Joana Rativa é gerente de Marketing da décima maior multinacional brasileira. Ela é do tipo que gosta do que faz e está atualizada de todas as novidades no mercado. Mas tem algo que a irrita profundamente.

Vira e mexe Joana ouve sobre esse tal de Storytelling. Desde quando trabalhava em uma das maiores agências de publicidade do país, a palavrinha inglesa de difícil pronúncia aparece em sites e briefings. Joana já tinha escrito dezenas de roteiros para filmes publicitários. Ela sabia contar uma história, o que podia haver de especial nisso? Só podia ser um conceito recauchutado. Mesmo assim uma pulga vivia atrás de sua orelha.

Sempre que ela pesquisava mais sobre o assunto, só encontrava informações desencontradas. Até que em novembro de 2013 ela ficou sabendo que Fernando Palacios estava de visita à cidade maravilhosa para desvendar o Storytelling. O problema é que o curso seria no sábado, dia do sagrado descanso. Com isso ficou aflita. Joana sabia que jamais iria se perdoar se investisse dinheiro suado e tempo de sábado caso o curso não ensinasse nada de novo. Por outro lado, a oportunidade era especial, já que pela primeira vez poderia ouvir a explicação direto do pioneiro do assunto no Brasil sem ter que sair de sua cidade. Resolveu se inscrever. A aflição se converteu em ansiedade.

Só que não contava que o fatídico dia traria uma chacoalhada nos seus conceitos. Ela que sempre escreveu e aprovou filmes publicitários nunca havia aprofundado suas histórias. Ela sequer sabia o sobrenome dos personagens de seus anúncios. O professor insistiu nesse ponto, na importância de criar histórias com raízes profundas. Mas será que precisava disso mesmo para fazer uma história de trinta segundos? Agora Joana tinha que decidir se aceitava que durante esse tempo todo ela teve a chance de contar boas histórias e nunca aproveitou, ou se defendia dizendo que no marketing e na publicidade a história é diferente. Eis que Joana resolveu mergulhar de vez no assunto e tentar fazer diferente o que vinha fazendo há anos em sua carreira.

Hoje Joana já contou várias histórias e até mesmo transformou o que seria uma apresentação de slides em um verdadeiro espetáculo teatral. Agora Joana quer mais e pediu para que Palacios retornasse à cidade com um programa mais completo. Ele aceitou. Na próxima edição o curso terá 65% mais tempo e vai contar com a prática de exercícios.

Joana Rativa é uma personagem ficcional e ainda assim a história é verdadeira. Inclusive o curso mais completo já está agendado para os dias 31 de outubro e 1º de novembro. Mais informações podem ser desvendadas pelo link http://www.eventick.com.br/storytelling-rj.html

Eleições passadas, amizades reatadas e ânimos acalmados a vida vai voltando ao normal. Mas que lição de storytelling podemos levar das eleições?

Se ficou um clichê no pleito de 2014 é que o país está dividido. De um lado, os azuis, os gerondinos, os tucanos, os coxinhas, os reacionários. De outro, os vermelhos, os jacobinos, os petistas, os petralhas. A direita se personificava em Aécio, a esquerda em Dilma.

Nos debates, nas redes sociais e na rua o clima entre os dois lados era tenso. Ataques, ofensas e violência geravam a dúvida comum nos clássicos do futebol: seriam eles inimigos ou rivais?



No storytelling, basicamente, existem duas formas de confrontar personagens: o antagonismo e o contagonismo.

O antagonismo é o mais conhecido deles. É o clássico vilão do protagonista, aquele que busca em sua jornada exatamente o oposto do herói – e por isso haverá de travar uma disputa homérica contra ele. O objetivo do antagonista bate de frente com o objetivo do protagonista.

Já o contagonista não é aquele que busca o oposto do protagonista – mas disputa com ele o mesmo objetivo, o mesmo elixir. O contagonista é o personagem que está em paralelo ao protagonista, na mesma estrada, buscando cruzar a linha de chegada antes de seu rival. O objetivo do contagonista é o mesmo objetivo do protagonista.

Quando o resultado das eleições saiu e a presidenta foi confirmada em Brasília por mais quatro anos, tanto o discurso de Aécio quanto o de Dilma prezavam por uma mesma prioridade: o país precisa se unir para continuar avançando.

Se é utópico e perigoso pensar na opinião unânime de um povo, porque todo debate deve ser saudável e não há um caminho certo contra outro errado, o Storytelling nos ensina que o conflito PSDB versus PT há de ficar na rivalidade (no contagonismo) porque o objetivo de lá ou de cá é um só: um país melhor.


Sua história? Conte com a gente! Esse é o nosso slogan.

Muita gente acha que Storytelling é só contar uma historinha, um causo e pronto, "acabou de fazerm umstorytelling". Mas  existe um outro mundo muito além desse, o mundo em que Storytelling é escrito assim, com letra maiúscula.

Storytelling desse outro mundo injeta função nas histórias, exatamente como pretendiam os nossos ancestrais ao redor das fogueiras.

No primeiro momento, os Storytellers trabalham histórias para marcas. Essas histórias podem ser reais e aí vamos fazer um trabalho de resgate das memórias. Essas histórias podem ser ficcionais e aí vamos criar uma mitologia para a marca.

Assim que a história está consolidada, passamos a trabalhar as narrativas. De nada adianta ter uma  história épica, se ela não for contada da melhor maneira. O ponto é que cada formato narrativo tem uma peculiaridade. Então o que funciona num romance literário nem sempre se traduz em um curtametragem. Por isso que na etapa das narrativas é comum pensarmos o conceito de Transmídia, permitindo criar uma experiência imersiva e inesquecível para os consumidores.

De forma resumida, criamos e contamos histórias. Mas ainda existe uma outra possibilidade, que é de ajudar outras pessoas a contarem suas próprias histórias.

Em poucas palavras, posso afirmar que resgatamos e criamos histórias de marca, para contá-las da forma mais fabulosa e no formato mais adequado, e também ajudamos executivos a fazer o mesmo.

Caso você tenha contado alguma história e não deu muito certo, a culpa não é do Storytelling, mas do storytelling. Tente de novo e dessa vez lembre do slogan dos Storytellers.



Antes de qualquer coisa, longe de mim iniciar uma terceira guerra mundial me posicionando entre DC ou Marvel.  :P

Há um tempo a gente já sabe que a Marvel se tornou referência em filmes de heróis em Holywood, exatamente porque ela consegue expandir o poder comercial de suas obras enganchando todas no seu universo - que abrange também as HQs, séries animadas, games e etc. 

Agora a DC está tendo alguns problemas com isso.  A começar por seus reboots frequentes que tentam dar mais coesão ao seu multiverso. Aliás nesse caso o termo multiverso é extremamente aplicável. Explico, ao contrário da sua concorrente, a DC foi criada comprando direitos de personagens que ocasionalmente viviam em mundos distintos. Unifica-los e manter o sentido de cada herói no cinema é algo que a empresa ainda não conseguiu definitivamente.

Nas HQs alguns reboots aconteceram para reconstruir as sagas, apagar alguns mundos com versões que se tornaram desinteressantes para a empresa ou o público.  O mais famoso reboot foi feito na série "Crise nas infinitas terras" e o mais recente ganhou a alcunha de "Novos 52".  



Na TV tudo parecia caminhar para a construção mais sólida de um universo que pudesse hospedar tudo. Primeiro com o Seriado Arrow (indo para a terceira temporada)  de onde surgiu o spin-off do herói Flash e várias outras possibilidades como o "Esquadrão Suicida" as "Aves de Rapina" e etc.

Porém, alguns indícios podem sugerir uma nova reorganização do plano da DC.  Esperava-se que os heróis da TV fossem para os cinemas na hora da formação da liga da justiça (e eu particularmente espero que a liga seja formada na TV em um episódio especial que unificaria todas as séries), mas de antemão o ator que faz Barry Allen (o Flash) não será o mesmo no cinema.  




Ao mesmo tempo a nova série "Gotham" narra fatos que antecedem o próprio arco de Arrow, possibilitando a reconstrução de algumas narrativas de personagens que Batman e Arqueiro Verde tem em comum. Isso seria apenas uma hipótese distante, não fosse a última notícia sobre os arcos originais.

"Rich Johnson disse que a DC mandou um memorando pros seus artistas, pedindo que eles todos CONCLUAM SEUS ARCOS de histórias até o início do ano que vem, para que não fique nada pendente para o início da nova saga da editora (que especulam que se chamará Blood Moon).
Johnson chama a atenção pro fato de que da última vez que isso foi requisitado pras equipes criativas da DC foi lançada a saga Ponto de Ignição que culminou posteriormente com os Novos 52. " - do site MDM


Se essa alteração no cânon dos heróis da DC se consolidar, isso significaria que eles precisariam recomeçar todo o planejamento de filmes, produtos licenciados, programas de TV e etc etc.  Começar do zero seria correr para o lado oposto da Marvel que já tem uma década de universo cinematográfico bem sucedido.  Ou, o mais provável... que eles já estejam compreendendo esse reboot da HQ com as possibilidades construídas a partir da TV.  Talvez estejamos presenciando um movimento único aonde produções em outras mídias estejam influenciando e sendo compreendidas no "sagrado Cânon criado nas HQs" - relevando o fato da empresa já ter divulgado o calendário de filmes até 2020,  esta ideia se torna mais forte.  





Quando transmídia storytelling começou a surgir nas conversas entre produtores de entretenimento ou no mercado de comunicação, era comum pensar em uma história que começa em um filme e pode ter até um "gamezinho" para dar "suporte" a narrativa. 

Na frase acima estão dois erros básicos de quem costuma subestimar uma narrativa interativa: chamar de gamezinho uma indústria que superou Holywood e considerar este meio (ou qualquer outro) como suporte de um planejamento transmídia.  Essa representação de Robert Pratten mostra como as narrativas devem funcionar.


Mas como diz sabiamente Fernando Palácios a transmídia deve surgir da necessidade de expansão criada pela própria narrativa, ou seja a narrativa deve crescer ao ponto de transbordar para outros meios.

É o que tem acontecido por exemplo com os games MMORPGs. World of Warcraft tem tanto conteúdo e tanta coisa para se explorar que não cabe mais dentro da tela do PC e acabou virando romances literários, HQs e webséries. 



A experiência de quem joga (como eu) é intensa quando entra em contato com um conteúdo narrativo mais denso, tendo em vista de que um jogo pode se pautar mais no gameplay com conquistas e desafios do que nas interações com a história. 

Acompanhem a nova websérie "Lords of War" aqui no youtube - https://www.youtube.com/playlist?list=PLY0KbDiiFYeP8hkPrVS3y0Ua45EJlWRBw