusive, merece um post a parte - como criar um tipo de storybible no app por exemplo. 

Mas aqui pode servir para catalogar anotações em qualquer momento do dia. Se a inspiração vier durante uma viagem,  basta abrir uma nova nota e pronto. Depois você vai precisar tirar umas horas (ou dias) para organizar tudo em etiquetas e pilhas de cadernos, mas vale a pena.  

O Evernote está disponível na versão mobile, desktop e web.  Se inscrevam aqui para utilizar, é free



Google Drive




Existem várias discussões sobre como utilizar programas de roteiros para ajudar a produzir o seu texto.  Mas nem todo mundo prefere esse tipo de software e algumas versões free não disponibilizam recursos interessantes online. 

O Google Drive é disponível o tempo todo e você pode trabalhar colaborativamente, criando anotações ou editando as cores do texto de cada autor. Além disso tem uma opção de chat que é ideal para manter o foco no que está sendo produzido.  Fora que na hora de exportar é uma beleza.  Se você já tem alguma conta do Google, provavelmente encontrará alguns arquivos de emails lá, acessem aqui.


Spotfy





Pois é, o spotfy que citei no meu último artigo é bom pra colocar todo mundo em sintonia, literalmente. Dá para montar várias playlists com trilhas sonoras de filmes, games ou artistas famosos que transmitam a mensagem que você está escrevendo e mergulhar nesse universo.  Experimentem aqui. 


MindMeister





Por fim, o Mind Meister que é uma das melhores ferramentas para mapas mentais.  As possibilidades são enormes e o visual fica bem bacana.  Também está disponível em várias plataformas como a mobile e a desktop. Cliquem e confiram.



Jogos não são filmes. A sua proposição é outra e a experiência que tentam transmitir também.  Mesmo assim alguns ainda pretendem se aproximar da intensidade do drama existente no cinema.  O drama é um outro possível mundo real, na tela da TV vemos ele acontecer sem nos envolver, apenas sentindo a empatia pelos personagens.

Entre os gêneros de games o que mai se aproxima disso, sem dúvida é o FPS: Firts Person Shooter. É o que diz Lucien Soulban Lead Writer, Ubisoft Montreal (FC 3: Blood Dragon, Far Cry 3, Deus Ex: Human Revolution, Rainbow 6: Vegas, Dawn of War) em um dos livros da IGDA

Todos os jogos permitem controlar e manipular o ambiente em diferentes graus, mas quase nenhum outro gênero de jogos de vídeo você cai mais perto da ação do que um FPS. FPS é mais do que colocar o jogador dentro da cabeça do protagonista... Sua adrenalina é adrenalina do personagem, seu coração dispara como o do personagem. E, às vezes , até mesmo o inverso é verdadeiro .


Isso porque na maioria dos casos você está em meio a uma guerra, balas voando por todos os lados - você pode ouvi-las recocheteando ou raspando sua orelha.  Explosões surgem e em meio a tudo você tem uma missão.  Escrever para um FPS necessita relevar todos os aspectos que envolvem o gênero, nele o meio é a mensagem - como uma narrativa integrada. 

Lucien ainda afirma que "Gêneros tem certas regras a serem seguidas , e o sucesso da história não é somente o quão bem você entender essas regras, mas o quão bem você pode jogar com elas." 

Pra quem ainda não tem ideia de tudo isso, basta assistir algum gameplay. Vou indicar um bem bacana. Apreciem!



O herói galanteador dos tempos modernos Barney Stinson tem muito mais à oferecer para os storytellers de plantão do que apenas "jogadas" para conquistar mulheres. Suas complexas estratégias contém importantes lições de como se construir um bom personagem.

1. BACKSTORIES 

A primeira coisa que um personagem precisa é uma história, algo que justifique o seu comportamento e que possa ser usado, de tempos em tempos, para revelar mais sobre ele e tornar os espectadores mais íntimos. De onde ele vem? O que ele faz? Qual é o seu nome? E o sobrenome? Onde ele mora? Como é a sua casa? Do que ele gosta? O que ele fazia quando era criança?

Todas essas perguntas devem ser respondidas, mesmo que seja só para o autor. Eu costumo dizer que um personagem é bom quando o conhecemos como conhecemos o nosso melhor amigo, quando sabemos como ele reagiria nas mais diversas situações. Quanto mais você conhece o personagem, mais fácil fica de saber o que ele faria se o mundo fosse acabar amanhã, ou se o amor da sua vida estivesse mudando para outro continente. Além disso, quanto mais o espectador conhecer do personagem, mais íntimo eles estarão e maior será o interesse do espectador na vida do personagem. Faça com que o espectador acredite que o personagem é um de seus amigos e ele sempre terá um motivo para vê-lo.

2. O DIFERENTE É ATRAENTE 

Não é a toa que os personagens de Barney Stinson tem nomes peculiares, profissões curiosas e hábitos quase absurdos. Nós somos seres naturalmente curiosos, quanto mais estranha for uma situação, mais iremos querer saber sobre ela. Crie nomes que chamem a atenção e sobrenomes que possam conter histórias. Usar sobrenomes estrangeiros pode ser uma boa pedida.

Elementos que não deveriam pertencer mas pertencem, como latas de sopa em galerias de arte, ou carros em janelas de prédio tem sido usados pela publicidade para chamar a atenção há muito tempo e ainda funciona com os seus personagens. Use o seu estilo de roupas para torná-lo único, seja um cara que só veste ternos ou um jovem cientista da década de 90 que só veste jalécos, assim como na vida real, na ficção a sua roupa diz muito sobre você.

3. PENSE NAS VARIÁVEIS 

Criar um personagem para a ficção é como criar um personagem para conquistar as garotas do bar. Há muitos fatores externos que podem atrapalhar o seu personagem, dificultar a sua atuação ou, até mesmo, destruir o personagem por inteiro. Pense nos fatores externos que podem afetar o seu personagem. Seus amigos, o trânsito da cidade ou a bolsa de valores. Se o seu objetivo é criar um personagem verossímel, em algum momento o mundo tem que afetá-lo. Não adianta dizer que ele é um economista e deixá-lo simplesmente alienado ao seu mundo profissional, são esse links com a realidade, essas diversas possibilidades que fazem um personagem funcionar ou não, seja no papel de um livro, na tela da TV ou na mesa de bar.


Douglas Adams 
Eu não lembro exatamente quando eu comecei a escrever, o que eu lembro de verdade são das folhas de caderno da escola que intercalavam contos pela metade, frases de efeito e poesias de adolescente com as matérias que eu copiava da lousa dos professores. Me lembro de como era (ainda é, na verdade) bom ficar  acordado de madrugada com a janela aberta como se a inspiração entrasse junto do vento fresco. Escrever era um exercício terapêutico entre eu e a inspiração e quando ela não vinha as folhas em branco eram preenchidas de extensas reclamações sobre como escrever era difícil. 


J. R. R. Tolkien
Dizem por ai que há dois 'tipos' de escritores (incluo redatores, jornalistas, roteiristas...): os Pantsers e os Plotters. Eu, em minha adolescência era um pantser, ou seja, aquele cara que senta na frente do computador, ou do caderno e começa a escrever, tudo vai para a folha do jeitinho que sai da cabeça. Você segue o seu texto até chegar em algum lugar e decidir que aquele era o final. Sem planejamento prévio, ou póstumo, um pantser escreve quase que pela "intuição". 

Hoje, cada vez mais me torno um plotter, ou seja, o tipo de cara que desenha a 'planta' da narrativa antes mesmo de ir colocar qualquer palavra no papel. Jornada do personagem, calendário da narrativa (com datas comemorativas selecionadas), às vezes até árvore genealógica, além é claro de mapas astrais simples e um breve histórico pessoal e profissional de cada um dos personagens. O plotter é o cara que escreve em desenhos, rabiscos, guardanapos, é o cara que demora uma semana por frase, um tipo meio obcecado de escritor. 

Antes que me julguem, não há nada de errado com nenhum dos dois, na verdade, cada um tem a sua vantagem e a sua desvantagem. O pantser por exemplo, pode ser mais autêntico, ter mais facilidade de encontrar um estilo, mas ao mesmo tempo corre sérios riscos de se perder na própria história e nunca encontrar o caminho para o fim. O plotter, em contrapartida, é o chato, o perfeccionista que pode demorar anos para começar a escrever uma história e décadas para terminá-la, mas ao mesmo tempo o plotter tem a vantagem de sempre saber pra onde a história está indo, mesmo que desvie no meio do caminho, ele já sabe por onde voltar. 

Você quer ver a diferença de dois trabalhos geniais, um de um dos maiores plotters conhecidos e o outro de um pantser que escreveu uma trilogia de 5 livros? Leia Senhor dos anéis e o Guia dos Mochileiros das Galáxias e compare o trabalho de Tolkien, tão plotter que criou idiomas e mapas para o seu mundo fictício, com o trabalho de Douglas Adams, tão pantser que precisou escrever mais dois livros para chegar no final do que deveria ser uma trilogia. Ambos são excelentes trabalhos, mas a diferença entre um e outro é fácil de ver, ou melhor ler. 

Para dar as boas vindas ao ano que chegou vou seguir uma velha tradição e materializar as resoluções de ano novo de um escritor, ou seja, uma lista de hábitos que tem se mostrado úteis, mas que infelizmente não costumamos exercitar tão fielmente quanto deveríamos.

1. Tempo é dinheiro... ops... tempo é texto e texto é dinheiro.
Arte, em sua etimologia, significa técnica e isso, meus amigos, é a obra da repetição e da resiliência. Escrever todos os dias é a fórmula para  disciplina. Não escreva apenas por obrigação, tenha um projeto seu, algo sem objetivo de publicar, pelo menos não tão cedo, algo que que faça seus olhos brilharem e suas frustrações irem dormir um pouco, enfim, um "projeto dos sonhos" capaz de faze-lo querer escrever todos os dias.

2. ter (e respeitar) deadlines
Mesmo que a ideia não seja publicar algo de imediato defina uma deadline, tenha-a em mente e respeite-a, isso nos ajuda a superar a necessidade por inspiração, nos faz escrever quando precisamos escrever e nos ensina a usar a razão mais do que a emoção ou o 'felling'. 

3. Revise, revise e revise... 
A arte de verdade muitas vezes está na revisão. Há quem goste de deixar os textos na gaveta por dias, meses e até anos antes de revisá-los, há que diga que é melhor fazê-lo logo de cara, mas é importante saber que revisar é um momento íntimo onde visitamos nossas próprias ideias e dialogamos com elas, buscando novos argumentos e eliminando o que não deveria estar ali. 

Tudo o que eu disse nesse post já foi dito diversas vezes em outros posts, por mim e por outros storytellers desse mesmo blog, mas no fim das contas são os 'pequenos' hábitos que importam, então não custa nada repetir o que é importante. 

Um ótimo 2014 para todos, cheio de histórias, estórias e muitos finais felizes, tristes, ou cômicos, como desejarem, desde que sejam todos revisados e de preferência bem escritos. 




Final de ano é sempre a mesma coisa: muito trânsito, muita comida e, principalmente, muitas promessas para o ano seguinte. Se seu objetivo é emagrecer, uma dieta. Se você quer se casar, é bom que já tenha um parceiro(a) em vista. Mas e se sua meta é se tornar um escritor de histórias?
Se fizéssemos as contas, em mais de 50% das listas de resoluções de ano novo estaria algo como “escrever um livro”, ou “escrever uma grande história”. Mas, como nosso negócio não são as contas e sim os contos, aqui vão algumas dicas para se tornar um storyteller em 2014.

1) Saiba do que se trata: Storytelling (e escrever histórias, de uma forma geral) envolve ciência e técnica. Psicologia, Marketing, Semiótica, Semântica e Cia são só algumas palavras-chave de toda a teoria que colabora para uma boa história.
2) Aprenda com os melhores: Reza a lenda que Quentin, antes de ser “o Tarantino”, trabalhou em uma locadora e assistiu a todos os filmes da prateleira. Que tal começar a fazer o mesmo, começando com os livros da sua estante?
3) Escreva mais: Para escrever bem é preciso, primeiro, escrever. Imagine e organize cada detalhe, do botão de madrepérola do coadjuvante ao tom do esmalte da mocinha, e escreva. Contar uma boa história é como dar uma boa aula, quanto mais você sabe do assunto, melhor ela é.
4) Revise ainda mais: É famosa a frase do Hemingway sobre escrever bêbado e revisar sóbrio. Sem dúvidas, só para esta frase, ele deve ter feito algumas revisões.
Bem como a maioria das promessas para o ano que vem, não há grandes segredos na jornada para se tornar um storyteller. Se você já lê o blog ou faz nossos cursos, está no caminho certo. Ainda que, se você já está nesse caminho, sabe que aprender a contar realmente uma boa história não coube em uma promessa para 2013, nem caberá tão só em 2014. Por isso, mãos à obra!

Na última segunda feira, dia 09, o American Film Institute divulgou sua lista com seus 10 melhores melhores filmes e 10 melhores séries, neste post irei falar brevemente sobre 3 das 10 séries e os motivos pelos quais você deve assisti-las. 

Vamos começar pelas séries "originais" da Netflix que merecem seu espaço na lista não apenas pela inovação serem exclusivamente transmitidas pelo veículo online, mas por suas histórias bem escritas e personagens bem desenvolvidos. 


House of Cards é uma série sobre o cenário político norte americano baseado, porém, em uma série originalmente Britânica. O ambicioso Frank Underwood, interpretado por Kevin Spacey, é um político em busca de poder com pouquíssimas limitações éticas para conseguí-lo. 


Uma das coisas mais interessantes da série é a construção dos personagens e a brincadeira do protagonista com a quarta parede, que em diversos momentos conversa diretamente com o espectador, revelando "segredos" para quem assiste a série que os outros personagens não são capazes de ouvir, o que cria uma dinâmica interessante para todo o plot. 

Orange is the new Black é uma comédia dramática que trata da condenação de uma jovem por tráfico de drogas, crime que ela cometerá anos antes quando ainda era uma adolescente inconsequente e apaixonada. Ao ser presa, Piper Chapman (Taylor Schilling) vê a sua vida tomar uma direção inesperada e é obrigada a aprender novos truques e adaptar velhos conhecimentos para sobreviver na prisão.


Uma série baseada em personagens e backgrounds, Orange is the New Black, oferece ao mesmo tempo a emoção de acompanhar a história de uma personagem carismática e comovente e a visão cômica das situações extremas que a personagem é forçada a viver na prisão. A apresentação do passado das personagens e como esse passado as levou para a prisão é uma das coisas mais interessantes da série, provando mais uma vez que o passado dos seus personagens é tão importante quanto o presente. 



Por último vou falar de uma série que me surpreendeu em sua qualidade técnica e principalmente narrativa: Scandal é uma série norte Americana que narra a vida de Olivia Pope e as pessoas ao seu redor, incluindo sua equipe formada por um ex-agente da CIA, um advogado ex-presidiário, uma investigadora particular e uma ex-suspeita de terrorismo doméstico, além é claro do presidente dos Estados Unidos da América, seu chefe de equipe e a primeira Dama. 


O ritmo da série foi uma das coisas que mais me chamou a atenção até agora (ainda estou na segunda temporada e já aconteceu tanta coisa que eu nem saberia por onde começar). Os roteiristas de Scandal não deixam uma página passar em branco e parecem levar isso muito a sério, cada minuto da série é um possível momento de plot twist, o espectador mais desatento, como eu, estará em constante alerta para não perder nada. 



Consumir narrativas e estudá-las é um dos passos mais importantes na vida de um storyteller, o repertório é a sua principal ferramenta nos momentos em que a 'inspiração' te deixa na mão. Por isso decidi listar aqui três séries com personagens que valem a pena estudar. 

White Collar 

A série trata sobre as aventuras de uma dupla inusitada formada por um agente do FBI responsável pela investigação de casos de colarinho branco e um falsificador cheio de estilos que parece nunca ficar sem troques na manga. Ambos os personagens merecem a nossa atenção, mas Neil Caffrei, o falsificador é um caso a parte. Um personagem complexo e constante e bastante condizente com o que imaginamos ser o resultado de alguém com a sua história de vida. Ou seja, um personagem crível com uma história bem definida e bem apresentada para justificar a maior parte de suas ações. 

Californication 

Hank Moody, um escritor americano em decadência faz justiça ao seu nome (Moody pode ser traduzido como um adjetivo para pessoas mal-humoradas) e está sempre em busca da felicidade. O personagem é 100% humano, cheio defeitos, falhas de caráter e sonhos. A série, recheada com uma porção bem servida de referência literárias a Charler Bokowiski, é voltada para os dramas e 'aventuras' de um grupo de personagens 100% humanos, sem super-poderes, ou habilidades especiais os personagens se aproximam do telespectador de maneira invejável. 

Life 

Apesar de seu final repentino na segunda temporada, a série vale a pena. Contando a história do Detetive Crews, um policial que passou 12 anos preso por um crime que não cometou e foi inocentado recebendo um acordo milionário do estado e voltando para a polícia para fazer o que mais gosta de fazer: investigar crimes. Com uma boa dose de comédia a série é na verdade um drama sobre como Crews irá recuperar sua vida após 12 anos preso. Um personagem construído nos detalhes, Crews é um exemplo de como dar credibilidade para o protagonista da narrativa.  


Eu sou do tipo de cara que é capaz de assistir uma (ou duas) temporadas de uma vez. Sou fascinado pela mecânica complexa da construção de séries, pelo trabalho envolvido em manter uma narrativa viva e interessante por um longo período e por isso, ouvindo as sábias palavras de J.J. Abrams eu tenho mania de desconstruir essas narrativas, separar todas as peças e ver se consigo reconstruí-la sem deixar sobrar nenhum parafuso do lado de fora. 


SEJA CONSISTENTE

Crie um universo, um personagem, ou até mesmo um plot capaz de segurar a história, algo que outra pessoa seria capaz de escrever caso você não consiga terminar o trabalho sozinho. O primeiro motivo que faz disso algo tão importante é que se você conseguir criar personagens fortes e narrativas envolventes o suficiente o espectador irá continuar a história na cabeça dele, criar suas próprias teorias, desenvolver os seus próprios projetos para os personagens e assim ficar cada vez mais curioso para saber o que você, autor, irá fazer com "os planos dele". Isso aumenta o engajamento do espectador na sua história. 

Outro motivo importante para isso, falando especificamente de séries é que muito provavelmente não será você quem irá escrever toda a série. Homeland, por exemplo, já teve 11 roteiristas diferentes e todos eles dependiam dos personagens e da história para fazer a coisa funcionar. Se a sua história é fraca, entregá-la na mão de outra pessoa pode ser um desastre, o novo ponto de vista pode atingir aquela rachadura que você estava tentando esconder, mas se a sua história é boa, um novo ponto de vista só vai te ajudar a manter o espectador atento e curioso. 

O que nos leva ao segundo ponto desse post:

SEJA IMPREVISÍVEL 

Sabe aquele plano que o espectador criou para os seus personagens e para o futuro da sua narrativa? Aquele que eu falei ali em cima que é o resultado de uma boa narrativa? Então, tenha certeza de não seguir esses planos. Se o espectador espera que o personagem pule, faça-o voar, ou ficar sentado, ou sei lá, mude de núcleo e conte outra história enquanto o espectador fica na dúvida se ele estava certo ou não. 

Surpresas são a chave da atenção, é através da surpresa que você irá conquistar a fidelidade do espectador, mas tenha cuidado, não exagere, não destrua o personagem, não force a narrativa. Não importa qual seja a ação, ela tem que ser consistente, você não pode simplesmente, de um episódio pro outro, ou de um capítulo pro outro, transformar a sua moça nerd e delicada em uma ninja super habilidosa. Surpreenda sem exageros. 

NÃO ESCREVERÁS EM VÃO

Esse conselho, na verdade, eu não aprendi com a série, mas Homeland é, pelo menos as duas primeiras temporadas (ainda não assisti a terceira) o melhor exemplo disso que eu já vi em uma série até hoje. Mas afinal, do que estamos falando? 

Certifique-se de que nada do que é apresentado ao espectador seja em vão, ou seja, como diz Cyd Field (o cara de quem eu "roubei" essa ideia) "tudo na sua narrativa deve fazer uma de duas coisas: revelar o personagem, ou mover a narrativa adiante". Toda e qualque cena, interação ou até mesmo fala deve servir ou para apróximar o espectador de um personagem ou para avançar a narrativa. Tudo é ação, tudo é importante, tudo é movimento. É esse movimento que irá manter o seu espectador na ponta do sofá com as mãos cobrindo o rosto, é esse movimento que garante a atenção completa do espectador. 

É esse movimento que irá garantir que os passos acima funcionem de maneira eficaz, dê ao seu espectador tempo para imaginar o próximo passo, mas não deixe-o com tempo para desvendar o resto da história. 


Aprendi com o Fernando Palacios que storytelling é uma tecnologia da comunicação. Mas para entender o que isso significa precisamos conhecer o significado de tecnologia. Uma das definições de tecnologia que eu mais gosto é que tecnologia é a soma de técnica + ciência. Portanto, o storyteller é, ao mesmo tempo, o mecânico e o engenheiro das narrativas. É o responsável por transformar o briefing em uma história e uma narrativa é um anúncio publicitário.

Somos escritores com clientes, escrevemos para transmitir uma mensagem pré-determinada, para promover uma marca, um produto, um sentimento ou, até mesmo, uma sensação. Começamos no briefing, como qualquer outro publicitário, conhecendo melhor o nosso cliente, a sua história, os seus desejos e, é claro, os seus objetivos, já que esses serão os objetivos da nossa narrativa. Pensamos em problemas e objetivos de marketing e de comunicação, pensamos no consumidor, nas histórias que eles contam e consomem. Por isso é importante conhecer séries, filmes e livros que fazem sucesso. Depois disso nos tornamos projetistas, desenhando universos, criando personagens, pensando em situações que se encaixem no briefing, histórias que resolvam nossos problemas e alcancem nossos objetivos.

Voltando ao pensamento de engenharia, antes de se desenhar um prédio é preciso aprender as leis da física, assim como antes de escrever uma história é preciso conhecer o que é uma boa narrativa. Como construir uma estrutura sólida que aguente todas as camadas e andares do que iremos construir, onde colocar as colunas estruturais que não devem ser alteradas, como dividir o espaço para caber tudo o que precisamos acomodar, como criar algo que resista a interferência exterior, seja da chuva ou de um leitor desatento. Cada detalhe de uma história deve estar baseado no conhecimento científico, desde a semiótica até a narratologia.

As técnicas vem depois, como colocar os fios elétricos nos lugares certos, onde posicionar as lâmpadas, as portas e as janelas. Como apertar os parafusos o bastante para que não soltem e sem exagerar para que não espanem. Depois da ciência vem a técnica, o cuidado com os detalhes, a especialidade de cada um. No caso do storyteller, precisamos ter muitas especialidades para garantir a qualidade de nossas narrativas desde a sua base até o seu acabamento.

Todos que estiveram online nas últimas semanas leram em algum lugar que Breaking Bad entrou para o Guinnes como a série mais bem avaliada da história. Pois é, se você ainda não começou a assistir a famigerada série norte americana sobre um professor de química superqualificado que diante de um câncer terminal decide ganhar dinheiro fabricando metanfetamina e virar traficante de drogas, essa é a sua desculpa para chegar em casa e começar a diversão. 

Em primeiro lugar eu acho importante citarmos que o parâmetro para essa seleção de Breaking Bad pelo Guinnes Book foi o uso de um agregador de criticas virtuais sobre séries e filmes, chamado "Metacritic", onde a série ficou com 99% de aprovação e, por isso, ganhou a oportunidade de ser selecionado para o Guinnes Book que tem previsão de ser publicado em 2014. 

Agora vamos ao que interessa, o que podemos aprender com Breaking Bad? 

A primeira coisa que tem sido citada pelos blogueiros e especialistas no assunto é o uso de uma técnica narrativa conhecida como Chekhov's Gun, que consiste em introduzir elementos aparentemente desimportantes na narrativa que serão resgatados mais tarde e terão o seu valor revelado. Causando no espectador uma sensação de surpresa e certa admiração pela forma como as coisas acontecem. É possível também usar essa técnica para aproximar a narrativa da realidade do expectador, afinal, quem nunca comprou algo aparentemente inútil que depois de algum tempo se revelou importante? 

A segunda coisa que podemos aprender com a série é a importância dos personagens de apoio, aqueles que não contamos 100% da história mas que estão sempre ali do lado do protagonista para ajudá-lo, ou atrapalhá-lo, conforme for necessário para o bem da história. Quanto mais profundos e melhor desenvolvidos forem os seus personagens de apoio mais fácil será para o autor usá-los na narrativa quando o protagonista precisar de uma força extra para se mexer e gerar ação na sua história. 

Por fim, falando em ação, outro aspecto importante da série é o uso de uma regra do roteiro que eu conheci através do Syd Field (ainda não sei se a regra é dele ou se ele apenas a usa). "Tudo na sua história de fazer uma dessas duas coisas: apresentar o personagem ou criar ação". Uma narrativa, principalmente visual como em um filme ou em um roteiro não deve ter "gordura" ou "acontecimentos sem importância", tudo deve servir para apresentar melhor o seu protagonista e/ou os personagens de apoio ou deve fazer a narrativa se mover e evoluir, todo acontecimento deve mudar o destino da história, ou pelo menos alterá-lo temporariamente. 

Nós, da Storytellers, entendemos que em uma história, assim como na publicidade, toda mensagem tem o objetivo de gerar reação no espectador, seja essa reação a compra, o interesse, ou o engajamento, tudo deve fazer com que o consumidor, que costumamos chamar de atento, tenha um experiência com cada uma das ações de nossos personagens. 




Na semana passada eu encontrei um artigo no aerogrammestudios.com com uma compilação interessante de dicas para jovens escritores e, por que não, storytellers.

Li as 23 dicas e cheguei a uma conclusão: podemos resumi-las basicamente em três "regras". Aqui vão as minhas "regras" com base no artigo original.

A primeira, e uma das mais repetidas, regras é algo que de inicio pode parecer óbvio, o que não quer dizer que seja fácil. "Escreva" - dizem os autores citados no texto. Isso mesmo, apenas um verbo, no imperativo: escreva.

Escrever, assim como qualquer outra técnica, é uma arte de repetição e prática, todos os grandes autores dizem que a melhor coisa a ser feita é escrever pelo menos 10 minutos todos os dias (dizem 10 minutos mas querem dizer 1 hora). Essa dica me lembrou de uma entrevista do Jô Soares em seu programa na qual ele revela que quando está trabalhando em um livro ele se obriga a escrever ao menos uma página por dia daquele mesmo projeto, independentemente do quão cansado ou "sem inspiração" ele está.

O velho ditado "a prática leva a perfeição" não poderia estar mais correto em nenhuma outra área, escrever é o que irá te tornar escritor e escrever é o que fará a diferença entre um bom, ótimo ou excelente escritor. 

O segundo conselho também não passa de outro verbo em sua forma imperativa: leia.

Escrever é algo íntimo, resultado de uma série de reflexões pessoais. Ler é a melhor maneira de se descobrir do que se gosta ou não, de entender o que faz um texto ter ritmo ou não, de conhecer novos personagens e determinar o que faz deles bons ou não. Os clássicos serão sempre os melhores professores. Obras que sobreviveram ao crivo do tempo, das criticas e das mudanças sociais são, sem sombra de dúvidas, os melhores exemplos que podemos carregar em nosso repertório referencial. Mas não deixe de lado os livros mais recentes, ou até mesmo as revistas, blogues e jornais, toda leitura faz bem. 

A união desses dois conselhos resultam no exercício absoluto para todo escritor iniciante, como eu, pois ao escrever nos familiarizamos com as palavras e suas peculiaridades no ato da construção textual e ao ler nós analisamos os resultados possiveis para o uso de cada uma dessas peculiaridades.

O terceiro conselho geral, também bastante repetido é: esqueça todos os conselhos que te derem. 

Por incrível que pareça quase todos os escritores concordam com essa regra. Não é que você não deve ouvir os mais velhos, ou simplesmente ignorar os dois primeiros conselhos desse texto e não ler, nem escrever mais. Mas [e uma questão de não se prender aos modelos apresentados, entender que o já foi feito é uma possibilidade já realizada e que o que um escritor sempre busca é o que não foi feito. Dizer palavras já ditas causará pouco impacto, a escrita criativa é uma jornada em busca de palavras não ditas, de novos pontos de vista e novas regras de escrita. Charlie Parker, um famoso e talentoso saxofonista costumava dizer que primeiro você aprende o instrumento, depois você pratica, pratica e continua praticando, mas ai você sobe no palco, esquece tudo isso e só sopra. 

Você pode ver o artigo original aqui!



Muitas vezes falamos de Storytelling como a mais nova descoberta da humanidade, outras como a coisa mais antiga que existe no mundo. A verdade é que contar histórias é algo tão complexo e poderoso e acaba tornando realidade esse paradoxo.

Para entender melhor isso tudo é preciso partir da ideia de que storytelling é uma tecnologia, ou seja, uma forma de um técnica (narrativa) que encontrou a ciência e se tornou um processo capaz de ser reproduzido. A técnica, que podemos chamar de "contar histórias" está realmente acompanhando a humanidade desde os nosso primórdios, mas não faz muito tempo que a ciência da comunicação virou seus olhos para essa técnica e finalmente passou a transformá-la em tecnologia, e isso sim é novo, a tecnologia da comunicação conhecida como storytelling é absolutamente nova no mundo da comunicação e estamos todos batalhando para tentar entender toda a sua complexidade.

Uma das notícias mais interessantes que eu vi nos últimos tempos sobre storytelling enquanto tecnologia chegou até mim pelo Fernando Palacios em um link para o The Guardian, um dos jornais britânicos de maior importância internacional. A manchete lê-se Penny Bailey sobre escrita científica: "Você precisa saber contar uma  boa história."

A matéria que se inicia com a afirmação de Penny Bailey de que "é fácil se enrolar com as especificações científicas e esquecer da história que trás tudo aquilo a vida" quando se está escrevendo sobre ciência, mostra que os cientistas também se apoiam em certas formas narrativas para potencializar a compreensão de seus artigos e explicações. Para Bailey existem alguns fatores importantes que devem estar presentes em uma boa história científica, entre esses fatores estão também alguns dos aspectos mais importantes do storytelling na comunicação, coisas como "aspecto humano" que torna todo o texto vivo de certa maneira, a novidade científica que gera curiosidade e os conflitos que tiveram que ser superados.

Durante sua entrevista Bailey dá X dicas importantes sobre escrita científica que podem servir de lição de casa para qualquer storyteller.

1. Saiba contar a sua história e conheça o conteúdo do qual está falando.

2. As metáforas podem ser usadas para dar explicações difíceis ou oferecer um ponto de vista diferente durante o texto.

3. Cuidado para não se perder nos detalhes do conteúdo, dê ao expectador o que realmente importa.

Para mais detalhes sobre a relação entre storytelling e a escrita científica vocês podem acessar a entrevista original em inglês aqui http://www.guardian.co.uk/science/2013/mar/27/penny-bailey-science-writing-wellcome






Há muitas maneiras de se olhar para o trabalho de um escritor, seja ele literário, publicitário ou apenas amador. Mas a escrita é uma arte complexa cheia de estruturas, segredos e técnicas e a única maneira de tentar, pelo menos, alcançar um nível de controle disso tudo é através do estudo e do conhecimento do processo criativo de quem admiramos, ou de quem os outros admiram.

J.J. Abrams é um dos caras mais respeitados (e mais malucos) que eu conheço no mundo de contar histórias. Fascinado por como as coisas são feitas e como elas funcionam o produtor e roteirista norte americano atribui a estrutura de suas narrativas ao conceito de uma caixa de mistérios. Pensando assim fica fácil entender de onde vem tantas perguntas e tantos mistérios para quem assiste Lost, por exemplo. 
Para entender melhor o processo criativo de J.J. Abrams é só dar o play no vídeo ai de baixo e se preparar pra 18 minutos de mágica, mistério e segredos das narrativas.





Entrei na sala de aula sem saber o que ia acontecer, curioso, ansioso e animado. Há algum tempo eu não participava de um curso novo e aquela seria, definitivamente, uma novidade. Com a participação do W'nderer Writer, do Macaco Magenta e do Slide Sidious, aquele seria o primeiro workshop, que eu conheço pelo menos, a ser 100% apresentado por personagens.

O mundo mudou e com ele mudou a nossa forma de comunicação, estamos cada vez mais soterrados por informação, com isso tivemos que aprender o que não é novidade para um geração que já cresceu com tantas telas, com isso tivemos que aprender a prestar atenção em muitas coisas ao mesmo tempo e dividir nossos pensamentos entre elas. Tal aprendizado nos tornou dispersos e muitas vezes desatentos. Professores, palestrantes, pesquisadores, vendedores, enfim, qualquer um que dependa da atenção para realizar o seu trabalho agora é obrigado a competir com o mundo virtual. A namorada que está no facebook, o filho que não para de mandar mensagens ou até mesmo o jogo de futebol que é narrado pelo twíter. Como podemos então, tornar nossas apresentações concorrentes dignas e vitoriosas de todas essas facilidades do século 21? 

Nós acreditamos no poder de se contar bem uma boa história e por isso o Macaco Magenta e W'nderer Writer se uniram para ajudar Slide Sidious em sua jornada. Como arma princípal nós usamos uma ferramento que não é novidade pra ninguém e que muitas, e muitas vezes já foi erroneamente culpada pela falta de criatividade de quem a usa. No fim das contas uma das primeiras lições que devemos aprender é que não adianta usar o Power Point, pois sozinho o programa não faz uma apresentação. 

"O fim do Slide sidious" foi o workshop do CIC-ESPM de ontem, dia 16, e juntou na sala um grupo eclético de professores, publicitários, rpgistas, pesquisadores e empreendedores, todos buscando uma nova forma de apresentar ao mundo suas ideias e produtos. Afinal, ninguém aguenta mais ficar sentado numa sala ouvindo bullet points, gráficos e argumentarios sendo jogados contra o público e engolidos a seco. Todos saímos de lá ontem com ideias novas de apresentações que serão ouvidas e entendidas sem nenhum suspiro ou bocejo pairando pela sala. Como empresário o curso foi bom pois me ensinou uma nova maneira de apresentar meus serviços. Como publicitário, mais uma vez, descobri um jeito legal de apresentar minha ideias e como professor eu gostei muito do curso pois agora confirmei minha teoria de que se a aula é boa não precisa mandar os alunos baixarem os celulares e tablets, afinal a atenção deles estará na aula. 

Obrigado à todos que participaram desse workshop, desde os professores que dividiram seu conhecimento até aos alunos que promoveram discussões construtivas e inspiradoras. Agora eu estou ansioso de novo para ver quais serão as causas, serviços e produtos que irão ganhar minha atenção e a consulturia da Monkey Business e da Storytellers. 

Os perigos do apocalipse zumbi não se aplicam apenas aos personagens. Muitas vezes escrever é um processo "orgânico" e cronológico, uma brincadeira de personagens e uma sucessão de "e se"s que acabam se transformando em uma narrativa. Esse processo arriscado de construção narrativa já custou dois showrunners (responsáveis criativos da série) em 18 meses. Eu sei que estou simplificando muito o processo, mas foi basicamente assim que a AMC conseguiu quebrar todos os recordes de audiência de séries com The Walking Dead.

CUIDADO COM AS PROMESSAS

Uma das coisas mais importantes em uma narrativa, seja ela série ou livro, é o que chamamos por aqui na storytellers de Grã-conceito, ou seja, aquela promessa que fazemos ao espectador quando apresentamos a nossa história. Quando falamos de The Walking Dead o grã-conceito é bem simples "Um xerife norte americano que acorda de um coma no meio do apocalipse zumbi e começa uma jornada para proteger e salvar sua família, encontrando no caminho, além dos obstáculos apocalíticos, muitos outros sobreviventes" ou simplesmente "Uma história sobre sobre o apocalipse zumbi".

Com um grã-conceito assim, precisamos apenas de bons personagens e alguma imaginação. Conhecendo nossos personagens somos capazes de prever o que eles fariam em certas situações e é ai que entra o "e se..." na brincadeira. Dai pra frente é só continuar escrevendo e se perguntando, "e se eles fossem atacados por 100 zumbis ao mesmo tempo, o que fariam?", " e se eles forem atacados por um grupo de humanos?", "mas e se a mulher estivesse grávida?" e imaginar as respostas de cada personagem para cada uma dessas situações. Pronto, temos uma história... ou não... 


PENSE NAS PESSOAS

Um bom personagem é para o autor como um de seus melhores amigos já que é preciso ter a capacidade de descrever o que ele faria em determinada situação. Pense no seu melhor amigo e tente imaginá-lo no apocalipse zumbi, o que ele faria? Será que ele seria um sobrevivente? Como ele morreria? Qual seria a fraqueza dele que o levaria a morte? Ou qual seria qualidade que garantiria sua sobrevivência? 

Pense nas pessoas, o público tem que entender os personagens como você os entende, se relacionar com eles. Fazê-los acreditar que o personagem é real e humano, vai te ajudar a fazê-los acreditar que todo o resto também é real. 

NÃO SE ESQUEÇA DOS ZUMBIS 

Um dos perigos de seguir a regra de cima é que nós podemos nos esquecer das nossas promessas, então vamos lembrar que: se você prometeu uma história sobre o apocalipse zumbi entregue uma história, no mínimo, sobre zumbis. Pensar nas pessoas é importante, saber o que elas fariam também é, mas no fim das contas o que deve determinar suas ações na história, assim como na vida, deve ser a situação em que estão inseridas, portanto, os zumbis devem fazer parte do "e se..." e ao invés de reagirem eles devem forçar reações, invadir áreas desconhecidas do acampamento supostamente seguro de seus personagens, vez ou outra pegar a menininha loirinha que vocês estava começando a conhecer e se apaixonar e quem sabe até atacar o líder da turma só pra criar um conflito.


Um dos problemas desse tipo de processo é que podemos nos perder no meio do caminho e, ao invés de escrever sobre os zumbis, transformamos a história em um relato sobre um grupo de pessoas forçadas a viverem juntas, dramas pessoais entre eles tomam conta da narrativa enquanto o apocalipse se torna uma desculpa para a união dos personagens, com uma ou outra aparição de um zumbi.