Quando eu ainda era um aluno de psicologia tinha uma professora de Gestalt Terapia que dizia que o conhecimento teórico é a base, mas a experiência é que construía a prática do terapeuta

Ou seja, mesmo que você estude Storytelling por anos, se você não viveu a emoção sobre a qual escreve nunca irá conseguir emocionar de verdade o público.

As técnicas são essenciais para ajudar o storyteller a contar sua historia. Elas ensinam a "linguagem das histórias", no entanto a emoção deve vir da vida do próprio escritor.

Autores como George R.R. Martin (de Game of Thrones) e Stephen King já confirmaram isso em entrevistas.

Então, o que está esperando? Vá viver a sua história!




A imagem deveria servir para acalmar os ânimos de fãs que se preocupavam com o boato de que o novo Batmóvel havia sido roubado.

Uma gafe jornalística que fez, inclusive, o porta-voz da Polícia de Detroit, o Sargento Michael Woody, esclareceu o caso de forma bem-humorada: “O Batmóvel está em segurança, na Batcaverna a que pertence”.

Isso daria um belo ARG, mas não foi planejado.  Zack Snyder, diretor do novo filme Batman Vs Superman (ainda em produção), publicou uma foto no twitter,  que fez os outros produtores se empolgaram e começarem a alimentar a imaginação das pessoas misturando os universos de  “Star Wars” e “Batman vs Superman”




J.J. Abrams não ficou pra trás, a frente da direção do novo Star Wars  publicou um vídeo, mostrando a nave Millennium Falco, comandada nos filmes por Han Solo e Chewbacca. Enquanto vemos essa a imagem da nave, logo percebemos, na fuselagem do cargueiro: um Batmóvel.



Ainda não sabemos até onde vai esse crossover, mas ele com certeza está rendendo uma nova experiência com a história para os fãs.


Imagine um brainstorm entre cliente e criativos acontecendo na sala de uma agência. Para começar, o cliente apresenta o pedido:

- Nossa marca precisa de um personagem.

- Um garoto-propaganda, talvez? O planejamento fez uma pesquisa e o Luciano Huck se encaixaria muito bem no perfil da marca.

- Não, o Huck já está na campanha de três concorrentes. Precisamos do personagem da marca mesmo.

- Como um Dollynho para a Dolly? Ou com uma pegada mais garoto da Bombril?

- Um pouco mais que isso, sabe? Nada contra o Carlos Moreno, ele é uma figura. Mas é algo mais profundo. Um personagem com aspirações, desejos, qualidades…

- E defeitos?

Uma das partes mais ricas do storytelling é a construção de personagens. É como brincar de criador. Pegar uma marca, sem vida, e transformá-la em um personagem “à sua imagem e semelhança”.
Tudo começa com as referências de outros personagens. “É a mistura entre Peter Parker e Yuri Gagarin”, ou então “é uma doméstica com a persistência de um Rocky Balboa”. A partir daí vão nascendo as características, os objetivos de vida, nome, sobrenome, idade, e também seu grande defeito.

- Mas a minha marca tem defeitos?

Um personagem sem falhas e conflitos é como assistir só aos 10 minutos finais de um filme. Se até os super personagens tem suas criptonitas, ou os deuses gregos tem suas iras, que dirá os reles personagens mortais. O grande defeito, a falha de caráter do personagem é uma das coisas mais importantes na sua humanização. Se nós rimos na comédia ou choramos no drama é porque nos identificamos com alguma característica e, muito provavelmente, essa característica tem a ver com o defeito do personagem.

- Já sei qual é o defeito do personagem da minha marca! Ela é muito perfeccionista.

E não adianta roubar no jogo. Se o defeito do personagem é uma virtude, a jornada desse personagem já está completa, enquanto a jornada da história da marca só está começando. Um personagem que não tem nada pra dizer ao seu analista é desinteressante. Será que a sua marca é interessante para o seu consumidor?



O repentino sucesso das produções Marvel vem trazer luz a reflexões que a tempos defendemos aqui no blog: Marcas podem hospedar universos inteiros e conectar pessoas a níveis épicos.

Guardiões da Galáxia, por si é um filme de sucesso, sozinho arrecadou cerca de meio bilhão de dólares em todo o mundo depois de três semanas no lançamento.  Entretanto há um pensamento que pode supervalorizar este resultado.

É um pensamento que apela para o hábito humano de colecionar coisas, principalmente quando nos tornamos fãs de algo.  Um mundo de histórias compreende uma gama enorme de produtos licenciados, desde action figures, exposições, roupas, etc e etc...

Até aí um nível que muitas marcas já alcançaram. O que o Storytelling (com S Capitular) pode oferecer a essas marcas é uma compensação mitológica para qualquer esforço de conexão que alguém tenha em relação ao seu mundo.  É como em qualquer jogo, sem uma boa história a ação de matar monstrinhos se torna simplesmente mecânica, com um bom plano de fundo ela se torna uma tarefa que pode levar a evolução da raça humana, uma etapa inicial de uma grande jornada.


É extremamente fácil encontrar jovens e crianças que conhecem características de algum mundo ficcional com maior propriedade do que conhece a geografia do seu país.




Essa é mesmo uma forte condição humana. Campbel dizia que "Mitologias são músicas que a gente dança, mesmo quando não podemos reconhecer a melodia".  E Jung defende que "A fantasia sempre foi e sempre será aquela que lança a ponte entre as exigências inconciliáveis do sujeito e objeto, da introversão e introversão".  Na prática, somos criaturas que pedem inconscientemente por boas histórias e que sejam fantásticas para aliviar a tensão da realidade.


Agora vamos voltar ao pensamento de colecionar coisas e dos produtos licenciados para o Guardiões da Galáxia e relacionar ele com os hábitos de consumo de mídia que imperam nas ultimas décadas.  Sabemos que uma só mídia não sustenta o entretenimento de qualquer pessoa. Já é crescente o número de pessoas que assistem TV com celulares, tablets e gadgets sem fim.  Inclusive também cresce o número de jovens que assistem mais ao Youtube do que a TV convencional nos EUA. 

Isso apenas nos abre novas possibilidades para mergulhar a audiência no mundo de uma história com profundidade e o mais importante, gerar consistência para a realidade do seu mundo.  Quando o mundo alcança esse nível, então passa a habitar histórias sem fim... inclusive criadas pela sua audiência - isso é, aliás, um dos quesitos que definem um fã para Henri jenkis.  



Imaginem a possibilidade de um consumidor adentrar o universo de uma marca e se engajar a ponto de habita-lo e construir uma nova vida (imaginária) lá. 

Esse é o nível que as produções cinematográficas e/ou religiões conseguem atualmente e o que as marcas almejam. As pessoas estão consumindo tudo o que é possível dessas produções e elas não param de expandir.  O poder comercial de Guardiões das Galaxias é apenas uma peça dentro de um quebra cabeça chamado "universo Marvel"... um plano que vem se construindo há mais de uma década com outras produções como "Homem de ferro", "Vingadores", "X-Men" e em breve com 5 seriados exclusivos para o Netflix.

Este é um universo ficcional persistente que se estende por uma variedade de plataformas de mídia, aonde cada peça é uma adição autônoma para uma mitologia maior construída sobre seus heróis e deuses...  
isso nos leva a pensar: até onde vai o universo da sua marca?

Durante três meses eu escrevi uma história. E não escrevi ela sozinho. Durante três meses eu escrevi uma história com outra pessoa. Uma história leve, divertida e envolvente. Semana passada eu entrei em pânico. Percebi que a história que eu tinha criado estava mais complicada do que eu imaginava. Vi que talvez ela não tivesse um final feliz. Ou que nem mesmo teria um final... que poderia resultar em nada de uma hora para outra me deixando com muitas páginas preenchidas a serem jogadas no lixo. Então tive medo de seguir em frente.

Como Storyteller, resolvi que não queria um final ruim para aquela história. E decidi que não estava pronto para investir em uma coisa que achava quase impossível de dar frutos. Então desisti de tudo. Desisti achando que era o certo a se fazer. Achando que não valeria a pena correr o risco de enfeiar uma história tão divertida como aquela. E que, já que ela provavelmente não daria em nada, deveria desistir de tudo logo ali no começo.

Eu estava errado. Hoje vejo isso. E hoje sofro por isso. Não consigo deixar de pensar no que teria acontecido se eu tivesse continuado a história. Afinal, ela era complicada... mas me envolveu muito mais do que eu esperava!

Infelizmente, de nada vale meu arrependimento. A história não era só minha. E agora eu tenho que levar em conta os sentimentos da pessoa que estava a escrevendo comigo.

Então, depois de três meses, hoje eu estou diante de uma página em branco. E isso me assusta. Afinal, o novo assusta! É difícil começar qualquer coisa do 0. É uma proposta tentadora e sedutora quando estamos fatigados de algo costumeiro, mas é preciso ter muita coragem para começar a escrever qualquer coisa em uma página em branco.

Pegue sua vida como exemplo. Se você pudesse escrever exatamente como ela estaria no dia de amanhã, o que você acha que escreveria? É fácil pensar em coisas como “eu ganharia na loteria” ou “eu comeria a Megan Fox”. O difícil é colocar essas coisas em um contexto que realmente se encaixem. Em algo tangível e sólido.

Vamos usar novamente sua vida como exemplo. Pense em coisas possíveis de acontecer e que você quer que aconteçam. Em seguida escreva em uma folha em branco como você gostaria que sua vida fosse daqui para frente baseado nesses pensamentos. Agora tente viver a vida que você acabou de escrever. Dá medo, não dá?!

O novo assusta porque muitas vezes não sabemos o que queremos. E porque, quando sabemos, é difícil contextualizar nossas ideias. Por isso é tão difícil nos desligarmos de velhas histórias, embora muitas vezes seja necessário. Mesmo assim, para superar o medo de uma página em branco só existe um jeito: pensar no que queremos escrever e começar a escrever de fato! Depois das primeiras palavras, tudo fica mais fácil. Inclusive no caso de que você tenha que apagar tudo e começar de novo. Pelo menos as marcas no papel te servirão como sinais do que você deseja expressar.

















Agora eu estou diante de uma página em branco. Eu já sei o que eu quero. Ou pelo menos acho que sei. Só preciso escrever as primeiras palavras...