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Marqueteiros e histórias – fomento


Se os norte-americanos já tiveram uma coisa difícil de se ver por aqui essa coisa é o fato de terem sido governados por bons presidentes. Roosevelt era um cara que sabia das coisas. Do alto de seu pragmatismo, ele ensinou uma das mais valiosas lições corporativas: "onde chegam nossos filmes, chegam nossos produtos". Gênio.

Os filmes contam histórias e, assim como seus primos contadores de histórias - novelas, peças de teatro, seriado, etc. - não representam apenas uma das formas mais ancestrais de comunicar mensagens e idéias, mas também uma das principais formas de entretenimento. Em suma, todos nós gostamos.

Só que nos dias de hoje pra existir tudo isso que a gente gosta - seja filme, seja outra forma de história - tem que ter alguém que financia: as empresas, por meio de anúncios, patrocínios ou doações. No linguajar popular, elas “são as donas da bola”.

E nesse contexto os marqueteiros são os responsáveis por decidir o que fazer com ela. Quais jogos serão jogados, quais serão postos de lado. Mas nem tudo são flores, pois como diz o tio do Homem Aranha, “com o poder, vêm grandes responsabilidades”. E é mesmo, afinal, sem bola de cristal é difícil de saber qual é a melhor decisão tomar em meio a tantas opções. A oportunidade normalmente aparece para todos, mas muitas vezes ela vem disfarçada e por isso acaba sendo tão fácil deixar escapar por entre os dedos. A Regra de Ouro da Oportunidade é que agarrá-la é tão difícil quanto pegar a bola dourada numa partida de quadribol: é preciso estar atendo ao redor, sempre procurando, e quando ela estiver ao alcance, jogar-se sem medo para pegá-la... Justo, afinal ela sozinha tem o poder de vencer qualquer jogo; ela vale o risco, a aposta.

Para ilustrar essa dificuldade, vou me valer da saga da publicação do Harry Potter: uma verdadeira mina de ouro que só precisava da aprovação de um editor para que todos no processo – ele inclusive – ficassem milionários. Certo? Certo. Mas não é que ele foi recusado 27 vezes, por 27 editores diferentes? Durante um ano inteiro, nenhum fez a única coisa que deveria ter feito: apostar; ou, pelo menos, dar na mão de 3 crianças e pedir a opinião delas ao invés de “achar que era um livro muito longo para crianças”.

Qual o caminho seguro? Quando se trata de histórias, as empresas gostam de “pegar carona” nas histórias dos outros. É o “product placement”, também chamado de “merchandising”. Mas aí quase sempre fica aquela coisa estranha do branquelo chegando na praia no meio das férias de verão. Mas há outras formas, como o The Hire da BMW, o Náufrago da FedEx, Família Soprano e Prozac, a Sony com Cloverfield, o McDonalds no Pulp Fiction, a Gap em vários episódios de Seinfeld... São todos ótimos exemplos de ficções de marcas, ou seja, de histórias que transformam as mensagens das empresas em parte importante da trama.


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MARCAS QUE PROTAGONIZAM HISTÓRIAS


Post publicado originalmente no Adnews por Renato Rogenski

O mercado internacional reconhece o impacto e a efetividade dos trabalhos de product placement. Fosse diferente, a maioria das superproduções não teriam a introdução das marcas durante as cenas. Para alguns especialistas, o Brasil parece ainda engatinhar no tema, apesar de já ter algumas iniciativas interessantes. Uma delas, criada pela J.Walter Thompson, chamou a atenção de parte do público do Twitter na noite de ontem.

No penúltimo capitulo da novela Império, exibida pela Rede Globo, o vilão José Pedro (Caio Blat) bebeu uma Coca-Cola momentos antes de sequestrar a própria irmã (Leandra Leal). "Estou ansioso. Fiquei até com a boca seca. Adeus, bastarda", disse o personagem, ao lado de Maurílio (Carmo Dalla Vechia). Na sequência, durante o sequestro, Maurílio segura a lata vazia na mão e questiona o que fazer com o objeto, que agora tem impressões digitais.

Ao tentar jogar a embalagem no lixo, entretanto, o personagem erra o alvo, e o item cai na rua. A última cena parece deixar evidente a importância que a lata da Coca deve ganhar no desfecho do último capítulo da trama, que foi ao ar em março. Entretanto, parte do público do Twitter não entendeu a ação como um encaixe bem contextualizado. Uma enxurrada de críticas sobre a introdução do produto nas cenas ganhou a rede social. A maior delas: a associação do vilão com o produto.

Para Fernando Palacios, professor de Storytelling na ESPM e Diretor da Storytellers Brand´n´Fiction, a questão é também a própria cultura do brasileiro com relação à polarização entre mocinhos e vilões. "A estratégia foi ousada. Enquanto os Estados Unidos investem cada vez mais em seus vilões, o Brasil ainda tem esse apego dicotômico ao herói bonzinho e ao vilão malvado", acredita.
Para Palacios, talvez o fator mais grave esteja em outro ponto. "Colocar uma Coca-Cola na mão do vilão no penúltimo episódio certamente daria o que falar. Talvez o escorregão esteja no fato de que a Coca-Cola se posicione como a marca ‘Embaixadora da Alegria’ e essa associação com a vilania acaba ficando estranha", explica.

Ainda assim, o professor lembrou que a mesma Coca-Cola já se arriscou em cenas de placement com o contexto parecido. "No seriado Breaking Bad, a Coca-Cola também apareceu em contextos de vilania, tanto quando o protagonista Walter White compra o lava-rápido para lavar seu dinheiro, como na cena icônica do episódio ‘Say my name’ em que ele diz que sua droga é a melhor e que se ele morrer seria como acabar a Coca-Cola do mundo", finalizou.

Confira alguns dos comentários no portal Adnews.
Para saber como inserir marcas e produtos em tramas, enredos e conteúdos, conheça o curso Inovação em Branded Content.

O buzz da Coca-Cola na mão do vilão de Império

Post publicado originalmente no portal Adnews

O mercado internacional reconhece o impacto e a efetividade dos trabalhos de product placement. Fosse diferente, a maioria das superproduções não teriam a introdução das marcas durante as cenas. Para alguns especialistas, o Brasil parece ainda engatinhar no tema, apesar de já ter algumas iniciativas interessantes. Uma delas, criada pela J.Walter Thompson, chamou a atenção de parte do público do Twitter na noite de ontem.

No penúltimo capítulo da novela Império, exibida pela Rede Globo, o vilão José Pedro (Caio Blat) bebeu uma Coca-Cola momentos antes de sequestrar a própria irmã (Leandra Leal). "Estou ansioso. Fiquei até com a boca seca. Adeus, bastarda", disse o personagem, ao lado de Maurílio (Carmo Dalla Vechia). Na sequência, durante o sequestro, Maurílio segura a lata vazia na mão e questiona o que fazer com o objeto, que agora tem impressões digitais.

Ao tentar jogar a embalagem no lixo, entretanto, o personagem erra o alvo, e o item cai na rua. A última cena parece deixar evidente a importância que a lata da Coca deve ganhar no desfecho do último capítulo da trama, que foi ao ar em março. Entretanto, parte do público do Twitter não entendeu a ação como um encaixe bem contextualizado. Uma enxurrada de críticas sobre a introdução do produto nas cenas ganhou a rede social. A maior delas: a associação do vilão com o produto.

Para Fernando Palacios, professor de Storytelling na ESPM e Diretor da Storytellers Brand´n´Fiction, a questão é também a própria cultura do brasileiro com relação à polarização entre mocinhos e vilões. "A estratégia foi ousada. Enquanto os Estados Unidos investem cada vez mais em seus vilões, o Brasil ainda tem esse apego dicotômico ao herói bonzinho e ao vilão malvado", acredita.
Para Palacios, talvez o fator mais grave esteja em outro ponto. "Colocar uma Coca-Cola na mão do vilão no penúltimo episódio certamente daria o que falar. Talvez o escorregão esteja no fato de que a Coca-Cola se posicione como a marca ‘Embaixadora da Alegria’ e essa associação com a vilania acaba ficando estranha", explica.

Ainda assim, o professor lembrou que a mesma Coca-Cola já se arriscou em cenas de placement com o contexto parecido. "No seriado Breaking Bad, a Coca-Cola também apareceu em contextos de vilania, tanto quando o protagonista Walter White compra o lava-rápido para lavar seu dinheiro, como na cena icônica do episódio ‘Say my name’ em que ele diz que sua droga é a melhor e que se ele morrer seria como acabar a Coca-Cola do mundo", finalizou.

Confira alguns dos comentários no portal do Adnews.
Para entender mais sobre como marcas e produtos podem participar de conteúdos autorais, conheça o curso Inovação em Branded Content.

SUGAR PUFFS, A MARCA QUE FINANCIOU A VIAGEM NO TEMPO DE DR. WHO



Esse post é uma pequena homenagem tardia ao aniversário de 50 anos da série Dr. Who, mas como ainda estou na primeira temporada e ainda não tempo de analisar tudo com cuidado, vou falar especificamente da versão para o cinema. O filme chamado Daleks' Invasion Earth: 2150 A.D. foi lançado em 1966 e nos possibilitou um dos mais inusitos product placements na ficção científica.

O caso é que Doctor Who acaba em um futuro excentrico londrino, onde a água, nem comida, e o mundo foi dominado pelos Daleks, vilões mortíferos que matam praticamente tudo o que vive. Nesse cenário futurístico e tecnológico o filme ficou conhecido pelo exagero da exposição da marca Sugar Puff de cerais. Isso mesmo, não foi a iserção de um carro como na série e filme A Super Máquina, não foi nem uma marca de relógios para garantir que o nosso viajante não perca em suas aventuras temporais, não, meus caros, foram vários e vários cartazes de Sugar Puff distribuidos pelo cenário de uma londres em ruínas. 

Não preciso nem dizer que para tanta inserção  Quaker Oats, na época responsável pela fabricação do cereal, financiou a produção do filme, né? Mas tal financiamento não foi só para que a marca pudesse ganhar o seu tempo na tela, o acordo também incluia uma ação de tie-in que vinha nas caixas temáticas do cereal, o ganhador da promoção levaria um boneco de um Dalek, raça de alienígenas vilã no filme. E para finalizar a Sugar Puff conseguiu o direito de usar a imagem dos personagens do filme em seu comercial e outros materiais promocionais da marca. 


STORYTELLING E A INSERÇÃO DE MARCAS

Inserir marcas em uma narrativa não é um trabalho fácil, muito menos, criar narrativas diretamente para essas marcas, mas quando o resultado é bom, todo o trabalho vale a pena. Existem diversas maneiras de se inserir uma marca em uma história, o conhecido "merchandising" ou "merchan" não se limita apenas ao velho close de câmera no produto no meio de uma cena. Existe, inclusive, um jeito de inserir uma marca sem mostrar a marca, ou o seu logo, nem mesmo o nome é necessário. 


Esse tipo de inserção de marca foi chamado de Inserção Evocativa por Jean-Marc Lehu, autor de Branded Entertainment, um dos mais famosos especialistas no assundo. Para que uma inserção evocativa seja eficiente é preciso que a marca seja conhecida do público. Estamos falando por exemplo do produto representado na imagem ao lado. Eu não preciso dizer o seu nome, ou mostrar o seu logo, eu nem mesmo preciso descrever as suas características para que vocês reconheçam o ícone criado pela maior marca de refrigerentes do mundo. A maior exatamente por isso, afinal, não importa onde você esteja, que idioma eles falem, Coca-Cola será sempre Coca-Cola. 

Marcas bem trabalhadas podem ser apresentadas por todos os tipos de signos definidos pela semiótica: ícone, como a garrafa de coca, índice, como a roupa branquinha do comercial de OMO, e claro, símbolo, como a famosa maçã da Apple. Todos os valores de uma marca e todas as suas ações fazem parte do significado de duas representações signicas. Algumas marcas são tão bem trabalhadas que os seus signos podem ser usados para a ajudar uma narrativa, ao invés de limitá-la. 

Para simplificar vamos falar de uma marca específica, a Playstation, por exemplo, é uma bom exemplo de uma marca com forte significado. Para muitos ela representa inovação, tecnologia, juventude, lazer e diversão. O seu significado de diversão é tão poderoso que ficou impresso em todos os seu elementos, principalmente no design dos seus produtos. Não é necessário, para a maioria das pessoas pelo menos, que haja um logo da marca no console para diferenciá-la do X-Box. Enfim, é chegada a hora do vídeo, que na verdade é um clipe, mas poderia facilmente ser uma propaganda. Prestem atenção nas imagens, se quiserem, inclusive, podem assistir tudo no mudo, o que importa aqui é a história. 

                                

STORYTELLING, PRODUCT PLACEMENT E OUTROS SIGNIFICADOS CONFUSOS



Uma das coisas mais difíceis de se trabalhar de com publicidade, na minha humilde opinião, é que publicitários adoram conceitos, palavras e "coisas" novas. Sofremos de um tipo de obsessão por coisas que não sabemos definir e por isso, quando não encontramos respostas, as criamos.

Isso tem acontecido muito com o storytelling, uma série de conceitos e definições divergentes dividem o mundo, todas competindo por um espaço um pouco mais importante no mercado. Há quem diga que para ser storytelling precisa ter uma história real, outros que só a ficção serve, há quem defenda que storytelling é um nome bonito para algo velho, outros acreditam na maior inovação possível. Mas hoje, eu não vou falar de storytelling, pelo menos, não só disso. Hoje nós vamos falar de significados.

Entre no google, o oráculo mais respeitado do século, e pergunte, por exemplo, o que é "tie-in", ou melhor, termine de ler esse texto antes de ir pro google. A resposta que você irá receber sobre "tie-in" será linguística em um primeiro momento. A tradução da palavra tie-in irá levá-lo, eventualmente, ao significado de "união" ou "entrelace", o que também pode te levar ao significado de "autores tie-in" que são aqueles autores respondáveis por escrever "fan-finctions" licenciadas, ou seja, novas histórias para um universo já consagrado. Alguns outros publicitários, como eu aprendi na faculdade, dirão que "tie-in" é a inserção de uma marca em um filme, programa de telivisão ou qualquer outro produto cultural. Essa última definição também serve perfeitamente para explicar "product placement" que é "é a inserção de uma marca em um filme, programa de telivisão ou qualquer outro produto cultural." Assim continuamos nossas viagens, dando diversos nomes para as mesmas coisas criando um pesadelo semiótico para todos que tentam se especializar em alguma coisa.

Por fim, "tie-in" também pode significar a ação promocional realizada por uma marca a partir do "endosso" de um produto cultural. Como por exemplo os M&M's de star wars, ou os brinquedinhos do McLanche Feliz. Eu particularmente gosto dessa definição, pois é a única que não contradiz outros termos publicitários, pelo menos até agora, afinal, são tantos nomes e tantas respostas que a publicidade quase subverte as logicas de significados e significantes responsáveis pela comunicação humana. Devo dizer, com certo incômodo, que os significados dos "jargões" estão longe de serem tão bem definidos quanto os significados das marcas que nós criamos, curiosamente, usando esses mesmos jargões.

PÃO COM AZEITE E SAL




Já faz tanto tempo que na maior parte dos dias eu nem lembro. Azeite, duas colheres de sopa, e sal, apenas uma pitadinha. O pão francês, que de francês não tem nada, sem a casca, só o miolo raspando no prato e misturando o azeite no sal. Para mim a infância tem gosto e esse com certeza seria um deles. Pão com azeite e sal.

- Vó, o que tem de café da manhã?

- Leite com groselha e pão com azeite e sal.

- Não tem mais nada para por no pão? - eu reclamava sem saber a falta que aquele ritual me faria alguns anos mais tarde.

Ela sentava sempre na mesma cadeira, perto da porta, parecia gostar do vento que vinha da varanda. Cortava o pão em quatro, nunca em dois como eu via o pessoal da padaria fazendo. Tirava as cascas mais duras, era delicada, calma e sempre me contava uma história enquanto preparava seu café da manhã. Minha avó adorava histórias, livros, contos e causos, muitas dessas histórias vinham da Itália no mesmo navio que da mãe dela, ou do pai. O azeite, sempre o mesmo, uma lata de cor dourada com detalhes em vermelho. Era o cheiro do azeite e do pão se misturando no ar que tornava toda manhã ainda mais mágica.

- Tem sim! Tem manteiga! E daqui a pouco eu tiro o pão doce do forno. Agora come ou eu faço como fazia minha mãe e te deixo aqui, sentado o dia todo até você comer o seu pão. - era sempre assim, com algum comentário despretensioso sobre o passado que ela começava suas histórias.

Foi naquela mesa que eu conheci a Itália, ou pelo menos a imagem que ela criou da Itália, e Portugal. Foi ao cheiro do azeite de lata dourada que eu aprendi a história de Adriano, meu bisavô, português de natureza, mas brasileiro de coração. Dono de padaria, cozinheiro de mão cheia, trabalhador. Um dos heróis de minha infância.

Quando a minha avó ficou doente, fazíamos de tudo para manter o ritual. Todo domingo eu sentava na cama, com um prato cheio de azeite e sal.

- Vó! Vamos comer? Olha eu tiro a casca do pão pra senhora!

- Obrigado filho! - Me respondia a senhora de cabelos brancos que mesmo de cama ainda tinha o sorriso mais contagiante que eu já vi na minha vida. A lata de azeite ficava aos meus pés, ao lado do saleiro.

As histórias continuavam, entre um pedaço e outro de pão eu acabava descobrindo um pouco mais sobre a minha família e conhecendo um pouco melhor o mundo fantástico que a minha avó criou para contar suas histórias para mim, meus primos e minha irmã. 

Foi em uma dessas histórias que eu aprendi a fazer massa de macarrão e decidi me tornar cozinheiro, como meu bisavô. O mundo, é claro, não é como o mundo fantástico das histórias da minha avó, mas sempre que eu preciso de um pouco de esperança ou daquele conforto e segurança que eu só sentia no café da manhã, eu vou até a cozinha, pego o azeite Gallo, um pão francês e me deleito nos sabores da minha vida como se o destino jamais tivesse tirado a minha avó de mim.

Escrevi o texto acima pensando em uma propaganda de azeite, a história é real, mas nada me impede de usá-la, aliás, o azeite, para mim é coisa séria e assim que deve ser quando falamos de storytelling, o produto deve ser parte da história, afinal é isso que faz as pessoas se relacionarem com ele no fim das contas, comprarem. Se eu fiz tudo certinho, vocês sentiram vontade de comer pão e/ou azeite e quem sabe quando chagarem no mercado e olharem para a lata de ferro dourada e vermelha, quem sabe vocês não levam um desses para experimentar o sabor da minha infância?

STORYTELLING, UMA HISTÓRIA DE AMOR



As aulas do meu primeiro curso de storytelling eram como terapia. O metrô, quase sempre lotado, parecia não abalar minha ansiedade em chegar na sala de aula e ver um pouco mais daquele mundo fantástico que os professores me convenceram que de realmente existia.

Eu amei tanto aquilo tudo que antes mesmo dele acabar comecei meu planos para o próximo. Não foi fácil, mas eu consegui o dinheiro e estava pronto para aprender mais, fazer parte de mais momentos mágicos e, é claro, encontrar mais histórias fantásticas. 

A sala prestava atenção em cada palavra, alguns anotavam tudo o que podiam como quem corre contra o relógio para não perder o tempo da vida, mas outros, como eu, apenas ouviam, talvez não fossemos capazes de desprender a atenção por tempo o suficiente para escrever. 

Era lindo, maravilhoso, mas ainda me faltava entender o motivo daquilo tudo, ainda me parecia difícil aceitar que marcas pagavam para escritores criarem histórias, eu ainda não tinha entendido como colocar a mensagem de uma marca na minha narrativa. As aulas, claro, esclareceram a maior parte dessas dúvidas, mas ainda me faltava algo. Até que, em uma das aulas, o @brunoscarto, professor do curso, nos apresentou ao vídeo abaixo... ai, sim, eu entendi o poder do storytelling. 




Storytelling é essa mágica que faz você sentir o coração apertado por causa de uma garrafa de leite. Foi assim, com a história de amor dos leites que eu me apaixonei por storytelling. Quer se apaixonar também? Vai ter mais um curso de storytelling, edição mais que especial na passagem do mochileiro mais storyteller de todos, Fernando Palacios. 

Marqueteiros e histórias – fomento

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Se os norte-americanos já tiveram uma coisa difícil de se ver por aqui essa coisa é o fato de terem sido governados por bons presidentes. Roosevelt era um cara que sabia das coisas. Do alto de seu pragmatismo, ele ensinou uma das mais valiosas lições corporativas: "onde chegam nossos filmes, chegam nossos produtos". Gênio.

Os filmes contam histórias e, assim como seus primos contadores de histórias - novelas, peças de teatro, seriado, etc. - não representam apenas uma das formas mais ancestrais de comunicar mensagens e idéias, mas também uma das principais formas de entretenimento. Em suma, todos nós gostamos.

Só que nos dias de hoje pra existir tudo isso que a gente gosta - seja filme, seja outra forma de história - tem que ter alguém que financia: as empresas, por meio de anúncios, patrocínios ou doações. No linguajar popular, elas “são as donas da bola”.

E nesse contexto os marqueteiros são os responsáveis por decidir o que fazer com ela. Quais jogos serão jogados, quais serão postos de lado. Mas nem tudo são flores, pois como diz o tio do Homem Aranha, “com o poder, vêm grandes responsabilidades”. E é mesmo, afinal, sem bola de cristal é difícil de saber qual é a melhor decisão tomar em meio a tantas opções. A oportunidade normalmente aparece para todos, mas muitas vezes ela vem disfarçada e por isso acaba sendo tão fácil deixar escapar por entre os dedos. A Regra de Ouro da Oportunidade é que agarrá-la é tão difícil quanto pegar a bola dourada numa partida de quadribol: é preciso estar atendo ao redor, sempre procurando, e quando ela estiver ao alcance, jogar-se sem medo para pegá-la... Justo, afinal ela sozinha tem o poder de vencer qualquer jogo; ela vale o risco, a aposta.


Para ilustrar essa dificuldade, vou me valer da saga da publicação do Harry Potter: uma verdadeira mina de ouro que só precisava da aprovação de um editor para que todos no processo – ele inclusive – ficassem milionários. Certo? Certo. Mas não é que ele foi recusado 27 vezes, por 27 editores diferentes? Durante um ano inteiro, nenhum fez a única coisa que deveria ter feito: apostar; ou, pelo menos, dar na mão de 3 crianças e pedir a opinião delas ao invés de “achar que era um livro muito longo para crianças”.

Qual o caminho seguro? Quando se trata de histórias, as empresas gostam de “pegar carona” nas histórias dos outros. É o “product placement”, também chamado de “merchandising”. Mas aí quase sempre fica aquela coisa estranha do branquelo chegando na praia no meio das férias de verão. Mas há outras formas, como o The Hire da BMW, o Náufrago da FedEx, Família Soprano e Prozac, a Sony com Cloverfield, o McDonalds no Pulp Fiction, a Gap em vários episódios de Seinfeld... São todos ótimos exemplos de ficções de marcas, ou seja, de histórias que transformam as mensagens das empresas em parte importante da trama. O assunto está dando o que falar no Orkut, acompanhe e participe aqui.

Storytellers Bizarra

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Quem não se lembra do emblemático Super-Homem Bizarro? Esse personagem, que marcou a infância de muita gente, fazia parte dos inimigos da Liga da Justiça na animação que passava no Xou da Xuxa.

Por causa dele, volta e meia pessoas emprestam esse conceito de bizarro para explicar outras situações do dia a dia. Nesses casos o adjetivo bizarro tem o sentido de ser uma cópia mal feita, uma coisa meio contrária à original em sua essência.

Caso algum dia encontremos uma Storytellers Bizarra por aí, esse curta-metragem certamente poderia ser um de seus trabalhos, ou seja, TOTALMENTE CONTRÁRIO ao que acreditamos, mas ainda muito comum...



Dica do Fernando Lima.

Story Placement

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Outro dia li uma nota interessante no Blue Bus. Um grande grupo de mídia fez uma parceria com um grupo de comunicação para a criação de atrações em torno dos patrocinadores.

O pessoal da Storytellers já vem discutindo esse assunto há mais de ano, sendo que essa é uma das nossas frentes de trabalho. Inclusive estamos em via de fechar um acordo parecido com uma produtora de cinema... (silêncio misterioso)

Sempre que vamos explicar para alguém como isso funciona, contamos um simpático conto medieval...

Era uma vez um habilidoso arqueiro. O melhor de sua vila. Na verdade, o melhor da região também. Já havia vencido inúmeros torneios locais e, de fato, era imbatível.

Obcecado e perfeccionista, ele queria continuar se aprimorando, então saiu pelo mundo em busca de alguém que, mais do que ele, dominasse a arte do arco e flecha. Em outras palavras, queria aprender com alguém que fosse superior.

Então saiu em sua busca solitária e passou por uma centena de vilarejos. Conheceu, desafiou e venceu outra centena de arqueiros. Todos bons, mas nenhum páreo para sua espetacular habilidade no arco e flecha.

Até que um dia, já cansado, quase desistindo da busca, ele chega a um bosque e se depara com uma série de flechas lançadas exatamente no centro de alvos espalhados pelas árvores ao redor.

Finalmente havia achado alguém que poderia ensinar-lhe algo! Então saiu pela vila perguntando sobre o fantástico arqueiro até que, de indicação em indicação, chegou à taverna onde ele se encontrava.

Ansioso e até um pouco nervoso, perguntou se era ele o responsável por tiros tão perfeitos. Recebendo uma confirmação, partiu para a segunda pergunta. Queria saber que técnica ele utilizava para obter resultados tão impressionantes.

Então o outro arqueiro respondeu: "É simples, primeiro eu atiro, depois pinto o alvo usando a flecha como centro".

Foto de irrezolut.