Artigo publicado inicialmente no portal Administradores.
Sempre que se tenta restringir algo abstrato a um conjunto de palavras, acaba-se entrando na situação de uma noite fria com um cobertor curto: ou o pé vai ficar descoberto, ou os ombros, ou o conceito vai ter que ser encolhido para caber.
Há diversas definições sobre storytelling, o que, inclusive, é um problema que acaba confundindo o mercado brasileiro. storytelling é um termo em inglês que traz duas informações fundamentais: Story – que é a construção mental feita de memórias e imaginações que cada pessoa tem sobre uma determinada história – e o Telling – que é uma versão da história expressa por um narrador.  Uma só Story pode gerar um grande número de Tellings. O Conde Drácula foi um só, mas muitos autores deram versões diferentes.
Por isso, para algumas pessoas, storytelling pode ser apenas contar uma historinha qualquer. Mas é possível ir muito além.  Vale lembrar que a prática de contar histórias é pré-histórica, o que significa que antes mesmo de poderem ser registradas, as histórias já eram transmitidas oralmente. Inventamos o storytelling para não termos que reinventar a roda a cada geração.
Com o passar do tempo, essa prática de contar histórias foi se tornando cada vez mais complexa e até por isso tão difícil definir. Um humorista que conta uma piada está contando uma história tanto quanto um romancista que escreve uma saga com sete livros. Além disso, algumas pessoas vão levar em conta o aspecto emocional que uma narrativa pode promover, afinal, quem nunca foi ao cinema e saiu com um nó na garganta?
Outros autores vão considerar mais o poder de argumentar sem ter que racionalizar, já que você só conta uma história e deixa que a audiência decida por conta própria o que fazer com essa informação que foi transmitida.
Quem assiste aos seriados modernos como Dexter, Dr. House, Homeland, Game of Thrones, House of Cards, Breaking Bad e tantos outros, sabe que é difícil decidir se o protagonista é “bonzinho ou malvado”, se ele está certo ou errado. Essas decisões os roteiristas e diretores deixam para a audiência responder.

Storytelling como disciplina empregada pelas organizações e seus prestadores de serviço é algo mais recente, surgiu inicialmente nos relatórios de tendência internacionais como Iconoculture, WGSN e Trendwatching em meados de 2005.
Até por isso complica ainda mais sua classificação.

Muitos autores consideram o storytelling como uma ferramenta para marcas e negócios. Há os que focam no storytelling como o registro de relatos de histórias de um determinado público. Existem estudiosos especializados em narrativas como forma de aperfeiçoar a comunicação. Finalmente, muita empresa vai dizer que “fez um storytelling”  porque isso ajuda na hora de divulgar. Soa como algo “in”.  Esse processo começa nas agências, que conseguem aprovar o projeto com o cliente com mais facilidade ao dizer que “isso aqui não é um projeto qualquer, é um projeto de storytelling”.
Esse é o problema de aplicar storytelling como um instrumento ou ferramenta: a empresa irá compreender apenas uma parte de um composto de técnicas. Storytelling vai muito além da utilização do léxico, do uso de um personagem, de expressão através a linguagem de quadrinhos ou de transmitir uma mensagem com começo, meio e fim ou mesmo de fazer um videozinho emotivo. Pensar storytelling como uma ferramenta pontual é como comprar um aparelho celular, mas não contratar uma operadora.

Até por isso prefiro a definição de que storytelling não é apenas contar histórias. O Storytelling - escrito assim, com S capitular - é uma metodologia que implica saber contar uma história fabulosa, de forma fantástica, com um propósito messiânico.  O que quero dizer com isso é que não basta contar de qualquer jeito uma história aleatória que não leve a nada.

Para ser prático, aplico sempre dois critérios, um para a audiência e outro para o executivo. Para a audiência pergunto: se você tivesse pago para ler/ouvir/ver essa história, você recomendaria aos amigos ou pediria o dinheiro de volta? Para o executivo pergunto: essa história traduz o diferencial do seu produto e o valor da sua marca? Se o executivo não responder sim duas vezes e a audiência não recomendar, não considero que seja Storytelling com S capitular.

Com esse critério, podemos dizer que o Storytelling ainda engatinha. São poucos os cases que realmente conseguem passar por esse filtro.


Existe uma variedade enorme de gêneros e sub-gêneros de escrita, seja para cinema, games ou literatura. E dentro deles ainda é possível notar uma infinidade de estilos, cada escritor pode ter o seu com sua personalidade. 

Quem está começando costuma se inspirar em alguém (e claro, isso também serve para os nomes famosos que tiveram suas próprias referências no começo da carreira).   Você já pensou sobre, qual tipo de autor você é? Do tipo Tarantino ou do tipo Anne Rice?

Vamos dar uma mãozinha nesse processo de descoberta.  Curta a nossa fanpage e faça nosso teste para descobrir qual é o seu perfil. Acessem pelo link -  bit.ly/StoryTeste

Aos 12 anos, o garoto já tinha passado pela maioria das mudanças do final da infância. Mas uma delas se recusava a ir embora junto de seus sapatos e roupas que já não serviam mais em seu corpo: ele não queria deixar de acreditar no Papai Noel. 



A história do bom velhinho que todo ano distribui presentes para os bons meninos e meninas pelo mundo era uma mentira para todos os outros garotos, mas não para ele, a quem a história era a alegoria perfeita para aquilo que pregavam os valores do Natal.

Afinal, a história de Santa Claus era uma mentira, como acreditavam os amigos, ou ficção?

O garoto mal sabia, mas a fronteira entre o final da mentira e o começo da ficção continuaria na sua vida por muito tempo e se revelaria uma verdadeira Faixa de Gaza. Como um Storyteller, 2014 fora um ano repleto de discussões sobre o assunto, e sua opinião continuara a mesma desde a infância: ele nunca deixara de acreditar no Papai Noel.

Enquanto alguns acreditam na vilania do Storytelling, após os casos de Do Bem e Diletto, ele continuou a acreditar, desde sua monografia, que esse era um percurso natural na evolução das histórias que constroem marcas. Ao contrário de condenar, ele continuou a crer que deveríamos estudar e entender esse novo fenômeno.

Aonde olhar e o que estudar nesse novo fenômeno para o Storytelling?

A resposta para esta questão, mais uma vez, estaria lá na sua infância, nos dias 25 de muitos dezembros, onde ele nunca deixou de acreditar no bom velhinho. Isso porque a história do Papai Noel se revela um verdadeiro case de Storytelling. O personagem, como conhecemos hoje, foi inventada pela Coca-Cola em 1931 para uma campanha publicitária e, desde então, tornou-se o símbolo do Natal por todo o mundo.

Se a história do Papai Noel é uma mentira deslavada ou uma ficção genial, essa é uma resposta que nem o garoto, nem os colegas da sua infância podem responder. Mas a magia, a ludicidade e o espírito natalino que se expressam ainda depois de anos na figura do Papai Noel, essa sim é a reflexão que devemos pensar a partir desse novo fenômeno.




Hoje não é um dia qualquer, é dia em que na rua todo o mundo se deseja boas festas. Dia 24 de dezembro é a véspera de um dos aniversários mais importantes da História. Falando em aniversário, todo o mundo conhece a cena. Todos ao redor da mesa, que ao centro tem um bolo e alguém acende as velas. As luzes abandonam o ambiente para dar lugar às palmas e ao canto em coro. Ao final o aniversariante apaga o fogo com um sopro. O ritual é idêntico em boa parte do planeta. Mas será que o aniversariante não está sendo enganado?

No dia 30 de maio completei 33 anos. Alguns dizem que é "a idade de Cristo". Acontece que no Vietnã me ensinaram que fui enganado. Não sobre a idade de Cristo, mas sobre os 33 anos. Ao conversar com os moradores da Bahia de Halong, eles garantiram que os ocidentais todos são ludibriados sobre suas idades. Fiquei curioso e perguntei mais a respeito.

A Bahia de Halong é composta por milhares de ilhas e assim que se descobrem grávidas, as mães são abandonadas em uma delas com suprimentos. Assim como cantamos parabéns, para eles isso faz parte de um importante ritual. A mãe e seu filho que ainda não nasceu precisam sobreviver por meses para provar que são fortes e merecedores da experiência da vida. Por isso, a data do aniversário não está ligada ao momento em que o bebê saiu da barriga e, sim, quando foi concebido. Nove meses antes. Se pensar assim, meu aniversário deveria ser 30 de setembro. Passei 33 anos comemorando errado.

A mesma coisa vale para empresas. Quando será que devemos celebrar a fundação da Storytellers? Quando surgiu a ideia? Quando deixou de ser ideia e foi registrada em cartório? Quando surgiu o primeiro cliente? Pois é, a história de origem é sempre complicada.

No caso da Storytellers poderia ter sido na origem do primeiro insight, que aconteceu em 2005 ou na formatação da ideia de forma mais estruturada, que se deu através de uma apresentação de Power Point para amigos e parceiros. Isso foi em meados de 2006 e o arquivo em si se perdeu, então a data não pode ser especificada. Olha aí a importância dos registros históricos.


Ao buscar as primeiras datas, encontramos o registro do domínio do site. Nesse caso, hoje, dia 24 de dezembro, essa alfaiataria de histórias completa oito anos de jornada. Até por isso estou escrevendo esse post hoje.


Mas o fato é que nem sempre alguma coisa nasce no momento em que é registrado. Sobretudo uma empresa.  Os especialistas insistem que "a ideia não vale nada, o que vale é a execução".  Então na prática a empresa só teria vida a partir do momento em que passou a realizar os primeiros projetos. A primeira apresentação da Storytellers para empresas foi feita no dia 21 de março de 2007. Nesse caso, teria agora 7 anos e 3/4 de vida.


A primeira proposta oficial para um cliente foi feito em parceria com a agência Lew Lara no primeiro dia do mês de junho de 2007. Nesse caso, 7 anos e meio de vida.


Esse projeto foi muito elogiado: transformar slides de PPT de uma convenção em um espetáculo teatral, mas não havia tempo hábil para realizar. O primeiro projeto que de fato foi aprovado e realizado foram as Aventuras no Livro de Mini-Schin, em parceria com a agência Id/TBWA. Esse aconteceu no dia 4 de setembro de 2007 e a Storytellers estaria com 7 anos e 1/4 de vida. O resultado desse primeiro projeto pode ser visto aqui.


Também podemos considerar quando a metodologia exclusiva e proprietária foi foi constituída, o que aconteceu junto com o primeiro trabalho acadêmico de Storytelling no Brasil, defendido junto à Universidade de São Paulo, no dia 21 de novembro de 2011. Nesse caso, sete anos e um mês.


Tudo isso para dizer que é difícil escolher quando cantar os parabéns. Aliás, o dia de hoje é uma prova disso. Em nenhum lugar da bíblia está escrito que Jesus nasceu dia 25 de dezembro. Não havia registros na época. Mesmo que tivesse, a data estaria errada, já que o calendário gregoriano foi atualizado de lá para cá. Acredita-se que a data de 25 de dezembro foi escolhida para coincidir com a celebração do solstício de inverno dos romanos, facilitando a assimilação do cristianismo para os antigos pagãos. Ou seja, mais importante do que saber o dia exato para bater palmas é ter o ímpeto de comemorar!

Mesmo que a data não seja essa, não custa nada desejar: Parabéns e Boas Festas!




Quem já escreve, seja para cinema, literatura ou HQ uma hora ou outra se depara com esta pergunta: Como eu escrevo ou qual formato de roteiro que devo usar para um jogo?

by michalivan


Bem, para trazer a luz sobre este assunto busquei referências na IGDA - International Game Developers Association, através da autora Wendy Despain: 

Conformidade não é comum nesta indústria. Eu vi essa percepção colocar escritores de outras disciplinas em ataques de pânico prolongados. Escritores estão acostumados a receberem um conjunto estruturas e a liberdade para preencher essa estrutura e decorá-lo da maneira que quiserem . Com jogos não é assim que funciona . Na verdade, às vezes, é exatamente o oposto. Você recebe uma atribuição onde não se importa com o formato , mas que sua narrativa precisa ter uma princesa , um encanador, e um monte de cogumelos. (Professional techniques for video game writing)


Isso acima quer dizer que cada escritor vai criar o seu formato de acordo com o projeto. E, sim... eles podem ser bem diferentes.  Claro que esse tipo de resposta pode ser frustrante então não vamos ficar por aqui. 

Apesar de não ter um padrão e de "talvez" ser inviável se apegar em algum padrão, devido as inúmeras variáveis relacionadas a um projeto de game, ainda sim é possível considerar algumas formas de escrever um roteiro interativo. 


Sai Word entra Excel


Pois é, estamos falando de planilhas.  Diferente do cinema e da TV, muitas vezes um roteiro de game não é feito para ser lido - sei o quanto paradoxo é dizer isso, mas é verdade.  A história do jogo e seu arco deve ser compreendida no game ou story treatment. 

A planilha serve para inserir no banco de dados ou no sistema de jogo os diálogos de maneira mais eficiente para que se possam identificar com rapidez.  Percebam que alguns gêneros de jogos como MMORPG, podem ter roteiros de diálogos que passam das 10 mil linhas. 

Dentro dessa planilha algumas anotações podem ser inseridas para quem está produzindo o jogo, como os eventos que podem disparar um diálogo: conquista de um item ou nível, por exemplo.




Um fator extremamente importante é que novos formatos de games são inventados a cada momento, e não apenas os formatos, mas os avanços tecnológicos acabam impactando tremendamente na narrativa.

Nem sempre você vai utilizar essa planilha de diálogo para escrever um jogo. E quando pensamos em um Branded Game ou Advergame, muitas vezes seu desenvolvimento acaba sendo mais simples, por isso é interessante ter o feeling para identificar qual ferramenta, técnica ou forma de narrativa vai aplicar a cada projeto. 

Quer desenvolver uma narrativa potente e imersiva para alguma ação da sua empresa? Entre em contato com a gente por este link - www.storytellers.com.br/p/contato_19.html