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E se a realidade se misturasse com uma, assustadora, ficção?



Nem a luz da lua, nem os fogos da destruição causada pela guerra eram fortes o suficiente para iluminar a floresta.  Os soldados do batalhão de ferro, o mais incisivo na defesa do estado,  estavam dispersos.  Sua missão era instalar bombas na estação férrea de Jaguariaíva, mas alguma dinamite explodiu antes, revelando sua posição ao inimigo. 

Metralhadoras começaram a despejar balas para todos os lados. Entre feridos e assustados estava Vicente Anchiano ou simplesmente Vince. O nome estava escrito atrás da fotografia.  Aquele, sem dúvida não era o seu lugar, nunca havia sonhado em se alistar, mas decidiu fazer pelo irmão que sofreu um grave acidente. 

Após a confusão o soldado correu para se esconder e foi parar sozinho no meio da mata.  Ele olhava para as estrelas, uma cadente passou bem perto, teve a impressão até de que caiu ali atrás em algum lugar.  Parou ofegante e ficou observando os inimigos que estavam perto.  

...

A gente já falou aqui na redação sobre como um autor precisa criar um senso de realismo em sua fantasia. Esse é um trabalho de hércules, não é fácil costurar personagens e situações fantásticas de forma coesa... isso significa construir os limites do seu storyworld e conhecê-los muito bem.

Agora: e se precisasse misturar realidade com sua ficção? 

Para encontrar essa resposta eu me propus a escrever um romance de Dark Fantasy, uma fantasia assustadora com um background importante: A Revolução Constitucionalista ou revolução de 32!  Foram alguns meses de estudo, catalogando fatos históricos extraídos de pesquisas, livros e documentários.  Tudo para saber o que eu poderia aproveitar na hora de transpor para um novo mundo. 




O livro será lançado pelo Bookstart, uma plataforma de crowdfunding nacional. Se você quer saber se minha fórmula de misturar realidade com ficção, deu certo ou quer saber como a história dos soldados termina e o que aconteceu com o personagem Vince, apoie o financiamento pelo site - https://bookstart.com.br/pt/Alastair


3 DICAS PARA CONSTRUIR PERSONAGENS POR BARNEY STINSON



O herói galanteador dos tempos modernos Barney Stinson tem muito mais à oferecer para os storytellers de plantão do que apenas "jogadas" para conquistar mulheres. Suas complexas estratégias contém importantes lições de como se construir um bom personagem.

1. BACKSTORIES 

A primeira coisa que um personagem precisa é uma história, algo que justifique o seu comportamento e que possa ser usado, de tempos em tempos, para revelar mais sobre ele e tornar os espectadores mais íntimos. De onde ele vem? O que ele faz? Qual é o seu nome? E o sobrenome? Onde ele mora? Como é a sua casa? Do que ele gosta? O que ele fazia quando era criança?

Todas essas perguntas devem ser respondidas, mesmo que seja só para o autor. Eu costumo dizer que um personagem é bom quando o conhecemos como conhecemos o nosso melhor amigo, quando sabemos como ele reagiria nas mais diversas situações. Quanto mais você conhece o personagem, mais fácil fica de saber o que ele faria se o mundo fosse acabar amanhã, ou se o amor da sua vida estivesse mudando para outro continente. Além disso, quanto mais o espectador conhecer do personagem, mais íntimo eles estarão e maior será o interesse do espectador na vida do personagem. Faça com que o espectador acredite que o personagem é um de seus amigos e ele sempre terá um motivo para vê-lo.

2. O DIFERENTE É ATRAENTE 

Não é a toa que os personagens de Barney Stinson tem nomes peculiares, profissões curiosas e hábitos quase absurdos. Nós somos seres naturalmente curiosos, quanto mais estranha for uma situação, mais iremos querer saber sobre ela. Crie nomes que chamem a atenção e sobrenomes que possam conter histórias. Usar sobrenomes estrangeiros pode ser uma boa pedida.

Elementos que não deveriam pertencer mas pertencem, como latas de sopa em galerias de arte, ou carros em janelas de prédio tem sido usados pela publicidade para chamar a atenção há muito tempo e ainda funciona com os seus personagens. Use o seu estilo de roupas para torná-lo único, seja um cara que só veste ternos ou um jovem cientista da década de 90 que só veste jalécos, assim como na vida real, na ficção a sua roupa diz muito sobre você.

3. PENSE NAS VARIÁVEIS 

Criar um personagem para a ficção é como criar um personagem para conquistar as garotas do bar. Há muitos fatores externos que podem atrapalhar o seu personagem, dificultar a sua atuação ou, até mesmo, destruir o personagem por inteiro. Pense nos fatores externos que podem afetar o seu personagem. Seus amigos, o trânsito da cidade ou a bolsa de valores. Se o seu objetivo é criar um personagem verossímel, em algum momento o mundo tem que afetá-lo. Não adianta dizer que ele é um economista e deixá-lo simplesmente alienado ao seu mundo profissional, são esse links com a realidade, essas diversas possibilidades que fazem um personagem funcionar ou não, seja no papel de um livro, na tela da TV ou na mesa de bar.

A história mundial se funde com a ficção para promover o filme X-Men: Dias de um Futuro Esquecido


Quem acompanha este blog já percebeu que imaginar, fantasiar ou sonhar são praticamente elementos vitais do ser humano. Jung afirma que "[...] a fantasia é que intermedeia o mundo de fora e o mundo de dentro".

Talvez por isso histórias que mesclam fatos reais com ficionais tenham um grande impacto nas pessoas, quando são bem feitas. Assim como a ação lançada para o filme " X-Men: Dias de um Futuro Esquecido", aonde o site 25moments.com reúne 25 fatos ao longo da história da humanidade e dos mutantes, que levaram aos acontecimentos que serão narrados no filme. 


É possível encontrar casos como o envolvimento de Magneto no assassinato de Kennedy e o nascimento de Colosso após o acidente de Chernobyl . Claro que tudo isso, só desperta mais interesse pelo filme, vamos aguardar! 

STORYTELLING E FICÇÃO NA CONSTRUÇÃO DE MARCAS


Muito se fala por este blog a fora sobre storytelling. Entre discursos mais ou menos corretos, em geral ouvimos que storytelling não é algo novo, mas que vem ganhando destaque na comunicação por, basicamente, comover e conquistar a atenção de consumidores cada vez mais “nem aí” para as marcas.
Mas se o storytelling não é algo novo, onde ele começa? O que é ou não storytelling? Como ele conquista consumidores? Em suma, que história é essa de contar histórias?
Foi atrás de respostas para perguntas como essas que, há pouco mais de um ano, comecei a estudar o storytelling e escrever meu TCC sobre construção de marcas a partir de histórias ficcionais. Sim! Adicionem às perguntas acima, outras duas: o storytelling pode sair de mídias (comunicação) e ir para a construção de marcas (identidade)? Como se dá a relação entre a realidade e a ficção no storytelling para marcas?
O resultado de uma longa jornada de pesquisas e estudos foi recompensador. Mas as conclusões, vou deixar para que vocês mesmos possam tirar, lendo meu estudo na íntegra com seus próprios olhos:

REALIDADE, STORYTELLING E FICÇÃO

A cada edição do curso de inovação em Storytelling, na ESPM, chega uma altura em que o tema realidade versus ficção vem à tona. Há edições em que os alunos se exaltam mais, outras menos. Mas o que é indelével a todas elas é a total inconclusão com que o tema se encerra. “What’s real?”, como diria o personagem Morpheus a Neo, em Matrix.

Procurando responder a essa pergunta – ainda que a cada dia que passe eu encontre novas informações e menos respostas – é que venho pesquisando como se resolve a relação entre o real e o ficcional quando o assunto é storytelling para marcas e empresas. Em suma, qual é o limite em que a ficção passa a parecer mentira aos olhos do consumidor?
A princípio, a questão passa por duas grandes óticas, a da narrativa e a do consumo. Quando o assunto é narrativa, parece haver algum consenso de que no papel, as fronteiras de realidade e ficção se extinguem. Mais que isso, “espera-se que os autores não só tomem o mundo real por pano de fundo de sua história, como ainda intervenham constantemente para informar aos leitores os vários aspectos do mundo real que eles talvez desconheçam”, diria Umberto Eco.
Entretanto, quando a ficção toca o consumo, parece não querer ter um final feliz. Com a alegoria da formiga e da cigarra, Everardo Rocha alerta para a carga negativa que permeia o consumo durante a sua existência. “A cigarra canta, gasta, consome, e a formiga labora, poupa, produz.”. Na mesma toada, Jean Baudrillard em seu livro “Sociedade de Consumo”, afirma que a realidade não mais existe, mas tão só um imenso esforço em imitar minuciosamente a realidade, no que ele convém chamar “hiper-realidade”.
Por fim, e retomando o conceito do “P de Plot” do curso, a hipótese que levantei no início da minha ainda inacabada pesquisa é a de que a ficção no storytelling deve, de alguma maneira, estar em consonância com a realidade, com a “trama” da empresa, marca, produto ou serviço oferecido. Seja a comunicação (o “hiper”) lúdica, como a “Máquina da Felicidade” da Coca-Cola, ou verossímil, como a história da Diletto, ela deve respeita a “realidade” do que a marca oferece e de como ela é percebida pelos seus consumidores.

DA FICÇÃO PARA A REALIDADE, DE “1984” PARA 2013

Há cerca de 64 anos, em 1949, George Orwell lançava a primeira edição de sua obra de ficção chamada “1984”. Para o antigo Reino Unido dos anos 40, tratar a história repleta de vigilância e ficção científica como, de fato, ficcional é completamente compreensível. Entretanto, anos depois, mais exatamente uma semana atrás com a revelação do monitoramento do governo estado-unidense a registros de ligações dos cidadãos americanos, nada é mais real para 2013 do que “1984”.
São notícias como essa que, com todo o aparente ensejo real do jornalismo, mais uma vez não nos deixa mentir: dentro de toda grande ficção há sempre uma verdade maior ainda. Tecnologias mudam, dogmas são quebrados e consequentemente lá se vai o que antes nos parecia real. Mas há uma característica de toda boa história que permanece e transcende as décadas: a verdade humana.
Assim, a realidade é que existe em nós algo que nem os subordinados de Barack Obama conseguiram desvendar em suas espionagens, e que parece resistir e ciclicamente voltar à tona em fatos como esse. Algo que em 2013, 64 anos depois de 1984, apresenta um aumento de 6888% nas vendas do livro em um só dia, sem dúvida nos cativa atemporalmente. 

Pontos críticos na Transmidia de Defiance



Defiance é um seriado de ficção científica produzido originalmente pelo canal SyFy que estreou recentemente causando uma enxurrada de notícias em sites de entretenimento e de comunicação. Isso porque os produtores ousaram em criar um dos primeiros produtos de transmidia nativa dos últimos anos.
Transmídia nativa é aquela aonde a expansão do storytelling, através de múltiplas plataformas de mídias é planejada  previamente. 
 Para a indústria do entretenimento, uma narrativa expandida é o melhor que eles podem conseguir. Falar com seu público por vários anos e de várias formas.  Então é muito natural que iniciativas como esta comecem a aparecer em larga escala... aliás a Comcast, que é a maior companhia de TV a cabo, pretende investir além de Defiance 1 Bilhão de Dólares em 6 seriados de com Transmidia Storytelling nativa.  Só Defiance levou 5 anos de planejamento  e 100 milhões de Dólares apenas na fase de desenvolvimento das estratégias. Isso será um prato cheio para que muitas pessoas comecem a olhar para esses assuntos com maior frequência.

O enredo do seriado se passa em torno de uma guerra que se originou com a chegada de várias raças alienígenas que são conhecidas (todas) pelo nome de Votans.  Mesmo com toda sua tecnologia de Terraformação capaz de transformar a biodiversidade da Terra e alterar completamente a geografia do planeta eles, ao buscarem refúgio, não conseguiram perceber que já existia uma raça habitando por aqui. -outh!


Neste cenário, surge um ex-militar humano, Nolan, que caça as naves destruídas que ainda caem do espaço com sua filha adotiva, a votan Irisa. Até que eles se deparam com uma cidade construída sobre a antiga St. Louis. Ela é um tipo de colônia aonde as raças aliens e humanos podem viver em relativa paz. Os conflitos, previsivelmente fazem com que Nolan se torne o guardião do lugar, atualmente é chamado Defiance.

O ponto alto deste projeto é, como anunciado em vários lugares, ter nascido com um MMO (Massive Multiplayer Online) - um jogo online com servidores que suportam milhares de players ao mesmo tempo. A ideia é, que as decisões massivas dentro do game influenciem no desenvolvimento da série.  E existe uma coisa bem interessante que integra o projeto: Algumas keys que liberam equipamentos especiais para os jogadores são espalhadas por emails, social media e (espero) contidas nos episódios transmitidos pelo SyFy.


Mas então se tudo isso está sendo desenvolvido e com tanto investimento em transmídia storytelling o que pode dar errado? 

Pois é, o que poderia? Mas uma busca rápida no Google vai ajudar a perceber uma coisa que em 5 anos os produtores deixaram de lado. Eu acompanhei desde o início as notícias sobre Defiance e desde sempre o motivo principal por ele ter tanto destaque foi a transmídia e não a história.  O esforço na forma foi extravagante, mas no conteúdo nem tanto. Quando assisti o piloto senti como se estivesse mastigando uma embalagem bonita, porém vazia.
Esse é um caminho perigoso para quem pretende produzir transmidia storytelling.  A história sempre deve ser o principal, se ela for realmente boa, naturalmente transbordará para outros meios. 
Até o sexto episódio muita gente tem reclamado que a trama está lenta, não desenvolve e não é suficientemente interessante para engajar. Eu sou fã de ficção e realmente já vi coisas muito melhores.




E o Game... vai? 

Olha, a indústria de MMOs vem sofrendo com um grande dilema, qual modelo de rentabilização adotar. Free to play ou Pay to Play? Alguns grandes projetos como Star Wars Old Republic sofreram terríveis baixas após o período de teste em que começaram a pagar. Por fim tiveram que alterar suas estratégias e começarem a trabalhar com DLC (pacotes para download) pagos, que ofereciam conteúdo exclusivo e assim ganhar grana no servidor gratuito.

Então quando entro no site para tentar acompanhar Defiance também pelo jogo, não existe nem uma versão de teste. Nada do tipo jogue a primeira fase de introdução ao mundo de Defiance. Está tudo pago, assim como Ebooks e HQs, os produtores da série não estão esperando o engajamento, estão investindo agressivamente na rentabilização.  Não estou dizendo que ninguém vai entrar acompanhar a transmídia por esses meios, mas convenhamos que irá reduzir bruscamente as possibilidades de novas pessoas entrando no seu universo.  Eu mesmo não pagarei por algo que não "senti firmeza" com o seriado.
O fato do game ser TPS ( Third-person shooter ou jogo de tiro em primeira pessoa) não ajuda muito na hora de convergir o roteiro da Série.  Mesmo no piloto, se você é um jogador mais experiente, pode ter a sensação de que a maioria das cenas de conflito são como introdução as fases de um jogo de tiro:  "O cara para na floresta apenas com uma arma e alguns monstros super velozes correndo por trás das árvores... Start!"



Eu até me arrisco em dizer que o problema da lentidão no ritmo da trama é porque a todo momento eles tentam usar a série para apresentar ou explicar algo importante da mecânica do jogo.  Porém a imersão que acontece em um jogo de tiro,  na maioria dos casos não é totalmente baseada na narrativa, o que força a série a deixar de lado alguns pontos que podem ser importantes para aprofundar o storytelling, para aprofundar em outra coisa derivada do game.  O que estou dizendo é que tentaram chegar em um meio termo nos roteiros Game/TV para fazer com que as duas coisas andassem juntas e isso pode ter limitado muito alguns pontos da narrativa.

Já no piloto mesmo uma das sete raças tenta invadir a cidade, que perdeu seu campo de força (e nunca pensou em ter um sistema de segurança em caso de emergência) e então todos os moradores, praticamente todos, se armam para enfrenta-los. Aquilo não foi crível, em um MMO você está se ferrando pros NPCs ao teu lado, não se importa com quem eles sejam, mas em uma série todos eles tem nomes, vidas e isso não explicaria a maestria em acertar todos os tiros.

A verdade é que agora os esforços em torno da série, correm na direção de justificar tudo o que foi feito. Talvez seja possível dar um jeito em tudo, já confirmaram uma segunda temporada na TV e vão querer fazer dinheiro e dizer, isso aconteceu, alcançamos um número nunca alcançado. Se vão chegar lá,  isso é outra história.


HIPER-REALIDADE "VERSUS" TRANSMÍDIA

Boa parte dos temas propostos nas publicações aqui no blog relacionam o storytelling, cedo ou tarde, ao consumo. As histórias entram na comunicação mercadológica também e tão bem para quebrar o caráter descritivo e imperativo da propaganda convencional, e assim é indelével que elas acabem por vagar entre o campo da ficção e da realidade. É daí que surge a pergunta de um milhão de dólares, que insiste em não querer calar-se em uma resposta definitiva: o que é real e o que é ficcional?


E não me venham dizer que real é aquilo que você vive ou sente. Não são poucos os estudos que, com um foco ou outro, acabam por comprovar que nosso cérebro nos faz enganar e se enganar diariamente. Assim, dizer tão só que real é aquilo que você vive ou sente é não mais que se enganar também.

Entretanto, não satisfeito com a tenuidade entre o real e o ficcional, trago ainda um terceiro conceito defendido pelo autor francês Jean Baudrillard: a hiper-realidade. Em suma ela pode ser definida como o contato com além do que pode ser chamado de real (se é que algo pode ser chamado, de fato, de real) em um acontecimento. Essa situação se evidencia ainda mais quando inserimos a tecnologia em nossa vida cotidiana. Ou seja, a hiper-realidade se expressa, por exemplo, no momento em que eu, você ou nós assistimos a um capítulo da novela, a uma notícia na televisão ou a um filme no cinema já tendo lido, jogado, consumido mais sobre o respectivo assunto (ou história) anteriormente.
Por fim, quando a alternativa é a do parêntese acima e tratamos sobre ter contato com diferentes vertentes de uma mesma história em diferentes mídias, qualquer semelhança de hiper-realidade com transmídia não é mera coincidência.

TODO DIA É DIA DA MENTIRA




O “Primeiro de Abril” é, antes de tudo, um grande erro de tradução quando chamado de “dia da mentira”. Conhecido nos Estados Unidos como “April Fools”, lá e em diversos outros países de outras línguas este não é lembrado como um dia de mentir, mas sim de pregar peças, sacanear.
Segundo conta a história, o dia primeiro de Abril marcava o fim das festas de passagem de ano no calendário Juliano – junto à chegada da primavera na França. Foi aí que o rei Carlos IX determinou a mudança para o calendário Gregoriano, mudando o dia da passagem de ano para como conhecemos e comemoramos hoje. Em meio a essa mudança, se aproveitando dos mais desinformados, havia os que enviavam convites falsos a festas de passagem de ano no dia um de Abril. E assim surgiu a tradição do “Dia dos Tolos”.
Verdadeira ou mentirosa, ou ainda mais profundo que isso: real ou ficcional, essa versão da história nos parece passível de acreditar porque acima de tudo é convincente, relevante e principalmente condizente com os valores que a tradição do “Dia dos Tolos” quer transmitir. E assim também funciona com as histórias que as marcas querem contar.

Se a marca de roupas Hollister foi de fato fundada em 1922 por um aventureiro americano que se opunha a vida quadrada de seu pai ou se a primeira loja só passou a existir no ano 2000, 78 anos de ficção pouco importa se eles foram imaginados da mesma forma que o imaginário do consumidor funciona em relação aos produtos da marca.
Para os mais desconfiados que insistem em achar que histórias inventadas são mentiras bem como o “Primeiro de Abril” é o dia da mentira, a neurociência rebate e comprova que nosso cérebro é sim programado para inventar informações que não existem “realmente” conforme se faz necessário.

E que a tradução agora correta de “April Fools” para “Dia dos Tolos” nos sirva como metáfora pra entender que uma história ficcional de uma marca só é mentira quando é contada como se fosse dia primeiro de Abril, ou seja, fazendo o consumidor de tolo.


Literatura em tempo real

Alguns princípios interessantes de literatura:

tudo o que vai para o papel é ficção, mesmo que seja uma autobiografia. Pois dos dedos de um escritor qualquer texto sai romanceado. Por isso romancista.

Romancear faz parte do processo que transforma o que seria uma notinha de jornal num livro traduzido para mais de 70 idiomas. Jorge Amado que me prove.

A narrativa é muito mais envolvente quando fatos são trocados por pontos de vista. É a troca da factualidade pela intimidade.

Pra entrar na intimidade é preciso partir de algo que se viveu ou acompanhou de perto. Então toda história nasce da experiência pessoal.

A ficção é o processo de 'fazer um strip-tease às avessas' como coloca Mario Vargas Llosa. Ou como diz Orhan Pamuk 'literatura é a arte de contar as histórias dos outros como se fossem suas e as suas como se fosse dos outros.'

Às vezes o strip-tease às avessas é pouco elaborado. É o caso de livros em que o autor é o próprio protagonista como Elizabeth Gilbert é a Liz de Comer, Rezar, Amar.

Mesmo no caso extremo dos diários, como as publicações de Wendy Guerra, ainda assim é ficção. Isso porque ela espera o desfecho para poder editar e só então publicar.

É justamente essa lógica que o autor W'nderer Writer está querendo subverter. Promete publicar nos moldes narrativos um momento de vida que ainda se desenrola. Como nos romances de folhetim em que os capítulos eram publicados logo após escritos. Só que nesse caso, logo após vividos. Nem ele sabe como vai acabar. Vale a pena conferir: