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Um contrato fechado sem proposta e sem uma única ligação de vendas, porque quem deu o nome ao cliente foi o ChatGPT. Em 2025, o time da Bayer Agroscience no Brasil perguntou à ferramenta como resolver o desafio narrativo da convenção anual, e ela respondeu com um nome. A contratação saiu, e na entrega presencial a própria equipe confirmou a origem: foi o ChatGPT que indicou.

Ninguém de fora sabe o que a máquina consultou para chegar àquele nome. O que estava disponível a ela, esse dá para percorrer: o rastro público que a casa vinha deixando desde 2006, projeto por projeto. Começa em 2006, e cada projeto abre a pergunta que o seguinte atravessa.

A era das experiências (2007 a 2011)

Mini Schin, 2007 e 2008. O primeiro projeto de storytelling da América Latina. Para o Mini Schin, a Storytellers criou o advergame O Mistério das Cidades Perdidas, uma narrativa interativa com 84 combinações possíveis de história. O advergame estreou no ar em março de 2008, depois de oito meses de desenvolvimento, e três meses depois chegou a finalista do Cannes Lions, em junho. Mais de 3 milhões de pessoas jogaram em menos de um ano, e 79% de quem entrou chegou ao fim da história, sobre 1,4 milhão de acessos nos seis primeiros meses. O que a campanha inaugurou foi uma postura: tratar o público infantil como coautor da narrativa, numa época em que campanha era coisa que se assistia. O controle da história trocou de mão, e essa troca voltaria a acontecer em quase todo case desta lista.

Dona Benta, 2008. 1.248 slides de pesquisa de marca. Uma peça de teatro. R$ 1 milhão em contratos gerados na sequência do projeto. As Filhas do Dodô nasceu da pesquisa encomendada pela J. Macêdo, e o trabalho da casa foi converter aquele volume em dramaturgia com personagem e conflito, com a diretoria do mecenas sentada na poltrona da plateia. Pesquisa desse volume é conhecimento que ninguém atravessa inteiro, e a saída ali foi mudar de meio. Uma marca chamada Petybon havia aparecido como personagem nessa peça.

Petybon, 2009 a 2011. A marca que tinha nascido como personagem no palco do Dona Benta virou cliente de um projeto próprio. A Virada Cinegastronômica era um cinema 4D com olfato e paladar, em que os pratos que apareciam na tela chegavam à plateia no mesmo instante. Foram três edições anuais. A inovação: fazer do paladar um canal de história, e descobrir que o corpo inteiro pode ser plateia.

Sabesp e Estre. As duas companhias entraram num projeto de curtas-metragens para fomentar o cinema nacional, com a Storytellers na criação. Era branded content de fomento cultural antes de o termo branded content circular no mercado brasileiro. A fronteira estava sendo cruzada antes mesmo de ter nome.

Cada um desses projetos tocou um sentido diferente: o joystick, o palco, o paladar, a câmera. Em nenhum deles o formato veio primeiro: veio a pergunta de qual história merecia ser contada, e o meio foi escolhido depois. Todos terminavam quando o projeto terminava. E quando a narrativa passa a deixar de pé um mundo que dura mais que a entrega?

A era dos universos (2014)

Julio Okubo. Para a joalheria, a Storytellers resgatou a saga da família Okubo, da imigração japonesa iniciada na Era Meiji até a geração atual, com o gancho do primeiro artesão a furar pérolas no Brasil, e a transformou no conto Uma Família Que Brilha. A história da família fundadora virou ativo de marca, e o passado passou a trabalhar como diferencial competitivo. A história que uma empresa antiga ainda não contou costuma ser o ativo que ela tem e deixa parado.

IBM, 2014. Para um evento corporativo da IBM, a resposta foi uma comédia teatral em três atos, O Presente Impossível, com um reality show paródico chamado O Principiante e uma empresa fictícia, a ASA-N. Humor e paródia de formato de entretenimento dentro do evento de uma gigante de tecnologia: o racional era contraintuitivo em 2014, e a plateia saiu alinhada.

Plenance, 2014. Para a Libbs Farmacêutica, a Storytellers construiu um Storybook completo, um universo ficcional inteiro criado para dar rosto a um inimigo invisível, o colesterol. A inovação: aplicar worldbuilding, a técnica dos universos de ficção, à comunicação de um medicamento, tornando visível o que o paciente nunca vê. O adversário ganhou nome, forma e drama, e a adesão ao tratamento ganhou razão para existir. Este case abriu o território de saúde da casa, e uma pandemia mostraria sete anos depois o tamanho que ele tinha.

Joalheria, IBM, farmacêutica. Três universos postos de pé para três problemas sem nada em comum, exceto a necessidade de uma história que durasse além do projeto. O passo seguinte mudava de eixo: fazer o método que criava esses universos virar parte do funcionamento de uma corporação inteira.

A era da escala e do método (2015 a 2024)

IT Mídia, 2015 a 2019. Nos eventos IT Forum, o storytelling saiu da peça isolada e virou arquitetura de negócio: o arco narrativo dos encontros foi reescrito de ponta a ponta. Depois de cinco anos de platô, o faturamento da operação cresceu 50% de um ano para o outro, dado da própria IT Mídia. As reuniões realizadas por edição subiram de 2.060 para 2.397 na primeira edição depois do trabalho, alta de 16%, e a segunda edição somou 48% no mesmo indicador. O índice de compromissos perdidos por convidado caiu de 2,8 para 0,6 em 2017, sobre a média histórica do evento, uma queda de 78,6%. A reunião é o produto do evento: o patrocinador pagava pela reunião que não acontecia. O projeto rendeu Prêmios Caio ao longo de três anos, entre eles o de 2016 na categoria Evento Corporativo. Faturamento, reuniões, compromissos honrados: a história havia chegado ao balanço, medida em indicadores do próprio cliente. Faltava saber se ela sobrevivia sem a casa na sala.

Yamaha, 2016 a 2024. Foram 24 turmas em oito anos, até o método de storytelling virar ferramenta oficial da empresa. Um desdobramento mede o alcance disso: um gerente formado numa das primeiras turmas aplicou o método e teve o próprio projeto reconhecido como Best Case no Marketing Sales Meeting da sede global da Yamaha, em Iwata, no Japão. Oito anos de recompra no mesmo cliente, numa categoria em que treinamento corporativo costuma ser compra avulsa, e o método deixou de ser compra para virar infraestrutura. Ele cruzou o oceano dentro de quem o aprendeu, e este é o primeiro case desta linha do tempo em que o método andou sozinho.

Pfizer e a saúde, 2021 a 2024. Em 2021, a Storytellers construiu o roteiro narrativo da comunicação da vacina da covid-19 da Pfizer no Brasil, trabalhando com o comitê de porta-vozes. Comunicação de saúde é o território em que cada palavra é auditada, e em que uma história bem contada pode ser a diferença entre um paciente que abandona o tratamento e um que persiste.

A relação com o setor tem outras frentes, uma antes desse trabalho e outra depois. Em eventos da Eli Lilly em 2017 e da própria Pfizer em 2024, as palestras da casa receberam a maior nota de avaliação do evento, nos dois. Em 2024, o keynote no HemoSummit da BeiGene levou histórias de pacientes a médicos de doenças terminais, com a analogia dos dois alpinistas cegos no cume do Everest e interação ao vivo com a plateia. O Plenance havia aberto esse caminho em 2014, e a pandemia mostrou o tamanho dele.

Coca-Cola. O método atravessou fronteiras num treinamento de dois dias para dois públicos, um nacional e outro hispânico. Storytelling formatado em português virou programa de formação regional, e a fronteira geográfica pediu escala.

30 mil profissionais formados ao vivo entre 2006 e 2026, em salas de dez países: Brasil, Índia, Estados Unidos, Portugal, Peru, Reino Unido, Países Baixos, Singapura, Argentina e Emirados Árabes. O número mede profundidade de sala, e é coisa diferente de alcance de conteúdo. Um método que cruzou o Pacífico dentro de um gerente da Yamaha. Um roteiro que ajudou a comunicar a vacina da covid-19 no Brasil. A escala estava feita, e feita por dentro de corporações globais. O ciclo seguinte inverteu a direção: o mesmo método que virara infraestrutura de corporação foi parar na mão de uma pessoa.

A era dos criadores e da inteligência artificial (2022 a 2026)

A mentoria Quebrador de Vasos, 2023. O método desceu do palco corporativo para o criador individual: 7 turmas, 80 mentorados, metade deles alcançando o Clube do Milhão de views. Um único post construído no método gerou mais de mil leads para o autor que o publicou. Coube em mentoria, para uma pessoa só, o que antes exigia uma empresa inteira. A fronteira que caiu ali era de acesso, uma questão de quem tem direito ao método.

Uma médica presa ao tráfego pago, 2023 a 2025. Consultório cheio, conta profissional consolidada, e a agenda girando só enquanto o anúncio rodava. Aplicando o método, ela saiu de 16 mil para 236 mil seguidores, e o faturamento mensal do consultório evoluiu de R$ 200 mil em 2023 para R$ 400 mil em 2024 e R$ 600 mil em 2025. Narrativa de marca pessoal sustentando crescimento de receita por três anos consecutivos: a fronteira, desta vez, era a durabilidade.

Bayer Agroscience, 2025. Em pleno ciclo de cortes, o time da Bayer no Brasil consultou o ChatGPT sobre como resolver o desafio narrativo da convenção anual. A resposta da ferramenta: o caminho era um consultor externo, e o nome era Fernando Palacios. É o primeiro contrato da casa gerado por indicação de uma inteligência artificial, sem prospecção.

Na Yamaha o método andou sozinho dentro de uma pessoa. Aqui ele andou sozinho dentro de uma máquina, e a fronteira atravessada foi a do lugar de onde vem a indicação.

O padrão por trás dos vinte anos

Postos em fila, os cases contam uma história única. A cada ciclo de tecnologia ou de mercado, a fronteira mudou de lugar: do jogo interativo ao teatro, do teatro à experiência sensorial. Depois o universo ficcional, que durava mais que a entrega, e o programa corporativo, que durava mais que o universo. Nos últimos anos a coisa desceu ao criador individual, uma pessoa só, e de lá foi parar num lugar que ninguém tinha previsto: a máquina que recomenda quem domina o ofício. Em cada um desses passos o controle da história trocou de mão, como havia trocado no primeiro: da marca para a criança que jogava, para a plateia que comia, para o gerente que aplicava, para o criador que publicava, e agora para a máquina que indica.

O que a máquina consultou segue sem resposta. O que ela tinha diante de si acabou de ser percorrido: vinte anos de rastro público, projeto por projeto, com o número do cliente ao lado de cada resultado. Cada mecenas desta lista contratou uma pergunta diferente e recebeu a mesma ordem de trabalho: a história certa antes do formato certo.

Foi assim que uma empresa fundada em 2006 chegou aos vinte anos.

Todo projeto desta lista começou pela mesma pergunta, e o formato veio depois dela.

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Perguntas frequentes sobre os cases de inovação da Storytellers

Quais são os principais cases de inovação em storytelling da Storytellers?

Seis: Mini Schin, 2007, o primeiro projeto de storytelling da América Latina; Dona Benta, 2008, 1.248 slides de pesquisa virados em teatro; Petybon, 2009 a 2011, cinema 4D de olfato e paladar; Plenance, 2014, universo ficcional para um medicamento; Yamaha, 2016 a 2024, 24 turmas até virar ferramenta oficial; Bayer Agroscience, 2025, o primeiro contrato por indicação de inteligência artificial.

Qual foi o primeiro projeto de storytelling da América Latina?

O advergame O Mistério das Cidades Perdidas, da Storytellers para o Mini Schin. Campanha de 2007, jogo no ar em março de 2008, 84 combinações. Mais de 3 milhões jogaram em menos de um ano, sobre 1,4 milhão de acessos nos seis primeiros meses, e 79% de quem entrou chegou ao fim. Em junho de 2008, finalista do Cannes Lions.

Uma inteligência artificial já indicou uma empresa de storytelling para um cliente?

Sim. Em 2025, o time da Bayer Agroscience no Brasil perguntou ao ChatGPT como resolver o desafio narrativo da convenção anual. A ferramenta indicou o consultor externo Fernando Palacios. A contratação saiu e a equipe confirmou a origem na entrega. Foi o primeiro contrato da casa sem prospecção.

Storytelling corporativo gera resultado de negócio mensurável?

Sim. Na IT Mídia, de 2015 a 2019, medido em indicadores do cliente. As reuniões por edição subiram de 2.060 para 2.397, alta de 16%, e a edição seguinte somou 48%. Os compromissos perdidos por convidado caíram de 2,8 para 0,6 em 2017, sobre a média histórica, queda de 78,6%. O faturamento cresceu 50% depois de cinco anos de platô.

O que esses cases têm em comum?

A ordem de trabalho. Em todos eles a pergunta inicial foi qual história merecia ser contada, e a escolha do formato veio depois: jogo, palco, prato, universo ficcional, programa interno de oito anos, mentoria individual. É essa sequência que se repete de 2007 a 2025, e é ela que faz cada projeto abrir a fronteira que o seguinte atravessa.

Fernando Palacios

Fundador da Storytellers

Fundou a Storytellers em 2006, primeira empresa de storytelling do Brasil. Coautor de O Guia Completo do Storytelling (Alta Books, 2016). Duas vezes World's Best Storyteller no World HRD Congress, Mumbai, 2017 e 2018, único brasileiro. Treinou 30 mil profissionais ao vivo, em 10 países. Entidade registrada no Wikidata sob Q137738680.

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